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domingo, 18 de dezembro de 2016

O voo de Oblak e as comissões milionárias


Em Julho de 2014, o então guarda-redes do Benfica, o esloveno Jan Oblak, esteve no centro de um aceso debate entre os adeptos de futebol, quando foi anunciado que ia ser comprado pelo Atlético de Madrid pela soma de 16 milhões de euros. 

O valor converteu o jogador num dos 10 guarda-redes mais caros da História e houve muitos a ditar que o preço era demasiado elevado por um futebolista então com 21 anos que só tinha jogado no União de Leiria e no Rio Ave depois de ter sido contratado pelo Benfica em 2010 e que só contava com uma única época de êxitos no clube da Luz. 

A peça que faltava para entender a contratação de Oblak pelo Atlético, avançou o "El Mundo", consta das informações do Football Leaks, a investigação que os parceiros do consórcio de jornalistas European Investigative Collaborations (EIC), entre eles o Expresso, têm conduzido nos últimos sete meses. 

Os contornos milionários da contratação tiveram por base um suposto interesse do Real Madrid pelo então guarda-redes do Benfica, um boato que foi avançado pelo próprio agente do futebolista em Junho de 2014, que provocou o súbito interesse do Atlético e o "custo exagerado" da transferência, assim classificado pelo "El Mundo" e outros jornais. 

De acordo com documentos analisados pelo jornal espanhol e pelo "Newsweek Serbia", outro dos 12 parceiros do EIC, a contratação foi concretizada a 6 de julho de 2014 num acordo secreto entre uma empresa com sede na Suíça, a Players Promotion S. A., e o clube madrileno. 

A empresa em causa é controlada pelo esloveno Miha Mlakar, representante de Oblak, que em negociações com o Atlético garantiu uma óptima fatia do bolo negocial: não só ganhou 1,9 milhões de euros previamente para garantir que Oblak seguia para aquele clube madrileno e não para o Real Madrid como ficou estipulado a tinta que, quando o guarda-redes for vendido a outro clube, Mlakar irá ganhar 12,5% do valor da transferência. 

Perante o alegado interesse do seu eterno rival, o Atlético quis actuar com rapidez e aceitou assinar um contrato com Mlakar pela compra de Oblak onde se lê: "O agente compromete-se a: a) que o jogador informe o Benfica de que pretende aceitar a oferta do Atlético; b) que o jogador faça tudo o que for necessário dentro do razoável para completar a transferência; c) que o jogador não dê início a negociações com outros clubes." 

Este contrato foi assinado dez dias antes de o Atlético fechar o negócio com o Benfica. Este último não chegou a ver nem dois terços do dinheiro prometido pelo Atlético por causa de "compromissos com terceiros e do valor escritural líquido do direito do jogador". 

Dos 16 milhões de euros fixados pela venda de Oblak ao Atlético, o clube da Luz só recebeu €9,46 milhões por causa de uma série de acordos, à cabeça um que o Benfica firmou com Jorge Mendes, o superagente que representa Cristiano Ronaldo, Mourinho, Fábio Coentrão e outras estrelas de futebol que surgem citadas na investigação europeia à alegada rede de evasão fiscal de proporções massivas que está instalada no mundo do futebol. 

Um documento interno analisado pelo "El Mundo" mostra que, um ano antes de Oblak partir para Madrid, o Benfica teve uma reunião com a Gestifute de Mendes a 26 de Agosto de 2013 na qual ficou apalavrado que o empresário receberia 20% do valor da futura venda do guarda-redes. Contactado pelo consórcio de jornalismo europeu, o guarda-redes disse apenas que está satisfeito com o trabalho do seu agente. A empresa de Mlakar, a Players Promotion, disse por sua vez que o guarda-redes esloveno está a par de tudo o que envolveu a sua transferência do Benfica para o Atlético. 

Artigo publicado pelo jornal Expresso. 

Resumindo


Dos 16 Milhões de Euros da venda de Oblak ao Atlético de Madrid, cerca de 7 Milhões de Euros foram "oferecidos" a empresários e ao clube formador. 


Mas a pergunta do milhão de dólares é esta: Por que será que o Benfica "ofereceu" 20% do valor da transferência a Jorge Mendes, um ano antes?

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sábado, 17 de dezembro de 2016

"Caso Jovic" - Reforço do Benfica B rendeu 4,6 milhões a clube onde nunca jogou


Há futebolistas internacionais a ser adquiridos e emprestados pelo clube cipriota Apollon Limassol sem sequer passarem pela ilha de Chipre, segundo avança o portal "The Black Sea", no âmbito da investigação "Football Leaks", desenvolvida pela rede EIC - European Investigative Collaborations, a partir de dados obtidos pela revista "Der Spiegel". O Apollon acolhe actualmente vários portugueses, como o guarda-redes Bruno Vale, os defesas Nuno Lopes e Tiago Gomes e o médio João Pedro Cunha. 

O clube cipriota tem vindo a adquirir uma série de jogadores naquilo que poderá configurar um investimento sem fins desportivos. Desde maio de 2015 que a FIFA baniu a prática dos TPO ("third party ownership", em que terceiros, que não o jogador nem o clube, detêm uma parte dos direitos económicos do atleta). O modelo dos TPO, que visava facilitar a aquisição de futebolistas pelos clubes (já que diminuía o investimento a seu cargo, que era parcialmente suportado por terceiros), é visto pela FIFA como uma possível influência dos fundos no futuro dos jogadores, que mina a capacidade dos clubes de decidir se transferem ou mantêm os atletas nos seus quadros. 

No caso do Apollon Limassol, aparentemente foi o próprio clube que assumiu, perante outros clubes, o papel de investidor externo. É o que decorre dos documentos a que a investigação "Football Leaks" teve acesso. 

