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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Nomeações à portuguesa


Todas as semanas são despendidas centenas de horas dedicadas ao fenómeno futebolístico, quer nas televisões, quer nas rádios. Grande parte desse tempo é preenchido com a análise exaustiva de temas sem qualquer tipo de relevância para o futuro do futebol em Portugal. É evidente a opção dos meios de comunicação social pelas polémicas estéreis em detrimento dos temas de fundo do futebol português. Hoje quero dar um bom exemplo disso mesmo.

Nomeações à Portuguesa


Não tenho a certeza absoluta, mas julgo que a Liga Portuguesa será neste momento a única competição do futebol mundial em que os nomes dos árbitros são conhecidos apenas umas horas antes da partida. Recordo que esta alteração foi implementada a meio da época, sem qualquer tipo de consulta aos clubes. Num primeiro momento, o conselho de arbitragem até optou por não divulgar os nomes dos árbitros. Os clubes e os adeptos só tinham conhecimento do nome quando vissem o árbitro no Estádio. Depois, a opção passou por anunciar a nomeação umas horas antes da partida e este tem sido o método utilizado desde então.

Regulamentos atropelados



Chegados a este ponto, tenho a dizer que considero esta decisão como sendo absolutamente aberrante, já para não falar na sua ilegalidade. Só mesmo neste país é que mentes tão iluminadas optam pelo caminho das sombras em detrimento do caminho da transparência. Olhando para isto desta forma, tenho uma sugestão para apresentar ao senhor José Fontelas Gomes. Melhor do que divulgar a nomeação no próprio dia, que tal obrigar os árbitros a apitarem com aquelas meias que os ladrões usam nos filmes de Hollywood. Uma coisa deste género.


Gostaram ou não? Isto sim, era o ideal. Assim nem sequer sabíamos o nome do responsável pelo apito. Uma espécie de carrasco da era moderna. 

Transparência


Não se deixem enganar pelo argumento do "temos de proteger o árbitro". Pensem nisto: Quem é que sai beneficiado por esta medida? Serão os árbitros ou o conselho de arbitragem? 

Os árbitros serão sempre criticados mediante a sua prestação no campo. Já o conselho de arbitragem só pode ser criticado pelas nomeações que faz. Ora, sendo as nomeações divulgadas no próprio dia do jogo, não há espaço mediático para a nomeação ser devidamente analisada. O caso da nomeação de Luís Godinho para o principal jogo da última jornada (Braga-Sporting) é um exemplo claro e evidente disso mesmo. Já repararam que ninguém disse uma palavra sobre esta nomeação? O principal beneficiário deste método vergonhoso é o conselho de arbitragem e o seu presidente que assim foge ao escrutínio. Já repararam que desde que esta medida foi implementada, nunca mais ninguém falou no homem? É assim que estes artistas se perpetuam no poder. 

A escolha por este caminho das sombras tem um intuito claro, que passa por não permitir o escrutínio da sociedade. Os clubes, adeptos, jogadores, treinadores, jornais, etc têm o direito de saberem quem será o juiz escolhido para o jogo. O que diria um cidadão se partisse para um julgamento tendo apenas conhecimento do juiz no dia do julgamento? 

Um exemplo perfeito


Ontem tivemos o exemplo perfeito da razão pela qual as nomeações devem ser divulgadas com toda a antecedência. De manhã, a UEFA anunciou que o árbitro do Atlético de Madrid-Sporting será o senhor Sergei Karasev. Um árbitro que da única vez que apitou o Sporting nas competições europeias teve uma prestação vergonhosa e que fez notícia um pouco por todo o mundo. Estão por certo recordados do Schalke 04-Sporting para a fase de grupos da Champions em 2014/2015. Um jogo em que o Sporting jogou mais de 60 minutos com 10 jogadores após uma expulsão errada de Maurício, um jogo em que o Schalke marcou um golo em offside e para acabar em beleza foi também um jogo em que foi transformada uma bola que foi à cabeça de Jonathan Silva num pontapé de penálti.  Mais informação (aqui). 

Esta nomeação é aberrante e tem de ser imediatamente repudiada por todas as pessoas que gostam de futebol. A Liga e a FPF não podem ficar caladas perante isto. Urge defender o futebol português desta afronta absoluta. Como é possível que com tantos árbitros disponíveis, a UEFA tenha escolhido este senhor para apitar o jogo de cartaz dos quartos de final de Liga Europa? Não faço a mínima ideia se o árbitro russo merece ou não estar nuns quartos de final da Liga Europa. Nem questiono isso. Apenas digo que existem nesta fase serão disputados 8 jogos e que o artista tinha logo de cair no jogo do Sporting e logo fora de casa. São estas coincidências e esta falta de bom senso que não credibilizam o futebol. 

A transparência da divulgação antecipada da nomeação serve para isto mesmo. Para que as pessoas possam ter uma opinião sobre as questões. É disto que os senhores da FPF, nomeadamente Fernando Gomes e José Fontelas Gomes têm medo. 

E recordo que estes dois senhores têm responsabilidades acrescidas. Como sabemos, Fernando Gomes é vice-presidente da UEFA e José Fontelas Gomes é membro do Conselho de Arbitragem da UEFA e é um dos responsáveis por esta nomeação vergonhosa.


Coincidências...

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Missa até ao fim


A Final 4 da Taça da Liga serviu de prova dos nove para atestar da incompetência do conselho de arbitragem e para perceber que as missas vão continuar, mesmo com VAR. Vamos por partes.

