Mostrar mensagens com a etiqueta Processo E-Toupeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Processo E-Toupeira. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O regresso da "toupeira"


Em dia de São Valentim, os portugueses ficaram a saber que José "toupeira" Silva voltou ao activo nos tribunais portugueses. Segundo fonte do tribunal de Guimarães contactada pelo Jornal de Notícias, "José Silva regressou ao trabalho há cerca de um mês" e tem acesso "a tudo como dantes", estando inclusivamente "com muito trabalho em mãos". Maravilhoso!!!

O regresso da "toupeira"


Desde logo, salientar o facto de os jornais só terem chegado a esta informação um mês depois do sujeito ter regressado ao trabalho (a Tânia Laranjo e o Correio da Manhã só podem andar a dormir). Depois, dizer que é absolutamente inacreditável que face aos fortíssimos indícios a juíza não tenha proibido José "toupeira" Silva de regressar ao seu trabalho. Mas não o fazendo, o Ministério da Justiça tinha a obrigação de o impedir, até porque já deveria estar a correr um processo disciplinar em curso com vista ao seu despedimento. 

Sim, bem sei que temos sempre de partir do princípio da presunção de inocência, mas neste matéria as provas são tão flagrantes que não há margem para dúvidas. José Silva utilizou credenciais de altos magistrados para consultar de forma indevida dezenas de processos judicias. Isto é factual. Depois o tribunal decidirá se existe corrupção, tráfico de influência, etc. Para o Ministério da Justiça é absolutamente irrelevante os crimes pelos quais será ou não condenado. Num país sério, José "toupeira" Silva tinha sido imediatamente demitido pelo ministério público mal foram conhecidos os seus comportamentos no local de trabalho. Era isto que todos os portugueses esperavam ver. 

"Sinto-me vexado" 


Mas pior do que isto é o silêncio de todos as entidades deste país. Ninguém diz uma palavra sobre esta vergonha, nem mesmo as partes interessadas. Desde logo, o Ministério Público, que é quem trata da acusação do processo e-toupeira nada diz. O conselho Superior da Magistratura vê os seus magistrados serem colocados a trabalhar ao lado de um sujeito sem qualquer tipo de idoneidade e nada dizem (bem, talvez não tenham muita moral para falar depois do que aconteceu com Fátima Galante e Rui Rangel no âmbito do Processo Lex), mas ainda assim deveria ter-se pronunciado. Os próprios visados no processo e os seus assistentes nada dizem, inclusivamente o Sporting (mas já vai sendo normal). O Ministério da Justiça nada diz e nada faz para impedir esta vergonha nacional. Por fim, dizer que o Presidente da República, Presidente da AR e outros artistas políticos também nada dizem sobre um processo que juntamente com o processo LEX é a mancha mais negra na história da Justiça em Portugal. Parece que se acabaram as doses de "vexamento" para esses lados. Em ano de eleições é sempre complicado...

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Ao cuidado da juíza Ana Peres e dos juízes do tribunal da relação



Durante o dia de ontem foram reveladas informações muito importantes relevantes sobre o processo dos emails. Segundo o Correio da Manhã, o "Benfica escondeu contas bancárias" do Ministério público. Uma informação retirada do próprio processo e que está a ser ignorada pela restante imprensa.

O artigo e a reportagem


Aqui fica o artigo e a reportagem. 




Os três momentos


Nesta história há três momentos chave que é preciso identificar.

1) A 17 de Outubro de 2017 o Benfica foi alvo de buscas e nesse dia escondeu informação financeira e contabilística dos inspectores da PJ. 

2) Já depois das buscas de 17 de Outubro, o MP solicitou a entrega de informação financeira e contabilística em duas ocasiões. O Benfica não respondeu à notificação do MP.

3) O facto de o Benfica não ter entregue a informação pedida fez com que a procuradora-adjunta, Andreia Marques tenha ordenado novas buscas ao Estádio da Luz a 30 de Janeiro de 2018. A diligência visava a localização e apreensão de documentação contabilística da Benfica SAD e sociedade participadas. Para além disso o MP pretendia ter acesso a extractos de conta de clientes e fornecedores.

Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte I


Aquando das primeiras buscas, a 17 de Outubro de 2017, o MP não encontrou os documentos financeiros e contabilísticos como são os extractos de conta de clientes ou fornecedores. Todos estes documentos que eram a base fundamental da diligência, não foram encontrados no Estádio da Luz. Ora, alguém acha normal que documentos desta relevância não estejam nas instalações da entidade? Onde é que as empresas guardam as suas informações financeiras e contabilísticas? Não é dentro das suas portas? Onde estavam os documentos? Foram arejar? Com jeitinho até podem ter ido passar um período de férias a casa da mãe de algum dirigente, como aconteceu em outras paragens. 

Coincidência das coincidências, em Outubro de 2017, José "toupeira" Silva estava em plena actividade de recolha de informações para passar a Paulo Gonçalves sobre processos judiciais que envolviam o Benfica e outras sociedades desportivas. 

Olhando para o despacho de acusação, que é público e pode ser consultado por toda a gente, conseguimos vislumbrar que nos dias que antecederam estas busca de 17 de Outubro de 2017, foram feitas uma série de consultas relativas a este processo. Aqui fica um pequeno excerto dos acessos a este processo nos dias que antecederam estas buscas no Estádio da Luz.

Despacho de acusação do processo e-Toupeira
José "toupeira" Silva consultou este processo por 203 ocasiões em 95 dias diferentes entre 15-06-2017 e 03-03-2018. É obra.

Como podem verificar no print anterior, José "toupeira" Silva consultou este processo diariamente, com excepção do fim-de-semana (14 e 15). Portanto, assim que as buscas foram autorizadas a informação ficou disponível para consulta na plataforma. Para além da data em que as mesmas iam ser realizadas é também disponibilizada a informação fundamental sobre os elementos de prova que se pretendem recolher. 

Ou seja, José "toupeira" Silva soube com antecedência que o Benfica seria alvo de buscas a 17 de Outubro e que o foco principal incidia sobre informação financeira e contabilística do Benfica. Por mera coincidência no dia em que as buscas se realizaram, os documentos que os senhores da PJ pretendiam encontrar não estavam nas instalações do Benfica. Há coisas verdadeiramente incríveis. 

Mais incrível do que isto, só o facto de no despacho de acusação do processo e-Toupeira estar versado que José "toupeira" Silva imprimiu este processo e entregou-o em mão a Paulo Gonçalves. É engraçado que aquando das buscas surpresa realizadas pela PJ ao Estádio da Luz em Março de 2018, foi encontrado na secretária do Paulo Gonçalves a tal processo imprimido e entregue por José "toupeira" Silva. Coincidências.

Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte II


Uma vez que nas buscas de 17 de Outubro não foram encontrados os documentos nas instalações do Benfica, o MP pediu ao clube a informação financeira e contabilística necessária para avançar com a investigação por duas ocasiões. O Benfica optou por não entregar essas informações à investigação. Nada mal para o clube que sempre se disse disponível para colaborar com a justiça. Provavelmente estavam a aguardar que os documentos viessem das férias na casa da mãe de algum dirigente. 

Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte III


Face ao desaparecimento dos documentos nas buscas de 17 de Outubro e face ao facto de o Benfica ter ignorado por duas vezes o pedido da entrega desses documentos às autoridades, a procuradora-adjunta, Andreia Marques ordenou novas buscas ao Estádio da Luz a 30 de Janeiro de 2018. 

Curiosamente, na véspera destas novas buscas, José "toupeira" Silva consultou duas vezes o processo no final do dia de trabalho, como podem ver. 

Despacho de acusação do processo e-Toupeira

Portanto, José "toupeira" Silva teve conhecimento antecipado que no dia seguinte iriam ocorrer buscas no Estádio da Luz no âmbito deste processo. Curiosamente, nestas buscas a PJ lá conseguiu ter acesso a alguns destes documentos. Escusado será dizer que as informações recolhidas pouca ou nenhuma relevância tiveram para a investigação. 

Para fechar


Portanto, alguém acredita que Paulo Gonçalves teve informação antecipada a dar conta de buscas no Estádio da Luz e que a guardou para si sem nunca informar a administração do Benfica e os seus advogados. Curiosamente, os documentos fundamentais para a investigação não estavam no Estádio da Luz no dia das buscas. Está mais do que visto que a senhora juiza do processo e-Toupeira parece acreditar em milagres. 

Entre outros argumentos patéticos, a senhora juíza Ana Peres decidiu ilibar o Benfica no âmbito do processo e-Toupeira por considerar que "os crimes imputados a Paulo Gonçalves nada têm a ver com o interesse colectivo da sua entidade patronal". Era bom que a senhora juíza pedisse o processo dos emails para ler as conclusões da investigação. Talvez assim, também na cabeça da senhora se pudesse fazer alguma luz. Ou então é uma questão de ver demasiada luz e não haverá nada a fazer. Fica a informação para os senhores juízes do tribunal de relação de Lisboa que irão analisar o recurso interposto pelo MP da vergonhosa decisão da Juíza Ana Peres. 

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O jogo do "empurra" no processo e-toupeira


Os indícios versados no processo e-toupeira são fortíssimos e colocam em causa a justiça, o estado de direito, a democracia e o sistema de justiça português. É surreal pensarmos que é possível "comprar" informações de processos judiciais em curso, possibilitando a pessoas singulares e colectivas providenciarem diligências no sentido de subverter o normal desenrolar dos processos. 

O denominador comum


Infelizmente, este não é o único caso a correr na justiça portuguesa sobre esta temática. Importa recordar que o processo e-toupeira surge depois de se ter iniciado a operação Lex. Um processo que envolve a compra de juízes e em que estão em causa crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento, tráfico de influências e fraude fiscal qualificada. 

Como sabem, no âmbito da operação Lex, o juiz Rui Rangel foi indiciado por crimes de tráfico de influência, por alegadamente ter influenciado decisões judiciais. Curiosamente, estamos a falar de um caso onde Luís Filipe Vieira também é arguido, por alegadamente ter pedido a Rui Rangel para interceder num processo jurídico pendente no tribunal administrativo e fiscal de Sintra, no valor de 1,6 milhões de euros. Em troca desta "ajuda", o presidente do Benfica terá oferecido um "cargo remunerado na futura direcção da escola Benfica e da universidade do clube". Para além destes cargos, Vieira terá também oferecido a Rangel tratamento VIP. Segundo os indícios tornados públicos, Rangel "passaria também a ser uma espécie de convidado VIP das viagens do Benfica ao estrangeiro para ver os jogos das competições internacionais". 

Falamos de um caso onde também está envolvido Fernando Tavares, actual vice-presidente do Benfica, com o pelouro das modalidades.

Luís Filipe Vieira, Rui Rangel e Fernando Tavares no jantar de comemoração do aniversário da presidência de Luís Filipe Vieira em Novembro passado.

Ora, neste momento o país está perante dois casos que colocam em causa o nosso sistema de justiça.  Um em que se compram funcionários judiciais e outro em que se compram juízes. O denominador comum é precisamente o Benfica, através de altos quadros como são Luís Filipe Vieira, Fernando Tavares e Paulo Gonçalves. Deve ser coincidência...

A envolvência do presidente do Benfica - condenado por roubo - e de um dos seus vice-presidentes num caso de "compra" de juízes, torna ainda mais vergonhoso o facto de a senhora juíza ter decidido nem sequer levar o Benfica julgamento, utilizando para isso argumentos absolutamente surreais. Sobre essa matéria já escrevi (aqui), e mais haverá a dizer em próximos posts.

Mas há outra coisa que custa muito aceitar e que passa pela forma como a instrução foi conduzida pela senhora juíza Ana Peres. 

O jogo do "empurra"


Link da notícia (aqui)

O debate instrutório foi inicialmente marcado para 26 de Novembro (2ª feira), só que a senhora juíza decidiu adiar uma semana, para 3 de Dezembro. 

Link da notícia (aqui)
Passado o debate instrutório, a juíza Ana Peres anunciou que a decisão seria tomada no dia 13 de Dezembro (quinta-feira). A 11 de Dezembro e a dois dias do anúncio, Ana Peres decidiu adiar o anúncio da decisão por mais uma semana, para 20 de Dezembro (quinta-feira). 

Link da notícia (aqui)

Chegamos ao dia 20 (quinta-feira) e por volta do meio dia, eis que a senhora juíza anunciou o terceiro adiamento no processo de instrução. O anúncio da decisão passou então a estar marcada para o dia seguinte, 21 (sexta-feira). 


Um bom natal para todos


Portanto, somados estes 3 adiamentos na fase de instrução, concluímos que a senhora juíza necessitou de 11 dias úteis adicionais para proferir uma decisão. Se recuarmos os tais 11 dias úteis, ficamos a perceber que a decisão teria sido anunciada a 6 de Dezembro, ou seja, 15 dias antes do dia em que foi anunciada. 

O timing em que as notícias são publicadas ou decisões são anunciadas, é algo absolutamente fundamental na gestão da agenda mediática. Como exemplo, é fácil percebermos que o mês de Agosto e o período festivo de final de ano - com a celebração do Natal e do ano novo - são fases muitos suaves em termos mediáticos. 

Se olharmos para a cobertura dada à decisão da instrução do processo e-toupeira, ficamos com a imagem perfeita. A decisão foi sendo adiada até ao último dia útil antes da quadra natalícia (sexta-feira, 21). Depois do anuncio da decisão, pouco mais do que as habituais notícias sobre o tema foram feitas. Não se viram painéis com experts desportivos, nem análise jurídica, nem os habituais longos debates que ocupam as noites de inicio de semana. Absolutamente nada de relevante. O assunto morreu em pouco tempo, porque há que celebrar a quadra festiva e ninguém quer falar destas coisas "chatas" numa fase destas.

Normalmente, estas jogadas mediáticas são uma especialidade do poder político. Não quero acreditar que o poder judicial também queira aproveitar estas ondas mediáticas para esconder uma decisão vergonhosa do escrutínio publico, mas começo a ser tentado a acreditar. A realidade é que não consigo encontrar uma justificação válida para o processo ter sido adiado tantas vezes. Não consigo encontrar uma justificação válida para que num processo desta importância a senhora juíza não tenha tido um comportamento irrepreensível, cumprindo todos os timings definidos previamente. E muito menos consigo encontrar uma justificação válida para se empurrar a decisão para o último dia útil antes das festividades natalícias. Provavelmente, será tudo "coincidência". 

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

domingo, 23 de dezembro de 2018

A justiça do "colete encarnado"


Depois de uma série de adiamentos na fase de debate instrutório e até na leitura da decisão (adiada por duas ocasiões), chegou finalmente o dia em que a juíza Ana Peres decidiu anunciar aos portugueses a sua decisão relativamente ao processo e-toupeira.

A decisão


Público 22/12/2018
A juíza Ana Peres decidiu não pronunciar a Benfica SAD e Júlio Loureiro pelos crimes que estavam indiciados. José "toupeira" Silva foi indiciado de 26 crimes dos 77 que estava acusado e Paulo Gonçalves foi indiciado de 29 crimes do 77 crimes que foi indiciado pelo MP. 

Benfica SAD ilibada


O principal destaque da leitura da decisão instrutória vai obviamente para o facto de juíza Ana Peres ter decidido ilibar a Benfica SAD dos 30 crimes de que era acusada pelo MP. Devo começar por dizer que esta decisão até poderia ser aceitável, desde que Paulo Gonçalves também fosse ilibado dos crimes pelos quais estava indiciado pelo MP, nomeadamente no crime de corrupção activa. Não foi isso que aconteceu.

Portanto, a juíza pronunciou Paulo Gonçalves por corrupção activa mas ilibou a Benfica SAD do mesmo crime. E é aqui que os portugueses ficam absolutamente perplexos com a decisão da juíza. Vamos por partes.

Duas faces da mesma moeda


O ministério público considerou que a responsabilidade criminal do Benfica está assente nos pressupostos das alíneas a) e b) do número 2 do artigo 11º do código penal. Vejamos:


Segundo o código penal há dois pressupostos possíveis para que a Benfica SAD tenha responsabilidade directa nestes crimes. 
1 - Os crimes foram cometidos em nome do interesse do Benfica SAD ou de pessoas que ocupem posição de liderança; ou
2 - A administração da SAD tivesse violado os deveres de vigilância ou controlo que lhe incumbia sobre a actividade de Paulo Gonçalves. 

Basta que um destes pressupostos se verifique para que a Benfica SAD tenha de responder pelos actos de Paulo Gonçalves. Passo a analisar cada uma destas alíneas.

Alíena a) - Crimes cometidos em nome do interesse do Benfica 


De acordo com o que saiu na imprensa, a senhora juíza considerou, e passo a citar: "Os crimes imputados a Paulo Gonçalves nada têm a ver com o interesse coletivo da sua entidade patronal".

Sim, leram bem. Esta é a opinião da juíza. Vejamos agora o que diz a alínea a) do artigo 11º do código penal: Começa com um "em seu nome" - (nome da Benfica SAD). Ora, é fácil perceber que tudo foi feito em nome do Benfica. Quando se dá bilhetes para jogos no Estádio da Luz, acessos VIP para zonas privilegiadas no mesmo estádio, acesso a zona reservada aos jogadores, bilhetes para os jogos fora do Benfica, camisolas e outro material desportivo do Benfica e até  promessas de emprego para familiares no museu do Benfica, está-se a usar que nome? Do Carcavelinhos? Se calhar, a juíza acredita que se fosse um responsável do Carcavelinhos a utilizar o mesmo expediente, as toupeiras tinham cometido na mesma os crimes que foram indiciados, não!? 

Para além dos crimes serem cometidos em nome da instituição a alínea a) refere também a necessidade da existência de "interesse colectivo". Obviamente, o Benfica SAD tem interesse em saber de forma antecipada tudo o que ocorreu em dezenas de processos judiciais relacionados com a Benfica SAD, processos de rivais e outros agentes relacionados com o desporto. O caso dos vouchers, dos emails, jogos para perder envolvendo o Benfica, Jogo Duplo, processo de oferta de bilhetes do Benfica a funcionários do SEF, processo do IPDJ contra claques do Benfica, processos relacionados com o Porto, o célebre processo do Sporting contra a Doyen, um processo que envolvia o jogador Fejsa, um processo que envolve Hugo Gil, outro relativo a César Boaventura e até um processo em que Luís Filipe Vieira estava envolvido, entre muitos outros. 

Eu pergunto, saber tudo isto em primeira mão, muitas vezes antes de as diligências serem efectuadas não é do interesse da Benfica SAD? Quando um juiz concede um mandato de buscas para a SAD do Benfica ou para alguém relacionado com o clube não é do interesse do Benfica saber disso de forma antecipada, para se conseguir preparar convenientemente? Claro que é. 

Para fechar, a alínea a) refere claramente "pessoas que ocupem uma posição de liderança na sociedade". Toda a gente sabe que Paulo Gonçalves é o braço-direito de Luís Filipe Vieira. Tanto assim é que muitas vezes cumpriu até o papel de representação oficial do presidente do Benfica nas mais importantes esferas do futebol nacional e internacional, nomeadamente em reuniões da Liga, da FPF e da UEFA.

Posto isto, a juíza tem a lata de dizer que os crimes "nada têm a ver com o interesse da Benfica SAD"!? Não? Então tem a ver com o interesse de quem? Do Carcavelinhos? Os processos consultados são todos relacionados com clubes rivais, com o próprio Benfica e com agentes desportivos e não tem a ver com o interesse da Benfica SAD!? 

Mas, até vamos dar de barato e aceitar a teoria do Benfica que diz que Paulo Gonçalves não tinha qualquer peso na liderança da Benfica SAD. Para esses casos a lei dá uma outra alternativa que é precisamente a alinea b) do tal artigo 11º do código penal. 

Alínea b) - Violação dos deveres de vigilância


A alínea b) refere-se ao dever e à função de a liderança da estrutura controlar e vigiar as condutas desenvolvidas por subalternos. Controlo que passa por garantir que os subalternos desenvolvam a sua actividade dentro do interesse da pessoa colectiva, mas sem que sejam ultrapassadas as barreiras legais. Como é lógico, só se enquadra na alínea b) se os crimes praticados sejam do interesse da sociedade, como acontece neste caso. 

