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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bruno de Carvalho e os tribunais


Ao longo dos últimos anos muito se tem falado dos processo movidos pelo Sporting sob a liderança de Bruno de Carvalho. O "tolinho dos processos", como tem sido apelidado o presidente do Sporting pelo encartilhados, é já um clássico dos bitaites entre adeptos. Vamos lá analisar esta situação:

A cartilha


Há precisamente um ano, os adeptos encartilhados atacaram Bruno de Carvalho com tudo o que tinham sobre os processos em curso interpostos pelo e contra o Sporting. Na altura foram requentar notícias, como a decisão do caso Doyen que foi tomada em Dezembro de 2015. Tudo isto com a conivência dos encartilhados dos jornais.

Na altura, Bruno de Carvalho escreveu o seguinte no seu facebook:


"Ontem saiu um surto de notícias sobre dívidas que nem sei se não há aí algum magnata que nos ajude. O Sporting tem o menor passivo de todos. Perdeu com Carlos Freitas? Sim. Com a Doyen há meses? Sim. Mas ontem a campanha foi concertada, quase como a orquestra da Gulbenkian... Orgulhosamente, estamos equilibrados, estamos completamente calmos com o que se está a passar. Todos os processos podem ganhar-se ou perder-se e cá estamos em três anos num clube que diziam falido que não faliu. Quando cheguei, houve pessoas que me iam fechar a torneira e que ia morrer. Eu estou cá e algumas dessas instituições já não estão cá. Não gosto é de orquestras, só das sinfónicas".

Bruno de Carvalho, 28 Abril 2016


Ontem ficamos a saber o veredicto em relação ao "caso Labyad". Motivo pelo qual é interessante fazer uma actualização nos valores e nos casos em que o Sporting tem ido para tribunal. Vejamos:

Caso "Labyad"



Mais 900 mil euros que ficam nos cofres de Alvalade e que com Godinho Lopes teriam seguido para o bolso de um tal de Jorge Pires, "por serviços de intermediação".

Caso "Bruma"


Quem não se lembra de personagens como Bebiano Gomes ou de Catio Baldé. A telenovela foi alimentada diariamente pelos jornaleiros e escribas nacionais.


Resultado do processo:



Caso "Elias"


Mais um caso quente herdado de Godinho Lopes, que a actual direcção do Sporting soube resolver com mestria.


Numa primeira fase o Sporting chegou a acordo com o jogador.

(link da notícia)

E depois efectuou a venda dos 50% do passe que detinha.

 

Caso "João Moutinho"


Mais uma batalha jurídica ganha pelo Sporting desta vez contra o FC Porto a propósito da transferência do jogador.



O Sporting recorreu ainda de outras questões relacionadas com o caso. Questões essas que ainda não foram deliberadas em sede de recurso.

Caso "Atila Turan"



Mais uma contratação á moda de Godinho Lopes que a actual direcção conseguiu resolver.

Caso "Yannick Djaló"



Outro problema resolvido depois da completa falta de capacidade de Godinho Lopes e seus pares.

Caso "Pedro Sousa e Irene Palma"


ReC Semestral Sporting 15/16

Caso "Galp"



Uma poupança de apenas 5,25 Milhões de Euros. Coisa pouca...

Casos Pendentes


Bojinov - Sporting condenado em primeira instância a pagar 600 mil Euros quando o jogador reclamava 6,5 Milhões. Sporting interpôs recuso estando a aguardar-se a decisão.

Maurício do Vale - Sporting condenado em primeira instância a pagar 200 Mil Euros. Sporting interpôs recuso estando a aguardar-se a decisão.


As derrotas


Neste momento o Sporting tem apenas duas derrotas transitadas em julgado. O "caso Carlos Freitas" e o "caso Doyen". 


Resumindo



Estes são os processo que o Sporting venceu durante o mandato de Bruno de Carvalho. Tudo somado, são 25,5 Milhões de Euros ganhos em processos judiciais. 

Vejamos agora os processos que ainda não tiveram decisão definitiva:

Estamos a falar de 200 mil euros para Maurício do Vale e de 600 mil euros para Bojinov em processos em que na primeira instância não foi dada razão ao Sporting. Se pensarmos que Bojinov reclamava 6,5 Milhões de Euros e apenas lhe foi concedido um valor na casa do 600 mil euros, não podemos considerar este caso como uma derrota efectiva pelo Sporting. Estamos a falar de uma diferença de quase 6 Milhões de euros.

Vejamos agora as derrotas:

Carlos Freitas, mais um "menino" de Godinho Lopes conseguiu "sacar" ao Sporting mais 209 mil euros. O tão falado "caso Doyen" foi também perdido pelo Sporting. Os leões tiveram de pagar 12 Milhões de euros mais juros.


Mas este caso precisa de uma explicação adicional. Vamos lá:

Quando o Sporting comprou Marcos Rojo ao Spartak de Moscovo, os leões investiram 1 Milhão de Euros e a Doyen investiu 3 Milhões de Euros. O Sporting ficou com 25% e a Doyen com os restantes 75%. O Sporting vendeu o jogador ao Manchester United por 20 Milhões de Euros. Se o clube não tem denunciado o contrato com a Doyen teria ficado com 5 Milhões de Euros e os restantes 15 Milhões iriam para a empresa de Nélio Lucas.

Antes de vender o jogador, o Sporting denunciou o contrato e por isso recebeu os 20 Milhões na totalidade. Desses 20 Milhões, o Sporting transferiu de imediato para a conta da Doyen os 3 Milhões investidos aquando da compra do jogador. Daí que o tribunal tenha condenado o Sporting ao pagamento de 12 Milhões de Euros (15M - 3M já pagos) mais os juros. 

Isto quer dizer que o Sporting em todo o processo com a Doyen teve de pagar juros de 12 Milhões de Euros durante cerca de dois anos e meio. Este dinheiro foi uma grande ajuda para permitir que o Sporting cumprisse a questão do fair-play financeiro deixado por José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, e ainda deu para começar as obras no Pavilhão João Rocha que está em fase de acabamento. 

No início desta semana, o TAS anunciou a decisão definitiva em relação à proibição dos Fundos.


