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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Uma Cândida donzela


A procuradoria geral da República anunciou ao final da manhã a abertura de inquéritos à procuradora titular do processo da invasão à academia do Sporting, assim como à divulgação de áudios de interrogatórios a arguidos. 

A imprensa diz que este inquérito disciplinar prende-se com o tom utilizado pela magistrada Cândida Vilar no interrogatório realizado no âmbito das agressões na academia.

O vídeo



Confesso a minha perplexidade pela forma como a procuradora do ministério público tratou este arguido em sede de interrogatório judicial. Se é desta forma que estas diligências são conduzidas por altos magistrados do MP, eu imagino o que acontecerá em esferas inferiores. E digo isto, não me referido em especifico para este caso, mas para todos, independentemente do tipo de crime ou de dano.

Cândida Vilar abusou do seu poder perante alguém que está preso, logo, numa situação de fraqueza perante a senhora procuradora. Gritou com o arguido, impediu-o por diversas vezes de se defender através da resposta às questões, chegando ao ponto de dizer "o senhor não é nada", concluindo posteriormente com um "no desporto". Uma conclusão forçada, porque basta ouvirmos este pequeno excerto para percebermos exactamente aquilo que a senhora pensa sobre o arguido. A sensação que dá é que a magistrada queria colocar na boca de Fernando Mendes, precisamente aquilo que queria ouvir. No caso do interrogatório de Nuno Torres, chega mesmo a ameaça-lo com o seu passado.

Causa-me estranheza a necessidade de defesa dos jogadores como sendo uns coitadinhos. Toda a gente sabe que foram eles as vítimas e que este episódio nunca deveria ter acontecido. Não vejo por isso qual a necessidade de todo o enxovalho quando o arguido Nuno Torres diz que deu cabo da sua vida por esta situação. Os termos a que se referiu à vida de Rui Patricio, mas sobretudo a ameaça relativa ao passado do arguido é um enxovalho que tem tanto de odioso como de irrelevante para o caso.

A forma como esta diligência foi conduzida diz muito sobre a postura profissional da senhora, mas diz ainda mais daquilo que é enquanto pessoa. Resta-nos esperar que a PGR faça o seu trabalho e analise se esta é a forma correcta de uma procuradora do MP lidar com os arguidos.

Para fechar, deixo a perguntar que se impõe: Será que a senhora procuradora faz este tipo de interrogatório quando tem pela frente pesos pesados? Era isso é que eu gostava de ouvir, para verificar se o abuso de força é só usado contra os fracos. 

PS: Na foto introdutória deste post é possível vermos a senhora procuradora em amena cavaqueira com Henrique Machado - famoso jornalista Benfiquista do CM - e Rui Pereira, seu amigo pessoal, mandatário da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica.

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