segunda-feira, 18 de março de 2019

"Alô, Alô”


Depois do jogador Lionn ter prestado declarações sob juramento no tribunal de Esposende, onde garantiu que César Boaventura o tentou aliciar nas vésperas do jogo contra o Benfica na época 2015/2016, eis que surgem novas revelações referentes ao "trabalho" do empresário de Viana do Castelo. 


A investigação do jornal Expresso


No Expresso deste fim-de-semana foi publicada a seguinte peça.

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"Alô, Alô”


Neste momento temos o testemunho de 3 jogadores do Marítimo que sob anonimato deram o seu testemunho a uma grande reportagem da SIC, temos o testemunho de Lionn sob juramento e a curto prazo teremos também o testemunho de Cássio em tribunal onde confirmará a versão de Lionn, segundo o Expresso. Temos também uma declaração muito relevante do director de comunicação do Rio Ave. Para além de "prova testemunhal" ainda há outro tipo de provas recolhidas pela Polícia Judiciária, como são o caso das mensagens de Whatsapp no telemóvel de Marcelo e uma escuta interceptada pela PJ no telemóvel de Nélson Monte. 

E depois há ainda este pequena "maravilha": "De acordo com informações recolhidas pelo Expresso junto de fontes do processo, o agente de futebolistas ter-se-á apresentado como "mandatado por Luís Filipe Vieira", oferecendo a Cássio cerca de 250 mil euros para facilitar no jogo contra o Benfica."

Como diz o outro: "Investigue-se". 

Coisas giras


Para hoje termino com uma pequena reflexão. No caso Cashball o processo foi desencadeado por uma entrevista/confissão de uma suposto empresário ao Correio da Manhã, precisamente no dia em que a Academia de Alcochete foi atacada. As alegações do senhor foram prontamente desmentidas publicamente por TODOS os jogadores e o empresário foi processado pelos atletas. Dias mais tarde empresário denunciante confirmou que foi pago pelo Correio da Manhã para dar aquela entrevista. Para reflexão deixo também o facto de esta investigação sobre César Boaventura ter sido feita pelo Expresso, que bem ou mal é o jornal de referência do país, por contraponto ao jornal Correio da Manhã de onde saiu o cashball. Também é curioso que o Correio da Manhã ainda não tenha feito uma única chamada de capa com esta assunto. Tudo, coincidência. 

É também muito engraçado que dias antes de ter rebentado o processo Cashball o senhor César Boaventura tenha feito insinuações sobre uma bomba que iria rebentar no Sporting. Na reportagem do Correio da Manhã é dito que a investigação do jornal tinha começado há cerca de um mês. Curiosamente, cerca de um mês antes César Boaventura tinha dado um grande exclusivo ao Correio da Manhã. Coincidência.

Continuo a aguardar a reacção vigorosa dos senhores presidentes da Liga, da FPF e do senhor secretário de Estado do Desporto e do Mirtilo. Mas aguardo sentado, que é para não me cansar. Se nem o Sporting que é clube beneficiado com este caso e que se pode tornar campeão nacional na secretaria, abre a boca, porque raio se vão chatear estes senhores?

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sexta-feira, 15 de março de 2019

As viagens de Boaventura


Ontem ficamos a saber que o jogador brasileiro Lionn do Desportivo de Chaves, declarou no Tribunal de Esposende que o empresário César Boaventura o tentou aliciar nas vésperas do jogo contra o Benfica na época 2015/2016. 

Declarações que foram proferidas sob juramento, no âmbito de uma queixa que o jogador Cássio interpôs contra César Boaventura depois de alegadamente o empresário ter sugerido que o então guarda-redes do Rio Ave facilitou num jogo contra o FC Porto que terminou com 0-5 para os portistas.

As reconstituição do depoimento feito pelo Porto Canal




Para fechar


Para quem está atento ao futebol português a declaração de Lionn não surpreende. Apesar de não nos surpreender, os adeptos do futebol não dispensam a opinião dos grandes senhores do futebol português, que já se deviam ter pronunciado. A começar pelo senhor presidente da Liga, que ao que parece gere uma competição desportiva que foi corrompida. Seria também bom ouvir o que pensa o senhor presidente da FPF sobre o este escândalo e até o senhor Secretário de Estado do Desporto e do Mirtilo (será que estamos em época da apanha do mirtilo!?). Já agora, porque não também ouvir o senhor presidente da república. Será que se sente vexado por ter um desporto corrupto no país que lidera? 