Perdemos o processo com a Doyen na certeza que o Sporting bateu-se pelo que acreditava. De qualquer forma, a acção de Bruno de Carvalho e do Sporting foram decisivas para que os fundos se tornassem ilegais no mundo do Futebol. Uma decisão que foi tornada publica no inicio desta semana e que curiosamente não chegou aos programas dos encartilhados e nos jornais pouco ou nenhum destaque teve. Por que será?

Fica feito o esclarecimento.

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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Como marcar um golo às Finanças



Como marcar um golo às Finanças: Como o futebol se aproveita dos paraísos fiscais


Chutar uma bola em Madrid pode abrir uma empresa nas ilhas virgens britânicas. O efeito borboleta também funciona no futebol. Sempre que 22 jogadores profissionais entram em campo, há sempre alguém em segundo plano a ganhar dinheiro. Pode ser uma figura conhecida, como Jorge Mendes, agente de sucesso de Cristiano Ronaldo, ou um cidadão do Cazaquistão que ninguém tenha ouvido falar. A incidência desses actores no futebol moderno é cada vez mais decisiva, uma vez que fazem a ligação entre o que acontece no relvado e as estranhas sociedades originárias nos maiores paraísos fiscais do mundo.

Em Espanha, a Agência Tributária leva anos a tentar resolver alguns dos problemas que estão por trás da opacidade financeira do desporto mais popular do país. A propriedade de jogadores por fundos de investimento e empresas opacas, a tributação dos direitos de imagem dos jogadores e as relações entre clubes e agentes, são os problemas com que os inspectores se debatem nas investigações mais recentes. A Agência encontrou tantas ligações a paraísos fiscais, que dá para fazer um "11 ideial" - mais banco de suplentes - só de jogadores com problemas fiscais. 

Doyen, a mão que balança a bola


A 25 de Janeiro de 2013, um notário de Madrid verificou algo estranho num contrato que foi ratificado [clique aqui para aceder ao documento]. "Eu, o Notário, alerto os presentes da insuficiência de alegado mandato legal e a necessidade de prova posterior". O notário não ficou tranquilo com as palavras do representante do fundo de investimento Doyen Sports, que, ao indicar a origem do dinheiro administrado pela empresa, só trouxe a sua palavra. O representante da Doyen assegurava que o turco Malik Ali, de 32 anos controlava mais de 25% de participação na empresa.

O contrato foi assinado entre a Doyen Sports e Sporting Gijon e não foi o primeiro. Um ano antes, o nome Doyen tinha aparecido discretamente na parte de trás da camisola de jogo, e depois apareceu em outras equipas de Liga. Dois anos mais tarde, graças a uma publicação do Footballeaks, soube-se que a relação do fundo com o Sporting de Gijon era mais profunda do que o habitual para um mero patrocinador. O clube recebeu um total de dois milhões de euros da Doyen para atender os pagamentos pendentes e a despesas correntes. Em troca, o clube assumiu uma dívida para com a empresa de investimento de 10 milhões, cinco vezes o capital levantado. O dinheiro para pagar estes 10 Milhões à Doyen deveria ser pago através das transferência do seus jogadores para outras equipas. Vender não era uma opção para o Sporting de Gijon, mas sim, uma emergência.


A relação com a Doyen teve um resultado desastroso para o clube, mas o fundo conseguiu entrar no negócio da Primeira Divisão. Hoje, a Doyen detém os direitos económicos de vários jogadores e também se dedicada à gestão dos direitos de imagem com um divisão de marketing. O seu cliente mais importante é Diego Simeone, treinador do Atlético Madrid. A Doyen recebe 20% de qualquer campanha publicitária que o técnico faça e recebe também 20% sempre que haja uma renovação contratual com alguma marca.

A Doyen surgiu em 2011 mas não inventou nada. Simplesmente limitaram-se a imitar um modelo que floresceu na América do Sul na década de noventa, com a compra de direitos de jovens jogadores na esperança de dar um dia o salto para as grandes ligas europeias e gerar comissões multimilionárias com as suas transferências. Essa é uma das modalidades de investimento mais comum destes fundos, chamados TPO (third-party propriedade), mas também se envolve no "financiamento de liquidez" aos clubes, em troca dos direitos económicos dos seus jogadores, como no caso do Sporting Gijon. O fundo fornece dinheiro a um clube para a contratação de uma estrela, mas em troca, recebe uma parte dos direitos equivalentes à contribuição que fez sobre o preço da assinatura atleta. A empresa recebe o dinheiro quando o jogador é transferido para outra equipa.

A Doyen tornou-se num especialista no financiamento de contratações. Um dos casos mais conhecidos é o caso de Radamel Falcao, o atacante colombiano que o Atlético de Madrid comprou ao Porto em 2011. A contratação custou 40 milhões de euros, mas os colchoneros só "meteram" 20 milhões. O resto foi pago pela Doyen em troca de uma percentagem dos direitos do jogador. O fundo recebeu a sua parte quando o jogador foi vendido ao Mónaco em 2013 por 45 milhões de euros, com um ganho de 5 milhões. 

No Reino Unido, as TPO são proibidas porque se considerada que têm um impacto negativo sobre o futebol, ao provocar a venda contínua de jogadores para gerar ganhos de capital e comissões; porque sai dinheiro do futebol para investir em outras actividades; e porque eles causam conflitos de interesse que ameaçam a integridade do futebol. Pode acontecer o caso de que os jogadores de duas equipas que competem na mesma liga pertencem ao mesmo fundo, por exemplo, ou que os titulares são escolhidos no interesse das empresas de investimento para alcançar uma maior rentabilidade. A FIFA deliberou a proibição dos TPO e mantém uma batalha legal para expulsar os fundos do futebol, mas têm encontrado dificuldade para limpar este desporto.