Nos relatos da imprensa está uma pérola que consubstancia a desculpa para a qual a senhora juíza decidiu não enquadrar na alínea b) os crimes sobre os quais Paulo Gonçalves responderá em julgamento. Ana Peres diz que "os crimes imputados a Paulo Gonçalves foram praticados fora do exercício das funções". Mas que raio quer isto dizer? Não estão todos os crimes fora do exercício das funções de todos nós? Ou a juíza acha que faz parte das funções de algum funcionário cometer ilícitos criminais para benefício da sociedade que representa? 

Mas este argumento até é fácil de desmontar. Ora, se os crimes foram praticados fora do exercício das funções, como diz a senhora juíza, eu pergunto: como se justifica que Paulo Gonçalves tenha utilizado as suas funções para conceder as benesses às toupeiras? Paulo Gonçalves utilizou ou não as suas funções para arranjar os bilhetes (jogos na Luz e jogos fora no norte do país) para as toupeiras? Paulo Gonçalves utilizou ou não as suas funções para oferecer material do Benfica às toupeiras? 

Tudo bem, a senhora juíza até pode acreditar que Paulo Gonçalves foi à loja do Benfica comprar o material do Benfica pagando-o do seu bolso. A senhora juíza até pode acreditar que Paulo Gonçalves comprou todos os bilhetes para os jogos do Estádio da Luz do seu bolso. No limite até pode acreditar que Paulo Gonçalves deslocou-se às bilheteiras de diversos estádios no norte do país e comprou do seu bolso bilhetes para oferecer às toupeiras. Ninguém acredita nisto, mas até vou dar de borla, até porque há algo que só é possível conseguir através do tal "exercício das funções". Como sabemos há uma promessa de emprego para um sobrinho da toupeira e há também acessos a zonas interditas ao público para que as toupeiras pudessem estar com os jogadores. Portanto, nestas duas situações não restam grandes dúvidas que foram opções tomadas no tal "exercício das funções". Mas há mais.

Este artigo b) é claro quando diz que a entidade tem o dever de "vigilância e controlo" dos seus subalternos e aqui é preciso referir algo que é evidente para todos. Desde 2017 que os comportamentos de Paulo Gonçalves têm sido esmiuçados pelos portugueses, através do que foi divulgado nos emails do Benfica. Acreditando que a administração do Benfica nada saberia sobre estes comportamentos, ficou a conhece-los no momento em que os emails foram tornados públicos, até porque nos mesmos há claras indicações da entrega de dezenas de bilhetes para as toupeiras. 

Portanto, a tese de que o Benfica de nada sabia morre aqui. Por que será que o Benfica quando confrontado com estes comportamentos não demitiu imediatamente Paulo Gonçalves. Por que será que nem sequer há um processo disciplinar a Paulo Gonçalves na matéria relacionada com os emails? A não existência de nenhum comportamento condenatório ou de controlo do Benfica para com Paulo Gonçalves consubstancia de forma evidente a tal "violação dos deveres de vigilância" que faz com que a Benfica SAD tenha obrigatoriamente de ir a julgamento pelos indícios criminais apontados a Paulo Gonçalves.  

Uma vergonha para a justiça 


Numa perspectiva mais geral, julgo que todo o país já percebeu que estamos perante indícios criminais muito fortes. Falamos de crimes que colocam em causa a justiça e o estado de direito, e que a serem provados são um verdadeiro atentado à democracia e ao sistema de justiça português. É gravíssimo que nos dias que correm seja possível "comprar" informações de processos judiciais em curso, possibilitando a pessoas singulares e colectivas providenciarem diligências no sentido de subverter o normal desenrolar dos processos. É surreal vivermos num país onde os visados conseguem por exemplo saber com antecedência que serão alvo de uma busca num determinado dia.

Por tudo isto, seria expectável que a senhora juíza tivesse uma postura de defesa acérrima do sistema de justiça contra este tipo de crimes, até porque é o trabalho da magistratura e das polícias que está a ser posto em causa. No fundo é a justiça que está posta em causa. 

É incompreensível que a senhora juíza utilize argumentos tão frágeis para retirar da equação a Benfica SAD, poupando-a a algo que no entendimento da generalidade dos portugueses é absolutamente evidente. Recordo que nas alegações no debate final da instrução, o senhor procurador do MP deixou palavras muito fortes dizendo que "dificilmente nos casos de corrupção a prova colhida é tão vasta e cristalina". Infelizmente, a senhora juíza foi ofuscada por uma luz qualquer que a impediu de ver algo que toda a gente vê. 

Um grave precedente


Tenho aqui dito que este caso é muito mais do que um caso desportivo. Foi colocado em causa um dos pilares da democracia e a resposta não podia ser pior. Esta decisão da juíza Ana Peres abre aqui um gravíssimo precedente que coloca em causa toda a nossa democracia. Atentem em mais uma pérola: 

"Paulo Gonçalves não era representante de pessoa coletiva Benfica SAD, não fazia parte dos seus órgãos sociais. Os actos das pessoas singulares não podem ser refletidos na pessoa coletiva, mesmo que praticados pelos seus dirigentes, mesmo que praticados no seio do entre coletivo podendo traduzir um estado de perigosidade da organização em relação ao cometimento de ilíciitos de natureza criminal".

Absolutamente patético este argumento utilizado por alguém que usa a letra da lei quando deveria ser a interprete do espírito da lei. Se pedirmos a 100 portugueses escolhidos ao acaso para dizerem nomes de dirigentes benfiquistas, Paulo Gonçalves estaria sem margem de dúvidas no top das indicações, juntamente com Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira e Rui Costa. O que a juíza diz é que se fosse um vogal qualquer da direcção (que ninguém conhece e nem sequer é remunerado), ai sim já estaria enquadrado. 

O precedente está aberto e o que fica desta brincadeira é um verdadeiro mapa do tesouro para a impunidade por parte das empresas. Basta que os crimes sejam cometidos por alguém que não faça parte da administração e está o problema resolvido. Já estou a ver os administradores de empresas um pouco por todo o país a mudarem a sua designação profissional para director jurídico. 

Para fechar importa dizer que esta decisão pode ser revertido pelo tribunal da relação, uma vez que o Ministério Público já anunciou a intenção de recorrer desta justiça de "colete encarnado". 

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

"Dificilmente nos casos de corrupção a prova colhida é tão vasta e cristalina"


Decorreu ontem o final do debate instrutório do caso E-toupeira no tribunal central de instrução criminal em Lisboa. Um processo que terá agora alguns dias de inactividade até 13 de Dezembro, dia em que a juíza Ana Peres anunciará se o caso irá ou não a julgamento. 

"Dificilmente nos casos de corrupção a prova colhida é tão vasta e cristalina" 


Da sessão de ontem sairam algumas declarações muito relevantes do procurador do Ministério Público que merecem claro destaque:

"Paulo Gonçalves é o cerne e estava presente na maioria das reuniões da SAD, nas reuniões de Conselho Directivo, estava sempre no Estádio da Luz, estava assim sempre junto da liderança e tomadas de decisões da SAD"

"Não basta existir o código de conduta. O código de conduta precisa de vigilância", sustentou Valter Alves. "A Benfica SAD está indiciada de forma directa às contrapartidas, como o acesso ao parque reservado e promessa de emprego à filha de José Silva. José Silva mostra indícios de forma directa a processos judiciais com interesse para a SAD do Benfica e de os divulgar, mesmo alguns estando em segredo de justiça. Os arguidos aceitaram as contrapartidas feitas pelo clube, através de Paulo Gonçalves."

