quinta-feira, 18 de julho de 2019

"Se a opção de cortar for para a frente, daqui a um ano estamos a falar no desaparecimento da modalidade"


Depois dos ecos relacionados com cortes nas mais diversas modalidades do Sporting, eis que chegou o dia em que os protagonistas falam abertamente sobre o assunto. Aqui ficam as declarações de Carlos Silva, director técnico do Sporting e de dois dos mais importantes treinadores leoninos. José Uva, treinador dos saltos e Luís Pinto do meio fundo. 

A entrevista


Aqui fica o print da notícia de hoje do Jornal Ojogo.

Abram imagem num outro separador


Os cortes


Se há alguém que tem falado no corte absurdo do orçamento para a época 2019/2020 tenho sido eu. Em tempo útil dei a minha opinião desfavorável à aprovação deste orçamento que tem um corte de 2,3 milhões de euros (+ de 20%) em relação ao montante executado em 18/19 e com a agravante de temos uma nova modalidade que custa entre os 700 e os 800 mil euros. Portanto, em termos gerais, as modalidades que tivemos em 18/20 sofrem um corte de 3M. Importa também salientar que a época 18/19 acabará com lucro, tal como as 5 épocas anteriores. Já falei sobre isso (aqui) e (aqui)

Clarinho como água


Declarações mais claras do que estas são difíceis de encontrar. Ora, vamos lá:

Luís Pinto

"O Carlos Silva mostrou que era possível sonhar com a Europa. Deu um balão de oxigénio ao atletismo. Tem havido um apoio que não houvera em dez anos"

Carlos Silva: 

- "O factor financeiro nem é muito nem pouco importante - é fundamental."

- "O dinheiro condiciona sempre. E estamos preocupados, não o escondo"

- "Com mais fazemos melhor; com menos, fazemos o possível"

- "Há limites para manter a qualidade. O projecto está longe de estar acabado e os resultados são muito interessantes. Agora, se quisermos andar para trás, admito que seja mais fácil destruir do que construir"

- "Não é uma decisão nossa o que cortar, mas sim a de produzir. Se alguém nos exigir mais, terá de dar mais. Somos treinadores e não nos queremos intrometer na gestão do clube. Sabemos, porém, o que é possível fazer"

José Uva

- "Se há modalidade que tem feito jus ao nome de ser os melhores da Europa, tem sido o atletismo. Não me parece assim tanto o valor investido"

- "Para sermos os melhores, tem de haver investimento. Por isso é que os títulos europeus voltaram a aparecer"

- "Se a opção de cortar for para a frente, daqui a um ano estamos a falar no desaparecimento da modalidade"

Para fechar


Em 20 anos, de 1995 a 2015 o Sporting venceu apenas um título internacional no Atletismo: a TCCE de Pista em 2000. Com a aposta nas modalidades feita pelo conselho directivo presidido por Bruno de Carvalho, o Sporting conquistou de 2016 até 2019 uns incríveis 5 títulos internacionais. O primeiro destes 5 títulos ainda foi visto pelo nosso eterno professor Moniz Pereira, que faleceu pouco tempo depois. Que alegria teria ele se tivesse a possibilidade de ver como o Sporting desenvolveu o atletismo nos últimos anos e que falta nos faz hoje nesta luta contra quem quer matar o que tanto custou a construir. 

Os títulos, o corte no Orçamento e agora as declarações de directores e técnicos estão ai para os Sportinguistas analisarem. Termino deixando um abraço solidário aos três pela coragem das declarações e por informarem os Sportinguistas sobre o rumo interno que está a ser traçado. 


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sábado, 6 de julho de 2019

Dia de expulsão


Chegou finalmente o dia tão desejado por uma parte significativa de sócios do Sporting e por uma esmagadora parte - senão mesmo pela totalidade - dos actuais órgãos sociais do Sporting, que a cada intervenção pública mostram o seu ódio ao antigo presidente do clube. Hoje é o dia em que Bruno de Carvalho será expulso de sócio do Sporting CP. Para os que tanto lutaram por isso eu digo, podem soltar os fogos

Não estanhem que eu comece pela conclusão. Faço-o para vincar de forma bem clara o que eu acho que vai acontecer. Bruno de Carvalho será expulso e de goleada. Prognostico feito, quero dizer algumas coisas. Até porque nunca me escondo de dar a minha opinião sobre matérias relevantes do Sporting.

Uma morte anunciada há meses


A primeira coisa que quero dizer é algo que provavelmente nem 10% dos Sportinguistas saberão: independentemente do resultado da AG de hoje, Bruno de Carvalho já não poderia concorrer no próximo acto eleitoral, uma vez que para poder concorrer a um acto eleitoral tem de ter filiação ininterrupta nos 5 anos anteriores ao acto eleitoral. Algo que a suspensão que vigora até ao mês de Agosto o impede. Ora, BdC só poderia concorrer a partir de setembro de 2024. Ou seja, se as duas próximas eleições forem ordinárias (2023 é 2027), BdC só poderia concorrer em 2027. Daqui a 8 anos. 

Pouca gente sabe disto, mas é a realidade. Uma realidade que dentro de horas deixará de existir porque Bruno de Carvalho será expulso de sócio. 

O acto de guerra


Tenho também de dizer que estou perfeitamente tranquilo quanto a todas as minhas posições e mantenho as minhas convicções. Passado mais de um ano do ataque a Alcochete, vivo na profunda convicção que sempre estive do lado certo da barricada: o lado do Sporting Clube de Portugal.

No dia seguinte ao ataque na Academia e face ao anúncio de Jaime Marta Soares de um plenário de órgãos sociais para depois da final da Taça com vista à definição do futuro do Sporting, eu disse publicamente que o melhor para o Sporting seria Bruno de Carvalho pedir demissão. Sugeri até que se encontrasse uma solução de estabilidade em Carlos Vieira (nº2 do CD) por forma a se preparar as épocas desportivas e para fechar a reestruturação financeira e a recompra das VMOC que estava em curso e que já tinha sido anunciada em Abril, bem antes do ataque na Academia. Após isso, seriam convocadas eleições antecipadas num momento a definir nesse plenário. Era uma solução que teria duas vertentes muito importantes. Por um lado, garantiria a estabilidade imediata do clube. Por outro, daria tempo aos sócios interessados de formarem listas e fazerem projectos para apresentarem aos sócios em eleições. Obviamente, Bruno de Carvalho teria toda a legitimidade de se recandidatar nesse acto eleitoral, deixando a decisão nas mãos dos sócios.

Mas não foi esse o caminho escolhido. O tal plenário de órgãos sociais não ocorreu porque pouco mais de 24 horas depois da declaração de Jaime Marta Soares, começaram a surgir demissões nos órgãos sociais. Foi esse o acto de guerra que nos levou para uma guerra civil entre MAG e CD durante mais de um mês.

Só um lado da "barricada" é punido


Relativamente aos actos que levam à sua expulsão de sócio de Bruno de Carvalho, dizer que não há dúvida absolutamente nenhuma que violam os estatutos. Se são para expulsão, isso já é outra história. Mas face à dualidade de critérios aplicada por uma Comissão de Fiscalização que não foi eleita pelos sócios e que tomou a medida mais importante do órgão disciplinar do Sporting nos seus 113 anos de história ao suspender um Conselho Directivo inteiro, pouco importa para o caso. Uma dualidade de critérios que continuou com a eleição do actual Conselho Fiscal e Disciplinar que até se dá ao luxo de andar nas televisões e jornais a fazer campanha para a expulsão de sócio de Bruno de Carvalho.

O problema aqui é que na guerra sem quartel ocorrida no seio dos órgão sociais entre 17 de Maio e 23 de Junho de 2018, há muitas outras figuras que violaram os regulamentos e estatutos do clube e não os vejo serem alvos de processos disciplinares, castigos ou expulsões. Perante isto eu pergunto-vos: como podem os Sportinguistas pactuar com tamanha injustiça, quando só um dos lados da barricada desta guerra interna é punido? Que justiça é esta, caros consócios? Mais, meus caros. Então e os jogadores que pediram rescisão sem justa causa com o Sporting e que prejudicaram o clube em milhões de euros, não são alvos de processo disciplinar porquê? E aqui quem diz que não há justa causa e que o clube foi prejudicado gravemente é mesmo o Sporting na sua defesa nas instâncias nacionais e internacionais. Eu recordo que o Sporting tem uma série de processos judiciais contra estes jogadores. Posto isto, não são alvo de processo disciplinar porquê? Alguém me consegue explicar?