Uma confusão à portuguesa


A Taça da Liga é uma organização da Liga de clubes, mas as nomeações dos árbitros são geridas pela FPF através do conselho de arbitragem. Contudo, quem paga aos árbitros é a Liga, ou seja, os clubes. Por outro lado, quem paga os custos associados ao VAR no campeonato é a FPF. Confusos? Também eu. 

Vejamos se nos entendemos. A Liga tem feito um esforço brutal para prestigiar a Taça da Liga. Encontrou um patrocinador para a competição, implantou um modelo de final 4 que é interessante, desenvolveu parcerias para passar a fase final em canal aberto, etc. (Sobre esta organização da Final 4 falarei noutro post). 

Por outro lado, temos a FPF que para quem ainda não percebeu, quer esvaziar completamente os poderes da Liga, contando para isso com o alto patrocínio do Estado lampiânico. Já falei sobre isso na altura da golpada no parlamento, em que os deputados do PSD se preparavam para fazer passar pela "porta do cavalo" (aqui) uma legislação para retirar o poder de regulamentação disciplinar e de arbitragem da Liga e entrega-lo nas mãos da FPF, isto depois de o conselho de arbitragem já ter sido desviado para a FPF. Curiosamente, ficamos a saber que um desses senhores deputados proponentes até é membro do conselho de disciplina da FPF e outro tem comunicações regulares com o Benfica entregando documentação confidencial (aqui). 

Como é que querem que os clubes levem a sério a competição?


A FPF e a Liga vivem num clima de paz podre, que ficou bem patente nos últimos dias. Vamos pensar um pouco. Sendo uma competição organizada pela Liga, os clubes têm todo o interesse que seja um sucesso. O caminho para a credibilização da competição tem sido trilhado e na edição deste ano os três grandes encararam a prova para ganhar, ao contrário de anos anteriores. Vimos os jogos em que os grandes participaram e apercebemo-nos que os treinadores escolheram os seus melhores jogadores para irem a jogo. Melhor exemplo do que o recente clássico entre o Porto e o Sporting não há. Infelizmente, as duas equipas até perderam jogadores influentes na manobra das equipas, por precisamente meterem toda a carne no assador, como diria Quinito. Falo de Gelson e Danilo.

Os melhores ficam em casa


Ora, se os treinadores escolheram os melhores jogadores, não seria também lógico que o Conselho de arbitragem escolhesse também os melhores árbitros para estes 3 jogos decisivos? Se queremos credibilizar uma competição temos de ter os melhores a apitar estes jogos, para não acontecerem roubos de igreja como na final de 2009. Foi esse o momento chave que descredibilizou por completo a competição e subsiste até aos dias de hoje. Ainda hoje a competição é conhecida como Taça Lucílio ou taça da carica, por causa desse momento. Mais uma razão para definitivamente o Conselho de arbitragem da FPF escolher os melhores. 

Seria lógico que José Fontelas Gomes, o treinador dos árbitros, escolhesse os três nomes dentro do lote de internacionais, que são os principais árbitros nacionais. Mas não foi isso que o presidente do Conselho de arbitragem fez. A escolha recaiu em três figurinhas absolutamente medíocres do apitadeiro nacional: Manuel "dos talhos" Mota, Nuno "Ferrari Vermelho" Almeida e Rui Costa que foi agraciado com uma final quando está a fazer uma época absolutamente vergonhosa. Curiosamente, Rui Costa é irmão de Paulo Costa, vice-presidente do Conselho de arbitragem. Coincidências.

O árbitro da final


Vou só deixar dois exemplos de lance protagonizados por Rui Costa durante esta época que ficarão por certo na memória dos adeptos: A agressão de Eliseu a Diogo Viana e o penálti não assinalado por falta evidente sobre Gelson, depois de duas visualizações nos ecrans do VAR.



Mais um jogo, mais uma roubalheira


Já falei sobre a vergonhosa arbitragem de Nuno Almeida na meia final (aqui) e (aqui). Vejamos agora o "serviço" de Rui Costa.


Fiz questão de retirar o vídeo da RTP para mostrar as reacções dos inseparáveis Manuel Fernandes Silva e de Bruno Prata, que demoraram uma eternidade a perceber o lance. Importa realçar que na Sporttv a análise de Luís Freitas Lobo foi praticamente imediata, vislumbrando claramente a mão do jogador do Vitória. Tirando esse pormaior, vamos ao que importa.

Missa sem sacristãos


Importa relembrar nas meias-finais o conselho de arbitragem nomeou árbitros de baliza, sendo que tal não aconteceu neste jogo por clara incompetência de José Fontelas Gomes e seus pares, como já expliquei (aqui). Este lance é o exemplo perfeito da utilidade de um árbitro de baliza. O árbitro de baliza estaria em cima do lance e não teria problemas em verificar a mão do jogador do Vitória, coisa que Rui Costa e restantes auxiliares de campo não conseguiram fazer. Se tivesse sido definido que não seriam utilizados árbitros de baliza durante toda a competição, não haveria problema nenhum, até porque ninguém levantaria a questão. Agora, ver a equipa de arbitragem das meias finais para a final ser reduzida em dois elementos não cabe na cabeça de ninguém. Então no jogo mais importante da competição é que se retiram meios que podiam assegurar a verdade desportiva?


Um verdadeiro artista


Porque será que só Rui Costa é que vai ao monitor rever os lances? Para o VAR dar a indicação é porque tem a certeza absoluta que é pontapé de penálti. Não sei se é desconfiança em relação ao colega que estava no VAR ou se dava jeito retardar a partida. Depois, porque raio é que demorou tanto tempo para verificar um lance tão evidente? Recordo que quando Rui Costa se dirige ao monitor as imagens já foram cortadas pelo VAR para o processo ser ainda mais rápido. A imagem que vemos no lado esquerdo do ecran quando aparece a indicação "videoárbitro" é precisamente aquilo que Rui Costa estava a ver. 