"Era uma forma de recompensa. Qual é o fundamento de oferecer tudo aos arguidos? Fazem isso a todos os adeptos? Não fazem! E qual é o fundamento de os funcionários judiciais acederem a processos de forma abusiva, colocando a sua carreira em risco?"

"Dificilmente nos casos de corrupção a prova colhida é tão vasta e cristalina", sustentou o procurador.

Peça da RTP


Gostaria de salientar um peça da jornalista Margarida Neves de Sousa da RTP que com bastante criatividade resumiu o que estava em causa.


Apesar da qualidade da peça faltou mencionar algumas coisas. Relativamente às "alegadas" contrapartidas, para além da promessa de trabalho para um sobrinho, das camisolas e bilhetes para os jogos na Luz, há também a oferta de bilhetes para jogos fora (logo, pagos pelo Benfica ao clube da casa), acesso a zonas exclusivas do estádio que possibilitavam convívio com os jogadores e mais relevante ainda...

Link da notícia (aqui)
Também faltou dizer nesta peça que a esmagadora maioria dos processos consultados diziam respeito directa ou indirectamente a clube rivais e processos em que o próprio Benfica estava sob investigação. 

MP e assistentes pedem julgamento para todos os arguidos


Segundo a imprensa de hoje, ministério público e alguns assistentes do processo pediram o julgamento para todos os arguidos, incluindo a Benfica SAD. Neste rol de assistentes estão o Sporting, Bernardino Barros ou António Perdigão. Do que saiu na imprensa só há referência a estes três assistentes, mas existem muitos mais que são menos conhecidos do grande público. Sobre eles não há referência na imprensa sobre a presença dos advogados ou dos próprios e se pediram ou não que o processo vá a julgamento.

A posição do Sporting


Miguel Coutinho, na condição de advogado do Sporting foi taxativo. "Esta fase de instrução serviu para confirmar ainda mais os indícios quanto à corrupção". Fico satisfeito pelo Sporting continuar atento a este caso, apesar de o conselho directivo e a comunicação do Sporting se remeterem ao silêncio sobre esta matéria.

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Confirmado acesso VIP para a "toupeira" do Benfica


Ficamos ontem a saber o teor do conteúdo do depoimento de Rui Pereira, director de segurança do Benfica que acabou por desmontar a teoria de defesa do Benfica no que diz respeito à presença de José "toupeira" Silva na área reservada aos jogadores no parque de estacionamento do Estádio da Luz. Aqui fica a reportagem com o respectivo auto de inquirição. 

A reportagem



Como é lógico, numa zona tão reservada do Estádio da Luz só podem aceder "estranhos" com a devida autorização do departamento de futebol do Benfica. Negar isto, como o Neymar, Messi e o Ronaldo da advocacia tentam fazer é passar um atestado de estupidez ao tribunal. 

Este acesso VIP proporcionado à "toupeira" é mais uma daquelas "cortesias" que não tem valor comercial mas que terá por certo um grande valor sentimental para qualquer adepto do clube. Tanto assim é que o próprio José "toupeira" Silva colocou diversas fotos destes encontros com os jogadores no seu Facebook pessoal. Que orgulho. Um acto que até levou Paulo Gonçalves a ordenar que as toupeiras não metessem estas fotos no Facebook.

Link da notícia (aqui)

As outras prendas


Para fechar, recordar que a acusação do Ministério Público considera como contrapartidas pelas "toupeiradas" uma série de situações:
- Oferta de diverso material de vestuário do Benfica;
- Oferta de mais de 100 bilhetes para jogos de futebol do Benfica;
- Promessa de emprego para o sobrinho de José "toupeira" Silva no museu do Benfica. Contratação que não se chegou a consumar porque a investigação ficou concluída antes de estar consumada a contratação;
- "Cunha" numa instituição bancária para desbloqueio de um empréstimo bancário;
- 58 operações a crédito na conta de José "toupeira" Silva durante o período em investigação. Foram 11 depósitos bancários e 47 transferências na conta de José "toupeira" Silva que totalizam mais de 10 mil euros.

Apesar de tudo isto, ainda há benfiquistas a enterrarem a cabeça na areia e a não quererem ver o óbvio. 

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Testemunhas do e-Toupeira!? Chamem o Nuno Farinha


Foi ontem divulgado na imprensa que a juíza Ana Peres - em substituição do juiz Ivo Rosa que passou a estar em exclusivo no processo Marquês - decidiu não ouvir todas as testemunhas indicadas pelo Benfica na instrução do processo E-Toupeira. Das 17 testemunhas indicadas pelo Benfica (já escrevi sobre estes nomes - aqui), apenas 4 serão ouvidas: Pedro Proença, Fernando Gomes, Miguel Moreira (Dir. Financeiro do Benfica) e Luís Bernardo.

Teorias da defesa encarnada


No início deste mês, o Benfica requereu a instrução do processo e-Toupeira e de imediato os jornais desportivos apressaram-se a passar a narrativa encarnada. Através do "Ronaldo, Messi e Neymar da advocacia", os encarnados tentam rebater a acusação do MP. Resumindo, o Benfica diz que a administração da SAD nunca teve conhecimento das práticas de Paulo Gonçalves, que o então director jurídico da SAD era uma figura menor, sem relevo na estrutura e que em momento algum o Benfica terá usado essas informações para o que quer que seja. Para fechar em beleza, acrescentam que o Benfica tem um código de conduta e que nele não estão previstos estes comportamentos. 

Um testemunho decisivo 


Para quem tem acompanhado todos os casos que envolvem o nome do Benfica, esta argumentação não pode ter colhimento. De qualquer forma, e caso seja necessário ao MP desmontar estas idiotices do "Ronaldo, Messi e Neymar" do direito nacional, eu recomendaria que indicassem Nuno Farinha para depor sobre estas matérias. E porque é que trago Nuno Farinha à baila? Vejamos:

No dia 11 e 12 de Junho de 2016, o jornal Record publicou uma grande entrevista a Luís Filipe Vieira conduzida por Vanda Cipriano e Nuno Farinha, então director-adjunto do jornal.

Capas jornal Record de 11 e 12 Junho de 2016

"O Record passou três dias com o presidente do Benfica e apresenta nas edições de sábado e domingo (assim como no Record Premium) o resultado de uma extensa reportagem e de uma longa entrevista."  - Link (aqui)

Portanto, quem passou três dias com o Presidente do Benfica em 2016 e em 2018 está a trabalhar sob a chefia desse mesmo senhor, é muito provável que possa ajudar a esclarecer o tribunal sobre todas estas matérias. Vejamos se a narrativa actual da troika de advogados do Benfica bate certo com o que Luís Filipe Vieira disse a Nuno Farinha nesta grande entrevista.