Há pelo menos sete futebolistas da Sérvia e da Roménia que assinaram pelo Apollon Limassol e que nunca jogaram pela equipa: Mijat Gacinovic, Nikola Maksimovic, Nikola Aksentijevic, Marko Pavlovski, Cristian Manea, Luka Jovic e Andrija Zivkovic. Os dois últimos estão actualmente ao serviço do Benfica. Jovic foi contratado pelos encarnados no início deste ano e tem jogado pela equipa B. Zivkovic chegou no verão. Já lá vamos. 


ÀS COMPRAS NA EUROPA DE LESTE 


Cinco de Janeiro de 2015. Dois dias depois de o FC Porto cilindrar o Gil Vicente por 5-1 para o campeonato, o então administrador Antero Henrique terá sido abordado por Marc Rautenberg, um intermediário suíço, com uma lista de cinco promissores jogadores da Sérvia e da Roménia, um deles com 20 anos e os outros menores de idade. 

A verdade é que nenhum destes jovens acabou no Porto. Dois deles assinaram pelo Apollon Limassol antes de serem encaminhados para o Benfica e para o clube alemão Eintracht Frankfurt. 

O Apollon é um ponto de passagem pelo qual os dirigentes de clubes do Leste da Europa têm vindo a negociar os seus talentos. O preço a que vendem ao clube cipriota é normalmente muito mais baixo que o preço de venda final para os clubes maiores na Europa ocidental. 

Vários jogadores são vendidos no espaço de poucos dias para os clubes ocidentais, mas o lucro fica com os investidores no Chipre, em que se inclui Pini Zahavi. 

O Apollon lucrou cerca de 4,6 milhões de euros com um jogador - Jovic - que não jogou sequer um minuto pelo clube 

O avançado sérvio Luka Jovic, nascido a 23 de Dezembro de 1997, é provavelmente o futebolista mais talentoso do leque de ofertas que Marc Rautenberg fez ao FC Porto em janeiro de 2015. Com 16 anos, foi o mais jovem futebolista a alinhar no clássico de Belgrado, entre o Estrela Vermelha e o Partizan, em outubro de 2014. 

A 25 de janeiro de 2015, o Estrela Vermelha vendeu 70% dos direitos económicos de Jovic ao Apollon Limassol para um contrato de três anos. Mas o jogador continuou a alinhar pela equipa sérvia. 

Naquela altura, os dirigentes do Estrela Vermelha chegaram a dizer aos media em Belgrado que precisavam urgentemente de receitas para pagar as dívidas do clube, caso contrário o emblema arriscava-se a não poder ir às competições europeias. 

O Estrela Vermelha acabou por vender 70% do passe de Jovic ao Apollon por 1,4 milhões de euros, com o clube cipriota a ficar com a opção de comprar mais 30% por 600 mil euros. Mas Jovic nunca jogou pelo Apollon. Permaneceu em Belgrado. E um ano depois, a 1 de fevereiro de 2016, foi para o Benfica. 

Luka Jovic não respondeu às questões que lhe foram endereçadas sobre se alguma vez passou por Chipre 

Nos registos da FIFA, Luka Jovic veio para Portugal como jogador do Apollon Limassol. Ficou acordado que o clube cipriota receberia 6,65 milhões de euros do Benfica, apesar de aparentemente o Apollon nada ter feito pela valorização desportiva do atleta. Num prospecto enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários em Abril, o Benfica informou ter realizado um investimento de 6,58 milhões de euros em Jovic. O contrato enviado à FIFA indicava que este montante seria pago em prestações: 1,2 milhões de euros em Fevereiro de 2016, outros 1,2 milhões em Julho deste ano e outras três prestações de 1,4 milhões de euros cada em Julho de 2017, 2018 e 2019. 

Resumindo: o Apollon lucra cerca de 4,6 milhões de euros com um jogador que não jogou sequer um minuto pelo clube. 

Porque terão os responsáveis do Estrela Vermelha permitido o que parece ser um negócio tão mau? O líder da formação de Belgrado é Zvezdan Terzic, antigo presidente da federação de futebol sérvia (de 2005 a 2008). Terzic já foi acusado de desvio de fundos em quatro transferências quando era presidente do OFK Belgrado, pouco depois do ano 2000. Esteve em fuga durante dois anos, até se entregar às autoridades em 2010. Em junho de 2011 pagou um milhão de euros e saiu da prisão.

Terzic voltou rapidamente ao ativo como presidente do OFK e posteriormente do Estrela Vermelha. A irmã de Terzic é casada com Nikola Damjanac, antigo guarda-redes do Partizan que representou o Benfica nas negociações com Luka Jovic. Por essa intermediação, Damjanac recebeu uma comissão de 100 mil euros do clube português. Damjanac integra a agência Lian Sports, juntamente com Marc Rautenberg e Fali Ramadani. 

Luka Jovic não respondeu às questões que lhe foram endereçadas sobre se alguma vez passou por Chipre. Rautenberg, Damjanac, Terzic e Ramadani também não. Jovic está actualmente no Benfica B, depois de no início deste ano ter sido emprestado ao Vitória de Setúbal. 

O caso de Zivkovic é um pouco diferente. O atleta foi contratado pelo Benfica em Julho deste ano, vindo a custo zero, depois de terminado o contrato que o ligava ao Partizan. Os direitos económicos de Zivkovic estavam há algum tempo repartidos. O Partizan detinha apenas 25% do passe, com 50% nas mãos do Apollon Limassol desde julho de 2014 e o restante repartido por outros agentes. Este ano chegou a circular o rumor de que o Benfica teria pago uma comissão em torno de 4 milhões de euros pela contratação de Zivkovic. O último relatório e contas do clube é omisso quanto aos custos associados a este atleta. 

