A 17 de Fevereiro o Sporting goleou o Braga em Alvalade (3-0), numa partida que ficou marcada pela agressão de Raúl Silva a Acuna aos 81 minutos.
A agressão
Para quem já não se recorda, aqui fica o vídeo com a agressão.
A queixa do Sporting e a primeira decisão do CD da FPF
No dia seguinte ao jogo (18/02) o Sporting apresentou queixa do comportamento do jogador, para que fosse aberto um auto de flagrante delito. No dia seguinte à queixa apresentada pelo Sporting, o CD decidiu punir o jogador com dois jogos de suspensão e uma multa de 765 euros.
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| Link da notícia (aqui) |
Esta notícia refere 3 jogos, mas um deles estava relacionado com o facto de ter visto o 5º amarelo. Portanto, em relação à agressão foram mesmo 2 jogos de castigo e uma multa.
O Recurso
Ora, o jogo seguinte do Braga foi com o Belenenses no dia 22 de Fevereiro. Raúl Silva ficou de fora da partida pela tal questão dos 5 amarelos. Curiosamente, o recurso interposto pelo Braga só foi apresentado dois dias depois desse jogo, a 24 de Fevereiro, já numa fase final do prazo legal para efectuar esse recurso. Uma manobra para atrasar todo o processo e garantir que o jogador estaria apto para o jogo contra o Porto para a Taça de Portugal a 26 de Fevereiro, uma vez que o recurso tem efeito suspensivo. Para além do jogo no Dragão, Raúl Silva jogou também contra o Rio Ave para a Liga a 3 de Março e contra o Vitória de Guimarães no passado fim-de-semana.
A decisão do CD
Na terça-feira ficamos a saber que o CD do senhor Meirim apreciou o recurso do Braga e decidiu revogar o castigo e a multa aplicada ao jogador. Uma decisão tomada com base na opinião dos árbitros que estiveram a apitar a partida, como se pode ler no acórdão. Mas primeiro vamos às declarações dos senhores do apito:
Jorge Sousa, árbitro principal da partida disse ao Conselho de Disciplina que o lance "foi visualizado em campo" e que entendeu, na altura "não ter havido qualquer agressão ou prática de jogo violento". Vejamos se foi mesmo assim:
Olhando para estas imagens é perceptível que Jorge Sousa não viu sequer o lance, uma vez que depois do remate de Raúl Silva virou a cabeça para o lado oposto de onde ocorreu a agressão, no sentido de acompanhar a bola. Se repararem, mesmo antes do remate, Jorge Sousa até muda a posição do seu corpo para ficar de frente para a baliza do Sporting.
Ou seja, Jorge Sousa não viu o lance e mentiu em sede de audição no conselho de disciplina da FPF. E porque é que um árbitro iria mentir num lance destes? Que razão teria para mentir quando a verdade até o desculparia? Não é absolutamente normal que o árbitro não tenha visto esta agressão? Parece-me que é e tanto assim é que dos experts de arbitragem presentes da comunicação social, ninguém criticou o facto de Jorge Sousa não ter intervido no lance, porque consideravam que era uma lance "imperceptível em campo", como disse Duarte Gomes na sua crónica do jornal Abola.
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| Crónica de Duarte Gomes ao jogo Sporting-Braga |
Como diz Duarte Gomes, "lance totalmente imperceptível em campo, mas de videoanálise obrigatória". Parece-me que isto é evidente para todo o país.
É importante dizer que o senhor Jorge Sousa concluiu a sua intervenção no CD dizendo que "vistas as imagens qualifico o lance como comportamento anti-desportivo", ou seja, para esta árbitro internacional nem sequer é passível de conduta violenta para levar o cartão vermelho. Maravilhoso.
Passamos agora para os senhores que estiveram no VAR.
Tiago Martins, VAR da partida e o seu AVAR Pedro Mota consideraram que o "lance é de interpretação subjectiva (...), não é um incidente claro e óbvio". Dizem estes senhores que não comunicaram o lance a Jorge Sousa "por não ser um erro claro e óbvio do árbitro".
Portanto, os senhores do VAR também analisaram o lance mas consideraram que o incidente não era claro, por isso não informaram Jorge Sousa. Absolutamente maravilhoso.
A ver se eu percebi
Raúl Silva agride intencionalmente Acuna com uma cotovelada, num lance que não deixa dúvidas a ninguém neste país. O Sporting fez queixa e o Conselho de Disciplina de imediato pune o jogador, fazendo-se justiça. Tudo muito bem até aqui.
Vamos para o recurso e o Braga alega que o lance já tinha sido julgado pelo árbitro e pelo VAR no decorrer da partida e que por isso, não poderia haver lugar a novo julgamento. Milagrosamente e ao contrário de todas as expectativas, Jorge Sousa entra no jogo da defesa do Braga dizendo que viu o lance no campo e que não o considerou como sendo jogo violento. Isto quando as imagens da transmissão televisiva mostram que o árbitro nem sequer estava a olhar para os jogadores no momento da agressão. Mas Jorge Sousa não se ficou por aqui, até porque foi confrontado com as imagens televisivas e disse que esta cotovelada deliberada na cara de um adversário - num momento em que o Braga está de cabeça perdida por estar a levar três secos - é apenas conduta anti-desportiva, logo não seria de aplicar o cartão vermelho.
Para além das declarações milagrosas de Jorge Sousa, o VAR Tiago Martins e o seu assistente Pedro Mota também dizem que viram o lance, mas que consideraram que a decisão de Jorge Sousa em prosseguir com a partida se aceitava e que este "não era um erro claro do árbitro", logo não poderiam intervir.
Posto isto, o conselho de disciplina decidiu aceitar os argumentos do Braga, concluindo o acórdão dizendo que "nenhum dos agentes de arbitragem descortinou (...), com o necessário grau de certeza, infracção às leis do jogo", por parte de Raúl Silva e lembrou que não pode "sobrepor-se àquele juízo técnico qualificado".
Portanto, os incompetentes da equipa de arbitragem liderada por Jorge Sousa, que em campo não conseguiram ver a agressão de Raúl Silva e os incompetentes da equipa de video-árbitro liderados por Tiago Martins, que nem com várias imagens de ângulos diferentes conseguiram perceber que estavam perante uma agressão vergonhosa, acabam por ser chamados para dar o tal "juízo técnico qualificado". Absolutamente surreal. Estes incompetentes (para ser simpático) acabaram por transformar um castigo justo numa absolvição inqualificável e a verdade é que o jogador estará disponível para os próximos jogos. Curiosamente, se o recurso não tivesse tido provimento o atleta falharia um jogo fundamental para as contas do campeonato, contra o FC Porto na Pedreira.
E assim segue o futebol português. Enquanto tudo isto acontece o Sporting na sua qualidade de queixoso e em defesa do seu jogador agredido continua sem dizer uma única palavra sobre esta decisão, numa altura em que já passaram dois dias da decisão. Para fechar dizer apenas que existe a possibilidade de recurso para o Conselho de Justiça ou para o TAD. Mas quem não sente a necessidade de recorrer do processo e-toupeira, recorrerá disto?
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