Como é que eu posso votar a expulsão de sócio de uns, ficando os outros a rirem-se depois de também terem atropelado os regulamentos e estatutos? Ou há justiça para todos, ou então não há justiça. É outra coisa qualquer.

Este é apenas um dos pontos da injustiça que é a expulsão de Bruno de Carvalho. 

Depois de Presidência


Mas, não posso deixar de dizer algo sobre o comportamento de Bruno de Carvalho. Desde a destituição, Bruno de Carvalho tem tido atitudes que até tenho alguma dificuldade em qualificar. O Bruno de Carvalho que saiu da AG de destituição tudo tem feito para destruir o seu legado no clube. É a melhor expressão que consigo encontrar para definir este ultimo ano. Tem-se enxovalhado a si próprio e a todos os que estiveram ao seu lado. Algo para o qual também falei em tempo útil.

Se bem se recordam, na altura em que apresentou a sua recandidatura (ainda na fase em que não se sabia se seria ou não impedido de concorrer) eu disse que deveria ser possibilitada a sua candidatura para se colocar uma pedra final no assunto e para os sócios deliberarem em consciência. Também disse que não votaria nele, caso a candidatura fosse aprovada. A realidade é que a MAG - parte interessada nesta guerra - nomeou uma comissão de fiscalização que mais parecia um pelotão de fuzilamento tal o ódio que sempre demonstraram a Bruno de Carvalho. O resultado foi o esperado. Uma comissão de fiscalização que não foi escolhida pelos sócios tomou a decisão mais importante de um órgão disciplinar do clube em 113 anos: a suspensão de um conselho directivo legitimamente eleito pelos sócios. E já depois disso impediu-os de ir a eleições. Relembro que Carlos Vieira também foi impedido de ir a eleições.

O tempo dirá se a ferida aberta por terem impedido Bruno de Carvalho e Carlos Vieira de concorrer a eleições será curado facilmente, mas parece-me que a resposta já vai sendo evidente.

O legado


Mesmo considerando que Bruno de Carvalho tem destruído o seu legado pelas atitudes que tomou no último ano, isso não me impede de analisar tudo o que de bom foi feito. Enquanto teve "tino" - mais uma vez, péssima expressão, mas é a que melhor define o caso - foi o melhor presidente do Sporting deste século e isso mesmo foi reconhecido pelos sócios. Eu recordo que 3 meses antes de Alcochete, em sede de AG os sócios deram-lhe 90%. Um resultado idêntico ao que tinha obtido na eleição onde foi reeleito em 2017. Uma unanimidade tremenda em torno do líder do clube.

Isto para dizer que não aceitarei este revisionismo histórico que os actuais órgãos sociais, comunicação social e alguns Sportinguistas querem fazer. Até porque não é só um reescrever de história, em que esta AG de expulsão é mais um capítulo. Querem matar uma ideologia, uma linha de gestão e um Sporting popular. Da minha parte não permitirei este reescrever de história. Disso podem ter a certeza absoluta.

Bruno de Carvalho será hoje expulso no Pavilhão João Rocha, obra pela qual tanto lutou. Será expulso de sócio o único Presidente deste século que acaba o seu mandato com saldo positivo nas contas do clube, o presidente que conseguiu fechar uma reestruturação financeira que retirou o Sporting da pré-falência, um presidente que saiu do clube com um dos melhores planteis de futebol deste século, quando o ponto de partida que teve foi uma equipa que acabou em 7º lugar. Vai ser expulso de sócio o homem que conseguiu o maior contrato de direitos televisivos da história do futebol português, o homem que deu nova vida às modalidades, recuperando as conquistas dos títulos nacionais e internacionais, o homem que nos deu a tão prometida SportingTV, o homem que foi pioneiro na luta contra o Estado Lampiânico com a denuncia dos vouchers, o homem que tanto lutou pela introdução do VAR, etc.

É por tudo isto que deixo bem claro que a expulsão de Bruno de Carvalho de sócio será um dos maiores erros cometidos pelos sócios do Sporting neste 113 anos. Será uma tremenda injustiça a um homem que tanto deu ao Sporting e que após 5 anos foi ovacionado por 90% dos sócios. São esses 5 anos de história que não permitirei que se apaguem nunca. É uma questão de justiça e de reconhecimento. Mas cada sócio sabe de si e todos juntos sabemos do Sporting. A maioria manda. É assim a democracia.


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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Orçamento do desinvestimento foi aprovado pelos sócios


Chamados a deliberar sobre a proposta de Orçamento para 2019/2020, os 1151 sócios participantes na AG de sábado decidiram aprovar a proposta do conselho Directivo liderado por Frederico Varandas. 

Resultados finais


Dados Site Sporting

Em termos percentuais a proposta foi aprovada com 69,01% dos votos contra 30,99% de votos pelo chumbo do orçamento. Se olharmos para os resultados nos sócios, a percentagem de aprovação desce para os 60,9%  e a reprovação para os 39,1%.

Completa falta de informação


Por se tratar de uma proposta de Orçamento que vai em contraciclo com os Orçamentos dos últimos 6 exercícios económicos, o Sporting deveria ter tido outra atenção para com os sócios e procedido à sua divulgação antecipada, para que os mesmos tivessem tempo para analisar os números e as propostas deste novo paradigma de gestão. Recordo que o clube tem um site, um jornal e uma televisão.

Ora, isso não foi feito. Ou melhor, foi feito, mas de forma vergonhosa. As únicas iniciativas para passarem alguma informação aos sócios foram o artigo de Francisco Salgado Zenha no jornal Sporting e a entrevista do Presidente Varandas na SportingTV.

Bem, quanto ao artigo de Salgado Zenha, dizer que estava cheio de gralhas e com pouca informação, sendo que entre outras falhas de estagiário, o mais triste foi mesmo verificar que foi omitido do artigo a enorme descida no orçamento para as modalidades, que seria só a informação mais relevante do documento. Já falei sobre isso (aqui). Em relação à entrevista de Frederico Varandas, nada de relevante foi dito aos Sportinguistas sobre esta temática, tirando uma tirada surreal sobre a passagem de 800mil euros para 1,8M no orçamento do Voleibol que é absolutamente falsa. E aqui até acho que nem foi por maldade, foi mesmo por não ter noção dos números e os ter decorado mal.

Sporting Clube de Lisboa parado no século XX


Para quem não sabe, os sócios que vão às instalações do clube solicitar o orçamento para consulta têm de assinar uma espécie de folha de presença. Ao fazê-lo têm noção do número de associados que consultaram o documento. Segundo relatos de Sportinguistas que fizeram esta consulta, o número de sócios interessados não chegou sequer às duas dezenas. Relativamente a esta consulta, acrescentar que não são permitidas fotografias ou fotocópias que permitam levar o documento para casa para analisar mais calmamente e comparar com relatórios e contas e orçamentos passados.

Ora, quanto a isto é preciso mudar de uma vez por todas o método de consulta. O Sporting Clube de Portugal, clube que se diz ser de Portugal e não apenas de Lisboa, não pode continuar em pleno século XXI a impedir aqueles que estão fora de Lisboa de terem acesso a informação. Um sócio do Porto, de Bragança, de Faro ou até que viva no estrangeiro tem de se dirigir à sede do Sporting para conhecer a proposta de orçamento do clube que ama e para o qual paga as suas quotas? Será que as pessoas têm sequer noção que um sócio que vive no estrangeiro ou longe de Lisboa pouco ou nada usufrui do facto de ser sócio, para além do orgulho em ajudar o clube? É absolutamente surreal que continue a não haver esta visão de um Sporting de âmbito nacional. As direcções passam e continuamos nisto. Tenho pena de trazer aqui à colação o Benfica, mas os bons exemplos têm de ser elogiados. É que os encarnados disponibilizam a proposta de orçamento no site oficial do clube para os seus sócios. Fica a nota para que os nossos dirigentes alterem esta política.