Quadro Fiscal


Aos efeitos perversos que podem ter fundos na opacidade do futebol soma-se a opacidade das estruturas empresariais. Quem está por trás da Doyen? Voltando ao que foi referido pelo notário de Madrid podemos ir mais além do cidadão turco Ali Malik. Os documentos expostos pelo Footballeaks mostram que as fontes de financiamento da empresa são a Bennington Assets Group Limited, de Malik Ali, e especialmente o cazaque Rafik Arif, empresário bem sucedido no sector extractivo do seu país. Ele fez um empréstimo de 100 milhões de euros para sete anos (e com uma taxa de juros de 4,5%) para a sociedade de Ali.

Através dos "Panama Papers", é possível traçar o quadro fiscal de Rafik Arif. Os arquivos da empresa Mossack Fonseca indicam que Arif é acionista da Marlin Negociação Assets Limited, nas Ilhas Virgens Britânicas, e Acewood Global Limited, em Malta, com o qual controla Castello Global, outra empresa localizada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens . A rede foi registrada como Hamels, através de um escritório de advocacia em Malta. O mesmo que registou o Grupo Bennington Assets Limited, nas Ilhas Virgens.

Também nesta sociedade território ultramarino que "trava" a rede de Refik Arif, Rosetti Overseas Limited. Graças ao Footballeaks, você também pode saber que o beneficiário final desta rede é Arif, como evidenciado por um artigo escrito por um consultor fiscal e assistente de um dos contratos da Doyen.

Sevilla e Getafe são outros clubes que permitiram à Doyen conquista uma posição em Espanha. O dinheiro que as equipas pequenas conseguiram para efectuar transferências de direitos sobre um jogador, significaram uma fonte de crédito com o qual as pequenas e médias equipes não teriam sido capazes de contar, especialmente em tempos de crise.

Jorge Mendes


O caso da venda de Diego Costa para o Chelsea é um exemplo de como os lucros destes tipos de fundos se materializam. Dos 38 milhões que o clube inglês pagou, pelo menos 7,6 M estraram na Quality Sports Investments. Nos documentos divulgados pelo Footballeaks, esta empresa com sede na Irlanda, também está relacionada com a transferência de Saul e Koke. Em ambos os casos, chega a ter mais de 30% sobre os lucros destes jogadores.
A Quality Sports, segundo o registo comercial da Irlanda, é uma sociedade que simplesmente se dedica a ser detentora dos direitos de jogadores (ou uma percentagem dos mesmos). Os proprietários são Gestifute International, a empresa Jorge Mendes e a Ventures Sports Limited, uma empresa que se refere a um escritório de advocacia na Califórnia e que não há qualquer vestígio em registos públicos disponíveis gratuitamente.



Para chegar Mendes e expedição deve passar pelo o canal da mancha. Os bens obtidos através da venda de direito de jogadores foram transferidos, até 2014, para a Quality Sports Jersey GP Limited, com sede no paraíso fiscal de Jersey. A Gestifute de Jorge Mendes detém 50% desta empresa e é através desta empresa no paraíso fiscal britânico que é canalizada a liquidez para investimentos da Quality Sports, como atestam as contas anuais da empresa analisadas pelo jornal  "El Confidential".

Fuga ao Fisco


O uso de paraísos fiscais para tirar proveito dos direitos de um jogador de futebol não é uma prática nova. Para provar isso, o plantel da Real Sociedad, que foi vice-campeão da Liga em 2002-2003. Os "Panama Papers" mostram que foram criadas contas off-shore para pelo menos menos sete jogadores, entre os quais o atacante Darko Kovacevic. Uma vez montada a estrutura bancária, passaram a transferir os direitos do jogador para empresas em paraísos fiscais, primeiro para a "offshore" constituída pela Real Sociedad para o jogador e, em seguida, para a sociedade IMFC Licensing BV, registada na Holanda. O clube de San Sebastian efectuava o pagamento do salário do jogador directamente para a empresa holandesa, que, em seguida, transferia os fundos para a conta bancária aberta pelas sociedade nas ilhas virgens britânicas ou em bancos na Suíça ou Jersey.

Os direitos de imagem são os principais "financiadores" dos paraísos fiscais. As relações com os paraísos fiscais são apenas uma parte dos problemas que as autoridades fiscais atribuem à relação dos clubes com os jogadores e os seus agentes. Nesta sexta-feira, Cristobal Montoro, ministro das Finanças anunciou que os empresários devem ser pagos pelos jogadores e não pelos clubes. As Finanças acreditam que esses profissionais trabalham para os atletas e, portanto, devem ser os únicos a pagar todos os seus serviços, em vez de seus clubes.

O objetivo é evitar que "o futebol são onze contra onze, e no final ganha sempre o Jorge Mendes".


Este post foi traduzido e adaptado da versão apresentada pelo jornal espanhol "El Confidential" no passado Domingo. O artigo original pode ser lido (aqui). 

Resumindo


Em Espanha, o fisco anda em cima de tudo o que está relacionado com o futebol, com especial foco para as "negociatas" da Doyen e Jorge Mendes. Já vimos Mascherano, Messi, e outros futebolistas de renome mundial com problemas com a autoridade tributária espanhola. Na passada sexta-feira, a inspecção tributária multou Real Madrid, Barcelona e Atlético a uma coima total de 41 Milhões de Euros por tributação irregular sobre as comissões dos agentes dos jogadores. O Sevilla e Valência também foram multados em mais 11 Milhões de euros. Tudo somado são 52 Milhões de euros que entram nos cofres do Estado Espanhol. Curiosamente todos estes clubes estão envolvidos com Jorge Mendes.

Em Portugal, "no pasa nada". Para o Estado está tudo bem, não há nada a declarar nem nada a investigar. Tudo limpinho, limpinho. Nos jornais, nem uma palavra sobre estas investigações do fisco espanhol. Estamos a falar do país que viu nascer Nélio Lucas e Jorge Mendes, dois dos principais visados pela justiça espanhola. Nada! Nem uma linha...

Por que será?





Aqui ficam alguns posts recentes sobre Jorge Mendes e "sus muchachos"

Tour de France
A orgia do Poder
O "metodo" de Jorge Mendes
A "offshore" do Dragão
Branco mais branca não há
As intervenções divinas de Jorge Mendes
O silêncio ensurdecedor no caso Jorge Mendes

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domingo, 13 de novembro de 2016

Campanha negra contra Bruno de Carvalho


A campanha negra contra Bruno de Carvalho continua a todo o vapor na imprensa nacional. Hoje mais duas manchetes vergonhosas contra o Presidente leonino. Mas já lá vou.

