sexta-feira, 20 de março de 2020

Varandoon - O "bravo" do pelotão


Um dia depois de o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ter decretado o Estado de Emergência, deu em Frederico Varandas uma súbita vontade de "voltar à guerra". Curiosamente, uma vontade que não teve no inicio desta pandemia.

A publicação na sua página de Instagram


Ao final do dia de ontem, o Presidente do Sporting anunciou nas suas redes sociais que iria voltar a servir o país.


A versão do Jornal de propaganda de Frederico Varandas


Como habitualmente, o Record, jornal de propaganda de Frederico Varandas, veio a terreiro tecer loas a Frederico Varandas, o "herói de Kandahar", o "Doutor Coragem", o "atirador de beijinhos aos sócios", o "arrancador de cabeças", o líder do "clube de malucos", entre outros epítetos. 

Capa Jornal Record 20/03/2020

Diz o Record que o "Presidente do Sporting pediu para ser reintegrado". Um verdadeiro bravo do pelotão nacional, que até teve direito a medalha de ouro, tal é a sua coragem. 

E foi esta a encomenda com que o Record decidiu presentear os seus leitores. Se fossem jornalistas e não uns meros propagandistas do copy paste, podiam ter investigado o assunto e terem dado informações realmente relevantes aos seus leitores. 

Varandas está de licença especial


Como se sabe, Frederico Varandas está de "Licença Especial" por ser membro eleito pelo PSD na lista de Fernando Seara para a Assembleia de Freguesia de Odivelas. O tal esquema que o Presidente Frederico Varandas usa para se libertar das suas obrigações militares, continuando a acumular estes anos de licença como tempo de serviço efectivo para efeitos de antiguidade, entre outras benesses. 


Atentem bem na referência que o próprio Sporting faz ao artigo 33º da Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas. É com base nesse artigo que Frederico Varandas conseguiu a "licença especial".

Varandoon - O "bravo" do pelotão


Ora, da propaganda Varandoniana à realidade, vai uma diferença significativa. Vejamos o que diz o artigo 33º da Lei da Defesa Nacional. 


Como podem verificar através do ponto 6 c) do artigo 33º: "A licença especial caduca, determinando o regresso militar à situação anterior, com a declaração de guerra, do estado de sítio e do estado de emergência". 

Portanto, isto é o mesmo que dizer que a partir do momento em o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou o Estado de Emergência, Frederico Varandas passou a ser automaticamente um militar no activo, conforme decorre da lei. Ou seja, o Presidente Varandas não é voluntário de nada. Cumpre apenas com as suas obrigações militares e se não o fizer completa os requisitos formais para ser designado por desertor. Um pequeno "pormenor" que escapou ao Jornal Record. Coisa pouca.

PS: No meio de tudo isto há um clube com milhões de adeptos, com centenas de funcionários e com um sem fim de problemas diários que surgem desta crise e que são necessários resolver. Um clube que tal como o resto do país está parado e que tem de encontrar forma de se reerguer quando esta crise passar. Bem, olhando um cantinha da capa do Record de hoje, se calhar até já se pode perceber que as soluções já estão a ser encontradas...



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segunda-feira, 9 de março de 2020

De estagiário a 3º treinador mais caro da história do futebol mundial


O título diz praticamente tudo. No espaço de meses, Rúben Amorim passou de um mero estagiário com o nível II a terceiro treinador mais caro da história do futebol mundial. Vou repetir a ver se as pessoas percebem:

O 3º treinador mais caro da história do futebol mundial



Rúben Amorim só é ultrapassado na lista dos treinadores mais caros da história do futebol mundial por André Villas-Boas e Brendan Rodgers. O português transferiu-se para o Chelsea depois de ter vencido tudo com o Porto. Vencedor da Liga Europa, vencedor do campeonato, vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça. Para além dos títulos com o Porto, André Villas-Boas bateu uma série de recordes nessa época. A saber: treinador mais jovem a vencer uma prova europeia, maior número de vitórias de um clube português numa época europeia, maior número de vitórias consecutivas numa época, recorde de pontos na Liga, maior margem de pontos para o 2º classificado, recorde de jogos consecutivos sem perder e conquista da Liga sem derrotas, 40 anos depois. E tudo isto depois de ter estado durante anos nas equipas técnicas de José Mourinho e de ter feito um excelente trabalho na Académica. 

Olhando para Brendan Rodgers, vemos um percurso ascensional que começou nas divisões secundárias inglesas e que culminou com a entrada no Liverpool onde acabou por perder o campeonato de 2013/2014 de forma dramática na recta final. De Liverpool foi para o Celtic onde venceu 7 títulos, tendo sido contratado em Fevereiro de 2019 pelo Leicester City por 10,5M de euros. O Leicester está a fazer uma época brilhante (3º classificado) e o técnico acabou de renovar até 2025.