"Ah e tal, a administração da SAD não teve conhecimento das práticas de Paulo Gonçalves"


Na introdução da entrevista, Nuno Farinha diz que "o presidente do Benfica dedica-se a vários projectos e o Benfica absorve-lhe muito do tempo, mas isso faz com que domine tudo sobre o universo benfiquista". Portanto, Nuno Farinha que acompanhou Luís Filipe Vieira durante três dias e que até sabe a marca da roupa da preferência de Luís Filipe Vieira, considera que o líder do Benfica domina "tudo sobre o universo benfiquista"

Ora, um homem que tudo sabe sobre o Benfica e que está sempre a trabalhar em prol do clube não tinha conhecimento dos comportamento de Paulo Gonçalves? Parece-me ser uma boa pergunta para Nuno Farinha responder em tribunal. Todos gostaríamos de saber a sua opinião. 

"Ah e tal, o Paulo Gonçalves não faz parte do conselho de administração da SAD, logo, não representa o Benfica"



Durante o período em que esteve a acompanhar Luís Filipe Vieira, Nuno Farinha teve o privilégio de assistir a uma reunião do conselho de administração da SAD. Como foi relatado por Nuno Farinha, "a duração da reunião do conselho de administração é uma incógnita mas as presenças não". E nessas presenças está incluído o senhor Paulo Gonçalves, como podemos ver na foto. Quem também está presente é Miguel Moreira, director financeiro do Benfica e que irá ser uma das testemunhas a ser ouvidas pelo tribunal.

Portanto, o Benfica quer fazer passar a ideia que Paulo Gonçalves é um "zé-ninguém" no clube, mas a realidade é não sendo administrador da SAD é um membro permanente das reuniões do conselho de administração da SAD do Benfica, fazendo parte da tão propagandeada "estrutura" do Benfica. A tal que está "dez anos à frente da concorrência".

Acrescenta ainda Nuno Farinha que "ali, num encontro formal, mas em clima de amizade, decide-se TUDO o que se relaciona com o futuro do clube, sobretudo do futebol." Ora, nestas reuniões decide-se TUDO, mas o Benfica quer que os portugueses acreditem que Paulo Gonçalves agiu de livre e espontânea vontade sem o conhecimento da administração. Ainda por cima quando são tão "amigos". Tá certo!

Mais uma vez, reitero que será uma maravilha ouvir Nuno Farinha a falar sobre esta sua experiência de três dias no Benfica. 

"Ah e tal, o Paulo Gonçalves nem seque está ligado ao futebol. É só um advogado que por lá anda"



Luís Filipe Vieira disse a Nuno Farinha que é profundamente "concentrado naquilo que é a parte principal do nosso core business, que é o futebol profissional". Curiosamente, na mesma resposta diz que nessa tarefa não está sozinho e que tem uma equipa, "da qual fazem parte o Domingos Soares de Oliveira, o Rui Costa, o Paulo Gonçalves...". 

Mau Maria! Então o Paulo Gonçalves não era apenas um advogado que por lá andava a pastar? Afinal de contas faz parte da tão afamada estrutura, é considerado pelo próprio presidente como fazendo parte da equipa que trata do core business e ainda por cima tem lugar cativo nas reuniões do conselho de adminitração da SAD. Palavra de Nuno Farinha que relatou tudo isto no jornal Record.

Vejamos agora a melhor parte.

"Ah e tal, a administração do Benfica nunca teve conhecimento de informação confidencial passada pelas toupeiras"



Por esta altura estava em discussão o acesso publico aos relatórios dos árbitros. Uma decisão que veio a ser efectivada quase um ano depois desta entrevista, a 8 de Maio de 2017. Mas reparem como Luís Filipe Vieira não concordava com a medida. Dizia Vieira que conhecer os relatórios iria "aumentar a perseguição aos árbitros" e que esta medida iria "expor, cada vez mais, os árbitros e as agressões verbais ainda vão ser mais graves do que as deste ano"

Como é lógico, o Benfica não tinha qualquer interesse em que os relatórios se tornassem públicos para que a sociedade pudesse escrutinar o que neles está versado. Nomeadamente, esses malandros dos blogs. Ainda para mais quando o Benfica, através de Paulo Gonçalves, já tinha os relatórios confidenciais dos árbitros. No fundo, a divulgação dos relatórios dos árbitros faria com que o Benfica perdesse uma vantagem competitiva em relação aos seus rivais.

Fiquem com um exemplo, para a coisa ficar mais clara: A 4 de Fevereiro de 2016, cerca de 4 meses antes da entrevista de LFV, Paulo Gonçalves esteve na BenficaTV a mostrar um relatório confidencial do árbitro Manuel Oliveira, que tinha apitado o Setúbal-Sporting e que acabou com a eliminação dos leões da Taça da Liga, depois de ter assinalado um penálti inexistente no último lance da partida a favor do Vitória. 


Portanto, morre aqui de forma definitiva e cabal a teoria de que a administração do Benfica não tinha conhecimento dos comportamentos "especiais" do senhor Paulo Gonçalves. A não ser que nos queiram tomar a todos por parvos. 

Então o Benfica não tinha conhecimento das práticas de Paulo Gonçalves, apesar de o senhor andar a mostrar os seus "comportamentos" sem qualquer pejo na BenficaTV!? Não me digam que no Benfica não há ninguém que veja o canal do próprio clube!? Este comportamento não infringe o tal código de conduta que o Benfica diz ter?

O mesmo Luís Filipe Vieira que diz que a divulgação publica e autorizada dos relatórios dos árbitros ia "aumentar a perseguição aos árbitros" e que esta medida iria "expor, cada vez mais, os árbitros e as agressões verbais ainda vão ser mais graves do que as deste ano" foi a mesma pessoa que viu Paulo Gonçalves divulgar um relatório confidencial do árbitro Manuel Oliveira na televisão oficial do clube liderado por si e nada fez para o impedir ou condenar.

Era também muito giro que o presidente do Benfica fosse confrontado com esta incongruência em sede de instrução. Então o senhor Vieira diz que divulgar os relatórios iria aumentar a perseguição aos árbitros e permite que Paulo Gonçalves o faça no canal do próprio clube? Das duas, uma. Ou Vieira dirá que "nunca sube", ou então dirá que está com amnésia.

Importa também referir que no dia seguinte a este programa na BenficaTV, os documentos foram publicados em exclusivo no Blog do Hugo Gil e Benfica, que com toda a sua sapiência até fez questão de lhes colocar a marca de água. 



É giro verificar que por esta altura estes senhores divulgavam documentos privados e confidenciais sem se preocuparem com questões relacionadas com a privacidade dos visados. 