Mas há questões ainda mais importantes do que isso. Porquê é que Rui Costa não exibiu o cartão vermelho ao jogador do Vitória? Então uma defesa com a mão de um jogador de campo em cima da linha de golo não é para vermelho? Se isto não é para vermelho não sei o que será. Há uma teoria que diz que o guarda-redes estava atrás do jogador e podia chegar à bola. Se a questão for essa nunca será vermelho para nenhum defesa, uma vez que os guarda-redes estão sempre atrás dos defesas.

Obviamente, seria lance para cartão vermelho e que deixaria o Vitória de Setúbal empatado e com menos um jogador durante o assalto final do Sporting à baliza adversária. Não expulsou porque não quis! O Jorge Jesus explica bem a situação.


E depois de tudo isto, o artista dá 5 minutos de compensação. Só para a análise da decisão do pontapé de penálti foram gastos 5 minutos. Depois, há que somar as substituições, que segundo as regras devem ser compensadas em 30 segundos cada. Como foram efectuadas 4 substituições na 2ª parte estamos a falar de mais 2 minutos. E depois vários jogadores do Vitória de Setúbal foram assistidos e as perdas de tempo por parte do foram constantes. No mínimo, 10 minutos de compensação teriam de ser dados.

O padre estava com pressa para acabar com a missa e levar o jogo para a marca dos pontapés de penálti. Teve azar que o rapaz que deveria ter sido expulso acabou por ser decisivo ao falhar uma grande penalidade que permitiu ao Sporting conquistar o troféu.

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

As fontes do Benfica


A campanha de branqueamento do "Apito Abençoado" está em força na comunicação social, com especial foco nas televisões e nas dezenas de comentadores que se apresentam como isentos, mas que realidade são meros avençados do Benfica. Uma vez que estes senhores querem retirar o foco do essencial e discutir o acessório, quero recentrar o assunto no essencial. Para já, apresento dois exemplos muito recentes de emails e informação confidencial da FPF e Liga que foram colocados a circular na praça pública por Pedro Guerra e Paulo Gonçalves, dois dos visados neste escândalo.

O mail de Fontelas Gomes para o Sporting



No programa "Prolongamento" de 6 de Março de 2017, Pedro Guerra leva para o programa um email enviado de José Fontelas Gomes (presidente do Conselho de arbitragem da FPF) para o Sporting CP, no âmbito do pedido de esclarecimento feito pelo Sporting sobre os dois lances de grande penalidade do derby com o Benfica no Estádio da Luz.


Nesta altura ninguém se preocupou com a forma como Pedro Guerra conseguiu ter acesso a um email trocado entre o Presidente do Conselho de Arbitragem e o Sporting. Não vi sequer uma única pessoa a questionar a veracidade do mesmo. 

José Fontelas Gomes viu uma comunicação sua ser divulgada na praça pública e nada fez. A FPF viu um email confidencial de um alto cargo da sua estrutura passar na televisão nacional e nem uma palavra. O Conselho de disciplina de José Manuel Meirim viu um funcionário de uma SAD que participa na principal competição do país divulgar um email confidencial e assobiou para o lado. 

Obviamente, não foi o Sporting a enviar esta informação para a comunicação do Benfica, por todos os motivos e mais alguns. Hoje, mediante as informações que têm vindo a publico, conseguimos perceber que o Benfica sempre teve um via aberta e direta para o Conselho de arbitragem e os seus responsáveis. E tudo isto é feito com a completa conivência das estruturas executivas da Liga/FPF assim como das estruturas disciplinares. 

Mas ainda há mais e muito mais grave. 

Relatório confidencial do árbitro Rui Oliveira chega à BenficaTV



No dia 3 de Fevereiro de 2017, Paulo Gonçalves, o já famoso "assessor jurídico" do Benfica esteve no programa Jogo Limpo da BTV onde mostrou e citou relatório do jogo Setúbal-Sporting da Taça da Liga apitado pelo árbitro Rui Oliveira, com a já habitual tese do "Fizeram-me chegar".

No dia seguinte de manhã, o relatório do jogo foi colocado online no site Hugo Gil e Benfica, outro dos avençados da máquina de propaganda do regime. Também lhe devem ter "feito chegar" essa informação...



"Quem com ferros mata, com ferros morre!". O provérbio assenta aqui como uma luva e confesso que vou adorar ver Francisco J.Marques dizer que lhe "fizeram chegar" todos os emails que tem divulgado no Porto Canal. Como podem verificar, o director de comunicação do Porto não é pioneiro na divulgação de emails. 

Mas vamos ao que interessa: Estamos a falar de um relatório de um árbitro que é absolutamente confidencial. Os relatórios dos jogos são escritos no final da partida e enviados de imediato para a Liga. Por isso, para alguém ter feito chegar esta informação a Paulo Gonçalves, só podemos estar a falar de alguém no seio da Liga ou do próprio árbitro. Vamos analisar o histórico do árbitro e perceber se há aqui algum motivo para ele estar grato ao Benfica.

O árbitro Rui Oliveira


Cliquem para aumentar

Toda a gente sabe que o senhor Rui Oliveira é adepto do Benfica e o próprio não tem nenhum tipo de problema em o demonstrar em espaços públicos. Curiosamente, o senhor também é "Fan" do Hugo Gil e Benfica, o tal site onde apareceu o seu relatório ao jogo do Setúbal vs Sporting. Nessa partida, Rui Oliveira foi peremptório em assinalar uma grande penalidade inexistente contra o Sporting no último lance da partida, tendo sido decisivo para a eliminação dos leões na competição.  