APOLLON, CLUBE DE ALUGUER? 


O uso do Apollon Limassol como veículo meramente instrumental pode não ser do conhecimento do público em geral, mas há um alto responsável da FIFA, Marios Lefkaritis, que está estreitamente ligado ao clube, já que trabalha para a petrolífera Petrolina, patrocinadora do Apollon Limassol, e é adepto do clube. 

A revelação surge pouco depois de o sindicato de futebolistas FIFPro ter divulgado uma pesquisa segundo a qual 29% dos futebolistas que foram transferidos a custo zero em final de contrato disseram que foram pressionados para ir para outro clube ou não rumaram ao emblema que desejavam. 

No passado, a FIFA já sancionou clubes na Argentina e no Uruguai pela prática de serem instrumentalizados como "clube-ponte" sem que os jogadores alguma vez vistam a sua camisola.

Um dos acionistas de referência do Apollon Limassol é o israelita Pini Zahavi, um dos maiores agentes do futebol europeu e que em Portugal tem interesses económicos em vários jogadores 

Associado a este esquema em Chipre está o agente israelita Pini Zahavi, um antigo jornalista desportivo na década de 1970 que, através de uma rede de advogados, intermediários, dirigentes desportivos e empresas offshore se tornou um dos mais poderosos agentes do futebol europeu. Segundo um documento consultado no âmbito do "Football Leaks" e de acordo com o testemunho de um antigo dirigente, Zahavi é accionista do Apollon Limassol. Mas nem Zahavi nem Nikos Kirzis, presidente do clube, estiveram disponíveis para responder às questões colocadas pelo "The Black Sea" e pelo EIC, ao qual o Expresso se associou para este projeto. 

Hoje com 73 anos, o israelita Pini Zahavi ajudou Roman Abramovich a comprar o Chelsea e apoiou o empresário Alexandre Gaydamak a adquirir o clube britânico Portsmouth, que entretanto faliu 

A primeira divisão do campeonato cipriota está a milhas das grandes ligas europeias. Exceptuando os quatro principais clubes, as restantes equipas não têm normalmente mais de 300 pessoas nas suas bancadas em cada jogo. 

Registo na FIFA 

Uma das principais equipas cipriotas é o Apollon Limassol, que está instalado na cidade de Limassol, onde residem milhares de russos. Fundado em 1954, o clube foi campeão três vezes (1991, 1994 e 2006). Desde 2012, a empresa que administra o clube, a Apollon Football Limited, é presidida por Nikos Kirzis, um antigo agente do futebol e do basquetebol, com 41 anos. 

O Apollon é também o clube do presidente do Chipre, Nikos Anastasiades, que em meados do ano passado recebeu de Nikos Kirzis uma manifestação pública de agradecimento pelo apoio dado pelo chefe de Estado à construção do novo estádio do clube, que estará pronto em 2019. 

Outra figura que apoia o Apollon é Marios Lefkaritis, um dos responsáveis que apoiaram a organização dos campeonatos do mundo de futebol de 2018 e 2022 na Rússia e no Qatar, respectivamente. A petrolífera Petrolina, fundada pela sua família, esteve envolvida num controverso negócio com a Gazprom dois dias antes da eleição da Rússia para albergar o campeonato de 2018, mas Lefkaritis garantiu na altura que as duas coisas não estavam relacionadas. 

Contactado pela rede EIC, Lefkaritis disse não ter negócios com a família Kirzis (presidente do Apollon Limassol), remetendo quaisquer explicações ou comentários para o próprio clube, cujo presidente também não respondeu. 

Em Março deste ano, o clube fez um aumento de capital de 2,39 para 3,19 milhões de euros. Um dos accionistas, com 16%, é a SIAVA Trading Limited, uma empresa offshore que é detida pelo agente Pini Zahavi. Um antigo dirigente do Apollon confidenciou que é o apoio financeiro de Zahavi que tem mantido o clube operacional. Pini Zahavi não respondeu às questões que lhe foram endereçadas.

E QUEM É ZAHAVI? 




Hoje com 73 anos, o israelita Pini Zahavi ajudou Roman Abramovich a comprar o Chelsea e apoiou o empresário Alexandre Gaydamak a adquirir o clube britânico Portsmouth. Zahavi também esteve nas transferências do defesa Rio Ferdinand para o Leeds e para o Manchester United. 

"Tem 73 anos e ainda anda a fazer negócios", diz um agente concorrente. "Tem a juventude de um miúdo de 15 anos, porque tem um ego grande e a vontade de provar que ainda não está acabado", acrescenta a mesma fonte. 

A Leiston Holdings, empresa à qual Zahavi está associado, financiou a organização israelita Elad, que tem promovido a colonização judaica da zona Leste de Jerusalém, segundo o jornal "Haaretz".

Zahavi, um antigo jornalista desportivo, estabeleceu uma rede de contactos nas comunidades russa e ucraniana para ganhar influência na Europa de Leste. Apesar de ter intermediado vários negócios bem-sucedidos, a compra do Portsmouth por Gaydamak foi considerada um fracasso, já que o clube faliu em 2010. Zahavi já afirmou que perdeu dinheiro nesta empreitada. 

Atualmente um dos melhores ativos que Zahavi tem na sua carteira de clientes é o futebolista argentino Javier Mascherano, que joga pelo Barcelona. 

Zahavi é uma figura influente no futebol português 

Zahavi chegou a trabalhar com um agente chamado Gustavo Arribas, que desde o ano passado trabalha para os serviços secretos argentinos. Zahavi Arribas e um outro agente criaram a HAZ, uma empresa com sede em Gibraltar que está envolvida em várias transferências de jogadores da Argentina para a Europa. 