O alerta de Bruno de Carvalho


No passado dia 1 de Novembro, Bruno de Carvalho escreveu um post no seu Facebook onde alertou para a algumas questões importantes, com especial ênfase para os "híbridos". Na altura, em conversa com alguns amigos Sportinguistas não me pareceu uma boa decisão estar a dar palco a esta estirpe Sportinguista, ainda para mais numa fase em que o Sporting vinha de um empate no campo do Nacional da Madeira. Reconheço hoje que estava errado. O alerta lançado nesse dia tem servido como farol para os Sportinguistas perceberem as recentes movimentações no xadrez político leonino.

(link do post)

O correio da propaganda 


O Correio da Manhã (jornal e canal de TV) tem sido o "ponta de lança" do ataque ao bom nome do Sporting e do seu presidente. Desde o post de Bruno de Carvalho, este pasquim fez 3 capas seguidas com a vida pessoal do Presidente leonino, chegando ao ponto de colocar terceiros nas suas capas. Esta campanha vergonhosa até foi comentada por pessoas que têm problemas pessoais com Bruno de Carvalho, como sendo "uma campanha nojenta". Post sobre este assunto (cliquem).


Notícia requentada - Parte 1




No dia 5 deste mês, o Correio da manhã volta à carga sobre Bruno de Carvalho e o Sporting. Desta feita o problema eram as retenções da UEFA em favor da Doyen dos prémios da Champions. Estamos a falar de uma decisão que foi tomada pelo TAS em Dezembro de 2015. Em Abril deste ano, o jornal OJOGO fez machete com esta "notícia". Se na altura já estávamos a falar de um notícia requentada com cerca de 5 meses, imaginem agora...

Capa Jornal Ojogo de 20/04/2016

Mesmo sendo uma notícia requentada em Abril, Bruno de Carvalho voltou a explicar o assunto. O vídeo não está com boa qualidade, mas dá para perceberem.


O Correio da manhã voltou ao tema no dia 5, Sábado. O fim-de-semana é sempre uma altura interessante para lançar poeira, mesmo em vésperas dos principais programas "política desportiva" e em dias em que os jornais têm mais aceitação.

Sobre "penhoras", tenho aqui umas coisas interessantes:

- Os "penhorados" da Porta-18 e a época do "desinvestimento" - (cliquem)
- EXCLUSIVO - Benfica tem prémios da UEFA penhorados pela Doyen - (cliquem)

Notícia requentada - Parte II


Curiosamente, o Correio da Manhã volta a fazer uma manchete "negativa" sobre o Presidente do Sporting num fim-de-semana. Para além disso, mais uma notícia requentada. Obviamente, coincidência...


É um facto que Bruno de Carvalho tem um problema com a Autoridade Tributária relacionado com IVA e IRS. Algo que o próprio já confirmou diversas vezes. Regressemos a Junho e a uma entrevista dado ao Expresso. Quando confrontado pelo jornalista sobre esta situação, Bruno de Carvalho respondeu:

Estamos a falar de uma entrevista dada há mais de 4 meses. (link da entrevista ao Expresso)

A própria notícia de hoje, anunciada com tanto destaque de capa acaba por ser uma mão cheia de nada. Senão vejamos:


Absolutamente nada de novo em relação ao que era conhecido. Resumindo: Está a decorrer um processo em tribunal entre Bruno de Carvalho e a Autoridade tributária que terá o seu desfecho nos timings certos. Sem dramas e sem nenhum problema. Deixemos a justiça funcionar, na certeza de que uma eventual vitória de Bruno de Carvalho nunca será noticiada desta forma. Talvez num pequeno quadradinho lá para o meio do jornal...

O print anterior contem a notícia que mais não é do que uma mão cheia de nada. Para justificar a colocação desta "notícia" na capa, os jornaleiros do Correio da manhã inventaram uma séria de informação completamente irrelevante para o caso. Fica a imagem para que não fiquem dúvidas (cliquem nela para aumentar).


Os abutres



Hoje foi também dia dos abutres saírem do ninho. Os habituais Rui Barreiro (cliquem) e Dias da Cunha estão sempre disponíveis para "malhar" em Bruno de Carvalho. Nada de novo, vindo destes senhores. Fica uma imagem que vale mais do que mil palavras e que é bem representativa dos híbridos de que Bruno de Carvalho falou no início deste mês.



Trio de ataque


Para completar o ramalhete, eis que surge uma "apurada investigação" de António Simões no jornal Abola, onde segundo o jornal,  é demonstrado que...

A forma como o jornal fez questão de centrar este assunto na pessoa de Bruno de Carvalho, é apenas e só mais uma forma de atacar o presidente leonino, quando estamos a falar de uma questão institucional e que é defendida pelo Sporting desde 1954. Sim, desde 1954 como podem verificar num post do Blog "Artista do Dia" (cliquem).

Mas ainda há mais! O Blog "Nova Geração Benfica" afiança que o artigo publicado no jornal Abola é um mero plágio...


Sobre este assunto, farei um post exaustivo nos próximos tempos. Para já há muita e boa informação sobre este assunto. Aqui ficam dois exemplos:

(link 1)
(link 2)

Venham eles!!!


Na passada sexta-feira nos Rugidos de leão, Bruno de Carvalho antecipou-se a tudo isto, deixando uma mensagem de tranquilidade e sobretudo resiliência perante todas estes pedregulhos no caminho.

Infelizmente o vídeo tem algumas falhas por problemas da transmissão, contudo dá para ouvir perfeitamente as palavras do presidente.


Mais uma vez, fica o alerta para todos os Sportinguistas. 

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tudo sobre o Relatório e Contas 2015/2016



O Sporting CP divulgou ontem os resultados do exercício económico de 2015/2016. Importa referir que o período em análise vai de 1 de Julho de 2015 a 30 de Junho de 2016. Neste sentido, as receitas relacionadas com as vendas de Slimani e João Mário, não estão contabilizadas neste exercício. 