Para fechar


O debate instrutório ficou marcado para de hoje a um mês, no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa. Posto tudo isto, parece-me de extrema relevância que o tribunal conceda a Nuno Farinha a oportunidade de confirmar a veracidade da entrevista para que de forma definitiva se acabe com as teorias mirabolantes do "Ronaldo, Messi e Neymar" da advocacia portuguesa. 

Por certo, o futebol nacional e a justiça agradecem a Nuno Farinha essa ajuda, até para que não se perca mais tempo num processo de instrução da treta, permitindo que se avance de imediato para julgamento dos 79 crimes de que é acusado Paulo Gonçalves e dos 30 crimes de que a SAD do Benfica é acusada. 

Fica a ideia para os senhores do ministério público.

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

domingo, 7 de outubro de 2018

As testemunhas das toupeiras


Conforme esperado, a Benfica SAD requereu a abertura da instrução do processo e-toupeira, na qual foi formalmente acusada por 30 crimes pelo Ministério Público. Sobre esse requerimento há outras matérias para análise, mas para já quero centrar-me apenas nas testemunhas arroladas pela defesa benfiquista. Ora, segundo a imprensa o Benfica indicou como testemunhas de defesa 17 pessoas. Ainda antes de passar à análise quero deixar a listagem das testemunhas por "ramo de actividade". 

5 Testemunhas do mundo do Futebol


- Fernando Gomes (Presidente da FPF)
- Pedro Proença (Presidente da Liga)
- Sousa Cintra (Ex-Presidente Sporting)
- António Salvador (Presidente Sporting de Braga)
- Júlio Mendes (Presidente Vitória de Guimarães)

Mais abaixo farei uma anális ao caso "Sousa Cintra". Sobre os restantes senhores, ficam claramente identificados. Importa apenas recordar a defesa insultuosa de António Salvador numa recente AG da Liga em que socorreu Paulo Gonçalves depois de uma intervenção de um dirigente do Sporting.

4 Testemunhas do universo Benfica


- Miguel Moreira (director financeiro do Benfica)
- Luís Bernardo (director de comunicação do Benfica)
- João Gabriel (ex-director de comunicação do Benfica)
- Nuno Gomes (antigo funcionário do Benfica)

3 Testemunhas do universo empresarial 


- Isabel Vaz (Presidente da Comissão Executiva Luz Saúde. Empresa que foi distinguida em como parceira do ano nos Galardões Cosme Damião 2017) 
- Humberto Pedrosa (Dono do grupo Barraqueiro e benfiquista assumido)
- Luís Sá Montez (reconhecido promotor de espectáculos, genro de Cavaco Silva) 

5 Outras testemunhas


- António Agostinho Pais Homem (Assumido benfiquista, vice-procurador-geral da República no tempos de Pinto Monteiro. Na altura esteve envolvido em algumas investigações do processo "Apito Dourado"
- Manuel Joaquim Coelho da Silva
- António Jesus Gonçalves
- Marco Paulo Sale Costa Apolónio Afonso 
- José Pinto Constantino

Não consegui apurar quem são estes quatro nomes. A imprensa também não especifica.

O "caso" Sousa Cintra


Na noite de quarta-feira, Tânia Laranjo, jornalista da CMTV cuja proximidade a Sousa Cintra é conhecida de todos, disse isto:


No dia seguinte o CM escolheu o seguinte titulo para a notícia sobre a abertura de instrução do processo:


Mais de 24 horas depois de ter sido noticiado que Sousa Cintra seria testemunha do Benfica neste processo, eis que surge um comunicado do próprio a esclarecer a situação.

Link da notícia (aqui)

Desde já importa recordar que o Sporting é assistente neste processo, uma vez que foi um dos clubes espiados, quer através dos processos em tribunal, mas também através de informações pessoais relativas a funcionários do clube, nomeadamente informações da segurança social de vários funcionários do Sporting que foram encontradas na secretária de Paulo Gonçalves aquando das buscas no Estádio da Luz.  

Na noite de sexta-feira ficamos a saber pela boca do próprio que não aprovou a escolha do Benfica para ser testemunha e que "uma coisa é ser amigo de Vieira, outra é acontecer uma coisa deste tipo". Não posso deixar de dizer que não compreendo como é que algum Sportinguista possa ser amigo de de Luís Filipe Vieira, sabendo tudo o que este fez contra o Sporting e contra o desporto português.  Mas isso é outra conversa. 

É importante esclarecer que o Benfica pode chamar como testemunha quem achar que é relevante para o processo sem que tenha de informar a testemunha que a vai chamar. Será sempre o juiz a determinar a pertinência da audição da testemunha. É também muito importante referir que os advogados estão proibidos de falar com as testemunhas antes do depoimento perante o juiz. Diz a ordem dos advogados que "a proibição do advogado contactar ou ouvir testemunhas é um valor ético fundamental para o prestígio e dignidade da classe".

Mas deixemo-nos de tretas. A realidade é que é prática comum existir um pedido para que uma determinada pessoa possa ser chamada como testemunha e até existir um breve ensaio sobre as questões e que respostas devem ser dadas. 

Conhecendo o histórico de Sousa Cintra custa-me acreditar que a sua chamada para testemunha nesta fase de instrução não tenha sido previamente combinada entre as partes. Ainda mais me custa acreditar quando a própria Tânia Laranjo dá conta do caminho pelo qual deverá ser guiado Sousa Cintra. Diz a senhora que "Sousa Cintra foi arrolado como testemunha para explicar a normalidade da entrega de bilhetes e de produtos de merchandising"

Posto isto, alguém acredita que a "coisa" não estava previamente combinada? Alguém acredita que o Benfica iria chamar Sousa Cintra para que no momento da verdade e quando confrontado com a pergunta sobre a "normalidade da entrega de bilhetes e de produtos de merchanding", dissesse algo que contrariasse a tese encarnada? Mas alguém acredita que o "Neymar, Messi e Ronaldo" dos advogados iriam arriscar tudo numa testemunha de defesa com fortes possibilidades de arrasar a tese do Benfica? 

A minha interpretação é que Sousa Cintra recuou perante as criticas dos Sportinguistas, mas que no momento da verdade dará a mão ao Benfica. O tempo dirá. E espero que com tempo também se possa esclarecer a motivação para este eventual favor a Luís Filipe Vieira. 

PS: Senhores do gabinete de crise, se Sousa Cintra não conseguir comparecer sugiro que chamem o Eng. Godinho Lopes. Quem testemunhou a favor da Doyen contra o Sporting, estará disposto a fazer o mesmo pelo Benfica. 

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O caso do "Diabo Vermelho"


Na edição desta semana o jornal Expresso publicou um artigo muito relevante sobre o processo e-Toupeira e as suas ramificações a outros casos judicias. O artigo pode ser lido (aqui)

O ofício dirigido a Luís Filipe Vieira


No documento da acusação do processo e-Toupeira divulgado pelo site "Mercado de Benfica", ficamos a saber que Paulo Gonçalves recepcionou um oficio dirigido a Luís Filipe Vieira, entregue em mãos pelo inspector-chefe da PJ. 

Print retirado da acusação revelada pelo "Mercado de Benfica"

Esse oficio versava sobre uma investigação relativa a "factos susceptíveis de configurar crime de corrupção passiva praticado por funcionários do Centro Distrital de Lisboa da Segurança Social". Como é possível verificarmos pela acusação do processo e-Toupeira, os investigadores da PJ queriam informações do Benfica relativamente a uma série de créditos feitos num conta titulada pela SAD do Benfica. 


Uma "toupeira" trabalhadora


Vamos recordar a acusação relativa a esta matéria.

Print retirado da acusação revelada pelo "Mercado de Benfica"
Portanto, o ofício é recepcionado por Paulo Gonçalves pelas 14:30h de dia 19 de Abril de 2017 e cerca de três horas depois, José "toupeira" Silva já estava a consultar o processo. Curiosamente, no dia seguinte José "toupeira" Silva consultou este processo mais 5 vezes. No total o processo foi consultado por 13 ocasiões. 

Importa dizer que o Jornal Expresso acrescenta que o número do processo constava do oficio dirigido a Luís Filipe Vieira. Logo, não será muito descabido presumir que Paulo Gonçalves passou o nº do processo a José Silva para que este fizesse a pesquisa. É também esta a interpretação do MP.

Ó Diabo...


O Jornal Expresso teve acesso ao tal ofício remetido a Luís Filipe Vieira e acrescenta informação que não consta na acusação divulgada pelo site "Mercado de Benfica". Segundo o Expresso os tais créditos feitos na conta da Benfica SAD "eram provenientes de uma conta do Novo Banco que pertencia a João Costa, um motorista que fazia parte dos Diabos Vermelhos". Segundo o jornal o sujeito é conhecido no mundo dos claqueiros por "Janita". 

Por esta altura, o "diabo vermelho" estava a ser investigado pela PJ por "suspeitas de receber transferências monetárias do irmão, um funcionário da Segurança Social. Dinheiro proveniente dos negócios de atribuição de números falsos da Segurança Social e que era depositado em várias contas bancárias que João Costa tinha em diferentes bancos"

Segundo o Expresso, João Costa é acusado de "um crime de branqueamento de capitais em coautoria e outro de posse de arma proibida no âmbito deste processo de corrupção entre funcionários da Segurança Social". O "Janita" está neste momento em liberdade com termo de identidade e residência. 


"Nunca sube..."


Os jornalistas do Expresso confrontaram o Benfica com esta matéria mas os "encarnados não esclareceram as dúvidas". O silêncio do Benfica é ensurdecedor, até porque no ofício da PJ dirigido a Luís Filipe Vieira são pedidas justificações à SAD do Benfica para um período de 2 anos, o que demonstra um comportamento reiterado relacionado com estas transacções.

O Expresso também recolheu uma reacção do advogado de João Costa, que disse que o dinheiro creditado na conta da Benfica SAD é referente a "camisolas e cachecóis". Já lá vamos.

Por falar em Segurança Social...


Na acusação publicada pelo site "Mercado de Benfica" podemos encontrar esta preciosidade. De acordo com a acusação, "Paulo Gonçalves solicitou, a pessoa não identificada, a pesquisa nas bases de dados da Segurança Social de elementos referentes a dois colaboradores do Sporting Clube de Portugal e das entidades patronais". Importa ainda dizer que nas buscas feitas ao gabinete de Paulo Gonçalves no Estádio da Luz foram encontrados documentos da Segurança Social referentes a funcionários do Sporting. 

A ver se nos entendemos 


Dizem os cartilheiros que Paulo Gonçalves não tem qualquer ligação a José "toupeira" Silva nem nunca fez nenhum pedido a um funcionário judicial. A realidade é que três horas depois de Paulo Gonçalves receber um oficio com um número de um processo, esse mesmo processo está a ser consultado em Fafe por José Silva. Provavelmente, José Silva ao colocar os dados de um qualquer processo relacionado com a sua actividade, enganou-se num dos números e foi parar a este caso. E repetiu o "erro" por mais 12 ocasiões. Se não for esta a "desculpa" andará lá perto. Ou isso, ou ocorreu algum fenómeno paranormal que só o bruxo de Fafe possa esclarecer. 

Depois, morre definitivamente a teoria que diz que a Benfica SAD e a administração da SAD não estão directamente ligadas a estes comportamentos. Ora, se Paulo Gonçalves estava a agir sem conhecimento da administração - como defendem alguns patetas - porque raio é que pediu para que fosse consultado um processo sobre um caso em que o Benfica nem sequer é visado directamente e onde só foi pedido um esclarecimento ao presidente da SAD? Porque é que Paulo Gonçalves iria cometer um crime por algo que nem sequer lhe diz respeito? Se o assunto era com Luís Filipe Vieira, para quê meter-se nisto? 

E mais, porque será que o Benfica tem tanto interesse neste assunto quando nem sequer é parte interessada? A não ser que seja mesmo uma parte interessada. Grande ou pequeno, o interesse foi suficiente para que fosse cometido mais um crime. E já agora, porquê a pressa? Se calhar a investigação deste caso relacionado com a segurança social tocou em algum ponto sensível da tal "estrutura que está 10 anos à frente da concorrência", não? 

Morre também a teoria de que Vieira "nunca sube" de nada. Então o oficio está em seu nome e não sabe de nada? Não sabe o que Paulo Gonçalves fez? Mas há alguém que acredite nisto? 

Há ainda outra questão que acho particularmente relevante e reveladora. Então o Expresso contacta o Benfica sobre esta matéria e o departamento de comunicação do clube opta por não responder. Com tanto "camelo" a pregar no deserto, não há um que dê explicações? Perante um caso desta gravidade o Benfica nada diz? Não desmente? Não dá uma explicação aos seus sócios, adeptos e accionistas? Que passou se? Se tivessem uma justificação plausível para estes créditos efectuados ao longo de dois anos numa conta da Benfica SAD não teriam dito de imediato ao Expresso? 

Também acho particularmente relevante que a desculpa dada pelo advogado do "diabo vermelho" para os créditos em conta do Benfica efectuados pelo seu cliente, tenha sido a compra de camisolas e cachecóis do clube. Portanto, João Costa comprava camisolas e cachecóis do clube e a forma de efectuar o pagamento era através de créditos em conta da SAD do Benfica. Mas há alguém que acredite nisto? Onde estão então as facturas do material? E já agora, de quanto é que estamos a falar? Talvez nos próximos dias se saiba mais sobre isso. 

Para fechar, é também particularmente interessante que na acusação se mostre que Paulo Gonçalves teve acesso a uma série de informações da segurança social do Sporting e dos seus trabalhadores. Só poderá ser coincidência o facto do irmão de João "Janita" Costa trabalhar na Segurança Social. Apenas e só, mais uma coincidência...

Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:
Facebook: (aqui)  Twitter: (aquiInstagram: (aqui)