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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

E agora?


Os últimos dias foram pródigos em casos vergonhosos no desporto nacional. Desde invasões de campo, ameaças de greve, violência, arbitragens vergonhosas, declarações inacreditáveis de responsáveis governamentais, etc. Deixei passar algum tempo para ter uma perspectiva mais global do que esta a acontecer e agora é hora de apresentar uma série de post sobre estes assuntos.

Jogo à porta fechada para o Braga


Na semana passada o Conselho de Disciplina puniu o Sporting de Braga com um jogo à porta fechada por um alegado cântico racista durante o jogo Desportivo das Aves-Braga a 10 de Agosto deste ano. 

É muito importante sublinhar algumas ideias em relação a este caso. O castigo ao Braga foi aplicado tendo por base única e exclusivamente o relatório de jogo do árbitro Fábio Veríssimo. Curiosamente, nos dias seguintes a imprensa não deu eco a estes eventuais cânticos racistas por parte de adeptos do Braga. Estamos então perante um caso que terá apanhado a maior parte dos adeptos de futebol de surpresa, até porque não existiram imagens do sucedido.

Uma justiça especial para o Benfica


No programa "Verde no Branco" da última quinta-feira, Nuno Saraiva comentou este castigo ao Braga e questionou a justiça desportiva sobre outros acontecimentos tão ou mais gravosos. Subscrevo na integra o que foi dito pelo director de comunicação do Sporting que podem ver de seguida.


Dois pesos, duas medidas


Portanto, de um lado da balança temos um eventual cântico racista de adeptos do Braga cujo único meio de prova é o relatório de um árbitro. Nesta situação o Braga apanhou um jogo à porta fechada. Do outro lado da balança temos um assassinato, cânticos de celebração do assassinato de um adepto do Sporting, destruição de estádios, agressões a adeptos rivais, etc. 

Senão vejamos alguns exemplos que ocorreram este ano. Repito: Acontecimentos que ocorreram em 2017.

Link da notícia (aqui)

Link da notícia (aqui)

Link da notícia (aqui)

Na Liga desta temporada as claques do Benfica já mostraram a sua valia em três jogos fora de portas. Em Vila do Conde as agressões levaram mesmo a que alguns adeptos do Rio Ave tivessem de ser hospitalizados. Seguiu-se a deslocação à Vila das Aves onde as claques do Benfica "provocaram o caos no Bar do Estádio". Há pouco mais de um mês 500 casuals do Benfica já com o jogo a decorrer em Guimarães fizeram com que os adeptos Vitorianos se tivessem de refugiar no relvado. 

Mas há mais. No Futsal as claques do Benfica também dão "espectáculo". 

Link da notícia (aqui)
Estes acontecimentos no futsal ocorreram no mesmo fim-de-semana do jogo em Guimarães em futebol, que já falei em cima. É importante referir que os jogos de Futsal também estão sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. 

Deixei 4 acontecimentos que ocorreram nesta época desportiva e que não motivaram qualquer sanção disciplinar, mas se recuar mais uns meses e mantendo-me em 2017 ainda há isto:

A 19 de Fevereiro de 2017, as claques do Benfica decidiram criar uma nova modalidade: arremesso de cadeiras contra adeptos.


No dia 15 de Abril de 2017 as claques do Benfica simularam o silvo do very-light num derby contra o Sporting. Uma verdadeira celebração de uma assassinato. 


Poucos dias depois, a 23 de Abril de 2017 jogou-se o derby em futebol entre o Sporting e o Benfica e depois de no dia anterior terem assassinado mais um adepto do Sporting, as claques do Benfica decidiram cantar isto:


Resumindo


Faço um breve resumo só para o ano de 2017 e apenas nas competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol, daquele que tem sido o comportamento das claques do Benfica.

19/02/2017 - Claques Benfica arremessam cadeiras contra adeptos do Braga que circulavam no exterior do estádio municipal de Braga;

15/04/2017 - Claques Benfica simulam o silvo do Very-light num derby contra o Sporting no Pavilhão da Luz;

22/04/2017 - Assassinato de um adepto do Sporting por um elemento das claques do Benfica;

23/04/2017 - Cântico celebração do assassinato de Rui Mendes no Jamar em 1996, no derby de futebol em Alvalade;

26/08/2017 - Agressões de elementos das claques do Benfica a adeptos do Rio Ave em Vila do Conde. Várias pessoas hospitalizadas;

05/10/2017 - Claques do Benfica lançam tochas, cadeiras e entram em confronto com a polícia num jogo de Futsal em Braga;

22/10/2017 - Claques do Benfica destroem Bar do Estádio do Desportivo das Aves;

05/11/2017 - 500 casuals do Benfica invadem as bancadas afectas aos adeptos do Vitória de Guimarães no D.Afonso Henriques fazendo com que essas pessoas se refugiassem no terreno de jogo;

Como é possível que o Conselho de Disciplina tenha decidido ignorar todos estes casos? É este o regime de impunidade total por parte do Benfica. Como é possível? Eles matam, batem, roubam, mandam adeptos dos clubes rivais para o hospital, entram em confronto com a polícia, invadem bancadas adversárias, causam tumultos que fazem com que os árbitros tenham de interromper as partidas, e celebram um assassinato cometido por um membro das suas claques e nada lhes acontece.

E agora?