Prejuízo de 31,905 M


"Os resultados líquidos do exercício em análise ascendem a um prejuízo de 31.905 milhares de euros e resultam sobretudo, como demos oportunamente conhecimento, com o reconhecimento de gastos não recorrentes de 14.991 milhares de euros decorrentes da transferência do futebolista Rojo, processo que se encontra ainda em contencioso nos tribunais Suíços. Sem este impacto, o prejuízo do ano seria de cerca de 16.914 milhares de euros que, tivesse o Sporting acedido à fase de Grupos da Champions League, seria em grande parte mitigado"

Histórico da SAD


Acho importante mostrar o histórico de resultados da Sporting SAD, para que os leitores consigam perceber melhor o contexto da sociedade.
* Deixou de ser Presidente em Março

- Como podem verificar, em 18 épocas desportivas, só por 6 vezes o Sporting conseguiu obter resultados positivos.
- Os melhores resultados obtidos pela SAD verificam-se em 2004/2005. Resultado "falso", uma vez que foi obtido pela alienação de praticamente todo o património não desportivo. Falo dos terrenos envolventes ao Estádio, Clinica CUF ou até o Edifício Visconde de Alvalade. Uma decisão catastrófica para o Sporting.
- A gestão de Bruno de Carvalho entra pela primeira vez no prejuízo, depois de os dois primeiros exercícios deste mandato, terem sido positivos. 

Análise Presidencial 


Recordo-me de ouvir falar num compromisso de honra, assumido pelas direcções do Paços de Ferreira para que no final do mandato os resultados acumulados fossem positivos. Deveria ser este o pensamento de todos os clubes nacionais. No Sporting, só Filipe Soares Franco conseguiu "cumprir" este critério. Bruno de Carvalho está neste momento nos 12M negativos, considerando uma derrota no caso Doyen. Veremos qual será a decisão neste caso.

De qualquer forma, com as vendas efectuadas neste Verão, Bruno de Carvalho garante desde já que acabará o seu mandato (Março de 2017) dando lucro ao Sporting e batendo por muito Filipe Soares Franco.

Recorde de proveitos operacionais




Consideram-se como "proveitos operacionais", todas as receitas obtidas pela sociedade durante o exercício económico, sem contar com as vendas de jogadores. Como podem verificar, o Sporting bateu o recorde de receitas operacionais ficando muito perto dos 69M.

Este dado é de facto impressionante, devido às contingências negativas que envolveram o exercício, como foi o caso da eliminação no play-off da Champions e o facto de durante os primeiros 6 meses da época não contar com patrocínio nas suas camisolas. Só aqui estão cerca de 15M "perdidos".

Recorde de Gastos com pessoal



Depois de dois anos de grande contenção em termos salariais, em 2015/2016 o Sporting demonstrou que já se encontra numa nova fase do seu projecto desportivo. O equilíbrio nas contas nos dois primeiros exercícios permitiu nesta época aumentar os seus gastos com pessoal, que na sua esmagadora maioria são consumidos pela equipa profissional.

Para este aumento contribuíram diversos factores que passo a enumerar:

- Contratação de jogadores experientes e mais caros como: Bryan Ruiz, Schelotto, Naldo, Aquilani, Teo Gutíerrez, Hernan Bárcos ou Coates.
- Renovação de contrato dos principais jogadores do plantel aumentando-lhes o salário. Casos de João Mário, Adrien Silva, Rui Patrício ou William Carvalho só para citar os mais relevantes.
- Contratação de Jorge Jesus.

Compras de jogadores



Como podem verificar, o Sporting gastou cerca de 25,5M em compras de jogadores. Contudo, há que destacar o facto de 3 destes atletas, terem sido contratados depois do final da época, mas durante o período em análise neste relatório e contas, que vai até ao dia 30 de Junho.

Alan Ruiz, Lucas Spalvis e Radosav Petrovic custaram 9,784M. Neste quadro é também possível perceber que a renovação de contrato de Adrien Silva custou ao Sporting 1,224M. Isto quer dizer que em compras para a época 2015/2016 o Sporting gastou cerca de 14,5M. Muito pouco, quando comparado com os gastos dos rivais.

É preciso ter em atenção que o facto de o clube ter comprado 3 jogadores para a época 2016/2017 durante este exercício também penaliza fortemente os resultados negativos apresentados.

Destaque ainda para o facto de Naldo ter sido adquirido por 3M e de ter sido vendido por 4,5M, valor que só será reflectido no exercício económico de 2016/2017, uma vez que a venda se processou depois de 30 de Junho.

Venda de jogadores


Este foi um exercício em que Sporting fez um esforço por manter os seus principais jogadores para não perder a competitividade até ao final da Liga.

De salientar que nas 4 vendas apresentadas neste exercício os Sporting consegui sempre sair a ganhar, senão vejamos:

Fredy Montero - Num momento inicial, o Sporting pagou 1.173.000,00€ pelo empréstimo de 1 ano, ficando com o direito de opção de compra de 100% do passe do jogador por 1.135.000,00€ que acabou por exercer em meados da época 2013/2014. Tudo somado, Fredy Montero custou 2,308M gerando um lucro de 2,692M (5M-2,692M).

Valentin Viola -  Mais um negócio ruinoso dos tempos de Godinho Lopes, que pagou 4M pelo jogador. Viola rescindiu com o Sporting e foi jogar para o Chipre. O Sporting ficou ainda com 25% de uma venda futura.

Naby Sarr - Jogador chegou ao Sporting por 1M e foi vendido por 1,999M. Nos 495Mil euros indicados como gastos associados à venda estão os 15% de direitos económicos detidos pelo anterior clube e as comissões de intermediação associadas a esta transacção. O Sporting acabou por ganhar cerca de meio milhão de Euros com o jogador. Para além disso, o Sporting fica com 15% do passe em caso de o jogador ser vendido por mais de 12,5M. Ainda acrescem valores variáveis mediante a performance no Charlton.