No que é que os sócios votaram?


Devidamente informados temos menos de 20 sócios que partiram para a AG com todas as informações sobre o Orçamento e tiveram tempo para analisar as propostas e formar uma opinião que lhes permitisse estarem de corpo presente na AG e até tirarem alguma dúvida com os responsáveis do clube. Os restantes cerca de 1130 tomaram noção dos números na própria AG e tiveram de decidir no momento. Só por aqui se vê que a esmagadora maioria das pessoas não tiveram a mais pequena noção do que estavam a votar.

Mas, lá está, os sócios são soberanos, mesmo que a decidirem na ignorância de não terem noção dos números. É impossível olhar para estes resultados e fazer uma verdadeira análise sobre os méritos e deméritos do orçamento, senão vejamos: de um lado, uma falange de "oposicionistas" que esmagadoramente votaria sempre contra o orçamento, nem que este fosse a melhor coisa do mundo. Do outro lado, um grupo de sócios que se identifica com esta direcção e que esmagadormente votaria sempre a favor do orçamento, nem que ele fosse a pior coisa do mundo. E no meio, uma série de sócios que votam a favor de tudo pela estabilidade do clube e da direcção, seja ela qual for. E aqui, importa esclarecer que o chumbo do orçamento não colocava absolutamente nada em causa. O que aconteceria era que o conselho directivo teria de fazer nova proposta que se adaptasse à vontade que os sócios expressarem na AG.

Mas, voltando aos sócios que votaram a favor em nome da estabilidade tenho de fazer duas notas. Vi alguns sócios a referirem nas redes sociais que os orçamentos devem ser sempre aprovados e depois no final do mandato as direcções devem ser julgadas pelo trabalho realizado. Ora, aqui não posso deixar de discordar frontalmente com esta análise. Desde logo, porque se existe a obrigatoriedade estatutária de os orçamentos serem levados a votação pelos sócios é porque os eles têm de ser ouvidos e analisarem bem o que lhes é proposto. Se assim não fosse, os conselhos directivos faziam sempre o que quisessem em termos orçamentais e de contas. Mas há ainda um factor mais relevante. As direcções eleitas apresentam-se a sufrágio com base num programa eleitoral e se se afastam do que foi sufragado, os sócios têm o direito a contestar e contrariar essas alterações através do voto nas AG exigidas estatutariamente para protegerem a vontade dos sócios. E é aqui que a porca torce o rabo, para aqueles que defendem a teoria do "deixa andar e no fim fazemos contas", senão vejamos:

A promessa eleitoral de Frederico Varandas


"Investimento. Manter a aposta e o investimento em todas as modalidades". Foi desta forma decidida que o candidato Varandas se apresentou aos sócios no que a esta matéria diz respeito. Uma proposta que não deixa margem para dúvidas e que foi atropelada com esta proposta vergonhosa de orçamento. Vamos a números.

2,3 Milhões ao "ar" no orçamento das modalidades.


Foi nisto que os sócios do Sporting votaram, meus senhores. Eu já tinha avisado no post que fiz antes da AG (aqui) e os números que apresentei confirmaram-se. Aqui fica o orçamento de exploração apresentado pelo CD na AG de sábado.


Primeiro que tudo, voltar a explicar que a rubrica de honorários é aquilo a que vulgarmente se designa por orçamento das modalidades, uma vez que é a rubrica onde estão agregados todos os gastos com jogadores e treinadores.

Como podem verificar, o conselho directivo estimou que a época 2018/2019 iria acabar com 10.330.976,00€ de gastos com remunerações. Uma estimativa feita a poucos dias do final da exercício (acabou no dia seguinte à AG de sábado), portanto os valores devem estar certos praticamente ao cêntimo. Ora, no que diz respeito ao orçamento para a época 2019/2020, Frederico Varandas e seu pares propõem que o Sporting desça o seu orçamento para as modalidades face ao que foi gasto em 18/19, para os 8.027.203,00€. Um desinvestimento de 2.303.773,00€. Um decréscimo de 22,3% face ao investimento feito em 2018/2019. Meus senhores, falamos de mais de um quinto do orçamento que "vai ao ar". 

Enganar os sócios à descarada


Em vez de justificarem os reais motivos pelos quais reduzem o orçamento das modalidades de 19/20 em 22,3% face ao valor executado em 18/19, este conselho Directivo arranjou uma narrativa para enganar os sócios. Dizem estes senhores que o orçamento das modalidades de 19/20 é superior ao de 17/18, ano em que o Sporting venceu os 4 títulos nacionais nas suas modalidades de pavilhão. Isso é realmente um facto. O orçamento das modalidades de 19/20 é superior ao valor executado em 17/18 em pouco mais de 16 mil euros. O que estes senhores ocultam propositadamente, por forma a enganarem os sócios é que em 19/20 há mais uma modalidade (basquetebol) do que em 17/18. Modalidade que terá um orçamento a rondar os 800 mil euros.

Ou seja, se estes senhores fossem sérios e quisessem fazer uma comparação entre o montante executado em 17/18 para as modalidades com o orçamento de 19/20, teriam de retirar o valor do orçamento do Basquetebol. E se o fizessem perceberiam que o orçamento para as mesmas modalidades seria de apenas 7,2M em 19/20 contra os pouco mais de 8M em 17/18. Mas como não são sérios, enganam deliberadamente os sócios do Sporting.

Para quem precisa de um desenho


Os 10,3M investidos nas modalidades em 2018/2019 renderam a época com mais sucesso Internacional dos 113 anos de vida do clube (7 títulos internacionais). De acordo com o Conselho Directivo do Presidente Varandas, este exercício económico terminará com lucro na casa dos 140 mil euros. Portanto, apesar de todo o investimento acabamos o ano com lucro e com a época com mais conquistas internacionais da história do clube. Se foi assim em 18/19, porque raio vamos desinvestir 22% em 19/20?

O que os sócios do Sporting aprovaram no Orçamento de 19/20 foi um corte de 3M de euros nas modalidades que tínhamos em 18/19. Um valor que se subtrai ao orçamento do Basquetebol, que entra para o clube esta época, com custos que andam na casa dos 800 mil euros. Ou seja, com mais uma modalidade o Sporting passou o orçamento das modalidades dos 10,3M para os 8M, em números redondos. Um desinvestimento que anda na casa dos 22%. E tudo isto, repito, com mais uma modalidade de pavilhão. Mas mais, para os desatentos importa recordar que esta época antecede os Jogos Olímpicos de Tokyo, logo, o orçamento deveria até ser reforçado para trazer atletas com capacidade para engrandecerem o projecto olímpico leonino, que diz tanto ao Sporting e aos Sportinguistas. São já 146 atletas olímpicos e 9 medalhas conquistadas. Mas isso deve importar pouco para estes senhores. Quando a imprensa diz que um campeão como Nélson Évora está na porta de saída do clube devido ao desinvestimento e o clube nem sequer reage...

Foi por isto que me posicionei contra esta orçamento do desinvestimento, meus amigos. Tão simples quanto isto. Mas os sócios votaram e são soberanos. Vamos em frente com estes orçamento do desinvestimento. 

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sábado, 29 de junho de 2019

Um "Orçamento" para chumbar


Nos últimos tempos muito se tem falado sobre o orçamento do Sporting (clube) para a época 2019/2020, sem que tenha havido um esclarecimento cabal do conselho directivo. A entrevista do Presidente Varandas e o artigo de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente com a área financeira, não foram minimamente esclarecedoras. Apesar de algumas notícias na comunicação social, parece-me que os sócios do Sporting ainda não têm plena consciência da profunda mudança de estratégia que será levada a cabo, por isso, urge esclarecer os Sportinguistas com dados concretos. Vamos a isso. 

Quotização


O artigo de Francisco Salgado Zenha no jornal Sporting trouxe poucos esclarecimentos, mas ainda assim ajudam a perceber a perspectiva do clube. Começo pela principal receita do clube: as quotizações dos sócios. 

Aqui ficam os dados relativos aos últimos anos:

* Previsão apresentada Francisco Salgado Zenha no Jornal Sporting 27/06/2019

Dividi o gráfico anterior em três momentos diferentes. A amarelo estão os dois exercícios de Godinho Lopes, a verde os exercícios de Bruno de Carvalho e a cinza o exercício de Frederico Varandas. 

Existe um grande salto nos valores entre a presidência de Godinho Lopes e Bruno de Carvalho devido a uma das mais importantes decisões tomadas no clube nos últimos anos, que foi a decisão de canalizar a totalidade das receitas de quotização dos sócios para o clube. Até à entrada de Bruno de Carvalho parte destas receitas iam para a SAD. 

O Presidente Bruno de Carvalho começou então com cerca de 6M de receitas de quotização em 2013/2014 e graças ao enorme número de associados que conseguiu trazer para o clube, deixou o Sporting com receitas de quotização na casa dos 9M por época. Falamos de um crescimento de 3M em 5 anos. 

Como é do conhecimento público, o Sporting partiu para 18/19 com um orçamento por duodécimos, numa decisão absolutamente lamentável da comissão de gestão e da comissão de fiscalização. Depois de ganhar as eleições, o Presidente Varandas fez novo orçamento e apresentou-o aos sócios. Nesse orçamento, que foi aprovado por 56% dos votos em Novembro de 2018, o Presidente Varandas orçamentou que a rubrica de quotizações teria um valor de 9,7M

Um montante muito elevado mas que foi justificado no próprio orçamento. Vejamos:


A realidade é que "o conjunto de iniciativas que estavam previstas para esta área" não apareçam, como é do conhecimento dos sócios. Ora, de acordo com o artigo publicado por Francisco Salgado Zenha no Jornal Sporting desta semana, os sócios ficaram a saber que afinal o Sporting irá facturar em 18/19 um montante que não chega aos 8,5M em quotizações. Uma diferença abissal de 1,2M de euros em relação ao orçamentado pelo Presidente Varandas. 

Eu vou repetir para as pessoas não ficarem com dúvidas: o Presidente Varandas orçamentou receitas de quotização de 9,7M e vai fechar contas com apenas 8,5M, falhando o objectivo por uns incríveis 1,2M. 

Pela primeira vez nos últimos 7 anos, o montante global das quotizações sofreu uma queda. E não foi uma queda pequena. Falamos de uma quebra de cerca de 500 mil euros, quando o Presidente Varandas e a sua equipa achavam que iamos crescer mais de 700 mil euros. 

Para o orçamento de 19/20 que será apresentado hoje, o Conselho Directivo de Frederico Varandas orçamentou 9M em quotizações. Um montante ao qual o Sporting já tinha chegado no ultimo ano de presidência de Bruno de Carvalho e que mesmo assim é inferior em 700 mil euros em relação ao orçamentado em 18/19.

Quanto à principal receita do clube estamos falados, sendo que nesta fase toda a gente percebe os motivos pelos quais não conseguem aumentar as receitas de quotização.

Publicidade e patrocínios


Também no artigo do jornal Sporting, Francisco Salgado Zenha decidiu falar de outra área importante de receitas: a publicidade e os patrocínios. Vamos a números.


Em termos de publicidade e patrocínios, a administração de Bruno de Carvalho conseguiu elevar os números de Godinho Lopes para valores entre os 2,2M e os 2,4M. No artigo do vice-presidente pela área financeira é dito que esta rubrica fechará em 18/19 nos 2,359M quando tinha sido orçamentado pelo Presidente Varandas um valor pouco superior aos 2,5M. Portanto, mais uma vez, a execução ficou aquém do orçamentado, apesar de aqui os números não serem muito dispares. Falamos de pouco mais de 140 mil euros. 

Nesta rubrica o problema é outro. Como é sabido, a administração de Bruno de Carvalho não negociava patrocínios abaixo dos valores que considerava justos para as suas equipas, preferindo ficar sem patrocínio nas camisolas de algumas modalidades ao invés de obter o valor possível. Ora, com a direcção de Frederico Varandas essa politica alterou-se e foram trazidos para o Sporting uma série de novos patrocinadores nomeadamente para o Voleibol, Hóquei em Patins e Andebol. 

A realidade diz-nos que mesmo com a entrada desses novos patrocinados não se conseguiu alcançar os números da época 17/18 no que a esta rubrica diz respeito. Para a próxima época estão orçamentados 2,7M, mas também é preciso recordar que teremos a entrada do Basquetebol como modalidade oficial, o que gerará um aumento de patrocínios.

De qualquer forma, relativamente a esta rúbrica não há muito a dizer. Faço a análise do ponto para esclarecer os Sportinguistas.

Bandalheira


Depois da análise das receitas, o artigo entrou na fase da bandalheira, senão, vejamos: 

Print Jornal Sporting

Este foi o gráfico apresentado por Francisco Salgado Zenha no artigo que publicou ontem no Jornal Sporting. Ora, neste gráfico é suposto os Sportinguistas ficarem a ter conhecimento da evolução dos resultados líquidos do clube das últimas 10 épocas e ficarem com a estimativa do resultado do exercício de 2018/2019 que termina domingo. 

O primeiro erro está logo no facto de se dizer "Real 2018/2019", quando o resultado apresentado não é real, uma vez que o exercício em causa ainda nem sequer terminou. Estamos perante uma estimativa feita por Salgado Zenha. Este é um pequeno pormaior, no meio de uma bandalheira total. 

Depois reparem que o gráfico não tem eixo horizontal para separar os valores negativos dos positivos o que gera aqui uma tremenda confusão, especialmente no que diz respeito à tal estimativa para a época 18/19. Ainda poderíamos olhar para os valores e se o fizéssemos ficaríamos ainda mais confusos. Para quem não sabe, quando se apresentam valores entre parêntesis, significa que os valores são negativos, mas sabemos que nos últimos anos o clube tem dado lucros consecutivos, logo 
não se aplica e é mais um sinal da total incompetência.

Portanto, para que as pessoas percebam melhor o que foram os resultados líquidos dos últimos 10 anos de Sporting (clube) eu faço um gráfico perceptível.

Evolução REL (Sporting - clube) na última década
Esta década fica claramente dividida a meio em dois períodos distintos. Uma primeira fase ainda com os últimos tempos de Filipe Soares Franco e depois os mandatos de José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes. Durante estes 5 anos de análise (2008 a 2013) o Sporting teve sempre resultados negativos e acumulou prejuízos de cerca de 18,5M. Com a entrada de Bruno de Carvalho no clube o panorama mudou por completo. Foram 5 anos (2013 a 2018) de resultados positivos consecutivos em que o lucro acumulado ficou na casa 16,8M. Ou seja, foram 5 anos a trabalhar para limpar o buraco deixado nos cinco anos anteriores. E isto acumulado com o grande desenvolvimento das modalidades do clube que voltaram a ganhar títulos europeus e nacionais e com a construção do Pavilhão João Rocha. 

Por fim, ainda em relação aos resultados líquidos fica a dúvida no ar se os 140 mil euros colocado no gráfico como "real 18/19" - que na realidade são o valor estimado para essa época - serão lucros ou prejuízos. Nem Francisco Salgado Zenha no seu artigo, nem o Presidente Varandas na sua entrevista esclareceram o assunto. Por isso tenho de esclarecer eu. Segundo o que consegui apurar, o Sporting prevê que o exercício 18/19 termine com estes 140 mil euros de lucro. Importa recordar que nos últimos 5 anos o pior resultado obtido tinham sido os mais de 2M de euros de lucros em 2017/2018.

Bandalheira a dobrar


Se este primeiro gráfico foi mau, tenho que vos dizer que há ainda pior. Caros associados, apresento-vos os "gastos com o pessoal" à moda de Francisco Salgado Zenha.

