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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Toda a Verdade sobre as Finanças do Sporting


Neste post quero deixar um esclarecimento sobre a real situação financeira do Sporting para que de uma vez por todos as pessoas tenham uma noção do que tem sido feito em termos económico-financeiros nos últimos anos.

A explicação será simplificada ao máximo e darei exemplos do dia-a-dia para que mesmo as pessoas menos conhecedoras destas realidades consigam perceber.   

Conceitos base


A ideia fundamental para uma boa gestão passa sempre por termos mais receitas do que despesas. Se não gastarmos mais do que o que recebemos estamos no caminho certo. Isto acontece na economia familiar como empresarial. Este é o conceito fundamental que devemos ter sempre na nossa mente. 

Vamos ao exemplo prático que nos acompanhará ao longo de todo o post: Apresento-vos a família Silva. Os "Silva" têm dois filhos. Os pais trabalham e têm um vencimento de 1000€/cada. O filho mais velho tem um part-time onde ganha 500€ e o mais novo tem uma mesada de 100€ dada pelos pais. 

Activo e Passivo

A família Silva comprou uma casa por 100 Mil Euros. É esse o seu principal activo. Do lado do passivo está o crédito bancário usado para comprar a casa. Os vencimentos conseguidos ao longo do período também fazem parte do activo, assim como as despesas fazem parte do passivo. No fundo, os activo são as coisas "boas" e o passivo as coisa "más".

No caso da Sporting SAD há algo que afecta e muito o seu activo. Todos os jogadores que saem da academia valem zero no activo. Esta é uma enorme limitação contabilística e que prejudica gravemente clubes formadores como o Sporting.

Usando o nosso exemplo, a família Silva tem um quintal onde "produz" frutas e legumes. Esses valores não são considerados activos. Por outro lado, se forem ao supermercado e comprarem frutas e legumes, esses valores entram no activo da família.

Relatórios e contas

Os relatórios e contas de empresas "normais" têm periodicidade anual e o período de análise é o ano civil. No caso das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) cotadas em bolsa, a periodicidade de apresentação foi trimestral até ao final do exercício 2015/2016. No final dessa época, deixou de ser obrigatória a publicação de relatórios com base trimestral.

Nas SAD, é usado o ano desportivo para análise. Em termos de trimestre eram estes os períodos usados:

ReC do 1º Trimestre - De Julho a Setembro
ReC do 1º Semestre - De Julho a Dezembro
ReC do 3º Trimestre - De Julho a Março
ReC Anual - Julho a Junho

Dos clubes portugueses, o Sporting é o único que continua a publicar relatórios e contas com base trimestral, continuando a sua política de total transparência. A Sporting SAD já apresentou o ReC do 1º trimestre de 2016/2017, enquanto que Benfica e Porto não o fizeram. O último ReC publicado por estes dois clubes foi o anual da época desportiva 2015/2016.

No caso das contas do clube, ou as contas consolidadas de todo o grupo, a base de análise é o ano desportivo e não há relatórios trimestrais. Sai apenas um relatório por ano que engloba o ano desportivo que inicia a Julho e termina em Junho. 

No nosso exemplo, podemos apresentar o ReC do filho mais velho, o ReC dos pais ou até o ReC do filho mais novo. Nos clubes de futebol é preciso percebermos que tal como numa família existem vários membros. No caso do Sporting, há duas entidades principais: A Sporting SAD, que gere tudo o que está ligado com o Futebol e o Sporting (Clube) que gere todas as outras modalidades. 

Dentro destas duas entidades existem outras empresas associadas e cujos resultados influem nas prestações de contas. Mas já lá vou.

Resultado Líquido do Exercício

Resumidamente, o RLE dá-nos a diferença entre as receitas e as despesas num determinado período. No fundo é a resposta ao conceito inicial que aqui coloquei. Será que estamos a gastar mais do que o que recebemos?

Assumindo que o período é um mês: A família Silva tem receitas de 2500€ mensais em salários. Gasta 1000€ para a prestação da casa e derivados; 1000€ para alimentação e os tais 100€ de mesada ao filho mais novo. Contas feitas, sobram 400€. É este o Resultado líquido do exercício. 

Consolidação de contas

Muito se fala de contas consolidadas neste país, mas poucos são aqueles que percebem o seu significado. No caso das contas das SAD dos 3 grandes, todas são consolidadas. Isto quer dizer que outras empresas cuja SAD detém percentagem societária são consideradas na análise. 

Recorrendo ao nosso exemplo, imaginemos que a SAD é composta pelo casal Silva do nosso exemplo. A Sra Silva emprestou hoje ao marido 100€, mas o Sr.Silva tinha emprestado 100€ na semana passada à sua esposa. Ora, se analisarmos as contas individualmente a Sra Silva tem 100€ de dívidas e o Sr. Silva tem 100€ de dívidas. Consolidar contas não é somar passivos e activos. Este casal não deve 200€, está com contas saldadas. Isto quer dizer que não devem nada a nenhuma entidade externa.

Existem então as contas consolidadas da SAD, as contas consolidadas do Clube e as contas consolidadas do Universo Sporting. Estás últimas englobam tudo o que está relacionado com o clube e são as mais importantes para que os sócios conheçam a realidade global do clube. É a mesma coisa com o nosso exemplo familiar. O mais importante é termos acesso às contas consolidadas dos 4 elementos da família Silva para não existirem dúvidas.

Mas vamos lá a contas, começando pelas contas do clube. O Sporting (clube) é a sociedade que gere as modalidades do clube com excepção do futebol que está na SAD.

As contas do Sporting Clube de Portugal


As contas do clube começaram a ser publicadas no site do clube para acesso livre depois da entrada da direcção de Bruno de Carvalho. Até essa data só os sócios que comparecessem nas Assembleias Gerais do clube ou que pedissem essa informação juntos dos serviços é que conseguiam ter acesso a esta informação. Realço que quer Benfica, quer Porto não publicam as contas do clube no seu site.

Aqui fica um gráfico com os resultados líquidos das últimas 5 épocas. 

Cliquem na imagem para aumentar

No gráfico anterior temos os Resultado Líquidos das últimas 5 temporadas que como vimos anteriormente é o que nos permite perceber se estamos a gerir bem os nossos recursos. Vejamos agora a tabela com números claros.


