Foi ontem oficializada a venda de Cristino Piccini ao Valência por 8 milhões de euros, ficando o Sporting com 10% de uma futura venda. Mediante a sua valia e potencial de crescimento considero que o negócio poderia ter sido bastante melhor para o Sporting, mas o que faz escrever este post não é o negócio mas sim a forma como o italiano se despediu do Sporting e dos Sportinguistas.
Ode à família
Aqui fica a mensagem de despedida traduzida:
"Antes de mais gostaria de agradecer ao Sporting Clube de Portugal. Nunca me vou esquecer e nunca deixarei de apoiar este clube, apesar de tudo o que aconteceu no dia 15 de maio na Academia.
Quando não tinha mais sentido, eu sempre tive claro na minha cabeça que queria sair pela porta grande e não podia falhar com um clube que me deu a oportunidade de crescer, que me deu a oportunidade de jogar a Liga dos Campeões, que viu minha filha nascer dando-me as melhores condições. Não poderia falhar para com 3 milhões e meio de adeptos, pelo erro de 40-50 pessoas que actuaram como autênticos criminosos, tentando matar o sentimento de todos os Sportinguistas.
Eu não podia falhar para com as pessoas que sofreram e choraram com e por nós depois deste acontecimento. Na minha vida aprendi a ser grato e a ser agradecer por tudo o que acontece e por isso o pensamento de abandonar o clube nunca me passou pela cabeça.
Eu, como homem e pessoa, sou eternamente grato ao Sporting Clube de Portugal É também graças a ao Sporting que hoje concretizo o sonho de ser jogador do Valência. Algo que me enche de orgulho, quando olho para a carreira que tenho feito no futebol e vejo todo o percurso feito, das séries C, B, A, 2A, Liga, Liga NOS, e agora chegar ao Valência, um dos maiores clubes da Espanha, a melhor liga do mundo.
Não é fácil começar tão baixo e chegar a este ponto, é preciso muito trabalho, muitos sacrifícios e acreditar, sempre acreditar, mesmo quando ninguém acredita em ti. Não importa, se acreditas em ti chegarás onde te propões. Obrigado Valência e vou tentar dar o meu melhor na defesa deste escudo."
Para fechar
Quando Piccini chegou ao Sporting foi apelidado de coxo por grande parte da imprensa e por alguns Sportinguistas que se deixaram influenciar por isso. O jogador transformou as críticas em força para fazer uma época excepcional, tornando-se num titular indiscutível, com 40 jogos de leão rampante ao peito.
Ao longo de toda a época mostrou sempre ser um profissional de excelência, sacrificando-se pela equipa em vários jogos em que jogou debilitado. Na memória ficará a triste exibição do Sporting na última jornada da Liga na Madeira, onde deu o que tinha e o que não tinha pelo clube, jogado em claras debilidades físicas perante a patética insistência de Jorge Jesus em o manter em campo.
Com apenas um ano de casa conseguiu o que outros que passaram décadas em Alvalade não conseguiram: sai do Sporting pela porta grande com o agradecimento, respeito e carinho de todos os Sportinguistas. Teria sido para ele muito fácil rescindir contrato como outros fizeram, até porque não faltaram clubes interessados no seu concurso. Não deixa de ser sintomático que enquanto Piccini estiver a jogar a Champions os seus antigos capitães estejam a jogar para não descerem de divisão.
Obrigado, Piccini!
Podem seguir o blog nas redes sociais nos links seguintes:

