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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

José Maria Ricciardi "Nobre Guedes estava a preparar um PER"


Aqui fica uma entrevista muito interessante a José Maria Ricciardi publicada hoje pelo jornal Record.

O banqueiro, de 62 anos, já foi vice-presidente do Conselho Fiscal e é agora candidato ao Conselho Leonino. Em exclusivo a Record, dá o mérito da reestruturação a Bruno de Carvalho e elogia a dupla com Jesus no futebol.

RECORD: Como parte ativa da reestruturação financeira, importa esclarecer: foi Godinho Lopes quem a fez, como o próprio reclama?

JOSÉ MARIA RICCIARDI – Não. No tempo de Luís Godinho Lopes, o Sporting incumpria permanentemente com os orçamentos que apresentava aos bancos. E tinha prejuízos elevadíssimos. São factos. O ambiente não era propício a qualquer espécie de reestruturação, que aliás não se fez. Mais. Na altura, o vice-presidente com o pelouro financeiro [José Filipe Nobre Guedes] até já estava a preparar um PER [Processo Especial de Revitalização]. Quando se está a fazer uma reestruturação, não se prepara um PER, não é?

R: Prepara-se uma falência?

JMR – PER é uma proteção de credores, não tem nada a ver com reestruturação bancária. O Sporting estava perto da falência, isso é indiscutível. Tinha perdido a credibilidade junto aos bancos e os bancos estavam decididos a não acorrer mais às necessidades de tesouraria do clube. Portanto, quem efetivamente fez a reestruturação foi Bruno de Carvalho. Tive a oportunidade de colaborar, através do banco de investimento a que presidia na altura [BESI]. Essa reestruturação foi extraordinária, muito bem conduzida.

R: Com negociações duras...

JMR – Muito. Mérito total de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira, é preciso que se diga. E de Guilherme Pinheiro. Resultou numa reestruturação extremamente positiva para o Sporting. Gostava que isso ficasse bem frisado, porque é a verdade.

R: Ainda assim, pode ficar em risco a maioria na SAD com a conversão dos VMOC em 2026?

JMR – O Sporting tem de se munir dos fundos necessários a adquirir uma parte desses VMOC, de maneira a manter a maioria da SAD, conforme é promessa da direção.

R: Não está preocupado?

JMR – Não. Pela situação financeira do Sporting, pela equipa diretiva, por aquele que é o treinador que mais valoriza os jogadores em Portugal, pelos novos contratos com a NOS, pelo aumento das receitas, pela presença na Liga dos Campeões. Não tenho qualquer dúvida de que o Sporting irá ter os meios para resolver este problema.

R: Diz que Jesus é quem mais valoriza os jogadores em Portugal...

JMR – Parece-me indiscutível.

R: Se Madeira Rodrigues for eleito, ele deixará o Sporting.

JMR – Pedro Madeira Rodrigues tem legitimidade, se ganhar, de poder escolher outro treinador. Correto. Não vejo problema.

R: Mas entende que Jesus é a pessoa certa no lugar certo?

JMR – Disso não tenho qualquer dúvida. Aliás, nunca vi os nossos rivais tão nervosos como agora para desfazer esta dupla, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus. Nunca vi. Há muitos anos... Com as outras direções, a que eu pertenci, estavam sempre muito contentes, nomeadamente com as últimas... Estavam contentíssimos.

R: Acredita que o Sporting será campeão no próximo mandato?

JMR – Com certeza. É preciso perceber outra coisa. Um clube que está sempre a mudar de presidente e de treinador não vai a lado nenhum. Veja-se há quantos anos o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa está a dirigir o FC Porto. E há quanto anos Luís Filipe Vieira está no Benfica. Já se fez um grande trabalho mas é preciso tempo. E o ano passado não fomos campeões por muito pouco.

R: Esperava-se mais este ano.

JMR – Acontece. Mas estamos no caminho certo. 

R: "José Maria Ricciardi queria ser dono do Sporting, escolher presidentes, até jogadores." Como responde a esta acusação de Pedro Madeira Rodrigues?

JMR – Acho ridículo e um atestado de menoridade aos sócios. Os presidentes do Sporting não são escolhidos por ninguém. Quem os elege são os sócios. E em todas as eleições houve alternativas. Acho isso absolutamente ridículo. Segundo ponto: nunca indiquei jogador nenhum, nem treinador. Nunca me meti nessa área, porque fiz parte de conselhos fiscais. Pedro Madeira Rodrigues deve ter sido mal informado.

R: A mesma lista acusa a atual direção de falar em demasia do Benfica. Concorda?

JMR –Aceito. Esta direção não é perfeita, ninguém é. Pode ter incorrido nalguns erros. Mesmo assim, fez um trabalho absolutamente notável face à situação em que o Sporting se encontrava. 

R: Esteve muitos anos no Conselho Fiscal e Disciplinar. Por que aceita agora fazer parte da lista de Bruno de Carvalho ao Conselho Leonino? 

JMR – Tenho grande prazer em colaborar com o Sporting. São funções em que eu posso participar, ao contrário de outras, cuja intensidade não permitiria, por causa dos meus projetos e da minha vida profissional.

R: "Ganhe quem ganhar, tem de ser de goleada", para citar Bruno de Carvalho?

JMR – Eu sou um democrata: a partir de 50% é vitória. Aliás, na política, com o nosso sistema eleitoral, nem é necessário. Estou convicto de que Bruno de Carvalho irá ganhar as eleições. A percentagem para mim não é o mais importante.

R: Não tem dúvidas sobre quem vencerá?

JMR – Certezas só no dia do ato eleitoral. Não tenho esse pretensiosismo. Mas tenho a forte convicção de que esta lista irá ganhar as eleições.


Considerações finais


José Maria Ricciardi é uma das personagens mais sombrias do universo leonino. Nunca me esquecerei do facto de ter sido um dos principais envolvidos na escolha de presidentes, através da organização de jantares entre os ditos notáveis. José Eduardo Bettencourt. foi o último "escolhido". Já Godinho Lopes impôs-se como candidato do "sistema".

Contudo, foram sempre os sócios que escolheram os Presidentes do clube em eleições livres - com excepção de 2011 - pelo que a culpa tem de ser assumida por todos nós. Foram os sócios que deixaram chegar o clube a uma situação de pré-falência. Foram os sócios que permitiram a venda de todo o património não desportivo, etc

Não gosto minimamente desta figura, mas também não posso esconder que durante os últimos 4 anos tem ajudado o Sporting na medida das suas possibilidades, quer na reestruturação financeira, quer na busca por novos patrocinadores/investidores para o clube. 

No fundo, quando penso em Ricciardi lembro-me sembre de uma frase de Bruno de Carvalho.


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sábado, 19 de março de 2016

O "rombo" de 73,6M de Godinho Lopes, José Eduardo Bettencourt "y sus muchacos"


A Sporting SAD formalizou ontem um acção contra 9 antigos dirigentes/funcionários na justiça civil. São reclamados 73,6 Milhões de Euros em indemnizações. Importa salientar, que a apresentação destes processos na justiça, foi levada a Assembleia Geral do clube e da SAD tendo sido aprovada por larga maioria. 




O "outro" processo


Convém referir que este processo é diferente de um outro que foi colocado contra Godinho Lopes, Luís Duque, Carlos Freitas e Nobre Guedes. Nesse caso o Sporting reclama 7,6 Milhões de Euros relativos aos negócios "Rodriguez, Izmailov e Jeffren". Em primeira instância, o tribunal "julgou-se materialmente incompetente para conhecer do litígio"  pelo que o processo continuara a desenrolar-se nos termos legais num tribunal competente para o efeito. 

De seguida faço um simples histórico dos cargos que assumiram no Sporting. Nos próximos meses escreverei mais sobre estes "artistas" e sobre a "gestão de topo".

Godinho Lopes 

 


Entrou para a Direcção do Sporting Clube de Portugal em 12 de Fevereiro de 1999, como vice-presidente na área do património, numa altura em que a construção do Complexo Alvalade XXI e da Academia Sporting estavam em fase de projecto. Ocupou o lugar de Presidente da NEJA (sociedade Novo Estádio José Alvalade, SA). 

Em 2003, demitiu-se das suas funções no Sporting, devido a problemas pessoais com a justiça.

Regressou ao Sporting nas eleições de 2011 assumindo a presidência até inicio de 2013. Em 2015 na sequência da Auditoria de Gestão ao Sporting que estava em curso, um conjunto de 76 sócios (tenho muito orgulho de ter sido um deles) solicitou a abertura de processos disciplinares contra alguns associados, visando a sua expulsão do Clube. Assim, em Junho desse ano o Conselho Fiscal anunciou em Assembleia Geral a aplicação a Godinho Lopes, por seis votos a favor e uma abstenção, da sanção disciplinar de expulsão, considerando a prática de infracções disciplinares muito graves para a imagem e património do Clube.

 

José Eduardo Bettencourt



Chegou ao clube em 2001 pela mão do seu amigo Miguel Ribeiro Telles. Em 2002 Bettencourt foi promovido Administrador Executivo da SAD no mandato de Dias da Cunha, funções que desempenhou até 2004.

Em 2006 regressou ao Sporting como vice-presidente no mandato de Soares Franco. Quando este anunciou que não se recandidataria, avançou para a presidência em Junho de 2009. O seu mandato duraria até Janeiro de 2011.

Luís Duque 



Começou a carreira no mundo do futebol na presidência da AF Lisboa. Em 99/00 José Roquette dá a Luís Duque autonomia total no futebol e torna-o presidente da SAD. Cargo que mantém até ao final da temporada 00/01.

Em Março de 2011 regressa ao Sporting como Administrador da SAD na gerência de Godinho Lopes, tendo abandonado o barco a meio da época 12/13. Mais tarde, tornou-se Presidente da Liga com apoio de Porto e Benfica.

Nobre Guedes




Entrou para o Sporting em 2006 como vogal do Conselho Directivo liderado por Filipe Soares Franco, tendo desempenhado também as funções de Administrador das empresas do grupo, Sporting Património e Marketing e Sporting Comércio e Serviços. 

Em 2009 transitou para a Direcção presidida por José Eduardo Bettencourt, como Vice Presidente para a área financeira. No dia 14 de Fevereiro de 2011, na sequência da demissão de José Eduardo Bettencourt, assumiu interinamente a Presidência do Sporting Clube de Portugal, até às eleições de 26 de Março.

 

Silva e Costa 

 




Entre 2000 e 2009 exerceu os seguintes cargos no Grupo Sporting: Administrador da Sporting, Com da Sporting Comércio e Serviços, da Sporting Património e Marketing e da Sporting, SGPS;Vice-presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal e Presidente do Conselho de Administração da Sporting Multimédia SA. 

Depois da demissão de Carlos Barbosa( Vice-presidente de Godinho Lopes) em 2012, Silva e Costa foi cooptado para o cargo de Vice-presidente do Sporting CP. Em Outubro de 2012 torna-se Administrador da SAD depois da renuncia de Luís Duque.

 

Francisco Louro 

 


Administrador Sporting SAD no mandato de José Eduardo Bettencourt.

 

Lino de Castro

 

 

No dia 5 de Junho de 2009 foi eleito Secretário da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal, na lista liderada por Dias Ferreira, funções que exerceu até 14 de Fevereiro de 2011, altura em que assumiu a Presidência do Órgão máximo do Clube, em virtude da demissão do Presidente Dias Ferreira e do vice-presidente Paulo Abreu. Simultaneamente foi administrador da Sporting SAD.

 

Carlos Barbosa

 

 


Presidente do ACP e vice-presidente do Sporting CP com o pelouro pela area comercial no mandato de Godinho Lopes. Pediu a demissão do cargo 11 meses depois de ter sido eleito.

Carlos Freitas

 


Carlos Freitas entrou no Sporting pela mão de Luís Duque e manteve-se até 2008 tendo ocupado diversos cargos entre os quais:
Conselheiro do Presidente do Conselho de Administração do Sporting, Sociedade Anónima Desportiva de Futebol, SAD (Novembro 1999 - Maio 2000);
Director Geral do Sporting, Sociedade Anónima Desportiva de Futebol, SAD (Junho 2000 - Abril 2001);
Director do Sporting, Sociedade Anónima Desportiva de Futebol, SAD (Maio 2001 - Maio 2005);
Director Desportivo do Sporting, Sociedade Anónima Desportiva de Futebol, SAD (Outubro 2005 - Junho 2006);
Conselho de Administração do Sporting, Sociedade Anónima Desportiva de Futebol, SAD (Julho 2006 - Fevereiro 2008)

Em 2011 regressa ao Sporting com Luís Duque com o cargo de director desportivo, no mandato de Godinho Lopes. Pediu a demissão com Luís Duque em Outubro de 2012.




As apresentações estão feitas. A análise à "obra" destes "artistas" será feita nos próximos tempos.


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