Retirado Jornal Sporting

Ora bem, a primeira coisa que é importante esclarecer é que nas contas do Sporting existem duas rubricas relacionadas com vencimentos. Uma para os atletas e outra para os funcionários do clube propriamente ditos. Ora, a conta relacionada com os vencimentos dos jogadores é designada por "honorários". Até deixo a descrição que é colocada nos relatórios e contas do clube para que não restem dúvidas: 

Relatório e contas Sporting
Por outro lado, os tais vencimentos com funcionários estão na rubrica designada por "gastos com pessoal". Aqui fica novamente um print com a explicação: 


Ou seja, em bom rigor, quando o vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro faz um gráfico com os "gastos com o pessoal", quem analisa as contas percebe que se refere aos gastos com os funcionários "não desportivos" do clube, por assim dizer. E o que é que interessa trazer os gastos com funcionários para o jornal do Sporting? Absolutamente nada.

Quando olhei para os valores presentes no gráfico apercebi-me logo que a coisa não estava bem, mas confesso que o meu primeiro pensamento até foi de desculpabilização. No momento pensei algo do género: "O Zenha sabe perfeitamente que aquilo não são os gastos com o pessoal, mas colocou sob esse nome para que as pessoas menos familiarizadas com as contas tivessem a noção que são os valores relacionados com os vencimentos das modalidades". O problema é que mal olhei para os valores apercebi-me que nem se fosse esse o caso a coisa tinha sentido. Passo a explicar: 

Quando se fala de orçamento de futebol ou das modalidades quer-se falar nos custos com os vencimentos dos jogadores e treinadores. É essa a base e é isso que importa analisar. Por exemplo, é errado olhar para o valor total dos gastos e perdas de um orçamento como sendo esse o valor do Orçamento das modalidades. O que é que o custo da luz, da água, dos funcionários da secretaria e por ai fora têm a ver com as modalidades em si? Absolutamente nada. Por isso é que nos orçamentos e nos relatórios e contas do Sporting existe essa clara separação entre os "gastos com pessoal", que são os gastos com os funcionários e os "honorários", que são os gastos com os altetas e treinadores. 

Em relação a estes números não consigo encontrar explicação. Ainda pensei que Francisco Salgado Zenha tivesse somado os honorários com os gastos com pessoal, mas nem essa soma chega a valores tão elevados como os apresentados. Concluindo, o que está nesse quadro não vale nada. Está tudo errado. 

Serve este ponto para mostrar a leviandade com que se tratam matérias tão sensíveis e importantes para a vida do clube e dos seus associados, sem que haja sequer uma revisão ao conteúdo. 

Vamos falar então dos Orçamentos nos tempos de Bruno de Carvalho


Para se ter um termo de comparação é necessário ver o que foi feito nos anos anteriores pela antiga direcção do Sporting. De seguida deixo a informação.

Rubrica "Honoráriros" - Dados relatórios e contas

Neste gráfico estão então os valores totais dos honorários, que são a rubrica pela qual vulgarmente as pessoas designam por orçamento para as modalidades. Como podem verificar, o orçamento das modalidades do Sporting no mandato de Bruno de Carvalho foi sempre em crescendo, permitindo melhorar os planteis que tantas alegrias têm dado aos Sportinguistas. E aqui é importante dizer que uma parte substancial deste mérito foi dos Sportinguistas, que durante esse tempo aproximaram-se do Sporting tornando-se sócios. 

Para que não restem dúvidas, deixo-vos com a comparação entre os valores recebidos de quotização e os orçamentos para as modalidades.

Dados relatórios e contas
Como podem verificar, o montante recebido de quotizações foi sempre maior do que o montante do orçamento das modalidades do Sporting. Quando se fala em sustentabilidade das modalidades este é um belíssimo exemplo. 

A gestão de Frederico Varandas


Francisco Salgado Zenha diz no artigo que o Sporting estima que o exercício 18/19 - que acaba daqui a dois dias - terá um montante total de quotização de 8.468.159,00 €. Este valor já é publico.

Ficou a faltar conhecermos publicamente o valor estimado dos honorários, uma vez que nem Sporting, nem Presidente Varandas, nem Francisco Salgado Zenha tornaram a informação pública. Não divulgam eles, divulgo eu. Os honorários estimados para 18/19 que serão apresentados na proposta de Orçamento de 2019/2020 são de 10.330.976,00€. Assim sendo, se fizermos uma comparação entre as quotizações e os honorários estimados pelo Conselho Directivo para 18/19, temos algo deste género. 


Isto é o mesmo que dizer que pela primeira vez após a passagem da totalidade das quotizações da SAD para o clube, o orçamento das modalidades foi superior ao montante das quotizações. E não falamos de uma diferença pequena. Falamos de 1.862.817,00€. 

Mas vamos agora ao mais relevante que é aquilo que também tem dado muito que falar.

3 Milhões de cortes nas modalidades actuais - Verdade ou Mentira?


Os Sportinguistas ficaram apreensivos quando no passado dia 21 de Junho o jornal Ojogo escreveu sobre cortes nas modalidades do Sporting. Uns não acreditaram e outros não quiseram acreditar, mas a realidade é só uma. 


Dizia o jornal que o Presidente Varandas se preparava para apresentar um orçamento com um corte de 3M nas modalidades. O jornal avançou que será retirado meio milhão ao Andebol, meio milhão ao Futsal, meio milhão ao Hóquei em Patins, meio milhão ao Voleibol, meio milhão às outras modalidades e o ciclismo será extinto. Tudo somado davam os tais cortes de 3 milhões de euros. Sobre os montantes a cortar em cada uma das modalidades não me vou pronunciar, porque isso não consigo dizer com certeza. Só a direcção do Sporting saberá quando e onde cortou. 

O que é um facto é que os cortes vão mesmo existir e são na casa dos 3M. Na época 2018/2019 que termina em dois dias, o Sporting estima que os custos com honorários serão de 10.330.976,00€, como disse em cima. Ora, mais uma vez, como o Sporting não informa, informo eu. O montante dos honorários propostos no orçamento que será apresentado e votado hoje é de 8.027.203,00€. Portanto, em 2018/2019 o Sporting gastou cerca de 10,3M em honorários e em 2019/2020 quer gastar um montante de cerca de 8M, que faz com que o orçamento seja reduzido em 2,3M de euros. 

Ó mister, mas 2,3M não são 3M!? 


Foi precisamente aqui que o jornal Ojogo não concluiu com clareza a sua peça. De facto as reduções nas modalidades que tivemos em 2018/2019 chegam aos 3M, só que o jornal Ojogo não subtraiu a estes 3M de cortes o orçamento da nova modalidade do Sporting, o basquetebol. Falamos de um montante entre os 700 e 800 mil euros que o próprio jornal diz que será o orçamento a nova equipa de basquetebol. Portanto, Frederico Varandas corta 3M nas modalidades que tínhamos até final desta época e acrescenta o Basquetebol investindo os tais 700 ou 800 mil euros, o que faz com que o Orçamento da época 2019/2020 seja inferior a 2,3M ao valor executado em 2018/2019.

Só para análise dos leitores, deixo também uma notícia do Jornal Abola.


Curiosamente, o jornal Record que sabe sempre tantas coisas do Sporting, inclusivamente recebe auditorias que deveriam ser confidenciais em primeira mão, nem sequer escreveu uma linha sobre esta matéria. Obviamente, coincidência.

Concluindo


Quando os Sportinguistas foram informados que o Basquetebol se tornaria modalidade oficial em 2019/2020, muitos foram aqueles que questionaram a possibilidade de investir já nessa modalidade. Ainda para mais quando no plano da direcção anterior estava contemplado que o Sporting só teria Basquetebol quando tivesse montantes de quotização que lhe permitissem pagar a modalidade. Foi inclusivamente traçada a meta dos 200 mil sócios para se ter condições para acolher o Basquetebol sénior masculino no seio do clube. Recordo que estamos com 182 mil sócios.

Sejamos sérios, acrescentando uma modalidade ao clube seria de esperar que o orçamento fosse aumentado. Seria, obviamente, o mais lógico. Importa recordar, que uma nova modalidade não traz só custos ao clube, tem também novas receitas. No limite, e mesmo eu não concordando com isso, até poderia dar de barato que o orçamento das modalidades se mantivesse igual, sendo a nova modalidade "financiada" por pequenos cortes em todas as outras modalidades para compensar esta nova despesa. Agora, o que foi feito não foi isto. Foi muitíssimo pior. Estamos a falar de uma decisão de cortar 3M nas outras modalidadades para acolher o Basquetebol. São 2,3M a menos do que em relação à época passada, com uma modalidade a mais. Estamos a falar de um número avassalador.