Pini Zahavi tem também uma participação na empresa HAZ Racing Team, que opera na Argentina. E há ainda uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, a Leiston Holdings, à qual Zahavi está associado. A Leiston foi referenciada este ano, segundo o jornal "Haaretz", como um dos grandes doadores de fundos à organização não governamental israelita Elad, que é acusada de adquirir imóveis na zona leste de Jerusalém para afastar moradores palestinianos e aí instalar comunidades judaicas. 

Zahavi é uma figura influente no futebol português. Em Portugal é representado pelo seu sobrinho, Nir Zahavi. Através da Leiston Holdings, o empresário israelita detinha 45% dos direitos económicos de André Carrilho, jogador que deixou o seu contrato com o Sporting terminar para se transferir a custo zero para o Benfica. 

O agente israelita também participou no último verão no negócio pelo qual o Inter de Milão adquiriu os direitos económicos de João Mário ao Sporting por 40 milhões de euros. Zahavi e o agente Kia Joorabchian intermediaram a transacção em representação do clube italiano. 

Artigo publicado hoje pelo jornal Expresso. De seguida acrescento alguma informação relevante. 

Os valores falados na altura



Segundo o jornal Abola do dia da chegada o jogador teria custado 2,2 Milhões de Euros. 

Jovic e Saponjic custaram cerca de 10 Milhões de Euros



No prospecto de obrigacionista do Benfica, publicado em Abril (link), os encarnados confirmaram que gastaram cerca de 10 Milhões de Euros no mercado de Janeiro de 2015 para a aquisição de dois avançados sérvios. Luka Jovic, no valor de 6,583 Milhões de Euros e Ivan Saponjic no valor de 3 Milhões de Euros. Nem um, nem outro estão a acrescentar nada na equipa B do Benfica. Jovic tem 16 jogos/1 golo) pela equipa B do Benfica e Saponjic tem 33 jogos/6 golos pela equipa secundária. 

Uma curiosidade



No mesmo dia em que Carrillo é colocado no Sporting pelo jornal Abola, Luka Jovic chega a Lisboa. Curiosamente, o Sr. Pini Zahavi detinha 45% do passe do peruano. Mais uma daquela coincidências. 


Um resumo perfeito


- A 25 de Janeiro de 2015, o Estrela Vermelha vendeu 70% dos direitos de Luka Jovic ao Apollon por 1,4 milhões de euros. Além disso, o Apollon garante uma clausula que lhe garante os restantes 30% por 600 mil euros. Mas o jogador ficou em Belgrado. Nunca jogou pelo Apollon. E a 1 de Fevereiro de 2016 assina pelo Benfica.

- O Estrela Vermelha recebeu no máximo 2 milhões de euros por um jogador que veio directamente de Belgrado para Lisboa e o Apollon, sem que o jogador lá tenha colocado os pés, recebeu 4,65 milhões de euros pelo jogador.

- Zvezdan Terzic, foi o responsável por este "maravilhoso" negócio para o clube Sérvio. Este senhor esteve fugido à justiça 2 anos por acusações de desfalque, tendo-se entregue em 2010 e pago mais tarde uma caução de 1 milhão de euros para regressar "ao activo".

- Entretanto, a irmã deste senhor é casada com um antigo guarda redes chamado Nikola Damjanac que foi contratado pelo Benfica para representar o clube nas negociações com Jovic. Por isso recebeu 100 mil euros do Benfica.

- Curiosamente, Damjanac é co-proprietário da Lian Sports que entre outros representa: Djuricic, o irmão de Filip Markovic (irmão de Lazar Markovic) e Fejsa. 

- Pini Zahavi, detinha 45% do passe de André Carrillo. No mesmo dia em que a notícia da contratação de Carrillo pelo Benfica, Jovic chega a Lisboa para assinar pelo Benfica.

Caso para dizer: Limpinho, limpinho, limpinho...

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sábado, 3 de dezembro de 2016

O toque de Mendes



O Fisco espanhol abriu uma investigação a Ronaldo pela não declaração de rendimentos de direitos de imagem. Gestifute garante que os impostos estão todos em dia. Mas falta o desfecho do processo. Conheça a história de como o jogador de Jorge Mendes se socorre dos paraísos fiscais desde 2009

O dia em que uma consultora fiscal recebe um questionário das Finanças sobre um cliente seu é um dia de trabalho. Para uma consultora que faz assessoria a estrelas do desporto agenciadas por Jorge Mendes, é um dia de trabalho extra, porque isso implica um custo mediático associado se a história correr mal. E se essa estrela for Cristiano Ronaldo, esse custo é multiplicado por mil ou por milhões. E é um dia de sarilhos. 

A partir do momento em que a informação chegou, o 3 de Dezembro de 2015 não podia ser apenas mais um dia nos escritórios da empresa de serviços jurídicos Senn Ferrero: o Ministério das Finanças espanhol abrira uma investigação, que ainda está em curso, para apurar possíveis irregularidades de Ronaldo nas suas declarações do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) relativas aos anos 2011, 2012 e 2013. Naquelas perguntas enviadas para o número 3 da Plaza de La Lealtad (perto do Museu Nacional do Prado e da Bolsa de Madrid), os inspectores mostraram-se particularmente interessados na questão dos direitos de imagem do jogador do Real Madrid e isso comportava um risco maior para Ronaldo. A Semi Ferrero sabia porquê. Os contabilistas de Jorge Mendes que a Senn Ferrero alertou também sabiam porquê. E este é o porquê: um esquema empresarial complexo com paragens nas Caraíbas, na Irlanda e em contas bancárias na Suíça que geria desde 2009 os rendimentos provenientes da publicidade prestada por Ronaldo a várias marcas.

