Tenho ouvido e lido tanto disparate sobre este processo dos Vouchers, que resolvi fazer uma série de posts sobre este assunto. Começo com os acontecimentos das primeiras 24 horas.
05/10/2015 - A denúncia de Bruno de Carvalho
O Presidente do Sporting denunciou o caso no dia 5 de Outubro de 2015 no programa "Prolongamento" da TVI 24.
06/10/2015 - O escudeiro de serviço
As capas dos jornais do dia seguinte deram pouca relevância ao tema pelo adiantado da hora. Mas, durante o dia era preciso haver algum tipo de explicação oficial ou oficiosa, por parte do Benfica.
Eis que surge Rui Pedro Braz a lançar a primeira vaga da propaganda. Obviamente, mentirosa...
A primeira abordagem, passou por trazer para a discussão pública os regulamentos da Uefa. Diz o "expert" que existe "uma recomendação da Uefa com um limite máximo de 200 euros por oferta de cortesia". Ora, aqui está a primeira mentira. O limite máximo recomendado são 200 francos suíços que à conversão da época, seriam os famigerados 183€.
Mas, Rui Pedro Braz vai ainda mais longe na sua verborreia, afirmando que "A Liga Portuguesa assume esses regulamentos como baliza para as ofertas aceitáveis. A Liga entende que este limite estabelecido pela Uefa é um limite correcto e estabelece os 200€ o limite para ofertas de cortesia". Aqui está a segunda mentira. Passo a explicar:,
Segundo "As normas e instruções para árbitros - Futebol de 11", emanadas pelo Conselho de Arbitragem da FPF, no capítulo sobre lembranças e no seu ponto nº5, versa o seguinte:
"Os árbitros podem aceitar recordações sem valor comercial, tais como emblemas, galhardetes, miniaturas da camisola da equipa, medalhas comemorativas ou lembranças regionais, mas somente depois do jogo".
Estas são as regras pelas quais os árbitros se regem. Vejamos agora os regulamentos da competição:
Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra "tacitamente" significa: "algo que não está declarado mas que se subentende". É preciso escrever mais alguma coisa?
Isto só para provar a mentira que a máquina de propaganda lançou desde o primeiro dia. Para que fique claro, este caso sendo julgado pela justiça desportiva portuguesa nunca é decidido com base nas recomendações da UEFA. Tem de ser julgado pelos regulamentos nacionais.
Mas a actuação de Rui Pedro Braz não se fica por aqui. Foi ele a primeira pessoa em Portugal a lançar a atoarda do "preço de custo", como se isso tivesse alguma relevância para o caso. Mesmo sendo uma estupidez pegada, ainda há quem acredito nisso. Vamos lá desmontar:
Segundo Rui Pedro Braz, a caixa Eusébio "tem um preço em loja de 59,90€ e um preço de custo para o Sport Lisboa e Benfica de 24,00€, portanto estamos muito longe do valor limite que a UEFA estipula para estas tais ofertas de cortesia".
Ora, se o que conta é o preço de custo para o Benfica, conforme defende Rui Pedro Braz, abre-se aqui uma verdadeira caixa de pandora no futebol português. É que assim, qualquer pessoa pode dar o que entender ao Benfica para depois ser distribuído pelos árbitros da partida. Como o Benfica recebeu esse bem/serviço a "custo zero", pode dar ao árbitro sem problema. Acho que é uma excelente ideia, mas se calhar dá muito nas vistas. E que tal uma parceria com a Apple cujo preço de produção de um Iphone é bem inferior aos 183€...
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| Link notícia |
Acho engraçado nunca se ter discutido o "preço de custo" do café com leite e da fruta, na altura do apito dourado.
Mas Rui Pedro Braz ainda tinha mais "insides" do Benfica. Segundo o artista, "apenas 7 árbitros em usaram o voucher em 2014/2015."
Mau Maria! Então usaram os vouchers ou não?
Cerca de uma hora depois das declarações de Rui Pedro Braz, surgiu a continuação da propaganda no site do Mais Futebol.