Já deu para perceber que a narrativa a passar aos sócios será o chavão do "é possível fazer mais com menos". Querem fazer passar a ideia que o Sporting tinha gorduras nas modalidades na casa dos 3M para serem cortadas. Algo que não consigo aceitar de maneira nenhuma. Vou-me repetir, mas o número é avassalador. Vou dizer devagarinho e por extenso para que as pessoas percebam: dois milhões e trezentos mil euros a menos do que na época passada e com mais uma modalidade. Absolutamente surreal. Só para termo de exemplo, 2,3M serviriam para pagarmos a 23 atletas a ganharem 100 mil euros por ano. Atletas que poderiam estar nas mais diversas modalidades do clube e a serem os elementos chaves que fazem a diferença entre o insucesso e o sucesso. Isto num clube que não chega à dezena de atletas a ganharem 100 mil euros. Julgo que por aqui conseguem perceber o que seria possível fazer com os 2,3M que foram retirados às modalidades do Sporting.

Face a tudo isto, não posso validar este orçamento. Estamos a falar de um documento onde está plasmada uma redução vergonhosa e injustificada do orçamento das modalidades, que é um verdadeiro crime contra o Sporting e que nem sequer tem justificação, até porque, mais uma vez, o Sporting acabará o exercício de 2018/2019 com lucro. É pouco lucro, é certo, mas lucro. E o Sporting não nasceu para dar lucro, mas para ganhar títulos, e indiscutivelmente quem tem mais recursos está sempre mais próximo de vencer. Podem dar as voltas que quiserem.

Infelizmente não poderei estar presente na Assembleia Geral, mas o meu sentido de voto seria evidente. Orçamento chumbado por ir precisamente no sentido oposto daquilo que defendo para o clube.

Os sócios são hoje chamados a se pronunciarem. Se o caminho que pretendem seguir é o do desinvestimento, votem a favor deste orçamento. Fechem modalidades, acabem com o ciclismo, cortem o orçamento em secções que têm tantas dificuldades, mas que dão tanto ao Sporting, como acontece nas modalidades paralimpicas, mandem embora o Nélson Évora e o João Monteiro, deixem de inscrever equipas nas competições europeias e por ai fora. Os sócios é que mandam e como sempre, respeitarei a decisão de quem manda no clube.

Têm a palavra os sócios.

PS: As dificuldades em encontrar informação para dar estes esclarecimentos aos sócios foram muitas e só ontem consegui ter a confirmação de alguns valores, razão pela qual o post saiu tão tarde. Fica feita esta nota. Ainda relativamente aos números apresentados, se alguém tiver dúvidas em relação aos números que apresentei aqui, sugiro que levem o telemóvel para a AG e que confirmem se os dados que aqui avancei batem ou não certo com os valores que serão apresentados aos sócios na AG de mais daqui a pouco. Analisem, pensem no que é melhor para o Sporting e votem em consciência.

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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Mendilhões para totós


Não há um único adepto, treinador, dirigente, presidente, director desportivo, jornalista, analista, ou comentador que ache que neste momento João Félix tenha um valor de mercado de 120M. Obviamente, só o clube mais forte do carrossel de Jorge Mendes poderia pegar no atleta por esse valor estapafúrdio, o que torna ainda mais fácil de desmontar a negociata. Vamos por partes. 

1) Clausula de rescisão foi exercida?


Não. Para a cláusula ser exercida formalmente é o jogador que tem de depositar o valor total da cláusula na conta do Benfica e assim fica livre para assinar por quem quiser. Qualquer outra operação que não passe por isto não é "bater a cláusula". 

2) Como é possível pagar acima da cláusula?


No comunicado do Benfica à CMVM é dito que a proposta do Atlético é de 126M. E porque é que um clube paga acima da cláusula? Precisamente porque não tem liquidez para pagar de imediato a totalidade da cláusula de rescisão, como referi no ponto 1. 

3) Para que são os 6M adicionais?


No comunicado, o Benfica diz que os 126M "contemplam o custo financeiro indexado ao pagamento a prestações previsto nesta proposta" e que "o valor líquido a receber do Atlético de Madrid na data da transferência dos direitos desportivos ascenderá a 120M". 

O que isto quer dizer é muito simples. O Atlético fez uma proposta para pagar o jogador às prestações. O Benfica como precisa do dinheiro já, fará uma operação de financiamento (provavelmente factoring) em que ficará já com a totalidade do dinheiro. Uma operação que custará os tais 6M, que estão então incluídos no negócio global e que são da responsabilidade do Atlético. 

Ou seja, o Atlético paga mais 6M para ter a possibilidade de ir pagando ao longo do tempo (dinheiro que irá para a instituição de crédito que financiou o Benfica). Enquanto isso o Benfica recebe já os 120M. 

Tendo em conta os valores falados eu apontaria para uma proposta do Atlético dentro de 40M+40M+40M.

5) Porque raio o Benfica não aceitou já a proposta?


Simplesmente porque quer que a transferência se faça após 30 de Junho para que o montante entre nas contas da época 2019/2020. 

6) E comissões?


Muitas e boas. Apontaria para uns 30M a distribuir por muitas bocas com Jorge Mendes e Paulo Futre à cabeça. 

7) Mais uma voltinha no carrossel de Jorge Mendes


Para compensar estes valores injustificados e absurdos, o carrossel de Jorge Mendes dará mais uma bela voltinha. Fala-se nos dois miúdos da Lázio por 20M ou Raúl de Tomás por valor semelhante. Na mesma medida, sairão do Atlético para clubes do carrossel outros jogadores com o preço de venda claramente inflaccionado. 

8) E quem sabe uns direitos de opção...


Outra das práticas habituais do esquema passa pelos clubes fazerem acordos de direito de opção. Por exemplo o Benfica paga 2M para poder comprar determinado jogador do Atlético até uma determinada data por um determinado valor. E assim se vão abatendo os 120M. Nos tempos do Footballeaks foram descobertas algumas dessas negociatas, precisamente entre Atlético e Benfica como é possível vermos num post do Blog "Artista do Dia" (aqui)

9) E ninguém diz nada?


Claro que não. Nem uma palavra. Nem Fifa, nem Uefa, nem federações, nem ligas e muito menos governos. Está tudo na paz do Plati..., desculpem, do senhor. 

10) Corja imunda!


É para o lado que durmo melhor ver este tipo de negócios no Benfica, até porque no final do dia tudo fica na mesma. Tantos milhões feitos em transferências ao longo da última década e o Benfica continua a ser o 2º clube europeu com maior dívida. Mas, os benfiquistas é que sabem o que querem para o clube deles. Quanto a mim e ao Sporting, tenho é nojo e vergonha de ver o meu clube associado a esta corja imunda que há muito deveria ter sido banida do futebol. 

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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Eu ainda sou do tempo...


Pode parecer mentira, mas eu ainda sou do tempo em que passar a gala Honoris Sporting de dia 1 de julho para 30 de junho (cantando parabéns depois da meia noite) deu tanta polémica, que os notáveis oposicionistas até decidiram fazer um almoço de aniversário privado, tal foi o grau de enfunamento. Almoço que até teve direito a directos televisivos. Vamos recordar:

A almoçarada dos "descontentes" 




Ainda antes da CMTV...


Um almoço que até contou com grandes reportagens dos canais de televisão. Deixo-vos com uns prints da Sporrtv. 







Olhó senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral



Na primeira imagem da notícia do Jornal Record de dia 2/07/2017, podem ver que o senhor Rogério Alves, actual presidente da MAG, foi um dos "tainantes". Portanto, o mesmo senhor Rogério Alves que se reuniu em almoço de contestatários devido à passagem da gala de 1 de julho para 30 de junho é o mesmo que não tem uma palavra a dizer sobre o cancelamento da gala do Sporting deste ano. Algo que vai contra o que está definido estatutariamente. Vamos recordar os estatutos ao senhor presidente da Mesa da Assembleia Geral. 