Ao todo, de 2009 a 2014, Ronaldo recebeu €74,8 milhões pelos seus direitos de imagem como jogador do Real Madrid e também já recebeu adiantados €75 milhões para o período 2015 a 2020, mas só na declaração de rendimentos de 2014 é que mencionou este bolo. Ou melhor, uma fatia deste bolo, €22,7 milhões, repartidos em dois pedaços. O que representam estes dois pedaços, o que aconteceu ao resto do montante acumulado, quais as offshores usadas, como foram vendidos os direitos de imagem em 2009-14 e 2015-20, por que caminhos andaram Ronaldo e outros jogadores agenciados pela Gestifute de Jorge Mendes - estas são algumas das questões que derivam de uma extensa análise aos documentos extraídos da plataforma Football Leaks. A investigação foi liderada pela revista alemã "Der Spiegel", que partilhou os dados com a rede European Investigative Collaborations (EIC), um consórcio de jornalismo de investigação composto por mais de uma dezena de jornais e que contou com a colaboração do Expresso. 

Esta é a história sobre Ronaldo. 

LUZES, CÂMARA, CONTRATAÇÃO 




O "Big Brother" de Cristiano Ronaldo começou a 6 de julho de 2009, sentado no banco de trás de um carro, com um motorista e uma câmara de televisão para documentar o dia. "Hoje há jogo ou quê?", diz Ronaldo em espanhol. Ele sabe que não há jogo, está a ensaiar uma piada. Talvez não acredite que aquelas pessoas à porta do estádio Santiago Bernabéu estejam ali apenas porque ele próprio estará dentro do Bernabéu daqui a pouco. Serão 8o mil fãs a aplaudir o português, vestido de branco, ladeado por Eusébio, Don Alfredo di Stefano e Florentino Pérez. Não faltarão o "Haia Madrid!", os agradecimentos, os toques na bola de futebol, o abraço aos adeptos que conseguirem furar o perímetro de segurança. Ronaldo foi contratado pelo Real Madrid e a sua apresentação aos sócios e adeptos foi transmitida em direto por televisões de todo o mundo. Naquele momento, Ronaldo tornou-se global. Os seus assessores tinham-no previsto. 

A 20 de dezembro de 2008, ainda jogador do Manchester United, Ronaldo assinara outro contrato, longe do rebuliço. Foi com a Tollin Associates Limited, uma empresa registada na Vanterpool Plaza, que fica em Road Town, na ilha de Tortola (Ilhas Virgens Britânicas - BVI). Nas Caraíbas. Para os mais curiosos, a Vanterpool Plaza é um prédio de dois andares em tons de amarelo; no piso térreo há uma farmácia gerida por uma senhora chamada Vanterpool, o piso superior está alugado a uma firma de advogados. 

Segundo os contratos obtidos pela revista "Der Spiegel" e partilhados com o consórcio EIC, ficou acordado que de 1 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2014, a Tollin seria a depositária dos direitos de imagem do jogador e o jogador seria o recetor de "todos os rendimentos recebidos pela sociedade", à exceção de 20 mil euros anuais e possíveis gastos operacionais. E, também, à exceção da comissão de Jorge Mendes. É que, uns dias depois, a 3o de dezembro de 2008, a Tollin transferiria a exploração desses direitos de imagem a uma empresa com ligações a Jorge Mendes, a Multisports & Image Management (MIM), sediada em Dublin. E a MIM, por sua vez, já tinha uma colaboração com a Polaris Sports, também com sede na Irlanda e controlada por Jorge Mendes; ambas tornar-se-iam responsáveis por negociar todos os acordos publicitários em nome de Cristiano Ronaldo. Funcionaria assim: o dinheiro dos contratos publicitários iria para a MIM e para a Polaris e, após deduzidas as respetivas comissões dos intermediários, o resto seguiria para a Tollin - era o mesmo jogo que Mourinho já jogara [ver páginas seguintes]. Ou seja: as marcas lidariam diretamente com a MIM e com a Polaris e só depois os seus pagamentos viajariam para a Tollin, fazendo com o que o rasto se perdesse no caminho entre a Irlanda e as Caraíbas. Porquê este esquema? Porque com este tipo de estrutura é possível explorar as vantagens fiscais das BVI. 

RECORDAR BECKHAM 




Vamos por partes, como num jogo de futebol. Um longo jogo de futebol. 

Aquecimento. 

Um cidadão é um cidadão e uma empresa é uma empresa e os impostos sobre as receitas geradas pelos direitos de imagem são mais baixos se o pagamento for feito a uma empresa e não a um cidadão. E se o pagamento for feito a uma empresa com sede na Irlanda, um lugar com um regime fiscal especialmente competitivo, as taxas serão ainda mais baixas. A MIM e a Polaris, ligadas a Mendes, estão ambas sediadas na Irlanda, onde a taxa de tributação sobre as empresas é de 12,5%. É esta taxa que se aplica aos lucros destas empresas: as comissões são tributadas, o resto das receitas de Ronaldo seguem livres para a Tollin. 

Primeira parte. 


Quando Ronaldo chegou a Madrid em 2009 estava em vigor a "Lei Beckham", uma lei aprovada pelo governo espanhol em 2004 para atrair trabalhadores estrangeiros com elevados rendimentos. A "Lei Beckham" (assim popularizada por ter tido entre os primeiros beneficiários o futebolista David Beckham) foi revogada em 2010, mas os residentes estrangeiros então a viver em Espanha tiveram direito a um período de transição que acabaria a 31 de dezembro de 2014. Já voltaremos a esta data: 31 de dezembro de 2014. Ora, esta medida garantia aos estrangeiros residentes em Espanha uma tributação de não residente, os chamados "impatriados", que pagariam impostos apenas pelos rendimentos obtidos em Espanha e a uma taxa de 24%, muito inferior à taxa de até 48% que se aplicava aos residentes com salários mais elevados. Usando esta legislação, os conselheiros de Cristiano Ronaldo estimaram que cerca de 80% dos rendimentos dos direitos de imagem do jogador eram gerados no estrangeiro e à volta de 2o% provinham de Espanha; no total, entre 2009 e 2014, a Tollin encaixou €74,8 milhões pela exploração dos direitos de imagem de Ronaldo: €63,3 milhões 'do estrangeiro', €11,5 milhões de Espanha. Segundo os assessores de Ronaldo, ao abrigo da "Lei Beckham", só estes últimos tinham de ser declarados. O fisco espanhol parece duvidar. 