Já continuo a falar de Rui Oliveira. Para já é importante trazer de novo à conversa os emails do "Apito Abençoado". Nesses mails, vimos a convocatória de árbitros para o estágio relativo à época 2014/2015. Um email que foi enviado pelo árbitro João Pinheiro para o delegado Nuno Cabral, que por sua vez o reencaminhou para Paulo Gonçalves. Post sobre o assunto (aqui).

O estágio de João Pinheiro foi de facto abençoado. Nesse estágio, 12 dos 15 árbitros iriam fazer parte do quadro principal como estagiários. João Pinheiro, ou "Mostovoi de Viatodos" como é conhecido, teve a "felicidade" de ser escolhido e em 2014/2015 fez parte do quadro principal de árbitros. Na época seguinte (2015/2016), passou de estagiário a efectivo e "miraculosamente" chegou a árbitro internacional, apenas com dois jogos apitados na I Liga.

Bênção Papal


Rui Oliveira também esteve nesse estágio com o "Mostovoi de Viatodos". E não é que ambos tiveram direito a uma "bênção papal".

Link da notícia (aqui)

Com que então o árbitro Rui Oliveira foi apanhado a copiar no exame e chumbou nos testes físicos. Perante isto os responsáveis da arbitragem conseguiram montar um processo contra Dinis Gorjão da AF Beja em que Rui Oliveira foi testemunha de acusação pela questão do telemóvel. No final do processo, Dinis Gorjão não foi ilibado e Rui Oliveira ficou com via aberta para conseguir entrar na primeira categoria como estagiário. Inacreditavelmente e perante todas as borradas que este árbitro tem feito, lá vai continuando a apitar jogos na primeira categoria. Deixo aqui o que este "artista" tem feito ao Sporting (link).

Perante tudo isto, não é fácil juntar a peças e perceber que foi a "benção papal" que permitiu que "alguém fizesse chegar" a Paulo Gonçalves o relatório de um jogo que deveria ser confidencial? 


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O casal do apito e mais um escândalo na arbitragem nacional


Muito se tem falado sobre o estado da arbitragem nacional nas últimas semanas. Uma discussão que foi colocada na agenda mediática pelas péssimas prestações das equipas de arbitragens na I Liga. Seria um bom momento para que a sociedade desportiva nacional reflectisse sobre este assunto, encontrando soluções para o futuro da arbitragem e do desporto nacional.

Infelizmente, nada disso está a ser feito. Continua-se a discutir o acessório em vez do essencial. Basta para isso percebermos que a principal conclusão da reunião que o Conselho de arbitragem teve com os clubes, foi a defesa de Jorge Sousa através do branqueamento das duas grandes penalidades que não assinalou no derby da Luz. E o circo continua agora com o lance do 3º golo do Boavista no estádio da Luz. 

São estas a principais conclusões de uma crise tão grande. É incompreensível que ninguém queira pensar a arbitragem nacional. Ninguém quer analisar as alterações aos corpos dirigentes do Conselho de Arbitragem, ninguém quer saber das classificações dos árbitros, ninguém quer saber da formação dos árbitros, ninguém quer saber da divulgação dos relatórios dos árbitros, ninguém quer saber da profissionalização dos árbitros, entre outros temas fundamentais. 

Curiosamente, também ninguém quer saber quem é que manda no "apitadeiro" nacional. Por isso, parece-me que está mais do que na hora de trazer este assunto para a praça pública. 

Senhoras e senhores, apresento-vos o "Casal do apito".

Uma paixão em comum


Link Duarte Gomes (aqui), Link Pedro Proença (aqui)

Em qualquer relacionamento é sempre importante existiram "amores em comum".

O vídeo de casamento



"Eu diria até que se o Duarte Gomes fosse mulher, eu casava com ele". 

Haverá relação mais intima do que esta no futebol nacional? É sempre interessante ver as brincadeiras de uma casal tão apaixonado, por isso deixei ficar essa parte no vídeo. Só não percebi o momento em que Duarte Gomes pegou numa banana... Deve ser alguma modernice.

Pedro Proença sai em defesa da sua "amada"


Em 2013/2014, o Sporting deslocou-se ao Estádio da Luz para disputar a quarta eliminatória da Taça de Portugal.Vamos lá recordar a "apitadela". 



Entre outros lances, Duarte Gomes não vislumbrou duas grandes penalidades a favor do Sporting. Lances indiscutíveis entre os analistas e adeptos. Lá teve Pedro Proença de vir a terreiro defender a sua amada. Vejamos:


"Aquilo que eu vou dizer pode ser polémico: Fez uma excelente arbitragem dentro de um determinado contexto"

Se o contexto era favorecer o Benfica, concordo que tenha feito uma excelente arbitragem. 

Nada de novo de alguém que até já andou aos empurrões com um treinador de guarda-redes do Sporting (link). 

Querido mudei a casa


No dia 27 de Janeiro - dia seguinte à eliminação do Benfica na Taça da Liga frente ao Moreirense - o jornal Abola fez uma reportagem sobre os testes do videoárbitro. Vejamos:



Como podem verificar, o jornal indica que Duarte Gomes foi o videoárbitro do jogo Moreirense vs Benfica. Na foto, o casal mostra toda a sua cumplicidade. Vejamos se eu percebo alguma coisa disto:

1 - Pedro Proença é Presidente da Liga, mas como alguém dizia há uns tempos: "Pedro Proença saiu da arbitragem mas a arbitragem não saiu dele". É um facto indesmentível. Eu pergunto: O que está a fazer o Presidente da Liga na cabine do videoárbitro? Não deveria estar a controlar todos os preparativos organizativos da competição? É que como toda a gente sabe, a arbitragem está sob a alçada da FPF, pelo que a Liga e o seu presidente não tem que se imiscuir nas questões de arbitragem. 