Eram estes os percursos dos dois únicos treinadores no mundo que custaram mais do que Rúben Amorim. Comparar estes percursos com os 13 jogos de Rúben Amorim em Braga e com a vitória da Taça da Liga, só pode mesmo ser uma brincadeira. 

Rúben Amorim custou mais do que todos treinadores da história do Sporting juntos


Na era moderna, apenas dois treinadores foram contratados pelo Sporting através do pagamento de um valor de transferência. Em 2010/2011, o Presidente José Eduardo Bettencourt desembolsou cerca de 600 mil euros para contratar Paulo Sério ao Vitória de Guimarães. 

Link da notícia (aqui)

Na época passada, o Presidente Frederico Varandas desembolsou cerca de 550 mil euros para contratar Marcel Keizer ao Al Jazira. 


Neste século não há registo de mais valores de transferência pagos pelo clube. Relativamente ao século XX é provável que por alguma ocasião o Sporting tenha pago algum valor pela transferência de um treinador, mas os valores seriam sempre irrisórios quando comparados com os valores praticados na era moderna. 

Portanto, é factual dizer que o Sporting gastou mais dinheiro para contratar Rúben Amorim do que gastou para contratar os mais de cem treinadores que o antecederam nos quase 114 anos de história do Sporting. 

A 2º contratação mais cara de sempre da história do Sporting


Mas para enquadrar melhor este completo absurdo, nada melhor do que enquadrar estes números na listagem de maiores compras de sempre do Sporting.  
Como podem verificar, em 114 anos de história só por uma vez o Sporting fez um investimento superior ao de Rúben Amorim. Falo da contratação de Bas Dost, goleador holandês que foi custou 11,850M, tendo marcado 93 golos em 127 jogos pelo clube. Por falar em Bas Dost, faz agora um mês que ouvimos da boca de Frederico Varandas o seguinte: 

Link da notícia (aqui)
Portanto, o mesmo homem que vendeu Bas Dost "porque precisávamos desse dinheiro para sobreviver" é agora o mesmo sujeito que decide estourar 10 milhões de euros num treinador que não tem sequer uma dúzia de jogos na 1ª divisão, tornando-o no terceiro treinador mais caro da história do futebol mundial. Insanidade absoluta.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A maior manifestação contra uma Direcção da história do desporto nacional


As imagens que todos vimos da manifestação contra a Presidência de Frederico Varandas, do passado dia 9 de Fevereiro, não deixam dúvidas. Com larga margem, esta foi a maior manifestação contra um Presidente de um clube na história do desporto nacional. Vou repetir: a maior manifestação contra um Presidente de um clube na história do desporto nacional! Reforço de outra forma. Nunca em mais de um século de existência de entidades desportivas, o país tinha visto tamanha manifestação contra a Presidência de um clube desportivo.

Crise!? Qual crise!?


Deixei passar estes dez dias para com alguma distância analisar esta matéria, dando tempo para que todos os comentadores, analistas e afins pudessem dar a sua opinião. Passado todo este tempo é absolutamente delicioso ver o silêncio total em torno deste assunto. A imprensa ficou apenas pela notícia da manifestação e algumas reportagem no próprio dia. Nos dias seguintes, nenhum órgão de comunicação social achou interessante fazer uma peça ou debate sobre os motivos que levaram à maior manifestação contra a presidência de um clube na história do desporto nacional. Nem mesmo a CMTV, que noutros tempos fazia painéis rotativos noite dentro para debater a crise do Sporting. Nem sequer os cronistas da praça, acharam o tema interessante para os seus escritos.

Sintoma claro do branqueamento da crise leonina é precisamente o facto de nenhuma imprensa associar a palavra "crise" ao momento que o clube vive. Já tinham reparado nisto? Para os menos atentos, o Sporting vai bem e recomenda-se. Ora, se assim é, por que será que tantos Sportinguistas decidiram dar a cara contra o conselho directivo de Frederico Varandas? Não seria normal a imprensa procurar a resposta a esta questão? Não é relevante? Não é um conteúdo apelativo?

Obviamente, as alegadas agressões que terão ocorrido no Multidesportivo, sobre as quais falei (aqui) retiraram o foco. E digo, "alegadas", porque as imagens que recentemente foram mostradas não mostram as agressões. Talvez um dia apareçam as imagens de video-vigilância da zona do elevador propriamente dito. Curiosamente, dez dias depois da altercação, os meliantes continuam sem ser levados à justiça. E isto quando toda a gente sabe quem são, onde moram e o que fazem. Estamos à espera do quê?

Mas este virar de foco para a altercação em detrimento da manifestação impede que a maior manifestação de sempre contra uma Presidência de um clube desportivo em Portugal seja analisada?

Quantos foram? Quem foi? O que queriam?