Como podem verificar, nas duas épocas que Godinho Lopes esteve à frente do Sporting, o clube deu prejuízo. Godinho Lopes que foi também capaz de aumentar o passivo e diminuir o activo. Já Bruno de Carvalho conseguiu o enorme feito de colocar o clube a dar lucros consecutivos. O Passivo aumentou em cerca de 4 Milhões de Euros, mas o activo subiu uns impressionantes 19 Milhões de Euros. Sobre o exercício em curso só serão divulgados os resultados mais para o final do ano civil. De qualquer forma, o orçamento apresentado em AG no mês de Abril aponta para que o clube dê novamente lucros.

Para além dos lucros consecutivos, a direcção de Bruno de Carvalho conseguiu aumentar o património do clube ao construir um pavilhão para as suas modalidades. E não foi um pavilhão qualquer, uma vez que estamos a falar no maior e melhor pavilhão de clubes em Portugal. Importa também referir que o Sporting não aumentava o seu património há décadas.


Aqui fica um bom resumo dos dois últimos mandatos no clube. Godinho deixou 6M de prejuízos e Bruno de Carvalho, para além dos 12M de lucros ainda deixou um pavilhão construído e pago.

As contas da Sporting SAD


Vejamos agora as contas da Sporting SAD, que é a entidade que gere o futebol do Sporting. Começo por analisar os Resultados líquidos da SAD por época desde a constituição da SAD até hoje.

Cliquem para aumentar
Importa salientar que o resultado de 2016/2017 é relativo ao 1º trimestre de 2016/2017, que são os últimos dados conhecidos. Esse valor será usado no quadro seguinte.


Em 2010/2011 e 2012/2013 José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes interromperam os seus mandatos no mês de Março, pelo que não me parece justo considerar os novos presidentes eleitos nesse mês como responsáveis pelos resultados financeiros da época quando não tiveram qualquer interferência na gestão das épocas.

O melhor resultado líquido do exercício ocorreu na época de 2004/2005 na Presidência de Dias da Cunha. Resultado esse que foi conseguido através da venda do centro Comercial Alvaláxia, do Edifício Visconde de Alvalade, do Holmes Place e da clínica CUF. Esta foi a segunda fase da delapidação do património não desportivo do Sporting CP. Um momento absolutamente trágico para o clube e que infelizmente muitos Sportinguistas não têm conhecimento.

Lembram-se do nosso conceito base de gastar menos do que o que se recebe? Em 19 época de SAD, só por 7 ocasiões a SAD gastou menos do que o que recebeu. Dessas 7 ocasiões, 3 foram com Bruno de Carvalho, e aqui já estou a incluir o resultado da época em curso. Os cerca de 63 Milhões de lucro do apresentados no 1º trimestre desta época, será obviamente mais baixo no relatório anual, mas não há dúvida absolutamente nenhuma que a época vai terminar com os maiores lucros de sempre (se retirarmos a tal época da venda do património não-desportivo).



Voltando ao nosso conceito base de gastar menos do que o que se recebe podemos verificar algumas coisas "engraçadas".

- Godinho Lopes deixou um buraco na SAD de cerca de 90 Milhões de Euros em apenas duas épocas. No clube, como vimos anteriormente foram mais 6 Milhões em prejuízos. Tudo somado, Godinho Lopes deixou um buraco no Sporting de cerca de 96 Milhões de Euros. E não estão aqui incluídas outras empresas do grupo Sporting. Mais em baixo está o real buraco que Godinho Lopes deixou no Sporting.

- José Eduardo Bettencourt deixou um buraco na SAD de 70 Milhões de Euros. Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa.

- Dias da Cunha deixou um buraco de cerca de 26 Milhões de Euros na SAD e vendeu tudo o que restava do património não desportivo do clube (Centro comercial Alvaláxia, Clínica CUF, Holmes Place e edifício Visconde de Alvalade). Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa. 

- José Roquette deixou um buraco de cerca de 14 Milhões de Euros na SAD e vendeu ao desbarato os terrenos do antigo estádio à empresa MDC Multi Development. A tal empresa cujos filhos do dono (Sr. Van Veggel) são afilhados de Godinho Lopes, que por esta altura era vice-presidente com o pelouro do património. Diogo Gaspar Ferreira, que na altura da venda dos terrenos era director geral do Sporting passou após a venda a ser funcionário dessa empresa. Neste negócio o Sporting vendeu os terrenos a um preço inferior em 40% ao valor de mercado, tendo o clube sido lesado em mais de 40 Milhões de Euros. Para que não restem dúvidas, o Sporting vendeu o terreno por 467,90€ /metro quadrado. Mais tarde, o tribunal arbitral avaliou o metro quadrado em 800€ que foi o que a CM de Lisboa pagou ao Sporting por uma parcela de terreno. Sobre este caso fica apenas um pequeno resumo. No futuro farei um post mais completo sobre este assunto.

- Filipe Soares Franco foi o primeiro presidente a deixar a SAD com lucros. Perto de 3 Milhões de Euros. Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa. 

- Bruno de Carvalho está com perto de 51 Milhões de Euros de lucros acumulados na SAD. No clube já vimos que conseguiu sempre lucros em todos os períodos, num valor acumulado que passa os 12 Milhões de Euros. Tudo somado, Bruno de Carvalho acaba o mandato com 62 Milhões de Euros em lucros acumulados na SAD e no clube. 

Contas consolidadas de todo o grupo Sporting


Passo agora para as contas consolidadas de todo o grupo Sporting. Nestas contas estão incluídas todas as empresas do Sporting.


Importa referir que o Sporting é o único clube grande que publica no seu site as contas consolidadas de todo o grupo. É também importante referir que estas contas consolidadas são sempre publicadas no início do mês de Janeiro e referem-se à época anterior. Ou seja, em Janeiro de 2018 será publicado o ReC consolidado do exercício de 2016/2017, pelo que ainda não estão aqui englobados esses valores.

Como podem verificar, Godinho Lopes deixou um buraco total de 111 Milhões de Euros. Isto em apenas duas épocas desportivas (2011/2012 e 2012/2013).

Para a contabilização de Bruno de Carvalho estar fechada é preciso esperar pelos resultados de 2016/2017. Neste momento está com cerca de 15 Milhões negativos em termos consolidados, mas é só uma questão de tempo para que os números de 2016/2017 limpem este registo negativo e o coloquem no melhor mandato de sempre em termos financeiros.