Shikabala -  Tanta polémica com este jogador e o Sporting acabou por fazer um excelente negócio. Jogador custou 190 mil euros ao Sporting e acabou por ser vendido por 570 mil euros. No final de contas o Sporting ganhou 323 mil euros. Mas há mais: através da compra do jogador o Sporting conseguiu um particular no Egipto onde recebeu cerca de 350 mil euros.

Resumindo, nestes 3 jogadores comprados e vendidos por esta Direcção o Sporting ganhou 3,870M. Nada mau para um clube que estava habituado a dispensar jogadores a custo zero...

Dívida Financeira



A dívida financeira cresceu cerca de 2 Milhões de Euros. Algo que não é preocupante, uma vez que no exercício de 2016/2017 será possível abater bastante esta rubrica, através das vendas de Slimani e de João Mário como já demonstrei (aqui).

Contrato com a NOS


Foi durante este exercício que o Sporting fechou o contrato milionário com a NOS. Um contrato que permitiu neste exercício económico aumentar as receitas fixas de TV em cerca de 8 Milhões de Euros.


Em 2014/2015 o Sporting estava a receber 16M da PPTV pelos seus direitos televisivos. O montante adicional está relacionado com outras transmissões televisivas. Através do novo acordo com a NOS foi possível subir as receitas fixas nesta rubrica para os 24M.

Destaco também o facto de em publicidade o Sporting ter conseguido ficar praticamente ao mesmo nível da época anterior, apesar de não ter patrocínio durante a primeira metade da época.

Principais conclusões:


Quero salientar a transparência total com que o Sporting comunica os seus negócios. Seja através do site, jornal ou de comunicados à CMVM. Está tudo disponível para consulta.

Quanto ao resultado: Obviamente, um resultado desta grandeza nunca é positivo para uma sociedade. Apesar disso, este é um resultado negativo com muitas justificações que importa compreender. Desde logo, os 15M em provisões para a Doyen. Este é um processo que ainda não está fechado e o Sporting ainda pode ganhar o recurso. Só nesta situação está metade do prejuízo. Depois há que salientar a inclusão de cerca de 10M em contratações de jogadores para a época 2016/2017, mas que foram contabilizados neste exercício, começando desde logo a ser amortizados nesse exercício.Por fim, temos a questão da eliminação no play-off da Champions na Rússia onde o Sporting foi claramente prejudicado. Estes 3 factores são importantes para justificar este resultado.

Outros dois factos muito relevantes que ficam: Em primeiro lugar, o contrato extraordinário com a NOS, que permitirá ao Sporting ter um fôlego financeiro muito maior para os próximos anos. Em segundo lugar, o abandono da política de enorme contenção das duas primeiras épocas desta administração. Contenção que foi essencial para chegarmos a este exercício e podermos dobrar o investimento em custos com pessoal trazendo para Alvalade jogadores de reconhecida valia. Estamos agora num novo estádio do desenvolvimento leonino.

Para a próxima época, o Sporting baterá todos os recordes. Em termos de proveitos operacionais devemos conseguir um resultado na casa dos 90M, aos quais ainda teremos que adicionar os 60 Milhões que entram nos cofres do Sporting, através das vendas de Slimani, João Mário e Naldo. 

Foi também neste exercício que o Sporting se transfigurou quer dentro quer fora de campo. Em campo, a equipa fez uma Liga absolutamente extraordinária, praticando um excelente futebol e fazendo uma pontuação histórica. Fora do campo, a união dos sportinguistas é cada vez maior. 

Por isso, não há nada a temer. Com argumentos como estes o futuro só pode ser risonho.

Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já. 
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

EXCLUSIVO - Benfica tem prémios da UEFA penhorados pela Doyen


Nos últimos tempos muito se tem falado na penhora interposta pela UEFA, por requisição da Doyen, aos prémios de participação do Sporting nas competições europeias. O que nenhum jornaleiro ou escriba deste país quis escrever é que quem anda com "penhoras" na UEFA desde 2012 não é o Sporting mas sim... o Benfica.

Por falar em penhoras do Benfica... (link) 

 

A transferência


Ola John foi comprado pelo Benfica ao Twente em Maio de 2012. Twente que na altura era um "clube Doyen" e que agora está a pagar bem caro as "brincadeiras" com o grupo de Nélio Lucas.

Curiosamente, esta temporada chegou mais um jogador ao Benfica envolvido no "escândalo Twente/Doyen", falo de Bilal Ould-Chikh. Podem saber mais clicando (aqui).


Ola John foi comprado por 9,15 Milhões de Euros. O valor seria liquidado em duas prestações por parte do Benfica: 6 Milhões de imediato e os restantes 3,150 Milhões de Euros até 15 de Julho de 2013.


Para além deste montante fixo, o Benfica comprometeu-se a pagar 250 mil euros por cada época em que a qualificação para a Champions League fosse conseguida até ao limite de 4 vezes (1 Milhão de Euros). Algo que se tornou uma realidade (12/13, 13/14,14/15 e 15/16), e por isso há que somar aos 9,15 Milhões esta componente variável. 



(9,15 M + 1 M) = 10,15 Milhões de Euros

O Twente recebeu do Benfica 10,15 Milhões de Euros. Para além deste montante, o clube holandês tem ainda direito a 10% de uma futura venda, caso o jogador seja vendido por um valor superior a 10 Milhões de Euros.

Contrato jogador


Ola John assinou contrato até ao final da época 16/17, com uma cláusula de rescisão de 45 Milhões de Euros. Só em vencimentos durante a vigência do contrato, estamos a falar de 7,3 Milhões de Euros.


Para além dos vencimentos, o jogador teve direito a um prémio de assinatura de 550 mil euros. O total de vencimentos e prémios fixos anda na casa dos 8 Milhões e pode chegar aos 8,5 Milhões mediante o desempenho desportivo do jogador. Em caso de venda a outro clube, o jogador tem ainda direito a um prémio de 250 mil Euros.



Somando o valor pago pelo Benfica ao Twente (10,15M) aos montantes pagos ao jogador em salários e prémios fixos (8M), conseguimos avaliar o negócio em cerca de 18 Milhões de Euros, mas pode ainda subir mediante a performance do jogador.

Prémios para o agente do jogador


O contrato entre o agente e o Benfica foi assinado no dia 23 de Maio de 2012.