Segunda parte


Durante anos, nem os tais 2o% figuraram nas declarações de rendimentos do jogador. Não aconteceu em 2011. Nem em 2012. Nem em 2013. Eles vieram à tona apenas em 2014, cinco anos depois da apoteótica apresentação no Bernabéu. A 3o de junho de 2015, no último dia possível para apresentar a declaração, os consultores fiscais compilaram e emitiram o documento para as Finanças, a que a investigação da "Spiegel" e do EIC tiveram acesso. Aí se incluía o salário como empregado do Real Madrid (mais de 34 milhões de euros, que refletiam um bónus em cima do seu ordenado base anual); a casa em Madrid, as compras, algum dinheiro em contas bancárias e os carros, mas não os seus bens no estrangeiro: as casas em Portugal, as contas nos bancos SGKB - St. Galler Kantonalbank (Suíça), BPI (Portugal) e Banque Internationale (Luxemburgo). Também não se mencionava a sua conta no banco Mirabaud, em Genebra. 

Os contabilistas de Ronaldo decidiram apresentar na declaração às autoridades fiscais espanholas o valor de €22,7 milhões: €11,5 milhões pelos direitos de imagem de 2009 a 2014 sem referências ao nome Tollin ou ao facto de Ronaldo ter recebido esse dinheiro via uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas; e €11,2 milhões pelos direitos de imagem de 2015 a 2020, pagamento a cargo de uma sociedade chamada Arnel, com morada na... Vanterpool Plaza, na Road Town da ilha de Tortola, nas BVI. 

O mais importante seria que o nome da Tollin ou do seu administrador não aparecesse em lado algum. Depois do rocambolesco caso de evasão fiscal dos Messi, pai e filho, era fulcral que Ronaldo mantivesse a sua reputação intacta. A defesa dos interesses de Ronaldo estava a cargo da Senn Ferrero e do advogado português Carlos Osório de Castro, que trabalha com a Gestifute há alguns anos. 

Prolongamento


Aparentemente, correu bem. Num primeiro momento, a Agência Tributária não desmontou a estrutura offshore de Ronaldo e isso terá aliviado a entourage de Mendes, por continuar omissa a existência da Tollin, que entretanto foi extinta quando o contrato com Ronaldo terminou, a 31 de dezembro de 2014. A azáfama e o stress da recolha de documentos em contrarrelógio para entregar a declaração no último dia tinha valido a pena. Questionada pelo "El Mundo", que pertence ao consórcio EIC com o qual o Expresso colabora nesta investigação, a Agência Tributária de Espanha não esclareceu se tinha voltado ao tema offshore no caso Ronaldo. O "El Mundo" apurou, todavia, que o processo do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) continua em aberto e incide sobre os períodos 2011, 2012 e 2013. 


E agora os penáltis. 


Uma semana depois de a rede EIC ter enviado dezenas de perguntas a Jorge Mendes e a Ronaldo, no âmbito da presente investigação jornalística, sobre os direitos de imagem do jogador da Gestifute, a sua situação fiscal e o uso de sociedades offshore, a empresa de Mendes optara não responder. Eis senão quando esta quinta-feira é publicada uma notícia no jornal espanhol "El Confidencial" a contar metade da história citando fontes próximas de Ronaldo. Horas depois, a Gestifute emitiu um comunicado garantindo que "tanto Cristiano Ronaldo como José Mourinho estão em dia com as suas obrigações fiscais tanto em Espanha como no Reino Unido". Era uma jogada preventiva de quem sabia da investigação jornalística prestes a ser publicada. 

O comunicado da Gestifute nota que "nunca Cristiano Ronaldo como José Mourinho estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal" (o que é verdade: houve inspeções da autoridade tributária espanhola, mas não se seguiu nenhum processo em tribunal). E a Gestifute acrescenta que "qualquer insinuação ou acusação dessa natureza relativa a Cristiano Ronaldo ou José Mourinho será denunciada e perseguida nos tribunais". 

Mas no que a esta história diz respeito, falta perceber como, quando e a quem é que Ronaldo vendeu logo em 2014 os seus direitos de imagem para 2015-20. Foi um "bom amigo". Mas porquê? 

O MAGREBE 


A 20 de dezembro de 2014, o Real Madrid ganhou o Mundial de Clubes em Marraquexe ao bater o San Lorenzo da Argentina por 2-0. Para trás ficou uma vitória por 4-0 frente ao Cruz Azul do México nas meias-finais e uma competição em que a segurança e o vírus ébola foram temas dominantes - e, já agora, uma competição em que Ronaldo ficou a zero dentro do campo. Fora dele, Cristiano goleou. 

Nesse mesmo dia 20 de dezembro, o avançado, segundo os documentos obtidos pela investigação da "Spiegel" e do consórcio EIC, emitiu duas faturas para duas companhias, uma no valor de €63,5 milhões, outra de €11,2 milhões. A primeira para a Adifore, a segunda para a Arnel, a empresa offshore referida na sua declaração de rendimentos de 2014. CR7 assinara contrato com ambas por período igual, mas com contornos diferentes: até 31 de dezembro de 2020, a Adifore iria gerir os direitos de imagem do resto do mundo e a Arnel os direitos de imagem relativos a Espanha; uma vez mais, o rácio era o mesmo (8o/2o). As comissões de 10% a 15% à MIM e à Polaris também ficaram asseguradas. 