A troika que escreve esta peça jornalista passou 2 mensagens fundamentais:
1) Árbitros cumpriram com os regulamentos.
José Fontelas Gomes, actual Presidente do Conselho de Arbitragem, era na altura líder da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol) veio a terreiro fazer alguns esclarecimentos aos jornalistas do Mais Futebol dizendo: "Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA".
Fontelas Gomes acrescentou ainda e corrigiu a informação dada anteriormente por Rui Pedro Braz: "O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.»
2) O "preço de custo" e o "preço médio"
O Mais Futebol segue a mesma teoria do "preço de custo" lançada por Rui Pedro Braz. "Refira-se que a caixa com a cara de Eusébio, uma camisola retro do Benfica tem um preço de venda ao público, na loja do clube, de 59,90 euros. De acordo com fonte do emblema da Luz, o custo de produção é de 24 euros. "
E os cálculos continuam com base num "preço médio". "Os sites da especialidade indicam que uma refeição no restaurante do Terreiro do Paço custa em média 20 euros por pessoa, o que vai no sentido da informação veiculada pela mesma fonte de encarnados: os interessados estão limitados aos menus existentes, com «preços normais». Os jantares são resultado de uma parceria entre clube e a empresa fornecedora, novamente sem custos para o primeiro."
Ora bem, os sites da especialidade e a fonte do Benfica dizem que se come no Museu da Cerveja por apenas 20€ em média. Desde logo, o preço médio não é sequer relevante quando o voucher não tinha limite de valor.
Vamos dar uma pequena vista de olhos na ementa.
Desde logo, é possível perceber que o prato mais barato custa 17,50€. Logo, restam-nos 2,5€ para beber qualquer coisa. Talvez um copo de água da torneira. Isto para quem tem um coucher na mão que lhe dá direita a consumir o que quiser.
Hum, já estou a ver a dificuldade de escolha entre beber uma quinta bacalhôa ou um copo de água da torneira.
Obviamente, ninguém faz uma refeição neste espaço por 20€/pessoa e nem sequer o preço médio são estes 20€.
Mas então porque raio é que usaram estes 20€ como referência?
O kit com a camisola do Eusébio custa 59,90€. A isto temos que somar 40€ pelas 4 entradas para o Museu do Benfica, de acordo com os preços praticados na época. Para fechar, os 20€/pessoa da refeição.
Ora, isto dá a módica quantia de 179,90€. Mesmo, mesmo, mesmo no limite dos 183€ regulamentares. Incrível não é?
Mas há aqui uma coisa bastante engraçada nesta "peça jornalística", que passo a citar: "Relativamente ao voucher, refira-se, na maior parte das vezes é utilizado por familiares e amigos. Uma coisa que acontece em certas situações é os árbitros de Lisboa pedirem os vouchers aos árbitros do norte, que não têm possibilidade de os utilizar."
Afinal de contas, os árbitros pedem os vouchers ou não pedem? Usam ou não usam?
Fica exemplificada a forma atabalhoada como a imprensa e a comunicação do Benfica tratou do caso nas 24 horas subsequentes.
Mau Maria! Então usaram os vouchers ou não?
A progapaganda continuou no Mais Futebol
Cerca de uma hora depois das declarações de Rui Pedro Braz, surgiu a continuação da propaganda no site do Mais Futebol.
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| Link da notícia |
A troika que escreve esta peça jornalista passou 2 mensagens fundamentais:
1) Árbitros cumpriram com os regulamentos.
José Fontelas Gomes, actual Presidente do Conselho de Arbitragem, era na altura líder da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol) veio a terreiro fazer alguns esclarecimentos aos jornalistas do Mais Futebol dizendo: "Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA".
Fontelas Gomes acrescentou ainda e corrigiu a informação dada anteriormente por Rui Pedro Braz: "O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.»