Como é normal, os órgãos de comunicação social deram resposta a estas três questões relacionadas com a manifestação. Para responder a estas questões consultei notícias dos jornais semanários (Expresso e Diário de Notícias), dos 3 jornais diários generalistas (Público, JN e CM), das três principais rádios (Antena 1, TSF e RR), das quatro principais televisões (RTP, SIC, TVI e CMTV), assim como os três diários desportivos (Record, Ojogo e Abola). Ao todo, consultei 15 órgãos de comunicação social.

Vamos por partes. Começo pelos semanários Expresso e Diário de Notícias.

Diário de Notícias e Expresso

Como podem verificar, os semanários apontam para os 3000 adeptos que "pediram a demissão de Frederico Varandas".

Passando aos jornais generalistas diários, é este o panorama.

Jornal Público
Para o Público, "a demissão do presidente foi exigida por cerca de três mil adeptos".

Jornal de Notícias
O Jornal de Notícias não garantia os três mil adeptos como o Público, mas garantia que "mais de 2 mil adeptos juntaram-se em Alvalade e exigiram a demissão do presidente".

Antena 1, TSF e Rádio Renascença

Olhando para as três grandes rádios, todas dizem que "3 mil adeptos pedem demissão de Varandas". O mesmo aconteceu com as três principais televisões: RTP, SIC e TVI.

Vejamos agora os desportivos:

Jornal Abola
No Jornal Abola são referidos "mais de três mil adeptos do Sporting".

Jornal Ojogo
No Jornal Ojogo não se quiseram comprometer definitivamente e falaram apenas em "milhares de adeptos".

Os oficiais de propaganda da direcção de Frederico Varandas


Olhando para o Correio da Manhã, que fez apenas 2 parágrafos sobre a manifestação, verificamos que também consideram que estiveram três mil pessoas na manifestação, só que não eram adeptos, mas sim "claques". Algo que nenhum outro meio de comunicação social ousou dizer. 

Correio da Manhã
Mas se a versão do Correio da Manhã é boa, o que dizer da versão do Jornal Record, jornal oficial de propaganda da direcção de Frederico Varandas? Se ainda há alguém com dúvidas, fiquem com mais uma prova disso mesmo.

Jornal Record
Portanto, para o jornal Record não estiverem nem "três mil adeptos", nem "mais de dois mil adeptos", nem "milhares de adeptos". Estiveram apenas e só "um milhar de adeptos, afectos às claques Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI". Digam lá que isto não é genial!? Toda a imprensa aponta para os três mil manifestantes, com excepção do JN que aponta para "mais de duas mil pessoas" e para o Ojogo que diz que eram "milhares de adeptos". Mas para o jornal Record eram apenas e só mil adeptos. E como se pode ler, eram adeptos, mas das claques. Todos das claques, porque como toda a gente sabe, com excepção da "escumalha", todos os Sportinguistas amam a direcção de Frederico Varandas. Ora digam lá que isto não é absolutamente fantástico!?

Perigoso grupo de Ultras da Juve Leo na manifestação contra Frederico Varandas 

Mas ainda há mais! É que ao contrário de todos os outros órgãos de comunicação social que davam conta que o objectivo dos manifestantes era a demissão de Frederico Varandas, eis que o Jornal Record encontrou a verdadeira razão do protesto. Segundo estas senhores, os manifestantes foram apenas "para demonstrar o descontentamento com o rumo que tem sido seguido pela direcção de Frederico Varandas". Genial!!!

Nada que surpreenda os Sportinguistas mais atentos ao "trabalho" desenvolvido pelo jornal oficial de propaganda da direcção de Frederico Varandas. Curiosamente, o mesmo jornal que lançou em primeira mão a auditoria de gestão. Um jornal que publicou documentação privada do Sporting, mas que ainda assim continua a ter todos os exclusivos do Sporting, como ainda recentemente aconteceu com uma grande entrevista de Frederico Varandas, que ocupou as páginas do jornal por dois dias.

Alguém acha normal que o Sporting dê todos os exclusivos ao jornal que prejudicou gravemente a vida interna do clube ao divulgar a auditoria de gestão? Então o Sporting ajuda quem tanto prejudicou o clube? A não ser que tenha acontecido o que toda a gente acha que aconteceu, mas que ninguém tem coragem de dizer publicamente. No fundo é o mesmo terreno pantanoso que os portugueses pisaram em relação a Isabel dos Santos e à sua fortuna ou em relação ao racismo que existe na sociedade portuguesa. Se o início de 2020 deslindou estas duas questões, pode ser que também nos traga novidades na lista dos grandes mistérios leoninos do século XXI. Se assim não for, podemos todos continuar a citar o nosso Presidente da Mesa da Assembleia Geral relativamente ao leak da auditoria: "Agora já está, já está!".

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