O que também já não surpreende é a total ausência de reacção digna desse nome por parte do Sporting. A única reacção vinda do Sporting foi uma declaração feita por uma suposta "fonte oficial dos leões" que assegurou ao jornal Record que o clube "está muito atento ao desenvolvimento das diligências judiciais neste importante caso para a Verdade Desportiva que temos repetidamente vindo a defender.". Estamos tão atentos a isto como estivemos ao processo e-toupeira onde nem sequer recorremos...

É absolutamente vergonhoso que nem sequer esta fonte tenha dado a cara para defender o clube numa matéria tão importante para o Sporting, que a ver ser confirmadas estas suspeitas poderá sagrar-se campeão nacional 2015/2016 na secretaria. Como viram, a peça que coloquei em cima foi transmitida no noticiário do Porto Canal de ontem e durante a noite o canal dos Dragões debateu ainda toda esta matéria. É absolutamente lamentável que tenha de ser o Porto Canal a investigar e a produzir notícias e debates sobre esta matéria quando na realidade o Sporting é o clube que mais pode sair beneficiado de uma eventual condenação do rival encarnado. 

É lamentável que um Sportinguista tenha sintonizado a SportingTV na noite de ontem para ver uma peça, uma reacção ou comentário sobre esta matéria e tenha esbarrado com um silêncio ensurdecedor. Enfim, é a tal tese do "saber estar" preconizada pelos actuais dirigentes do Sporting.

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quinta-feira, 14 de março de 2019

Circo à portuguesa


A 17 de Fevereiro o Sporting goleou o Braga em Alvalade (3-0), numa partida que ficou marcada pela agressão de Raúl Silva a Acuna aos 81 minutos. 

A agressão


Para quem já não se recorda, aqui fica o vídeo com a agressão.


A queixa do Sporting e a primeira decisão do CD da FPF


No dia seguinte ao jogo (18/02) o Sporting apresentou queixa do comportamento do jogador, para que fosse aberto um auto de flagrante delito. No dia seguinte à queixa apresentada pelo Sporting, o CD decidiu punir o jogador com dois jogos de suspensão e uma multa de 765 euros.

Link da notícia (aqui)
Esta notícia refere 3 jogos, mas um deles estava relacionado com o facto de ter visto o 5º amarelo. Portanto, em relação à agressão foram mesmo 2 jogos de castigo e uma multa.

O Recurso


Ora, o jogo seguinte do Braga foi com o Belenenses no dia 22 de Fevereiro. Raúl Silva ficou de fora da partida pela tal questão dos 5 amarelos. Curiosamente, o recurso interposto pelo Braga só foi apresentado dois dias depois desse jogo, a 24 de Fevereiro, já numa fase final do prazo legal para efectuar esse recurso. Uma manobra para atrasar todo o processo e garantir que o jogador estaria apto para o jogo contra o Porto para a Taça de Portugal a 26 de Fevereiro, uma vez que o recurso tem efeito suspensivo. Para além do jogo no Dragão, Raúl Silva jogou também contra o Rio Ave para a Liga a 3 de Março e contra o Vitória de Guimarães no passado fim-de-semana.

A decisão do CD


Na terça-feira ficamos a saber que o CD do senhor Meirim apreciou o recurso do Braga e decidiu revogar o castigo e a multa aplicada ao jogador. Uma decisão tomada com base na opinião dos árbitros que estiveram a apitar a partida, como se pode ler no acórdão. Mas primeiro vamos às declarações dos senhores do apito:

Jorge Sousa, árbitro principal da partida disse ao Conselho de Disciplina que o lance "foi visualizado em campo" e que entendeu, na altura "não ter havido qualquer agressão ou prática de jogo violento". Vejamos se foi mesmo assim: 


Olhando para estas imagens é perceptível que Jorge Sousa não viu sequer o lance, uma vez que depois do remate de Raúl Silva virou a cabeça para o lado oposto de onde ocorreu a agressão, no sentido de acompanhar a bola. Se repararem, mesmo antes do remate, Jorge Sousa até muda a posição do seu corpo para ficar de frente para a baliza do Sporting.