2 - Então e onde anda José Fontelas Gomes, Presidente do Conselho de arbitragem da FPF? Ficou em casa? E os restantes membros do conselho de arbitragem, como Lucílio Baptista ou João Ferreira onde andam? Também ficaram em casa? Não deveriam ser eles a acompanhar de perto os testes do vídeoárbitro?

3 - Esperem lá! O Duarte Gomes não saiu da arbitragem para se dedicar ao comentário televisivo na SIC e cronista do Expresso e da Abola? Como é que um comentador tem acesso a algo que é organizado pelo Conselho de arbitragem? Será que qualquer um de nós pode ser videoárbitro, ou é condição obrigatória ser "casado" com Pedro Proença?

Um escândalo no apitadeiro nacional!


Não consigo responder à primeira e segunda questão, mas sobre a terceira já consigo acrescentar algumas coisas. 

Ora, segundo o regulamento de arbitragem existem claras incompatibilidades. Acompanhem-me numa viagem pelo regulamento:


Como podem verificar, não é possível ao titular do Conselho de Arbitragem "exercer a actividade de jornalista, colunista ou comentador em órgão de comunicação social, sobre matérias relacionadas com o setor da arbitragem". Só que o Duarte Gomes não é titular do conselho de Arbitragem.


O artigo 20º diz-nos que o estabelecido no artigo 7º é aplicável a qualquer agente de arbitragem. Ora, Duarte Gomes esteve num jogo oficial como videoárbitro. Obviamente prestou um serviço ao Conselho de arbitragem, na qualidade de agente de arbitragem, pelo que se enquadra perfeitamente no impedimento definido no regulamento de arbitragem. A não ser que nos digam que foi contratado para limpar o chão da cabine do videoárbirto. Já vimos de tudo no futebol nacional, era apenas e só mais um "dolo sem intenção", ou um "erro admissível". 

E agora meus senhores? Vão atropelar os regulamentos e fechar os olhos a esta situação? Eu só vejo uma solução para isto. Demissão imediata de todos os titulares do Conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. 

Mas que grande lata!!!


Link da notícia (aqui)

E depois estes senhores ainda têm a lata de dizer que “não permitem magistérios de influência de comentadores, ex-árbitros, de alguém ou de alguma organização em particular”.

Tenham vergonha na cara!

Peço a todos os leitores para partilharem este post pelas redes sociais. Só assim será possível colocar o tema na agenda mediática.

Outros posts sobre esta temárica:
Duarte Gomes "O padrinho do apito" 
António Rola "O algodão não engana"
Conclusões da reunião do Cons. Arbitragem com os clubes
Jorge Coroado "Os protegidos"
Jorge Coroado "Promiscuidade"

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Artur Soares Dias - O Rei do apito


José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de arbitragem decidiu nomear para um dos jogos mais importantes da época leonina um artista de está farto de ter "azares" nos últimos jogos que apitou do Sporting. Esta época, não "vislumbrou" dois golos irregulares do Vitória de Guimarães no empate a 3 golos. Na época passada não conseguiu vislumbrar uma grande penalidade a favor do Sporting no derby que permitiu a ultrapassagem do Benfica, assim como não viu a agressão de Renato Sanches a Bryan Ruiz nesse mesmo jogo. Estes foram alguns lances que não conseguiu vislumbrar.

Quando "vislumbra", anula golos ao Sporting ou então expulsa o capitão de equipa ou o Presidente do banco. E só estou a usar o histórico  dos últimos 3 jogos em que apitou o Sporting. Senão vejamos:

O Rei do apito



Depois de todas as "apitadelas" a que temos assistido, o Conselho de arbitragem decidiu enveredar pelo gozo e pela provocação ao Sporting. Obviamente, a narrativa será a do costume: "Soares Dias é o melhor árbitro nacional".  Talvez seja, o Sporting é que tem sempre "azar" com este sujeito. 

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

As conclusões da Academia do Apitamento



Na passada quarta-feira a cidade do Futebol acolheu a tão propalada "reunião de trabalho" entre o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e os clubes das competições profissionais. Sobre esta atitude reativa do Conselho de Arbitragem já falei num post anterior (aqui).

Os representantes dos clubes


Dos 35 clubes profissionais, apenas 29 clubes enviaram representantes. O Nacional da Madeira, Sporting da Covilhã, União da Madeira, Académico de Viseu, Vizela e Gil Vicente não se fizeram representar. Dos clubes presentes, foram muito poucos os que se fizeram representar pelos seus Presidentes. O Sporting esteve representado por Bruno Mascarenhas, o Benfica por Nuno Gomes e Paulo Gonçalves e o Porto por João Pinto.

"O meu coração só tem uma cor: azul e branco"


Enviar João Pinto para uma reunião sobre arbitragem foi uma brilhante demonstração de desprezo por parte do Porto. Para "reuniões da treta", representantes da treta. E aqui, não há nada contra João Pinto, mas é importante não esquecer o ser histórico com os senhores do apito.


Curiosamente, um dos senhores do apito nestas imagens é António Rola, o actual expert do apito na Benfica TV. Uma figura que nunca vê penáltis ou expulsões contra o seu Benfica.