De qualquer forma, a informação disponibilizada até 2015/2016 permite-nos perceber que o Passivo total consolidado do grupo Sporting baixou dos 442,7 Milhões - último ano de Godinho Lopes - para os 355 Milhões no final da época passada. Estamos a falar de um decréscimo do Passivo de cerca de 88 Milhões de Euros, conseguido por esta direcção. E ainda baixará mais quando saírem os resultados consolidados da época em curso.

Esta diminuição do Passivo deve-se em grande medida à reestruturação financeira levada a cabo por esta direcção e que demorou cerca de um ano a concluir. Algo que já abordei de forma exaustiva (aqui).

Ó mister e as VMOC?


Já tenho falado várias vezes sobre as VMOC, mas deixo mais uma vez um breve resumo para ficar tudo compilado no mesmo post. Podem consultar uma explicação mais detalhada (aqui).

Mais uma vez, importa dizer que as VMOC não são passivo. O Sporting tem opção de compra de 44 Milhões de acções até 2026 que lhe permitem manter a maioria do capital social da SAD. Estes 44 Milhões de acções têm um valor máximo de 1€/acção mas podem ser adquiridas por muito menos. O valor que será pago pelo Sporting é definido através de uma formula que tem por base a cotação média das acções da Sporting SAD ao longo dos últimos 6 meses, à data de compra.

Fazendo aqui um breve exercício e tendo em conta que as acções do Sporting nos últimos 6 meses tiveram um valor médio a rondar os 60 cêntimos/acção.

Preço que o Sporting paga = 0,6€ x 1,2 x 44 M = 31,6 Milhões de Euros

Ou seja, isto quer dizer que se o Sporting adquirisse neste momento os 44 Milhões de acções "só" pagaria 31,6 Milhões de Euros.

Mas o mais importante no meio de tudo isto é que no acordo de reestruturação financeira com a banca, está previsto que uma percentagem das vendas de atletas fique colocada numa conta de reservas para fazer face a compromissos assumidos com a banca, entre os quais as VMOC. Para se ter uma ideia, essa conta de reservas tinha cerca de 3 Milhões de Euros no final da época 2015/2016 e só nas vendas de João Mário e Slimani efectuadas durante este exercício estão mais 16 Milhões de Euros.

Resumindo



Trabalho absolutamente fantástico e que supera todas as expectativas dos sócios para este mandato. Eu não me esqueço que quando esta equipa dirigente entrou no Sporting, o Sr. Nobre Guedes - formado em Engenharia Química - e o seu "amigo" Paulo Farinha Alves - Especialista em insolvências - e agora comentador da SIC Notícias, tinham deixado um PER em cima da mesa.

Hoje, o Sporting é dono do seu destino. O clube ainda está sob o compromisso da reestruturação financeira, mas está cada vez mais próximo de resolver os problemas herdados por direcções absolutamente incompetentes. E designá-las por incompetentes é quase um elogio.

Qualquer dúvida coloquem nos comentários. É importante que todos os Sportinguistas tenham acesso a esta informação para não caírem na ladainha dos rivais. Por isso, todas as partilhas nas redes sociais são úteis para passar esta mensagem.

Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já. 

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Reestruturação Financeira e as VMOC


Na sequência do post anterior sobre o aumento de capital, aqui fica um post sobre tudo o que os Sportinguistas precisam de saber sobre as VMOC, de acordo com o plano de reestruturação financeira. 

Para uma melhor compreensão deste post, sugiro a leitura do post sobre o "Aumento de Capital". (cliquem aqui)

VMOC?


Começo por explicar o que são as "VMOC", para que mesmo os leitores menos identificados com economia e finanças possam entender do que se trata. Vejamos:

A sigla VMOC significa "Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis". Na pratica, as "VMOC" são obrigações que rendem um determinado juro anual e que no final do prazo são convertidas em capital da sociedade.

Quando é que as VMOC entraram no Sporting?


Em 2011, na presidência de José Eduardo Bettencourt, o Sporting realizou a segunda "reestruturação financeira" da sua sociedade. A "operação harmónio", como ficou conhecida entre os Sportinguistas. Na altura, o plano visava a saída da "falência técnica". A SAD estava com capitais próprios negativos de 42,442 milhões de euros.

Esta reestruturação financeira teve dois momentos: Primeiro, com descida do capital social de 42 milhões para 21 milhões de euros, por redução do valor das acções de 2 para 1 euro. Depois, foi feita a emissão de 18 milhões de acções e consequente aumento do capital para 39 milhões de euros.

Para além destas duas "movimentações", a Sporting SAD lançou 55 Milhões de VMOC para o mercado. É importante esclarecer que qualquer pessoa poderia subscrever estes 55 Milhões de VMOC a uma taxa de juro anual de 3%. Na altura, a Sporting SAD não fez nenhum esforço no sentido de os particulares comprarem estas VMOC, pelo que nem sequer publicitou esta operação.

Ora bem, dos 55 Milhões em VMOC os particulares subscreveram 166.095,00 €, ficando o Millenium BCP e o Banco Espírito Santos com o restante (27.416.953,00 € cada um). A oferta pública de 18 milhões de acções registou sobras de 3,47 milhões de títulos que tiveram de ser absorvidos pelo Sporting CP nos termos do compromisso assumido com a banca.

Importa salientar que o Sporting ficou com opção de compra da totalidade destas VMOC, com vencimento em Janeiro de 2016 (5 anos depois).

O Godinho resolveu isso, de certeza absoluta!!! Ou então, não!?


Importa dizer que a emissão dos 55 Milhões de VMOC foi concretizada a 14 de Janeiro de 2011. No dia seguinte, José Eduardo Bettencourt pediu a demissão de Presidência do Sporting.



Curioso que Bettencourt tenha pedido a demissão precisamente no dia seguinte à subscrição das VMOC. O Sporting ficou aqui com um enorme problema entre mãos, que passava pela obrigatoriedade de ter de pagar 55 Milhões ao fim de 5 anos. Isto se quisesse manter o controlo da SAD.

Em Março desse ano, Godinho Lopes chegou à presidência do Sporting através de uma golpada eleitoral. A nova direcção sabia perfeitamente que teria de levar a cabo uma gestão financeira muito rigorosa, para conseguir preparar o clube para pagar os 55 Milhões de VMOC deixadas por José Eduardo Bettencourt. Foi isso que foi prometido aos sócios.

Das promessas à realidade, Godinho Lopes deixou um buraco no Sporting de cerca de 90 Milhões de euros. Se à partida o Sporting precisava dos 55 Milhões para liquidar as VMOC, ficou ainda com um problema adicional: Mais 90 Milhões "para o prego". E isto para não falar no passivo galopante da SAD e das contas do clube.

Em Março de 2013 chegou a hora de Bruno de Carvalho. Estamos todos lembrados das duras negociações com a banca no início do mandato. Hoje, parece que as pessoas se esqueceram que o clube tinha um PER em cima da mesa e que a ameaça à sobrevivência do clube foi bem real. Felizmente, Bruno de Carvalho conseguiu fazer um acordo de reestruturação financeira que apesar de ser muito duro e de ter fortes limitações, deu ao clube a possibilidade de ser dono do seu destino.

O que estava planeado na Reestruturação financeira para as VMOC?


Para além de um conjunto de medidas que tenho vindo a falar ao longo do tempo, o plano de reestruturação contratualizou a questão das VMOC de forma clara. Vejamos:



Como podem ver neste print retirado do acordo de reestruturação financeira, disponibilizado pelo Footballeaks, existem 3 tipos de VMOC: A, B e C. Começo por explicar individualmente.

VMOC A - São as VMOC emitidas por José Eduardo Bettencourt em 2011. Tinham vencimento em 2016. As tais que temos vindo a falar até agora.

VMOC B - São as VMOC negociadas com a banca por Bruno de Carvalho no valor de 80 Milhões (2015-2025). Como vimos, Godinho Lopes deixou um buraco de 90 Milhões de Euros, por isso foi preciso emitir estas VMOC B a 10 anos, para que o Sporting tivesse condições de no espaço de uma década equilibrar as suas contas e encontrar meios de liquidar este montante.

VMOC C - São VMOC a contrair para liquidar as VMOC A. Passo a explicar de seguida.

VMOC C para liquidar VMOC A? 


Obviamente, quando Bruno de Carvalho entrou no Sporting e face às enormes dificuldades financeiras da SAD, não haveria condições para que em apenas duas épocas esta direcção arranjasse 55 Milhões de Euros para liquidar as VMOC A. Por isso, em sede de reestruturação financeira ficou definida a criação de umas VMOC C para liquidar as VMOC A "na data de vencimento daqueles valores mobiliários" como está no print anterior, ou seja em Janeiro de 2016.

Informação essa que foi sempre do conhecimento de todos, como podem verificar nas propostas apresentadas pelo conselho directivo antes e durante a Assembleia Geral de 30 de Junho de 2013 no Pavilhão da Ajuda, onde os sócios deliberaram sobre o plano de "reestruturação financeira". Aqui está o print:


Desde esse dia, a Sporting SAD está mandatada pelos sócios para emitir 55 Milhões de VMOC. As tais VMOC C. Como podem verificar neste print, o Sporting não tem o direito de compra destas VMOC C, uma vez que servem para "anular" as primeiras VMOC A. Era isto que estava planeado.


Simulação do plano da reestruturação financeira




- À esquerda está a actual estrutura accionista onde o Sporting detém cerca de 64%.

- No meio, está feita a simulação para a entrada dos investidores no montante de 18 M como vimos no post sobre o aumento de capital. Mesmo assim o Sporting mantém a maioria da SAD.

- No quadro mais à direita está a conversão das VMOC A em capital da SAD. Ou seja, o Sporting emitiria as VMOC C no valor de 55 M para pagar as VMOC A no mesmo valor. Nessa altura manteria na mesma a maioria do capital da SAD com cerca de 70% e ficaria com duas emissões e VMOC pendentes: VMOC B de 80M + VMOC C de 55M.

Então mas o Sporting não renovou as VMOC A?


Em Janeiro de 2016 e em Assembleia Geral de Titulares de VMOC, foi deliberada a substituição da data única de conversão obrigatória de VMOC de 17 de Janeiro de 2016 para 26 de Dezembro de 2026, conforme podem verificar em baixo.



Os detentores de VMOC ficaram ainda com a possibilidade de entre o dia 11 e 15 de Janeiro de 2016 de exercerem a conversão das VMOC em capital da SAD caso assim o entendessem. Tal e qual o que foi afirmado por Bruno de Carvalho à saída da reunião. 


Resumindo:

Em termos técnicos, o Sporting acabou por não renovar estas VMOC A, mas sim adiantar o prazo de conversão em cerca de 10 anos. Se bem se recordam, esta foi mais uma negociação complicada para o Sporting, na linha do que aconteceu com a reestruturação financeira.

Na pratica, este adiamento destas VMOC A permitiu ao Sporting não ter que emitir as tais VMOC C para liquidar as VMOC A. Uma jogada brilhante desta direcção que dá ainda mais margem de manobra para que o Sporting consiga liquidar todas as suas obrigações futuras.

E as VMOC B dos 80 Milhões?


A emissão destes 80 Milhões de VMOC em 2015 estava já prevista na reestruturação financeira aprovada em 2013. Deste montante, importa salientar que o Sporting só ficou com opção de compra de compra de 44 Milhões do valor nominal das acções.


Trocando por miúdos, isto quer dizer que destes 80 Milhões de VMOC B o Sporting só tem o direito de opção de 44 Milhões, ficando os restantes 36 Milhões nas mãos dos bancos e dos pequenos investidores, que podem gerir como bem entenderem. Tanto podem ficar accionistas da SAD como podem vender as acções no mercado. Se o Sporting tiver interesse nas acções pode fazer uma proposta, mas nunca haverá a obrigatoriedade de venda ao Sporting desses 36 Milhões.

E quanto é que vai custar a compra dos 44 Milhões de acções ao Sporting ?


Esta é uma das perguntas mais relevantes sobre este assunto. No acordo de reestruturação financeira divulgado pelo Footballeaks, existe uma formula de calculo previamente acordada para definir o preço de opção de compra das VMOC por parte do Sporting.


Fazendo aqui um breve exercício e tendo em conta que as acções do Sporting nos últimos 6 meses terão um valor médio a rondar os 60 cêntimos/acção.

Preço que o Sporting paga = 0,6€ x 1,2 x 44 M = 31,6 Milhões de Euros

Ou seja, isto quer dizer que se o Sporting adquirisse neste momento os 44 Milhões de acções "só" pagaria 31,6 Milhões de Euros.

Importa salientar mais dois pontos importantes:

A) - O Sporting nunca poderá pagar mais do que os 44 Milhões. É este o limite máximo.

B) - Em contas redondas, se o preço médio das acções nos últimos 6 meses for inferior a 0,83€ o Sporting "ganha" dinheiro ao comprar as VMOC. 

As contas ao dia de hoje


Hoje, o Sporting tem 135 Milhões de Euros em VMOC. Os 55 Milhões das VMOC A e os 80 Milhões das VMOC B. A qualquer momento pode emitir mais 55 Milhões de VMOC C para liquidar as VMOC A, como já vimos.

Destes 135 Milhões de VMOC, o Sporting tem opção de compra de 99 Milhões. Apenas 36 Milhões não têm opção de compra por parte do Sporting.

Vou agora fazer uma série de simulações para que percebam tudo:

Estrutura accionista actual


Sporting tem a maioria do capital da SAD com cerca de 64%. Em VMOC 135M= 55M de VMOC A + 80 VMOC B.

Simulação estrutura accionista após entrada dos investidores


Após a entrada dos 18 Milhões dos investidores, o Sporting mantém a maioria do capital com 50,38%. Em VMOC mantém-se os 135M = = 55M de VMOC A + 80 VMOC B

A emissão das VMOC C


Emitindo as VMOC C, a SAD liquidará as VMOC A. Terá ainda de comprar os 44 Milhões de acções das VMOC B.


Resumindo:

- Sporting emite as VMOC C e liquida as VMOC A. Esses 55 M das VMOC A são convertidos em capital leonino. O Sporting não tem opção de compra das VMOC C, pelo que a banca ficará com elas.
- O Sporting tem opção de compra de 44 M das VMOC B. Vai adquiri-las e mantém o controlo maioritário da SAD. Como vimos anteriormente, e se fosse à data de hoje poderia compra-las por cerca de 31,6 Milhões de euros.

Resumo do resumo:

Sporting nunca gastará mais de 44 Milhões de Euros em 2026 para manter o controlo da sua SAD. Dos 135 Milhões de VMOC a banca ficará com 91 Milhões.

Ó mister, mas o Sporting não está já a pagar à banca com as retenções das transferências?


A polémica em torno do valor retido nas transferências de Slimani e João Mario foi tanta, que as pessoas se esqueceram do essencial. Esse dinheiro serve para pagar à banca. Não é para "deitar ao lixo".

Os montantes retidos são num primeiro momento libertados para pagamento das obrigações correntes com a banca no final no exercício económico em curso. Se esses montantes estiverem liquidados, o tal "valor retido" fica na rubrica "Depósitos bancários à ordem - restritos".


Como podem verificar, no final do exercício 2015/2016, o Sporting tinha cerca de 3 Milhões de Euros acumulados para fazer face a obrigações futuras com a banca, entre as quais a liquidação das VMOC com opção de compra.

Resumindo



Aqui fica o quadro publicado pelo Sporting no seu site, com a diversas alterações na estrutura accionista que foram delineadas em sede de reestruturação financeira.

Julgo que a "questão VMOC" fica aqui bem explicada. Em 2026, o Sporting terá de pagar um valor máximo de 44 Milhões de Euros, que como vimos pode ser inferior mediante a questão do preço médio dos últimos 6 meses. Para além disso, importa salientar que nas vendas de jogadores estão a ser retiradas percentagens importantes como "poupança" para pagar à banca. Só na venda de Slimani e João Mário foram cerca de 16 Milhões.

Em termos financeiros o Sporting encontra-se numa situação estável. Até ao final deste mês a SAD deverá apresentar os resultados do 1º trimestre de 2016/2017, que serão muito bons, uma vez que serão reflectidos os montantes das vendas do verão passado.

A CMVM deixou cair a obrigatoriedade de apresentação de relatórios trimestrais, ficando os clubes obrigados apenas à apresentação do relatório anual. O Sporting já anunciou que continuará com a sua política de transparência, publicando todos os relatórios trimestrais. Todas as informações deste post foram publicadas pelo Sporting com excepção do acordo de reestruturação financeira que foi publicado pelo Footballeaks.

Qualquer tipo de dúvida, deixem nos comentários em baixo. Mediante o meu conhecimento tentarei responder.

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Os patetas e as petições contra o Sporting



Um grupo de 4.162 patetas, liderado por um tal de Frederico Calado Correia decidiu lançar uma petição "Contra o prolongamento do vencimento das Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) do Sporting". Esta petição deu entrada na Assembleia da República a 14 de Janeiro de 2016 e será analisada no parlamento na próxima sessão legislativa.

Continuamos sem o assento de nascimento do Batman da Musgueira, mas temos a foto exclusiva do parto da petição.


Estes patetas alegam que:


Os patetas querem "tratamento equitativo a todas as instituições". Só alguém sem nenhum tipo de noção do que é a vida social e económica pode dizer uma patetice destas. O que seria um tratamento equitativo? Taxa única para toda a gente?


Os contribuintes a pagar? Mas os contribuintes vão pagar o quê? Os bancos prolongaram as VMOC do Sporting e receberão juros desse prolongamento. Ou seja, os bancos não vão gastar um único cêntimo. 


Já aqui falei sobre tudo isto ao pormenor, por isso, volto a colocar o link onde tudo está devidamente esclarecido.

CLIQUEM


Mas cliquem mesmo!!!

Obviamente, isto não dá em nada, tirando meia dúzia de gargalhadas. Mais um dia de regabofe no parlamento, com tanta coisa importante para se discutir.

De qualquer forma, a intenção desta petição ficou clara desde o primeiro momento:



Sobre o pateta peticionário nº1, aqui fica um bom resumo:



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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Estado Lampiânico - VMOC´S, Concorrência desleal, perdão bancário, beneficios do Estado e outras lampionices...