Tudo isto foi feito antes do fim do ano, mesmo a tempo de entrar no exercício de 2014. Não foi por acaso. Não faltava muito para terminar o acordo entre Ronaldo e a Tollin e, sobretudo, para acabar o período de transição da "Lei Beckham". Lembra-se da data de 31 de dezembro de 2014? Pois bem, a partir do dia 1 de janeiro de 2015, todos os rendimentos de Ronaldo e dos outros "impatriados" passariam a ser taxados como os de qualquer outro espanhol com os mais elevados salários, até 48% e não a 24%, e isso incluiria o salário do Real Madrid e o bolo dos direitos de imagem, independentemente da origem dos mesmos. Mas ao vendê-los à Adifore e à Arnel antes do reveillon, Ronaldo só teria, à partida, de declarar os €11,2 milhões (e fê-lo) e tributar 24% desse valor - e poderia não declarar os €63,5 milhões. 

Contas feitas, em 2014 Ronaldo declarou €22,7 milhões (€11,5 milhões relativos a 2009-2014 e €11,2 milhões pelo contrato para 2015-202o) dos €149,8 milhões que recebeu por contratos de publicidade. Fica resolvido o 'como', o 'quando' e o 'porquê' - fica a faltar o 'a quem'. 


ÚLTIMA PARAGEM: SINGAPURA 




A 29 de junho de 2015, Cristiano Ronaldo foi para uma conta das suas redes sociais dizer que tinha chegado a acordo com um "bom amigo" para vender os seus direitos de imagem. O texto parece saído de um manual de assessoria de imprensa: "Estou muito entusiasmado por anunciar o meu acordo com a Mint Media, propriedade de um bom amigo meu, o empresário Peter Lim de Singapura, para que esta adquira os meus direitos de imagem. Este é um passo muito estratégico para mim e para a minha equipa de agenciamento para levar a marca Cristiano Ronaldo para outro nível, especialmente na Ásia". 

Quem é Peter Lim? Segundo a "Forbes", estima-se que Lim tenha uma fortuna a rondar os 2,4 mil milhões de dólares, que terá enriquecido um dia quando investiu na compra de uma empresa de óleo de palma que depois revendeu a um preço exorbitante. Além de ser um "bom amigo" de Cristiano Ronaldo, Peter Lim também é um grande amigo e parceiro de negócios de Jorge Mendes, o agente/gestor de carreira de Ronaldo. Porque foi através de Mendes que Lim se tornou dono do Valencia, clube da primeira liga espanhola que já foi treinado por Nuno Espírito Santo, o primeiro futebolista a ser representado pelo agente português, nos anos 1990. Além disso, há vários futebolistas no Valencia que fazem parte da carteira de clientes de Jorge Mendes, como Cancelo, Enzo Pérez ou Rodrigo. 

NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DE 2014 CONSTAVAM OS DIREITOS DE IMAGEM EXPLORADOS EM ESPANHA. MAS NÃO OS DO RESTO DO MUNDO

Nos documentos a que a rede EIC teve acesso não há prova de que a Arnel e a Adifore sejam, de facto, de Peter Lim, e também não há documentos que sustentem que foi ele a pagar os €74 milhões de uma só vez a Cristiano Ronaldo. O que há são manifestações públicas de uma relação próxima entre o jogador, o empresário e o agente, sustentadas pelo post de Ronaldo de 29 de junho de 2015, curiosamente um dia antes de a sua declaração de rendimentos de 2014 ser submetida ao Estado espanhol pelos advogados da Senn Ferrero. 

Com Ronaldo, o timing é tudo. Porque só um jogador com uma invulgar capacidade de estar no sítio certo e à hora certa consegue marcar 374 golos pelo Real Madrid, 118 pelo Manchester United, 68 por Portugal, 5 pelo Sporting, e ganhar três Ligas dos Campeões, dois mundiais de Clubes, um Europeu de seleções, uma supertaça europeia, três ligas inglesas e uma espanhola, entre outros troféus. E, acima de tudo, ser eleito o melhor jogador do planeta em três ocasiões diferentes - e provavelmente a quarta no final deste mês. O que ainda não se sabe é se Ronaldo terá conseguido explorar a relação espaço-tempo de uma forma tão eficaz no planeta fiscal. 

Para especialistas em assuntos fiscais, como o hispano-alemão Rafael Villena, que passou anos a fio a examinar estas estruturas, a situação é clara: "Ronaldo devia ter declarado todo o dinheiro pago à Tollin em cada ano, a começar em 2009 e não apenas em 2014", diz à "Spiegel". Fontes consultadas pelo "El Mundo", por outro lado, acreditam que Ronaldo poderá ter incorrido em três irregularidades. A primeira, não ter tributado as receitas provenientes de empresas que, teoricamente, não têm presença em Espanha, como as asiáticas Emirates, Americana Group ou Drive Dentsu. A segunda, ter decidido que apenas 2o% dos pagamentos de empresas com atividades evidentes em Espanha (Real Madrid, Nike, Herbalife ou Samsung) seriam declaráveis. A terceira, não ter declarado os mais de €14 milhões que saíram diretamente para duas empresas irlandesas relacionadas com a Gestifute: a MIM e a Polaris Sports. E, a isto, somam-se os antecedentes com outros clientes de Jorge Mendes, como Fábio Coentrão, Pepe e Ricardo Carvalho, todos eles com estruturas offshore; e as multas aplicadas a Messi, Javier Mascherano, Xabi Alonso ou Adriano, outros futebolistas de perfil alto que jogam (ou jogaram) em Espanha.. 