António Rola em acção na BTV 1 e na BTV 2, perdão TVI24
Para uma próxima reunião seria interessante ver João Vieira Pinto como representante do Sporting a entrar de punho fechado na sala e do lado do Benfica poderia ir muito bem o Luisão, sempre pronto para dar uma cabeçada num árbitro.

Mas o prémio de melhor representante na "reunião da treta" vai para Cosme Machado. Este senhor ainda na época passada era árbitro da primeira categoria e esta época passou directamente para funcionário do Sporting de Braga. Esta falta de período de nojo, só pode meter nojo a todos os amantes do futebol. 

Os representantes do Conselho de Arbitragem


O conselho de arbitragem é composto pelo Presidente José Fontelas Gomes e por 3 vice-presidentes, cada um com áreas específicas. João Ferreira é responsável pela área profissional, Paulo Costa é responsável pela secção não profissional e Lucílio Baptista é responsável pela Secção de Classificações. Vou retirar Paulo Costa da equação por ser o responsável pela área não profissional numa reunião que foi desenvolvida apenas para clubes profissionais. Mas vejamos:

O apito de João Ferreira



Um lance que ficará para sempre na história do apitadeiro nacional e que retirou ao Sporting um título nacional.

Lucílio Baptista



Mais um lance para a história, onde uma bola no peito foi transformada em penálti e Pedro Silva foi expulso da partida.

Um ataque feroz ao Sporting


Não deixa de ser engraçado que árbitros responsáveis por dois dos maiores escândalos deste século - custaram 2 títulos ao Sporting - sejam os chefes do apito nacional. Mas se o histórico já era interessante vejamos agora o que fizeram na apresentação em powerpoint. Podem consultar (aqui).

A magnifica recepção orientada de Pizzi


Vejamos o lance:


Não deixa margem para dúvidas, mas os senhores do apito têm outra opinião.


Ora, isto vem dos mesmos senhores que confundem regularmente o peito com o braço, e o braço com a cabeça. Mas o mais interessante é a justificação. Foi involuntário e acidental. Não tenho dúvidas que a primeira mão é involuntária, agora a segunda? Involuntária e acidental? Acho que isto é gozar com o Sporting.

O penálti de Nélson Semedo



Na imagem anterior podem verificar a recomendação apresentada na reunião e a imagem com a distância que a bola teve de percorrer até chegar a Nélson Semedo. Ora, o conselho de arbitragem afirma que à distância de 1-2 metros não se deve marcar grande penalidade. Neste lance estamos a falar de cerca de 30m mas os senhores acham que é um "lance difícil e de dúvida".


Ficam as imagens, para que não restem dúvidas.


Mas, o próprio Conselho de Arbitragem consegue contradizer-se apresentando um lance semelhante ao de Nélson Semedo em que considera que deveria ter sido marcada uma grande penalidade. Vejamos:




Isto é gozar com o Sporting e com os Sportinguistas! 


Perante tudo isto, só posso tirar esta conclusão. Estão mesmo a gozar com o Sporting e com os Sportinguistas. E com mais certezas fiquei quando me apercebi das nomeações para o fim-de-semana. O "Ferrari vermelho" estará em Chaves para apitar o Sporting. Já no jogo do Benfica estará Luís Ferreira e no Dragão Fábio Veríssimo, mais dois daqueles árbitros da "nova geração" da Academia do Seix... Arbitragem.

Eu pergunto: Estas nomeações têm bom senso? É com estas atitudes que querem pacificar o futebol português? 

Por muito que alguns comentadores e jornais tentem fazer passar a ideia de alguma pacificação, é fácil de verificar que os ânimos entre os Sportinguistas não acalmaram. Pelo contrário. A forma como esta reunião foi desenvolvida teve o efeito contrário nos leões. Andam claramente a gozar com os Sportinguistas, que estão enojados com o novo sistema.

E é completamente legítimo que assim seja. Como qualquer outro cidadão, os Sportinguistas têm o direito à indignação e podem exercer esse direito da forma que melhor entenderem. Dizem que "Depois da tempestade, vêm a bonança". Não se iludam a tempestade está longe de acabar. 

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As reuniões da treta sobre o estado do "apito"


Ocorreu ontem a tão propalada "reunião de trabalho" entre o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e os clubes das competições profissionais. Importa salientar que esta "reunião de trabalho", como é descrita pelo próprio site da FPF, foi marcada depois das exibições vergonhosas das equipas de arbitragem nos jogos de Porto e Sporting. Ou seja, estamos a falar de algo que foi planeado para amenizar o clima e as criticas que têm subido de tom ao longo das últimas semanas, com arbitragens absolutamente medonhas.

A versão original



Não se pense que a reunião da "treta" ontem realizada é uma grande novidade. A 21 de Setembro de 2010 e pela primeira vez na história do "apitamento" nacional, o Presidente do Conselho de arbitragem - na altura da Liga - dá uma conferencia de imprensa para anunciar que o Benfica foi prejudicado num jogo com o Vitória de Guimarães. Este momento de comédia de Vítor Pereira aconteceu depois da 5ªjornada da época 2010/2011. Para justificar a convocatória de tão inesperada conferencia de imprensa, o senhor Vítor Pereira afirmou que seria pratica corrente da sua comissão de arbitragem, e que de 5 em 5 jornadas os lances mais polémicos seriam analisados em sessões como a de dia 21 de Setembro de 2010. O que é realidade é que depois desta primeira conferência de imprensa só se realizou mais uma sessão de "esclarecimento" após a 10ª jornada.