Nos últimos tempos, o Estado Lampiânico anda completamente atrofiado e tem lançado vários soudbytes, ou meras lampionices como gosto de designar, para atacar o Sporting. Estas lampionices visam atirar poeira para a gestão do Sporting, enquanto tentam tapar as notícias que vão saído sobre a terrível gestão financeira de Luís Filipe Vieira, quer no Benfica quer nas suas empresas. Vejamos:

"Ahh e a tal é concorrência desleal "


Tomei a liberdade de consultar o site da autoridade da concorrência sobre a real definição de concorrência desleal e verifiquei o seguinte:

"Constituem concorrência desleal os atos de concorrência contrários às normas e usos honestos de qualquer ramo de atividade económica, com o objetivo essencial de desviar clientela. A título exemplificativo, constituem atos de concorrência desleal a criação de confusão com a empresa, bens ou serviços de concorrentes e as falsas afirmações visando desacreditar concorrentes, entre outros. As regras em matéria de concorrência desleal encontram-se previstas nos artigos 317.º e 318.º do Código da Propriedade Industrial.</p> <p>Os atos de concorrência desleal violam normas de lealdade, honestidade e bons usos comerciais, tratando-se assim de comportamentos eticamente reprováveis, suscetíveis de prejudicar as legítimas expectativas dos agentes económicos atuantes no mercado. Os efeitos negativos dos atos de concorrência desleal projetam-se em primeira linha sobre a atividade dos agentes económicos, podendo atingir reflexamente o mercado."

Nesta definição da autoridade para a concorrência saliento a exemplificação utilizada: "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes, entre outros". Ora, isto é precisamente o que o Estado Lampiânico anda a fazer, senão vejamos:


Direitos televisivos:

Eu pergunto: O que Rui Gomes da Silva, vice presidente do Benfica disse sobre os direitos televisivos não tinha como objectivo "desacreditar os concorrentes diretos" do Benfica? A resposta é clara!!!

Não deixa de ser engraçado que a "galinha dos ovos de ouro" tenha pensado que com o acordo com a NOS tinha secado por completo o mercado. Afinal, enganaram-se... 


VMOC



Existem dezenas de exemplos onde os representantes oficiais e oficiosos do Benfica tentam desacreditar o Sporting e os seus representantes e curiosamente todos repetem as mesmas ideias. Gosto especialmente de os ver a ler directamente da cartilha do Estado Lampiânico. Então quando vejo o Diamantino a falar de Finanças... só dá mesmo é para rir do desespero destes "artistas".

Mas vamos lá falar de VMOC.

Começo por explicar o que são as VMOC para que mesmo os leitores menos identificados com economia e finanças possam entender do que se trata. Vejamos:

A sigla VMOC significa "Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis". Na pratica as VMOC são obrigações que rendem um determinado juro anual e que no final do prazo podem ser convertidas em capital caso a entidade não as liquide aos investidores. Vamos lá então perceber de que VMOC´S estamos a falar.


VMOCS 55 Milhões (2011-2016)


Em 2011 os bancos Millenium BCP e Banco Espirito Santo subscreveram "Tal como previsto nas condições da Oferta, no âmbito da garantia de colocação assumida pelo Banco Comercial Português, S.A. e pelo Banco Espírito Santo, S.A. (conjuntamente os “Bancos”) os 54.833.905 VMOC sobrantes, após a satisfação das ordens de subscrição e dos pedidos de subscrição em rateio, foram subscritos pelos Bancos - o Banco Comercial Português, S.A. subscreveu 27.416.953 VMOC e o Banco Espírito Santo, S.A. subscreveu 27.416.952 VMOC."


Vejamos, conforme excerto do anuncio dos resultados da oferta e do rateio cujo link está em cima chegamos à seguinte conclusão.

- BCP subscreveu 27.416.953,00 € VMOC
- BES subscreveu 27.416.952,00 € VMOC
- Outras entidades subscreveram 166.095,00 € VMOC

Resumindo, no dia 16 de Janeiro de 2016 o Sporting teria que liquidar estes montantes ao BCP, BES e outras entidades. Isto foi o que José Eduardo Bettencourt acordou em 2011.

Com esta nota introdutória será mais fácil perceber as lampionices. Vamos a elas:

"Ah e tal as VMOC que agora se vencem nem pagavam juros"


MENTIRA! Aqui está o Estado Lampiânico mais uma vez a prestar "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes".

"emissão de VMOC, escriturais e nominativos, no montante de 55 milhões de euros, de valor nominal de 1 euro cada, com prazo máximo de 5 anos, com preço de subscrição de 1 euro, com taxa de juro nominal anual bruta de 3%, obrigatoriamente convertíveis em acções da Sporting SAD a um preço de conversão de 1 euro, a efectuar através de subscrição pública reservada aos accionistas da Sporting SAD e demais investidores detentores de direitos de subscrição. O presente prospecto foi objecto de aprovação por parte da CMVM e encontra-se disponível sob a forma electrónica em www.cmvm.pt e www.sporting.pt."

Excerto do prospecto (Pag .2) com respectivo link (aqui)

 

"Ah e tal o Estado está a ajudar o Sporting"

 

MENTIRA! Aqui está o Estado Lampiânico mais uma vez a prestar "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes".

Como é do conhecimento geral, o Sporting negociou com os seus principais parceiros financeiros BCP e BES a tão propalada "reestruturação financeira". E não me enganei, foi mesmo com o BES, ou seja antes do banco ser intervencionado. Nesse extenso plano apresentado em AG do clube e da SAD ficaram definidos os termos da reestruturação financeira do Sporting, sendo as VMOC um tema previsto nesse documento.

As operações são efectuadas nos timings certos e dentro da legalidade. Por isso o assunto só poderia ficar resolvido no vencimento das VMOC ou seja, antes de dia 16 de Janeiro de 2016. Os 55 Milhões de VMOC vencem no dia 16 de Janeiro de 2016, logo, nos dias anteriores foi convocada uma AG de detentores de VMOC que deliberou a renovação por 10 anos, conforme proposta do Sporting.
E aqui vem a polémica de que o Estado ajuda o Sporting, uma vez que controla o NOVO BANCO. Vamos lá explicar.

