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quinta-feira, 14 de março de 2019

Circo à portuguesa


A 17 de Fevereiro o Sporting goleou o Braga em Alvalade (3-0), numa partida que ficou marcada pela agressão de Raúl Silva a Acuna aos 81 minutos. 

A agressão


Para quem já não se recorda, aqui fica o vídeo com a agressão.


A queixa do Sporting e a primeira decisão do CD da FPF


No dia seguinte ao jogo (18/02) o Sporting apresentou queixa do comportamento do jogador, para que fosse aberto um auto de flagrante delito. No dia seguinte à queixa apresentada pelo Sporting, o CD decidiu punir o jogador com dois jogos de suspensão e uma multa de 765 euros.

Link da notícia (aqui)
Esta notícia refere 3 jogos, mas um deles estava relacionado com o facto de ter visto o 5º amarelo. Portanto, em relação à agressão foram mesmo 2 jogos de castigo e uma multa.

O Recurso


Ora, o jogo seguinte do Braga foi com o Belenenses no dia 22 de Fevereiro. Raúl Silva ficou de fora da partida pela tal questão dos 5 amarelos. Curiosamente, o recurso interposto pelo Braga só foi apresentado dois dias depois desse jogo, a 24 de Fevereiro, já numa fase final do prazo legal para efectuar esse recurso. Uma manobra para atrasar todo o processo e garantir que o jogador estaria apto para o jogo contra o Porto para a Taça de Portugal a 26 de Fevereiro, uma vez que o recurso tem efeito suspensivo. Para além do jogo no Dragão, Raúl Silva jogou também contra o Rio Ave para a Liga a 3 de Março e contra o Vitória de Guimarães no passado fim-de-semana.

A decisão do CD


Na terça-feira ficamos a saber que o CD do senhor Meirim apreciou o recurso do Braga e decidiu revogar o castigo e a multa aplicada ao jogador. Uma decisão tomada com base na opinião dos árbitros que estiveram a apitar a partida, como se pode ler no acórdão. Mas primeiro vamos às declarações dos senhores do apito:

Jorge Sousa, árbitro principal da partida disse ao Conselho de Disciplina que o lance "foi visualizado em campo" e que entendeu, na altura "não ter havido qualquer agressão ou prática de jogo violento". Vejamos se foi mesmo assim: 


Olhando para estas imagens é perceptível que Jorge Sousa não viu sequer o lance, uma vez que depois do remate de Raúl Silva virou a cabeça para o lado oposto de onde ocorreu a agressão, no sentido de acompanhar a bola. Se repararem, mesmo antes do remate, Jorge Sousa até muda a posição do seu corpo para ficar de frente para a baliza do Sporting.

Ou seja, Jorge Sousa não viu o lance e mentiu em sede de audição no conselho de disciplina da FPF. E porque é que um árbitro iria mentir num lance destes? Que razão teria para mentir quando a verdade até o desculparia? Não é absolutamente normal que o árbitro não tenha visto esta agressão? Parece-me que é e tanto assim é que dos experts de arbitragem presentes da comunicação social, ninguém criticou o facto de Jorge Sousa não ter intervido no lance, porque consideravam que era uma lance "imperceptível em campo", como disse Duarte Gomes na sua crónica do jornal Abola.

Crónica de Duarte Gomes ao jogo Sporting-Braga

Como diz Duarte Gomes, "lance totalmente imperceptível em campo, mas de videoanálise obrigatória". Parece-me que isto é evidente para todo o país.

É importante dizer que o senhor Jorge Sousa concluiu a sua intervenção no CD dizendo que "vistas as imagens qualifico o lance como comportamento anti-desportivo", ou seja, para esta árbitro internacional nem sequer é passível de conduta violenta para levar o cartão vermelho. Maravilhoso.

Passamos agora para os senhores que estiveram no VAR.

Tiago Martins, VAR da partida e o seu AVAR Pedro Mota consideraram que o "lance é de interpretação subjectiva (...), não é um incidente claro e óbvio". Dizem estes senhores que não comunicaram o lance a Jorge Sousa "por não ser um erro claro e óbvio do árbitro".

Portanto, os senhores do VAR também analisaram o lance mas consideraram que o incidente não era claro, por isso não informaram Jorge Sousa. Absolutamente maravilhoso.

A ver se eu percebi


Raúl Silva agride intencionalmente Acuna com uma cotovelada, num lance que não deixa dúvidas a ninguém neste país. O Sporting fez queixa e o Conselho de Disciplina de imediato pune o jogador, fazendo-se justiça. Tudo muito bem até aqui.

Vamos para o recurso e o Braga alega que o lance já tinha sido julgado pelo árbitro e pelo VAR no decorrer da partida e que por isso, não poderia haver lugar a novo julgamento. Milagrosamente e ao contrário de todas as expectativas, Jorge Sousa entra no jogo da defesa do Braga dizendo que viu o lance no campo e que não o considerou como sendo jogo violento. Isto quando as imagens da transmissão televisiva mostram que o árbitro nem sequer estava a olhar para os jogadores no momento da agressão. Mas Jorge Sousa não se ficou por aqui, até porque foi confrontado com as imagens televisivas e disse que esta cotovelada deliberada na cara de um adversário - num momento em que o Braga está de cabeça perdida por estar a levar três secos - é apenas conduta anti-desportiva, logo não seria de aplicar o cartão vermelho.

Para além das declarações milagrosas de Jorge Sousa, o VAR Tiago Martins e o seu assistente Pedro Mota também dizem que viram o lance, mas que consideraram que a decisão de Jorge Sousa em prosseguir com a partida se aceitava e que este "não era um erro claro do árbitro", logo não poderiam intervir.

Posto isto, o conselho de disciplina decidiu aceitar os argumentos do Braga, concluindo o acórdão dizendo que "nenhum dos agentes de arbitragem descortinou (...), com o necessário grau de certeza, infracção às leis do jogo", por parte de Raúl Silva e lembrou que não pode "sobrepor-se àquele juízo técnico qualificado".

Portanto, os incompetentes da equipa de arbitragem liderada por Jorge Sousa, que em campo não conseguiram ver a agressão de Raúl Silva e os incompetentes da equipa de video-árbitro liderados por Tiago Martins, que nem com várias imagens de ângulos diferentes conseguiram perceber que estavam perante uma agressão vergonhosa, acabam por ser chamados para dar o tal  "juízo técnico qualificado". Absolutamente surreal. Estes incompetentes (para ser simpático) acabaram por transformar um castigo justo numa absolvição inqualificável e a verdade é que o jogador estará disponível para os próximos jogos. Curiosamente, se o recurso não tivesse tido provimento o atleta falharia um jogo fundamental para as contas do campeonato, contra o FC Porto na Pedreira.

E assim segue o futebol português. Enquanto tudo isto acontece o Sporting na sua qualidade de queixoso e em defesa do seu jogador agredido continua sem dizer uma única palavra sobre esta decisão, numa altura em que já passaram dois dias da decisão. Para fechar dizer apenas que existe a possibilidade de recurso para o Conselho de Justiça ou para o TAD. Mas quem não sente a necessidade de recorrer do processo e-toupeira, recorrerá disto?

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