Onde anda esta gente?


Alguém viu Sérgio Abrantes Mendes, Duarte Moral, Isabel Trigo Mira, José Manuel Torcato, Mário Patrício, Miguel Salema Garção, Rogério Alves, Rúben Coelho, António Meirelles Moita, Gonçalo Santana Lopes, Miguel Marangas, Tomás Froes, Menezes Rodrigues, Zeferino Boal, Vitor Ferreira ou Vítor Espadinha?

É curioso que grande parte desta gente tenha tido presença diária nas televisões há cerca de um ano atrás, não é? Bem, mas voltando ao tema, fecho perguntando a estes senhores se não têm nada a dizer sobre o cancelamento da Gala Honoris Sporting? Não há rasgar de vestes? Não há manifestações públicas, não há tainada? Nada de nada? E por que será que os senhores jornalistas já não ligam a estes senhores tão simpáticos? "Gente de bem" e que efectivamente "sabe estar" merece ser ouvida, ou não?

E já agora o senhor presidente da MAG, representante máximo dos sócios, não tem nada a dizer sobre o incumprimento estatutário levado a cabo pelo Presidente Varandas e o seu Conselho Directivo? 

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

"Fo*****", que bandalheira!


A época do futsal terminou e é tempo de fazer um balanço à época, falar um pouco dos episódios que envolveram a final deste ano e projectar o futuro. 

A melhor época da história que não me enche a alma


O Sporting teve nas suas mãos a oportunidade de fazer história no futsal português, ao tornar-se na primeira equipa a conquistar um tetracampeonato. Um campeonato que se iria juntar a uma Supertaça, uma Taça de Portugal e a uma Liga dos Campeões e que tornaria esta época na melhor época da história do futsal do Sporting e numa época praticamente irrepetível no futuro. 

Infelizmente, tal não foi possível e foi o Benfica a vencer. E aqui há que assumir sem problemas a tristeza e o desalento que esta derrota nos provoca. Vencer o campeonato depois de tudo o que conquistamos esta época não era a cereja no "topo do bolo". Era um grande pedaço do melhor "bolo" jamais confeccionado em Portugal. A tal cereja passaria apenas pelo facto de sermos os primeiros tetracampeões nacionais de futsal. 

Não me interpretem mal, a época já é a melhor de sempre da história do Sporting. Conquistar 3 títulos, sendo que um deles é o de campeão Europeu não deixa margem para outras interpretações. Mas face a tudo o que conquistamos, acaba por saber a pouco terminar a época desta forma. Sabe a pouco face à alma e talento que estes jogadores conseguiram levar para a final 4 da Champions League e que não conseguiram replicar nesta final do campeonato. Mas sobretudo, sabe a pouco por tudo o que esta secção tem feito ao longo dos anos. Por tudo o que estes rapazes têm dado ao Sporting. O mérito é deles que nos elevam a expectativa e a convicção na vitória a patamares altíssimos. Patamares que dignificam aquilo para o qual o Sporting nasceu. Ganhar tudo!

Nos momentos da derrota nascem novos objectivos. Foram precisas perder 3 finais europeias para chegarmos ao tão desejado título europeu. E lá chegamos. O borrego da Champions está morto. Agora o foco tem de estar virado para a época perfeita. É o novo objectivo! Enquanto o rival festeja, a nossa época começa agora. Corrigir o que correu mal e arranjar maneira de replicar o que correu bem. Na próxima época temos um campeonato e uma Taça da Liga para reconquistar, assim como temos Supertaça, Taça de Portugal e Champions para revalidar. 

Não tenho absolutamente dúvida nenhuma que é com a liderança da secção de Miguel Albuquerque, com a liderança técnica de Nuno Dias e com a liderança do balneário de João Matos que vamos conseguir a época perfeita. A época do "quintuplete". É esse o foco. É esse o objectivo. É isso que os Sportinguistas querem. E é já em 2019/2020. Tem de ser! Mãos à obra, leões!

Mas esta final do campeonato ficou marcada por uma série de episódios que não podem ficar sem análise.

Fo*****, que bandalheira - Parte I 


Infelizmente, perdemos o jogo 5 da final e as contas do Sporting nas redes sociais decidiram partilhar o seguinte:

Twitter:



Facebook:


Instagram: 


Quando olhamos para este post percebemos que foi algo planeado pelas redes do Sporting. A elaboração do vídeo, o texto escolhido e o facto de terem colocado no twitter, no instagram e facebook ao mesmo tempo, indicia isso mesmo. Ninguém poderá desculpar-se dizendo que foi um acto irreflectido. Curiosamente, depois de os posts serem invadidos de indignação por parte dos Sportinguistas, foram feitas alterações. O tweet foi o único que se manteve inalterado, sendo que no Facebook o post foi apagado e no Instagram o "f******" foi trocado por um hilariante "Fogoooo!"

Obviamente, isto não é maneira de o Sporting comunicar com os seus sócios e adeptos, especialmente após uma derrota dolorosa. Faço o reparo relativamente a este pormaior para que possa ser melhorada a relação das redes com os Sportinguistas.

Infelizmente, ocorreram situações bem mais graves durante a semana. Vamos a elas.

Fo*****, que bandalheira - Parte II 


Nessa semana ocorreu outro caso lamentável. Desta feita, relacionado com a venda de bilhetes aos sócios para apoiarem a equipa no jogo decisivo da final no pavilhão da Luz. Para um jogo desta importância, a bilheteira do Sporting abriu portas com uns incríveis 8 bilhetes para venda, sendo que todos os outros bilhetes atribuídos ao Sporting ficaram dentro de portas, para serem passados a claques, patrocinadores e convidados. Deixo-vos com a reclamação feita por um sócio do Sporting sobre esta matéria. Uma queixa no livro de reclamações do Sporting que merece ser lida pelos sócios. 



É vergonhoso que isto tenha acontecido e é algo que tem de ser imediatamente corrigido para nunca mais voltar a acontecer. É mais um caso de Sportinguistas que são tratados como clientes e não como sócios. É bom que os dirigentes do Sporting tenham bem a noção que caminho querem percorrer, mas sobre estas temáticas falarei mais tarde.

Infelizmente, houve um episódio bem pior do que os dois referidos anteriormente. 

As declarações de Miguel Albuquerque


Ao início da noite de dia 9 de junho - dia em que o Sporting perdeu o jogo 3 da final e ficou em desvantagem (2-1) na final - Miguel Albuquerque, director-geral das modalidades do Sporting fez um post no seu Facebook "profissional" onde abordou uma série de assuntos.

Link da publicação (aqui)
Esta declaração de Miguel Albuquerque pode ser dividida em quatro pontos:
1) começa por falar da arbitragem dos dois jogos perdidos pelo Sporting até então;
2) questiona a FPF quanto ao comportamento das claques no Benfica no pavilhão da Luz;
3) lança a notícia sobre um "acto de vandalismo de um tal grupo de adeptos ilegais" junto da entrada do multidesportivo de Alvalade onde "tentaram agredir os nossos atletas";
4) termina lançando dúvidas sobre as nomeações dos jogos seguintes.

Portanto, temos aqui uma declaração do director-geral do Sporting a disparar em várias direcções, sendo que o facto mais relevante que sai do post é mesmo o ponto 3, relativo às tais "tentativas de agressão". E aqui eu pergunto: se de facto existiram tentativas de agressão de membros das claques do Benfica a jogadores do Sporting, porque raio é que se misturam temas como arbitragem, nomeações ou questões federativas no mesmo post? Não são tudo questões menores quando comparadas com um ataque de uma claque rival aos atletas do Sporting à porta de nossa casa? Parece-me evidente. Também me parece evidente que juntar tudo no mesmo saco é retirar importância ao ocorrido.

A reacção do Benfica


O Benfica reagiu de imediato e nessa mesma noite divulgou o seguinte comunicado.