Nesta fase o Novo Banco poderia tomar 3 opções:

1 - Desrespeitar o acordo de reestruturação financeira que assinou com o Sporting e encontrar investidor para os cerca de 27,5 Milhões de Euros em VMOC. Isto faria com que o Sporting entrasse em processos jurídicos com o Novo Banco por desrespeito contratual do plano de reestruturação financeira. Os Sportinguistas não iram achar nenhuma piada à brincadeira e iriam começar uma campanha contra o banco e não tenho dúvidas que o banco perderia muitos clientes.

2 - Desrespeitar o acordo de reestruturação financeira que assinou com o Sporting e converter as obrigações em acções e tornar-se accionista da Sporting SAD. Não vejo qual é o interesse que poderia ter o Novo Banco em ficar accionista da Sporting SAD. De qualquer forma o Sporting processaria o Novo Banco por desrespeito ao acordo de reestruturação financeira.

Em qualquer destas duas opções o banco ficaria com uma guerra contra o Sporting o que numa fase onde o Estado quer vender o banco tornaria ainda mais dificil o negócio.

3 - Cumprir o que está contratualizado, que foi o que fez e muito bem. Parece-me que a decisão é tão fácil de tomar que não deixa dúvidas a ninguém. Ou adiava o pagamento por 10 anos ou então o banco ficava acionista da SAD e não via "bola" como diz o JJ.





"Ah e tal se não fosse o Estado o Sporting  já nem tinha maioria do capital da SAD"


MENTIRA!!! Mais uma vez o Estado Lampiânico a prestar "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes".

O Sporting tem neste momento cerca de 63 % da SAD, cujo capital é de 67 Milhões. Com uma eventual conversão dos cerca de 27,5 Milhões de obrigações em capital detidas pelo Novo Banco o Sporting ficaria com cerca de 45% do capital da SAD. O que o Estado Lampiânico se esquece é que está aprovado para este ano um aumento de capital no valor de 18 Milhões. Em caso de necessidade o Sporting poderia sempre "adquirir" o montante necessário desses 18 Milhões para ter a maioria do capital da SAD. E ainda há mais soluções desde logo uma oferta pública de aquisição para os pequenos investidos. Não chega? Querem mais outra solução? Negociar com um dos parceiros do Sporting aquisição do capital necessário para o clube não perder a maioria do capital. Esclarecidos?

"Ah e tal vocês vão renovar as VMOC e nem juros pagam"

 

MENTIRA! Aqui está o Estado Lampiânico mais uma vez a prestar "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes".

"Alterar as condições de pagamento de juros passando os VMOC a atribuir o direito ao recebimento de juros condicionados à taxa anual nominal bruta e fixa de 4% (quatro por cento)."




"Ah e tal mas o Sporting só paga juros quando distribui dividendos e isso nunca acontece"

MENTIRA! Aqui está o Estado Lampiânico mais uma vez a prestar "falsas afirmações visando desacreditar concorrentes".


"c) Em cada ano, apenas haverá lugar ao pagamento integral dos respetivos juros no caso de o valor total dos juros a pagar não exceder o valor dos lucros da Sporting SAD verificados no exercício económico findo anterior à respetiva data de pagamento dos juros e que, nos termos dos artigos 32.º e 33.º do Código das Sociedades Comerciais, podem ser distribuídos aos acionistas.

d) Caso os lucros distribuíveis não sejam suficientes para satisfazer o pagamento integral do respetivo montante dos juros anuais globais devido, o mesmo deverá ser reduzido ao valor dos lucros distribuíveis verificados, caso existam."

Aqui o Estado Lampiânico "confunde" lucros distribuíveis com lucros distribuídos. "Oh, Oh Sousa Martins. Isso é confundir a beira da estrada com a estrada da beira".

Como as próprias palavras indicam, lucros distibuivéis são os lucros gerados que são passíveis de distribuição, enquanto lucros distribuidos são lucros que foram efectivamente distribuídos. Para que conste, nunca uma SAD em Portugal distribuiu dividendos pelos seus accionistas. Importa salientar que desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting, a SAD tem apresentado sempre lucro nos seus exercícios anuais. O ano passado foram cerca de 20 Milhões em lucro.

Página 5 proposta aprovada em AG

Agora vou eu lançar uns factos indesmentíveis:

O ESTADO É ACIONISTA DO BENFICA


Relatório e contas anual - Benfica 2014/2015

"Oh, oh, Sousa Martins, sejamos sérios! E os lesados do BES e do BANIF?"

São quase 8% do capital...


BENFICA DEVE 200 MILHÕES AO NOVO BANCO+BCP



Relatório e contas anual - Benfica 2014/2015


A verdadeira concorrência desleal:

 

Naming infraestruturas dos rivais

 


O banco público, Caixa Geral de Depósitos comprou o "naming" do centro de estágio do Benfica e do Pavilhão do Porto. No Sporting não dá o nome à Academia nem há planos para dar ao Pavilhão. Curisoso não é? Querem mais!?


 

Centros de Estágio de Porto e Benfica com apoios públicos em força


Deixo a transcrição da notícia: 


"Alegados favores das autarquias ao clube da terra já são tema banal, mas há outra controvérsia quando é a câmara vizinha a fazê-lo: Gaia gastou 16 milhões no centro de treinos de que recebe 500 euros de renda do FC Porto e o Seixal é acusado de ter facilitado a construção do centro de estágio do Benfica sem salvaguardar contrapartidas

Histórias do favorecimento dos clubes da terra por parte da respetiva autarquia já são habituais na troca de galhardetes entre adeptos rivais. Mas há também as câmaras que se esforçam antes por bem receber emblemas vizinhos - e de impacte nacional: foi o que fizeram Gaia e Seixal, ao albergarem nos seus concelhos os centros de estágio de FC Porto e Benfica, respetivamente. A norte, os dragões pagam 500 euros mensais de renda por uma infraestrutura que custou 16 milhões de euros aos cofres públicos. E a sul, segundo rezam as crónicas, as esperadas contrapartidas benfiquistas pela construção do Caixa Futebol Campus não foram salvaguardadas pelo município.
Afinal, além da notoriedade, o que ganham as duas câmaras por receber nos seus concelhos águias e dragões? Não se sabe. Os dois municípios não responderam às questões feitas pelo DN. E em ambos os casos as vozes da oposição falam de acordos pouco vantajosos para a autarquia.
Em Gaia, a autarquia gastou 16 milhões de euros a erguer o centro, sem qualquer participação do clube. O FC Porto paga, desde 2002, uma mensalidade de 500 euros pelo complexo de mais de 80 mil metros quadrados, que o antigo presidente da FIFA, João Havelange, considerou como "um dos melhores do mundo, senão o melhor". Para que os portistas conseguissem ressarcir todo o investimento da autarquia tinham de estar no centro de treinos durante... 2666 anos, mas o contrato é apenas de 50 anos (ou seja, 300 mil euros de renda, no total)."