Tudo somado, são 219 mil euros em comissão para o agente do jogador. Só que...

Nesse mesmo dia o agente e o Benfica assinam um novo acordo. E nesse novo acordo a coisa muda de figura.

Reparem que só mudaram os valores em relação ao primeiro acordo. Tudo somado estamos a falar de 328.500,00 €.

Da manhã para a tarde o Sr. Harmjan Schilperoort ganhou mais 109.500,00€. Mas ainda há mais uns extras que foram miraculosamente acrescentados do noite para o dia...

- 2,5% de uma futura transferência, após deduzir 10 Milhões de Euros e a contribuição de solidariedade.

- Se uma futura transferência for concluída por um valor superior a 20 Milhões este senhor recebe 3,5 %, após deduzir 10 Milhões de Euros e a contribuição de solidariedade.

Limpinho, limpinho!



A Doyen entra no negócio


O Benfica contratou o jogador em Maio de 2012. Em 24 de Agosto de 2012, Benfica e Doyen celebram um acordo ERPA (Economic Rights Participation Agreement). Neste acordo ficou definida a compra da totalidade do passe do jogador por parte da Doyen, pelo montante fixo da transferência do jogador ao Twente, os 9,15 Milhões falados em cima. 

Este acordo contemplava a obrigatoriedade de o Benfica ter que pagar até dia 31 de Agosto de 2015, 12 Milhões de Euros pela totalidade do passe do jogador à Doyen.

Importa salientar que nos documentos fornecidos pelo Footballeaks este acordo ERPA não se encontra devidamente assinado pelos intervenientes. Provavelmente o documento apresentado pelo Footballeaks será o esboço do contrato final. Contudo, não estando este documento assinado entre os documentos do footballeaks está um outro documento que corrobora tudo o descrito anteriormente. Estou a falar de um acordo onde o Benfica aceita o "penhor" das suas receitas provenientes da UEFA como garantia ao pagamento dos 12 Milhões de Euros.

Como podem verificar no print seguinte, o contrato de "penhor" está claramente indicado o acordo ERPA do dia 24 de Agosto de 2012.


E agora fica o print com a indicação do montante "penhorado" pela Doyen, sobre os prémios monetários da UEFA. Neste acordo até está anexada uma comunicação da UEFA com os montantes e prazos de pagamento.


 

Benfica "esqueceu-se" de colocar a informação no Relatório e Contas


No Relatório e Contas do Benfica, relativo ao primeiro trimestre da época 2012/2013 nem uma palavra é colocada sobre o assunto. Relembro que este relatório deveria ter toda a informação relevante da sociedade do período compreendido entre o início de Julho 2012 e o final de Setembro de 2012. Sendo este um acordo datado de Agosto deveria estar claramente reflectido. 

É caso para dizer "Ó Ana Gomes anda cá ver isto!".

O anúncio do negócio por parte da Doyen

 


Foi esta a notícia colocada pela Doyen no seu site oficial. O Maisfutebol também fez notícia sobre esta situação (cliquem aqui para ler).

Curiosamente, a Doyen assina um acordo onde compra 100% do passe de Ola John ao Benfica mas anuncia no seu site a compra de apenas 80%.

Resumindo até aqui:

O Benfica comprou a totalidade do passe do jogador ao Twente por 9,15M e depois faz a venda à Doyen da mesma percentagem pelo mesmo valor ficando o Benfica a dever à Doyen 12 Milhões. O Benfica "esconde" isto das suas contas e a Doyen anuncia a compra de 80% do passe. Bonito!!!

O negociador implacável está em grande! Mas as "negociatas" não se ficam por aqui.

Mais um acordo ERPA com a DOYEN


No dia 21 de Dezembro de 2012, o Benfica faz um novo acordo ERPA com a Doyen. 

"Considerando a situação da economia global, o Fundo comprará ao clube e o clube venderá ao fundo, 50% dos Direitos Económicos do jogador, por um preço equivalente a 50% do preço fixo de compra acordado entre o Benfica e o Twente no acordo de transferência. Daqui em diante, o fundo e o clube serão respectivamente, donos de 50% dos direitos Económicos do jogador e o clube o dono da totalidade dos direitos federativos do jogador."


Espera lá, então como é que o fundo compra 50% do passe do jogador quando em Agosto já detinha os 100% ? Só podem ter encontrado forma de anular o primeiro acordo. Não encontro outra explicação.


Desta feita a Doyen compra metade do passe por 4.575.000,00 €.

9.115.000,00 € / 50% = 4.575.000,00 €

Quem paga as despesas?


O único pagamento efectuado pelo fundo ao clube foi o de 4.575.000,00 € por 50% do passe. O Benfica assume todas as despesas com o jogador desde salários a prémios e até um bónus de transferência caso seja vendido. Todas as despesas relacionadas com a celebração de contratos, advogados, impostos, etc fica tudo à conta do Benfica. Para além disso não esquecer que tem de pagar 1 Milhão de Euros ao Twente pela questão da entrada directa na Champions.

Desde logo, percebe-se quem é que fez um negócio da China. Mas há mais, muito mais...

Condições do contrato 


Fiz um apanhado das principais cláusulas do contrato para que os leitores se possam aperceber do tipo de "negociata" que Luís Filipe Vieira e Nélio Lucas fizeram.

- Independentemente do valor de venda do jogador, a Doyen tem o direito a uma "compensação mínima" de 5.947.500,00 €. Aconteça o que acontecer a Doyen vai ganhar 1.372.500,00 €

- Se o jogador não for transferido até 31 de Agosto de 2015 o fundo tem direito a receber de imediato os 5.947.500,00 €.  O Benfica pagando nesta data o "mínimo garantido" à Doyen, concede ainda 25% de uma transferência futura, deduzindo o "mínimo garantido". (O prazo já acabou, dou a explicação mais em baixo)

- Qualquer proposta recebida pelo clube tem que ser comunicada à Doyen no prazo de 7 dias com todas as condições discriminadas.