No último clássico um adepto do Porto invadiu o terreno de jogo e agrediu Pizzi. Nos regulamentos está prevista esta situação com um ou mais jogos à porta fechada para o clube do adepto prevaricador. Obviamente, se a justiça funcionar o Porto terá de ser castigado. Os factos são evidentes e não é preciso haver grandes investigações. As imagens falam por si e julgo que até os adeptos do Porto concordam com a justiça de uma eventual sanção. 

O problema é o histórico de impunidade do Benfica. Perante todos estes casos ignorados pelo Conselho de Disciplina e relacionados com as claques ilegais do Benfica, como é que os adeptos podem acreditar na justiça e nas instituições desportivas nacionais e aceitarem um castigo dos seus clubes? Quando há uma equipa a quem tudo é permitido, como é que podemos aceitar que outros clubes sejam punidos por comportamentos semelhantes?

Era esta pergunta que os jornalistas da praça deveriam fazer a José Manuel Meirim. Veremos o que o benfiquista e seus pares - alguns dos quais com direito a bilhetes de luxo para assistirem aos jogos do Benfica - decidem. 

E depois ainda querem que as pessoas não se revoltem com a injustiça e a impunidade. 

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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O instituto da vergonha


O jornal Ojogo na sua edição online acaba de anunciar um castigo nunca antes visto em Portugal. Segundo o jornal, "Fernando Madureira, líder da claque SuperDragões, de apoio ao FC Porto, foi castigado com uma multa de 2600 euros e a uma sanção acessória de interdição de acesso a recintos desportivos por um período de seis meses, apurou O JOGO". Em causa está o polémico cantigo alusivo à Chapecoense durante o encontro de andebol entre FC Porto e Benfica, realizado na última temporada, no Dragão Caixa.

O cântico alusivo à Chapecoense



Que fique bem claro que este cântico é vergonhoso e os seus responsáveis devem ser severamente punidos, como aliás se prepara para acontecer, segundo o jornal Ojogo. Ser apenas o líder da claque parece-me muito curto, até porque no vídeo haverá mais gente passível de ser identificada. De qualquer forma, parece-me também lógico que a liderança da claque tenha um castigo superior devido à responsabilidade que têm, mas os castigos não podem ficar pela cúpula da claques. 

E os outros?


Este castigo acaba por ser um escândalo quando analisado à luz do que tem sido o comportamento das claques ilegais do Benfica senão vejamos. O cântico da Chapecoense ocorreu a 12 de Abril deste ano.

Três dias depois dos incidentes no Dragão Caixa as claques do Benfica simularam o som do very-light em partida de Futsal frente ao Sporting no Pavilhão da Luz.


Cinco dias depois do cântico dos Super Dragões sobre o avião da Chapecoense, as claques ilegais do Benfica cantaram isto no Pavilhão da Luz:


Quatro dias depois, a 22 de Abril um elemento dos No Name Boys atropelou mortalmente um adepto do Sporting nas imediações do Estádio da Luz.


Na acusação do MP pode ler-se coisas como estas:

-"O ministério público e a juíza de instrução criminal não têm dúvidas: Luís Pina quis atropelar o italiano Marco Ficcini e outros quatro adeptos Sportinguistas apenas por ódio clubistíco" 
-"Segundo o ministério público, Luís Pina arrastou o corpo de Marco Ficcini por 15 metros, passou por cima e ao sair do carro e verificar que se encontrava um corpo estendido, abandonou o local negando auxilio à vitima."

No dia seguinte ao atropelamento de Marco Ficini, e antes do começo do derby entre o Sporting e o Benfica as claques ilegais do Benfica cantaram isto:


E nem vale a pena recuar mais no comportamento desta gente quando ainda este fim-de-semana voltaram a mostrar os seus créditos em Guimarães e em Braga como já mostrei (aqui). 

Estamos a falar de 4 casos que ocorreram em Abril deste ano:

12 Abril - Cântico Chapecoense
15 Abril - Simulação som very-light no Pavilhão da Luz
17 Abril - Cântico Very-light Pavilhão da Luz
22 Abril - Atropelamento mortal de um adepto do Sporting
23 Abril - Cântico Very-light Estádio de Alvalade

Perante todos estes casos o IPDJ só instaurou um processo, o de Fernando Madureira.

O Estado da vergonha


Mais uma vez reitero a minha concordância com o castigo aplicado a Fernando Madureira, mas esta decisão enquadrada à luz do que têm sido os acontecimentos recentes é uma vergonha. O que o IPDJ está a dizer é que quem é ilegal não leva castigo e que está na legalidade será fortemente punido. 

O IPDJ está a proteger aqueles que estão na ilegalidade e no fundo a incentivar as restantes claques a adoptarem o mesmo comportamento. E recordo que estamos perante um instituto tutelado pelo Estado Português.

Perante isto, Fernando Madureira está a ser fortemente incentivado a tornar os Super Dragões uma claque ilegal. De que lhes serve estarem inscritos e identificados no IPDJ se isso só os prejudica? Se os No Name Boys e Diabos Vermelhos insultam, roubam, agridem e matam sem que nada lhes aconteça, por estarem sob o manto da ilegalidade, porque raio é que as outras claques irão cumprir a lei?

Onde está o Estado? Onde está a Liga? Onde está a FPF do senhor do "basta"? Esta gente anda a brincar com os portugueses. Ainda recentemente o Governo reuniu em Conselho de ministros extraordinário para analisar os casos de violência na noite. Quanto toca ao futebol e particularmente a casos relacionados com o Benfica não há coragem para intervir. Até quando os portugueses aceitarão isto?

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