No comunicado do Benfica é dito que o clube foi "informado pela PSP que não existiu nenhuma ocorrência no perímetro do Pavilhão João Rocha entre adeptos do Benfica e atletas do Sporting."

O vídeo


Na manhã do dia seguinte às declarações de Miguel Albuquerque surgiram as seguintes imagens.


Nestas imagens o que se consegue ver é um agente da autoridade a falar ao telemóvel, enquanto dois sujeitos se afastam da porta do multidesportivo e aparentemente, "mandam umas bocas" a 3 elementos do futsal leonino que se encontram à porta do multidesportivo.

Fo*****, que bandalheira - Parte III


Foi preciso esperarmos 24 horas para haver uma reacção oficial do conselho directivo do Sporting CP, que através de comunicado afirmou o seguinte:

Link comunicado (aqui)

O comunicado do CD Sporting versa sobre o ambiente vivido dentro e fora da quadra no jogo 3, mas avança com um dado novo e muitíssimo relevante. Depois de Miguel Albuquerque ter falado em "tentativas de agressão", o CD do Sporting diz que "é inutil negar o óbvio: as agressões existiram e foram perpetradas por adeptos do Sport Lisboa e Benfica".

Miguel Albuquerque diz que ocorreram "tentativas de agressão", enquanto que o CD do Sporting diz que "as agressões existiram". Meus caros, em que ficamos? É absolutamente inaceitável que numa estrutura como o Sporting se cometam erros infantis como este. Como é possível que nem sequer se consiga manter coerência no discurso? Os Sportinguistas devem acreditar em quem? Em Miguel Albuquerque ou no Presidente do CD, Frederico Varandas?

Mas o amadorismo não ficou por aqui. Diz o CD do Sporting que o agente da PSP no local disse aos jogadores do Sporting que reportou o acontecimento às chefias. O Sporting acaba o comunicado a dizer que o clube e os jogadores vão participar o caso junto da PSP e da FPF. Ou seja, os jogadores do Sporting são vítimas de tentativa de agressão ou agressão - dependendo da versão em que acreditarem - e não há ninguém na estrutura do Sporting que faça queixa imediata às autoridades policiais e que preste o devido acompanhamento aos atletas e staff? O pior é que não fizeram a queixa na hora nem nas 24 horas seguintes, como se percebe pelo comunicado.

Onde andava a segurança do Sporting? 


Esta é a pergunta que os Sportinguistas fazem. Uma pergunta cuja resposta deve ser dada aos sócios por Ricardo Gonçalves, responsável de segurança da cidade Sporting. Curiosamente, falamos de um senhor já conhecido do grande público e não pelas melhores razões. Vamos recordar.

No passado dia 15 de Maio o Jornal Record divulgou algo que é no mínimo curioso. Vejamos:

Jornal Record - 15/05/2019
É curioso não é? O senhor Ricardo Gonçalves, responsável pela segurança de Alcochete aquando do ataque à equipa principal do Sporting foi promovido a director de segurança do Estádio mal o Presidente Varandas chegou ao poder. Isto quando o mais lógico e natural seria o seu despedimento. Recordo que falamos do mesmo senhor que foi avisado 15 minutos antes da chegada dos invasores a Alcochete e nem sequer teve a capacidade de... mandar fechar os portões.

Portanto, pergunto a este senhor o que é que ele e a sua estrutura de segurança fizeram para proteger os nossos atletas do ataque da claque do Benfica?

Mas ainda há outra pergunta que eu gostaria de deixar no ar. Quem conhece a entrada para o multidesportivo sabe que existe uma câmera de vigilância bem identificada no local. Deixo um print retirado do tal vídeo que andou a circular onde se vê claramente essa câmera.


Eu pergunto: onde está a gravação dessa câmera? Por raio é que esse vídeo com as tentativas de agressão ou agressões - dependendo da versão que acreditarem - ainda não viu luz do dia? Qualidade de imagem não deve faltar, até porque os Sportinguistas ainda se devem recordar que este sistema de videovigilância HD foi adquirido por Paulo Pereira Cristóvão a uns amigos, tendo custado a módica quantia de... meio milhão de euros.

Ficam estas perguntinhas no ar, para a estrutura do Sporting dar explicações aos associados.

Resumindo e fechando


Ora, o que nós temos então é um grupo de claqueiros do Benfica, que após um jogo de Futsal - que até venceram - decidem ir a Alvalade fazer uma espera aos jogadores do Sporting na tentativa de os agredir, sendo que o Sporting diz mesmo que os jogadores foram agredidos. Através deste ataque os sócios ficaram a saber que a estrutura de segurança do Sporting é incompetente e que as falhas de segurança são enormes. E ainda há a questão das imagens da câmeras de vigilância no local, que serviriam para identificar os agressores, mas que não há meio de aparecerem. Mais uma vez, a "incompetência" do senhor director Ricardo Gonçalves fica bem visível perante todos. Tudo isto sob a liderança do senhor que era responsável pela segurança de Alcochete aquando do ataque e que foi promovido a director de segurança do estádio pelo Presidente Varandas. O espectáculo de incompetência continua e é provável até que mereça nova promoção.

Como se a incompetência da segurança não fosse suficiente, os Sportinguistas tiveram ainda de levar com duas versões de responsáveis do Sporting que nem sequer são coerentes. O director das modalidades diz que existiram "tentativas de agressão", para 24 horas depois o CD do Sporting aparecer a dizer que "é inutil negar o óbvio: as agressões existiram e foram perpetradas por adeptos do Sport Lisboa e Benfica". Reitero a questão: em que ficamos meus senhores?

Independentemente de se tratar de uma tentativa de agressão ou de uma agressão é inaceitável que pelo menos o Sporting não tenha feito queixa às autoridades do sucedido, fiando-se na eventual palavra de um agente da PSP, que soa a clara desculpa de quem deveria ter apresentado queixa na hora, mas não o fez. Desculpem lá, sou só eu a achar que perante tentativas de agressão ou agressões de uma claque rival aos nossos jogadores, o Sporting deveria ter partido de imediato para as autoridades? Que raio passa na cabeça desta gente para não apresentarem queixa de imediato? Então e a investigação da polícia não fica prejudicada por isso? Perderam-se pelo menos as 24 horas seguintes ao crime ter sido cometido, que segundo os especialistas são as mais importantes de uma qualquer investigação. Sem queixa às autoridades como é que a polícia poderia encetar diligências para investigar e tentar capturar de imediato os agressores? É preciso ser um génio para ver isto? Se vos assaltarem a casa comunicam de imediato às autoridades ou esperam 24 horas? Já agora, onde anda o membro do conselho directivo com o pelouro pela segurança?

Aproveito a oportunidade para perguntar aos experts em direito se este caso não é também passível de ser enquadrado no crime de "terrorismo"? Será que o acto cometido pelos membros de claques ilegais do Benfica de fazerem uma espera para agredirem jogadores do Sporting não se enquadra nesta tipologia? É que a única diferença que vejo quando comparo o caso com Alcochete está na invasão de propriedade, uma vez que os meliantes encarnados terão ficado à porta do multidesportivo. E já agora, quem terá sido o autor moral deste ataque? Quanto a eventuais rescisões de contrato, parece-me que os jogadores do futsal do Sporting serão dignos e manterão a sua fidelidade ao clube.

Também gostaria de perguntar ao senhor presidente da República se não se sentiu vexado após este ataque? E na mesma linha, perguntar ao senhor secretário de Estado do Desporto e do Mirtilo se não tem nada a dizer sobre isto? Nem sequer sai um "comportamento imbecil"?

Para fecho de conversa, gostaria de questionar o CD do Sporting sobre se já foram apuradas responsabilidades por esta falha de segurança? Ou este "apuramento" está perdido no fundo da mesma gaveta onde está o dossier de apuramento dos responsáveis pela divulgação da auditoria? Citando o comunicado do Sporting, "é inútil negar o óbvio", a gestão do Sporting é uma autentica bandalheira. Mas enfim, é o que temos. Mais depressa o CD aproveita este ataque para fazer um vídeo de paródia para a campanha da Gamebox Modalidades, do que defende os nossos atletas, os sócios e o Sporting.


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