- A Doyen e o Benfica consideram 20Milhões de euros como um valor razoável para uma proposta de transferência. Em caso de existir uma proposta de 20 Milhões ou mais, a Doyen tem o poder de obrigar o Benfica a aceitar a proposta. Caso a Doyen aceite a proposta e o Benfica não queira vender o jogador, o Benfica terá que pagar o correspondente a 50% da oferta apresentada pelo jogador à Doyen, limpos de outras despesas como direitos de formação, comissões empresários, etc.

- O Benfica fica na obrigação de contratar um seguro de vida e incapacidade no montante de 5947.500,00 € em favor da Doyen.

- Se o jogador acabar contrato com o Benfica, o clube terá que pagar à Doyen os 5.947.500,00 €

- Em caso de renovação de contrato do jogador com o Benfica, a Doyen tem 2 opções:
A) Doyen exige o pagamento do "mínimo garantido" 5.947.500,00 € e o Benfica fica com os 100% dos direitos do jogador.
B) Jogador renova e as condições do acordo continuam a vigorar.

- Se o jogador rescindir unilateralmente com o Benfica, a Doyen tem direito ao "mínimo garantido" de 5.947.500,00 € que terá que ser pago pelo Benfica. Num conflito judicial a Doyen mantém os 50% de uma compensação deduzindo o "mínimo garantido", sendo que todas as despesas de um conflito judicial recaem sobre o Benfica.

- A cada empréstimo do jogador a outro clube a Doyen tem direito a 50% do valor do empréstimo que será deduzido ao valor "mínimo garantido".

Neste momento, aposto que os Benfiquistas estarão todos a bater palmas à gestão de topo dos seus dirigentes. 

Para além de o contrato dar totais garantias à Doyen ainda há uma salvaguarda adicional para o Nelinho. Vejamos:

 A "penhora" das receitas da UEFA


O Benfica quando aceitou as condições do acordo ERPA, assinou também um acordo de penhora das receitas da UEFA no valor de 6.542.250,00€.

E pergunta o leitor e bem?  6.542.250,00€ porquê? O mínimo garantido não eram os 5.947.500,00€ ?

A resposta é simples: Para além do "mínimo garantido" a Doyen ainda "espetou" com mais 10% para o caso de existir incumprimento do Benfica.

Mais uma vez, cá está o "Reino do pneumático" a dominar as negociações.


Na lista de documentos anexos ao acordo estão os quadros com o valores dos prémios e as respectivas datas de pagamento. É uma leitura interessante que recomendo aos leitores.

Vitória o "capataz" de Vieira


O Benfica tinha até ao final do mês de Agosto de 2015 para pagar os cerca de 6 Milhões de Euros à Doyen. Como o dinheiro "real" não abunda para os lados da Luz houve a necessidade de medidas "extraordinárias". Se fosse em "Euromendes" não havia problemas.

Durante a pré-época Rui Vitória não conseguiu perceber a valia de Ola John que só jogou 109 minutos. Quando começou a época e principalmente na semana que antecedeu o jogo da Supertaça com o Sporting, toda a classe do jogador veio ao de cima, sendo titular nos primeiros 3 jogos oficiais da época (Supertaça contra o Sporting e na primeira e segunda jornada da Liga).
 

Os "falidos" de Carnide não pagaram à Doyen


Chegamos ao dia 31 de Agosto de 2015 e o "mínimo garantido" não entrou na conta da empresa do Nelinho. O jogador esteve na "montra" nas primeiras jornadas da Liga e só apareceu um clube da II Liga de Inglaterra para o levar por empréstimo. 

Love is in the air


Negociantes do tipo do "técnico de casting" não costumam dar abébias. Mas, como o amor entre a Doyen e os rivais do Sporting está no ar arranja-se solução para tudo. Vejamos as declarações de amor.

Dois meses antes, o Benfica enviou ao TAS, "Paulo Gonçalves (assessor jurídico do Benfica) - que vai em representação de Luís Filipe Vieira" como testemunha da Doyen no caso contra o Sporting. O mesmo Paulo Gonçalves que já conhecia Nélio Lucas de outras andanças.

Amigos para Siempre - Nélio Lucas ao lado de Paulo Gonçalves da SAD do Benfica

Reading, renovação e adiamento do prazo de pagamento


No último dia de transferências (1 de Setembro) Ola John lá partiu para o Reading da II Liga Inglesa. Segundo o jornal OJOGO, o jogador renovou contrato até 2018 (mais tarde viria a ser confirmado no ReC do Benfica) e ficou com uma cláusula de opção de 8 Milhões caso o Reading suba de divisão, algo que não vai acontecer esta época.


Para contornar o problema do Benfica e como o Nelinho anda apaixonado, o Benfica e a Doyen fizeram um aditamento ao ERPA anterior para que o clube possa encontrar forma de "arranjar" o dinheiro. ("Ó Mendes vende-me o Batman da Musgueira, pá") 

Este acordo é válido até 31 de Agosto de 2016, conforme se consegue perceber por este print de um documento interno da Doyen que o Footballeaks disponibilizou.


O Benfica conseguiu assim adiar o problema até ao final do mês de Agosto de 2016, sendo que as restantes condições do ERPA anterior mantêm-se inalteradas. A penhora dos 6.542.500,00 € continua activa e por muito "amor" que haja entre Vieira e o Nelinho não me parece que volta a haver aditamentos neste acordo. É caso para dizer "Ó Vieira paga o que deves ao Nelinho, pá!"

Ola John não convence ninguém e não será numa segunda liga inglesa que encontrará um clube que pague algo que minimize o fisco que foi a sua contratação. Como vimos, a Doyen está bem "segura". Por outro lado o Benfica vai mesmo ter que pagar o que deve ao Nelinho e ficar com um perneta para fazer companhia ao Bilal e ao Taarabt.

É sempre bom, ver o rival "estourar" 20 milhões assim.

Fico a aguardar os artigos de opinião, as crónicas dos farináceos, os programas de 3 horas a discutirem o assunto. As doutas opiniões dos "experts" financeiros da treta com os Camelos e os Antunes à cabeça e até quem sabe o pedido de investigação ao Ministério Público, CMVM, FPF das deputadas europeias Ana Gomes e Marisa Matias. 

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