 (link da notícia do DN)



(link da notícia)



Luís Filipe Vieira o "Rei Midas"






EPUL - Entidade Pública de Utilidade Lampiânica





(link da notícia)

A ligação do BES ao Benfica e a Luís Filipe Vieira








Com que então o "grande líder" entre as suas empresas e o Benfica (passe o pleonasmo), tem cerca de 672 Milhões de Euros em créditos vencidos. Na lista está também o amigo Eduardo Nunes Rodrigues, administrador da Obriverca. (Carrega Vieira) 

(link da notícia)




(link da notícia)

Vieira o "self made man"



Transcrição dos pricipais pontos de interesse da notícia:

"Director municipal de planeamento trabalhou com o projectista dos antigos terrenos da Petrogal e em projectos de Vieira no Algarve.
Quando o pedido de informação prévia elaborado por Vaz Pires deu entrada na câmara, em Junho de 2005, os terrenos ainda pertenciam à Petrogal. O seu cliente, porém, era Luís Filipe Vieira: mas o pedido tenha sido assinado por um antigo presidente da EPUL, José Manuel de Sousa, na qualidade de administrador da empresa do Grupo Espírito Santo que gere a Fimes Oriente - um fundo de investimento imobiliário ligado ao presidente do Benfica.
(…)
Nos termos da escritura, a Inland pagou à Petrogal 10,2 milhões de euros pela totalidade da propriedade, destinando-a a revenda. Logo a seguir, no mesmo dia, vendeu-a à Filmes Oriente por 12,1 milhões. Embora se tenha tratado de uma operação efectuada no seio do mesmo grupo e habitual entre promotores e fundos, por motivos de natureza fiscal, a operação proporcionou à Inland um ganho imediato de 1,9 milhões.
O grande negócio parece ter sido, todavia, a compra à Petrogal. Na altura estava quase garantida a viabilização de 84.527 m2 de construção (81.283 para habitação e 3243 para comércio), por via da qual os encargos com o terreno ficaram a Vieira por apenas 118 euros o m2 de construção. Basta dizer que já este mês o Estado pôs à venda por 15 milhões de euros, na zona do Palácio da Ajuda, um terreno em que não é possível construir mais de 12.720 m2 (1180 euros por m2)
(…)
O director municipal nega que as alterações ao PDM tenham algo que ver com interesses de Vieira, mas confirma que trabalhou para ele no Algarve e que mantém estreitas relações com o arq.º José Vaz Pires, que define como o seu "melhor amigo", com o qual assinou muitos projectos em co-autoria, sendo co-proprietário, com ele e um colega, da vivenda do Restelo onde funciona o seu atelier."

(link da notícia)

NOTA FINAL:


O Sporting de Bruno de Carvalho tem lutado muito por conseguir retirar o Sporting da falência e os resultados tem sido extraordinários. Com ele ao leme só temos tido lucro nas nossas contas. Muitos sacrificios tem sido feitos na gestão do clube. O corte brutal que foi preciso fazer para reerguer o clube é bem demonstrativo das dificuldades. Hoje, parece que já ninguém se lembra disso. Em 2013/2014 vínhamos de um 7º lugar e tínhamos umas cascas de amendoim para ir ao mercado. Mesmo assim com jogadores a preço de saldo como Magrão, Piris, Maurício, Jefferson, Montero ou Slimani fizemos uma grande época. Uns deram certo outros não. São os riscoS de quem não tem muito para investir.

Recordo-me de ouvir o Presidente dizer que estávamos a reestruturar para depois liderar. A lógica para ele era simples. Quem se adapta-se primeiro às circunstancias e dificuldades teria melhores condições para liderar o futebol em Portugal nos próximos anos. E teve razão. Os rivais começaram-se a aperceber tarde e a más horas, por isso aparece esta campanha de vitimização do Estado Lampiânico. Agora já vem tarde amigos...

Muito se fala nos milhões gastos pelo Sporting em contratações e no JJ. Para que fique clara a comparação. Em relação ao Benfica, meo Pizzi e meio Raul Gimenez chegam para pagar todas as contratações do Sporting esta época, os ordenados do JJ e ainda sobra dinheiro. Em relação ao Porto basta dizer: Imbula.

Os desafios para o Sporting são muitos e ainda há muita conta por pagar, mas com esta gente à frente do clube o futuro só pode ser risonho. Enquanto isso outros clubes continuam a assobiar para o lado, e ainda bem.

Fico-me por aqui, mas não posso fechar sem antes fazer a devida homenagem ao mito: Jabba The Hut


"Oh, oh Sousa Martins sejamos sérios! Há um estudo do Dr. Jorge de Sá que demonstra que o Benfica tem 14 milhões de adeptos" - Vai-se a ver e o próprio diz que não há estudo nenhum

"Oh, oh Sousa Martins sejamos sérios! Jorge Jesus está cheio de medo do Porto. Eu conheço-o e sei que ele tem medo do Porto" - Vai-se a ver e Jesus dá um banho de bola ao Porto.

"Oh, oh Sousa Martins sejamos sérios! Isto é um escândalo!O Sporting é beneficiado pelo Estado. Vai-se a ver e o Estado perdoa dívidas a Luís Filipe Vieira e para além de ser acionista do Benfica ainda lhe dá milhões em benesses como no caso da EPUL e do centro de estágio. Já para não ir buscar uma Manuela Ferreira Leite...

"Oh, oh Sousa Martins sejamos sérios! O Sporting é sistematicamente beneficiado pelas arbitragens" - Vai-se a ver e o Sporting é o mais prejudicado. (imagem)

Deixo aos leitores o desafio de continuarem este "jogo" na barra de comentários. O que não faltam são citações da besta fáceis de "deslampializar".

Mais uma vez agradeço a todos o apoio. Peço que ajudem o Blog a crescer e façam like no Facebook e no twiter. Está tudo no canto superior direito.