"Quem não chora não mama"



A 13 de Setembro de 2010, Luís Nazaré, à data Presidente da Mesa da Assembleia geral do Benfica fez uma longa declaração onde disparou para todos os lados. Vejamos:

1 - O Benfica pediu uma reacção a Vitor Pereira sobre o facto do árbitro Olegário Benquerença ter sido homenageado pela associação de Futebol do Porto. Curioso constatar como os benfiquistas se "ofendiam" com estas homenagens. Quando se trata de oferecer "vouchers" a coisa lá muda de figura.

2 - Benfica a citar Michel Platini é um must, mas compreende-se que os "artistas" se citem uns aos outros.

3 - A mítica frase do "Abstenham de se deslocar aos jogos fora de casa" foi proferido por esta ocasião.

4 - Momento de comédia deste vídeo é mesmo a ameaça em deixarem de participar na Taça da Liga. Um competição que no ano anterior tinha sido ganha ao Sporting no célebre penálti e expulsão do Pedro Silva, por ter tocado a bola com o... peito.

5 - Declarar Laurentino Dias, "persona non grata"

É engraçada verificar o que mudou na arbitragem de lá para cá, não é? E foi assim que nasceu a primeira versão das "reuniões da treta" para acalmarem os ânimos. O que é um facto é que a primeira versão foi um sucesso. Os agentes do futebol, adeptos e imprensa comeram e calaram. Por isso, Fontelas Gomes decidiu recuperar este expediente.

Ânimos mais calmos



Os jornais já estão a tentar pacificar o assunto. Os comentadores continuam a dar cobertura a esta narrativa de vitimização por parte dos árbitros influenciando os adeptos a "baixarem as orelhas". Até a esmagadora maioria dos dirigentes parece estar agora mais calma. É incrível o que se consegue com uma reunião da treta e com uma imprensa amiga, não é?


A raça que nunca se vergará!


Entretanto, Octávio Machado já reagiu às "deliberações" que este painel de artistas decidiu fazer sobre os lances do derby. Amanhã farei a minha análise a isto. Para já, fiquem com as ideias do Director leonino.



Pelos pingos da Chuva


Hoje, discute-se muito as "deliberações" do Conselho de arbitragem sobre as decisões de Jorge Sousa no derby. É este o tema do momento na arbitragem. Só que pelos pingos da chuva e enquanto se discute este assunto lá saíram as nomeações para os jogos desta semana.

Nuno Almeida, vulgarmente conhecido como "Ferrari Vermelho" estará em Chaves para arbitrar o Sporting. Já no jogo do Benfica estará Luís Ferreira e no Dragão Fábio Veríssimo, mais dois daqueles árbitros da "nova geração" da Academia do Seix... Arbitragem. Absolutamente inacreditável!

E pronto, a reunião da treta pariu um rato, tal como alguém tinha previsto durante a semana. Nestas reuniões eu gostava era de ver abordados temas como estes:

Os "Vieiras" do apito - Patchouli, borbulhas e brilhantina
O "Caso Marco Ferreira" prova onde está o cancro no futebol português
Os protegidos do apito
Miguel Libório - Um artista de futuro...

Ficará para outra oportunidade, por certo. Lá para 2024...

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O "Caso Marco Ferreira" prova onde está o cancro no futebol português


Este post não é um exclusivo, mas poderia muito bem ser, tal a falta de informação divulgada pela comunicação social. Aposto que 95% dos leitores não se aperceberam do arquivamento do processo relativo às declarações de Marco Ferreira sobre os telefonemas de Vítor Pereira.

No passado dia 4, foi anunciado o arquivamento com destaque mínimo pelos jornais.


Vou recapitular todo o caso, para terem uma melhor ideia do que aconteceu.

As declarações iniciais


No dia 5 de Julho de 2015, Marco Ferreira esteve num programa especial da RTP, onde prestou algumas declarações muito relevantes sobre o modus operandi de Vitor Pereira, à data Presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. Vejamos:


Este é um pequeno excerto com a parte mais sumarenta da entrevista. Fica o vídeo na integra para análise dos leitores (link).

Entrevista ao jornal espanhol "As"



Passaram quase 4 meses sem um jornal nacional escrevesse uma linha sobre este assunto. A 24 de Outubro de 2015, Marco Ferreira concedeu uma entrevista ao jornal espanhol "AS".

Quando questionado com o facto de ter escolhido um jornal espanhol, Marco Ferreira acrescentou: "Escolhi o As por ser fora de Portugal e ter um grande nome internacional. Assim terá mais impacto em Portugal e no resto do mundo".

Marco Ferreira sabia perfeitamente que o caso seria abafado se concedesse uma entrevista em Portugal. Vejamos agora algumas dessas declarações dessa entrevista ao jornal AS:

- "O presidente dos árbitros de Portugal só me chamava antes de arbitrar o Benfica"

- "Na derrota em Braga, em Outubro, ainda na oitava jornada, o jogo correu-me mal. Mas para os dois lados. Depois desse jogo, o Benfica contestou-me e disseram-me que nunca mais apitaria um dos jogos mais quentes. E desde aí nunca mais apitei qualquer jogo importante. Na época anterior fui considerado o segundo melhor árbitro de Portugal, atrás de Proença. Apitei o Benfica-Sporting, duas vezes o FC Porto-Benfica... Os jogos correram bem. Não digo que o Benfica pede a Vítor Pereira que este diga aos árbitros para favorecerem o clube. Não estou a dizer isso. O que eu digo é que Vítor Pereira faz isso porque sabe que o Benfica é o único que o apoia. Por isso não quer que um árbitro que desagrade ao Benfica apite os jogos desse clube. O Benfica nunca falou comigo e pediu qualquer favorecimento. Mas, Vítor Pereira sim. Na semana em que tinha um jogo do Benfica ligava-me para que eu tivesse cuidado e que o jogo corresse bem. Só fazia isso com os jogos do Benfica. Nunca me ligou antes de um jogo do FC Porto, por exemplo. E fazia isso com muitos companheiros árbitros. 