2) O "preço de custo" e o "preço médio"
O Mais Futebol segue a mesma teoria do "preço de custo" lançada por Rui Pedro Braz. "Refira-se que a caixa com a cara de Eusébio, uma camisola retro do Benfica tem um preço de venda ao público, na loja do clube, de 59,90 euros. De acordo com fonte do emblema da Luz, o custo de produção é de 24 euros. "
E os cálculos continuam com base num "preço médio". "Os sites da especialidade indicam que uma refeição no restaurante do Terreiro do Paço custa em média 20 euros por pessoa, o que vai no sentido da informação veiculada pela mesma fonte de encarnados: os interessados estão limitados aos menus existentes, com «preços normais». Os jantares são resultado de uma parceria entre clube e a empresa fornecedora, novamente sem custos para o primeiro."
Ora bem, os sites da especialidade e a fonte do Benfica dizem que se come no Museu da Cerveja por apenas 20€ em média. Desde logo, o preço médio não é sequer relevante quando o voucher não tinha limite de valor.
Vamos dar uma pequena vista de olhos na ementa.
Desde logo, é possível perceber que o prato mais barato custa 17,50€. Logo, restam-nos 2,5€ para beber qualquer coisa. Talvez um copo de água da torneira. Isto para quem tem um coucher na mão que lhe dá direita a consumir o que quiser.
Hum, já estou a ver a dificuldade de escolha entre beber uma quinta bacalhôa ou um copo de água da torneira.
Obviamente, ninguém faz uma refeição neste espaço por 20€/pessoa e nem sequer o preço médio são estes 20€.
Mas então porque raio é que usaram estes 20€ como referência?
O kit com a camisola do Eusébio custa 59,90€. A isto temos que somar 40€ pelas 4 entradas para o Museu do Benfica, de acordo com os preços praticados na época. Para fechar, os 20€/pessoa da refeição.
Ora, isto dá a módica quantia de 179,90€. Mesmo, mesmo, mesmo no limite dos 183€ regulamentares. Incrível não é?
Mas há aqui uma coisa bastante engraçada nesta "peça jornalística", que passo a citar: "Relativamente ao voucher, refira-se, na maior parte das vezes é utilizado por familiares e amigos. Uma coisa que acontece em certas situações é os árbitros de Lisboa pedirem os vouchers aos árbitros do norte, que não têm possibilidade de os utilizar."
Afinal de contas, os árbitros pedem os vouchers ou não pedem? Usam ou não usam?
Fica exemplificada a forma atabalhoada como a imprensa e a comunicação do Benfica tratou do caso nas 24 horas subsequentes.
João Malheiro confirma
No final dessa noite, João Malheiro confirmou a entrega "daquela caixa aos árbitros, delegados e observador.
Ficam aqui relatadas as primeiras 24 horas após a denuncia de Bruno de Carvalho. Estamos a falar de uma terça-feira, onde na época não existiam programas diários sobre futebol, com excepção do Mais transferências pelas 18:30 na TVI 24 e do programa diário da CMTV, onde João Malheiro confirmou as entrega das prendas.
Só pelos factos aqui apresentados já é possível perceber as incongruências do discurso encarnado. Ainda estou apenas a "aquecer", no que diz respeito a este tema, pelo que nos próximos dias terei mais posts sobre o assunto.
PS1: Podem consultar dois posts sobre este assunto nos links seguintes:
- Análise à decisão da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga (link-cliquem)
- Explicação completa sobre o caso "Vouchers" (link-cliquem)
PS2: Por falta de tempo ainda não apresentei a 3ª parte do post "The rise and fall of Rui Gomes da Silva e os "convertidos" de Vieira". Fica prometido para os próximos dias.
De qualquer forma fica aqui a parte I (cliquem) e a parte II (cliquem)
Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já.
PS2: Por falta de tempo ainda não apresentei a 3ª parte do post "The rise and fall of Rui Gomes da Silva e os "convertidos" de Vieira". Fica prometido para os próximos dias.
De qualquer forma fica aqui a parte I (cliquem) e a parte II (cliquem)