Artigo publicado hoje pelo jornal Expresso. Nos próximos tempos darei atenção especial a este segunda vaga do Footballeaks.

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sábado, 27 de agosto de 2016

“A bosta de boi é mais útil que os dogmas; serve para fazer estrume.”


Nos últimos dias, trouxe para a discussão o procedimento do jornal Record em torno do forte ataque de Sandro ao Sporting. Podem consultar esses dois posts nos links seguintes:

"Se calhar vivo o Benfica em demasia" - Parte I
"Se calhar vivo o Benfica em demasia" - Parte II

Parece-me ser um bom momento para analisar o posicionamento do Record e dos seus jornalistas para com o Sporting Clube de Portugal.

As singularidades do Record


"A prática é o critério da verdade", disse um dia Jorge Jesus citando Mao Tsé-Tung. Os senhores do Record gostam de adaptações, por isso, consideram que o "critério da verdade está na prática" com que conseguem ler os takes da Agência de comunicação do Estado Lampiânico e fazer o seu imediato copy paste. Uma agência cada vez mais famosa e que tem como lema: “Devemos apoiar tudo que o inimigo combate, e combater tudo o que o inimigo apóia.”

Senão vejamos:

No passado dia 22 de Janeiro, o site Footballeaks publicou o contrato da transferência de Bernardo Silva para o Mónaco. Essa publicação foi feita no início da manhã e indicava que um terço do montante (5,250 Milhões de euros) foram transferidos para a XXIII Capital Limited. Este foi o tema do dia em Portugal. Curiosamente, (palavra mais usada no blog) o jornal Record não publicou nada no seu site durante TODO O DIA. Relembro que este jornal foi desde sempre o "diário oficial" do Footballeaks.

Só no final do dia é que o Record publicou a notícia, mas ai já com as devidas informações recolhidas junto dos responsáveis encarnados. 


Como podem verificar na notícia, a parte a marcador amarelo foi toda dedicada à versão encarnada. Coisa pouca. Curiosamente, (outra vez!?) quando se trata do Sporting o importante é colocar de imediato a notícia a circular para "não matar a notícia". Depois, no dia seguinte, vê-se...

Quando se trata de certos assuntos e certos clubes, há sempre uma preocupação maior em cumprir o código deontológico dos jornalistas. Por falar em jornalistas, o autor deste "enorme" trabalho de investigação junto dos responsaveis do Benfica foi António Varela, um habitué nestas andanças do "carvão e contra-carvão".
António Varela foi o jornalista responsável pela pasta do Footballeaks do Record. Não será por isso de estranhar todo o destaque de primeira página às revelações sobre o Sporting e praticamente nenhum destaque sobre os "negócios" do Benfica. E quando não há maneira de branquear as revelações sobre o Benfica, dá-se a notícia pela visão encarnada. Ainda entrei no Facebook do senhor, mas bastou-me ver os amigos para lhe "tirar a pinta"...


Destas 5 figuras, só não escrevi sobre Alberto Arons Carvalho mas basta acrescentar que é vice-presidente da ERC e fez parte da comissão de honra da recandidatura de Luís Filipe Vieira em 2012. Mais uma "daquelas" coincidências. Sobre as outros 4 figuras é só procurarem na barra lateral pelos seus nomes. Prometo momentos divertidos.

O Blog "Artista do Dia" tem uma série de trabalhos sobre este "jornalista" que serão do vosso agrado:

Sempre prontos em defesa do Benfica


Já nada me espanta no Record. Recordemos, por exemplo, o dia em que o jornal veio defender o Benfica contra um post do Blog Tu Vais Vencer

Pensem comigo! Um jornal desportivo a desmentir um blog? Com que necessidade? A mando de quem? Curioso não é? Eu cá gostava era de ver o Record a desmentir Directores de Conteúdos da BenficaTV que vão para a televisão mentir descaradamente. Ainda na passada segunda-feira, Pedro Guerra bateu Record(es) nas mentiras debitadas (isso fica para outro post). Se desmentem um blogger com capacidade para chegar a meia dúzia de pessoas por que não fazer o mesmo trabalho com Pedro Guerra? 

Record ameaça Blogs


Já falei sobre este caso, mas aqui fica novamente o link para que as pessoas possam compreender tudo o que se passa. (link)

O caso Fernando Correia





O que dizer quando um jornalista da categoria de Fernando Correia faz uma denúncia deste tipo!? Onde está o sindicato dos jornalistas? Onde estão os opinadeiros deste país que são capazes de opinar sobre tudo "anywhere, anytime"? Onde estão os jornalistas deste país a defenderem a sua classe? Todos calados, excepto Bernardo Ribeiro, do Record. Vejamos:



"Um bufo será sempre um bufo", comentou Bernardo Ribeiro, no twitter após a denúncia de Fernando Correia. Absolutamente inqualificável e fico-me por aqui.

Julgo que o post é suficientemente esclarecedor sobre o que se passa no jornalismo português e no jornal Record em particular. Longe vão os tempos em que senhores como Artur Agostinho ou Fernando Correia faziam verdadeiro jornalismo. Ainda há dias, ouvi alguém dizer que "há uns anos o que vinha no jornal era lei". Hoje em dia, a imprensa vive da propagação dos dogmas lampiões, atropelando tudo o todos no seu caminho.

A transferência de João Mário


No dia em que a transferência de João Mário será concretizada, o Record opta por chamar para a sua capa o "Pistoleiro".

Voltando a Mao Tsé-Tung e para acabar: "A bosta de boi é mais útil que os dogmas; serve para fazer estrume.” 


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