Ou seja, Jorge Sousa não viu o lance e mentiu em sede de audição no conselho de disciplina da FPF. E porque é que um árbitro iria mentir num lance destes? Que razão teria para mentir quando a verdade até o desculparia? Não é absolutamente normal que o árbitro não tenha visto esta agressão? Parece-me que é e tanto assim é que dos experts de arbitragem presentes da comunicação social, ninguém criticou o facto de Jorge Sousa não ter intervido no lance, porque consideravam que era uma lance "imperceptível em campo", como disse Duarte Gomes na sua crónica do jornal Abola.

Crónica de Duarte Gomes ao jogo Sporting-Braga

Como diz Duarte Gomes, "lance totalmente imperceptível em campo, mas de videoanálise obrigatória". Parece-me que isto é evidente para todo o país.

É importante dizer que o senhor Jorge Sousa concluiu a sua intervenção no CD dizendo que "vistas as imagens qualifico o lance como comportamento anti-desportivo", ou seja, para esta árbitro internacional nem sequer é passível de conduta violenta para levar o cartão vermelho. Maravilhoso.

Passamos agora para os senhores que estiveram no VAR.

Tiago Martins, VAR da partida e o seu AVAR Pedro Mota consideraram que o "lance é de interpretação subjectiva (...), não é um incidente claro e óbvio". Dizem estes senhores que não comunicaram o lance a Jorge Sousa "por não ser um erro claro e óbvio do árbitro".

Portanto, os senhores do VAR também analisaram o lance mas consideraram que o incidente não era claro, por isso não informaram Jorge Sousa. Absolutamente maravilhoso.

A ver se eu percebi


Raúl Silva agride intencionalmente Acuna com uma cotovelada, num lance que não deixa dúvidas a ninguém neste país. O Sporting fez queixa e o Conselho de Disciplina de imediato pune o jogador, fazendo-se justiça. Tudo muito bem até aqui.

Vamos para o recurso e o Braga alega que o lance já tinha sido julgado pelo árbitro e pelo VAR no decorrer da partida e que por isso, não poderia haver lugar a novo julgamento. Milagrosamente e ao contrário de todas as expectativas, Jorge Sousa entra no jogo da defesa do Braga dizendo que viu o lance no campo e que não o considerou como sendo jogo violento. Isto quando as imagens da transmissão televisiva mostram que o árbitro nem sequer estava a olhar para os jogadores no momento da agressão. Mas Jorge Sousa não se ficou por aqui, até porque foi confrontado com as imagens televisivas e disse que esta cotovelada deliberada na cara de um adversário - num momento em que o Braga está de cabeça perdida por estar a levar três secos - é apenas conduta anti-desportiva, logo não seria de aplicar o cartão vermelho.

Para além das declarações milagrosas de Jorge Sousa, o VAR Tiago Martins e o seu assistente Pedro Mota também dizem que viram o lance, mas que consideraram que a decisão de Jorge Sousa em prosseguir com a partida se aceitava e que este "não era um erro claro do árbitro", logo não poderiam intervir.

Posto isto, o conselho de disciplina decidiu aceitar os argumentos do Braga, concluindo o acórdão dizendo que "nenhum dos agentes de arbitragem descortinou (...), com o necessário grau de certeza, infracção às leis do jogo", por parte de Raúl Silva e lembrou que não pode "sobrepor-se àquele juízo técnico qualificado".

Portanto, os incompetentes da equipa de arbitragem liderada por Jorge Sousa, que em campo não conseguiram ver a agressão de Raúl Silva e os incompetentes da equipa de video-árbitro liderados por Tiago Martins, que nem com várias imagens de ângulos diferentes conseguiram perceber que estavam perante uma agressão vergonhosa, acabam por ser chamados para dar o tal  "juízo técnico qualificado". Absolutamente surreal. Estes incompetentes (para ser simpático) acabaram por transformar um castigo justo numa absolvição inqualificável e a verdade é que o jogador estará disponível para os próximos jogos. Curiosamente, se o recurso não tivesse tido provimento o atleta falharia um jogo fundamental para as contas do campeonato, contra o FC Porto na Pedreira.

E assim segue o futebol português. Enquanto tudo isto acontece o Sporting na sua qualidade de queixoso e em defesa do seu jogador agredido continua sem dizer uma única palavra sobre esta decisão, numa altura em que já passaram dois dias da decisão. Para fechar dizer apenas que existe a possibilidade de recurso para o Conselho de Justiça ou para o TAD. Mas quem não sente a necessidade de recorrer do processo e-toupeira, recorrerá disto?

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