- "Depois do Braga-Benfica de que falei, fui nomeado para um Rio Ave-Benfica. Essa semana ligou-me duas vezes. Na última chamada disse-me que se não fizesse um bom jogo não poderia nomear-me para o Benfica-FC Porto, que era em abril. Disse para ter cuidado, que aquele era «o jogo do título do Benfica». Disse-lhe que não era, que o Benfica tinha quatro pontos de vantagem para o FC Porto. E ele respondeu: «É muito diferente jogar contra o FC Porto em abril com quatro pontos de diferença do que com dois ou um». Isto, segundo o meu ponto de vista, é grave. Estava a referir-se claramente ao Benfica"

- "Antes do Sp. Braga-Benfica foi mais ou menos a mesma conversa. Disse-me que o jogo tinha de correr bem e que eu não devia ligar caso viesse ruído do banco. Ele disse-me isso porque, no Boavista-Benfica, expulsei o treinador do Benfica no intervalo (Jorge Jesus). Vítor Pereira tinha medo que o expulsasse outra vez." 

- "Os árbitros têm medo que Vítor Pereira acabe com as suas carreiras como acabou com a minha"

- "Sou um exemplo para eles daquilo que se pode passar. Eu era árbitro internacional e nunca na história de Portugal um árbitro internacional tinha descido à segunda categoria", prosseguiu Marco Ferreira acerca do alegado "medo" que os árbitros enfrentam em ver as suas carreiras desvalorizadas.


Vitor Pereira faz uma queixa-crime no próprio dia


Link da notícia (aqui)
Através de um comunicado do Conselho de Arbitragem, Vítor Pereira declarou que iria apresentar uma queixa-crime contra Marco Ferreira.

O processo nas instituições desportivas


Segundo o acórdão do Conselho de Justiça, conseguimos perceber como é que o processo foi aberto. No dia 7 de Julho de 2015, dois dias depois das declarações de Marco Ferreira na RTP, o próprio enviou um email cujo conteúdo não foi revelado pela FPF. Esse email foi encaminhado pela FPF para o Conselho de Disciplina. O processo desenrolou-se na tramitação normal, cabendo à Comissão de Instrutores da Liga desenvolver os esforços necessários para o desenvolvimento do processo. No dia 14 de Outubro, Marco Ferreira foi ouvido pela comissão.

Pelo meio, a 27 de Outubro de 2015, Bruno de Carvalho fez uma exposição à Liga pedindo que "fossem investigados os factos constantes das declarações do árbitro Marco Ferreira" anexando a cópia das declarações do árbitro ao jornal AS. Esta intervenção de Bruno de Carvalho acaba por ser importante no processo.

Tenham vergonha na cara!!! - Parte I


A Comissão de instrução da Liga ouviu Marco Ferreira a 14 de Outubro, ou seja, numa fase em que a entrevista ao jornal AS ainda não tinha sido publicada. Como vimos, só passados 10 dias é que foi publicada pelo que na inquirição, Marco Ferreira não foi ouvido por essas declarações. O próprio comunicado do Conselho de Disciplina de 22 de Novembro de 2016 refere que o objecto foi apenas e só a entrevista à RTP. Aqui fica o print.



Pelo meio, a exposição de Bruno de Carvalho para que a entrevista ao jornal AS fosse analisada e investigada ficou sem efeito. Um verdadeiro escândalo esta situação não ter sido devidamente analisada. É que entre outras acusações que Marco Ferreira fez ao jornal AS, ficou por apurar a "verdade" sobre o facto de os árbitros terem se sentirem condicionados nas suas arbitragens - "Os árbitros têm medo que Vítor Pereira acabe com as suas carreiras como acabou com a minha"

Tenham vergonha na cara!!! - Parte II


Vitor Pereira só foi ouvido pela Comissão de Instrução da Liga a 9 Dezembro de 2015. Quase dois meses depois de Marco Ferreira ter sido ouvido. Absolutamente inacreditável. Mas o mais interessante é que esta foi a última diligência feita no processo. Recordo, estamos a 9 de Dezembro de 2015.

Trezentos e quarenta e nove dias depois da última diligência ter sido feita, o Conselho de Disciplina obteve uma decisão que foi:

Conselho de Disciplina chuta "para canto"



Estes "senhores" andaram mais de um ano para decidir que não tinham competência para analisar este caso, e depois da última diligência (ouvir Vítor Pereira), demoraram 349 dias para comunicar uma decisão. O processo esteve metido bem lá no fundo da gaveta, provavelmente por baixo de alguns vouchers de cortesia.

Para além de se considerarem estatutária e regularmente incompetentes, consideram que a Comissão de instrutores da Liga está na mesma situação.


Que eles são "incompetentes" já toda a gente sabe. Precisaram de mais de um ano para concluírem isto?

Já os senhores do Conselho de Justiça são competentíssimos e em pouco mais de um mês resolveram o problema. Vejamos:

Os argumentos no Conselho de Justiça


Segundo é possível verificar no acórdão (link), Marco Ferreira denuncia 3 situações claras onde foi pressionado por Vítor Pereira. Vejamos:

Benfica vs Sporting 2013/2014 - O tal das chapas de zinco

O jogo estava marcado para dia 9 de Fevereiro e acabou por ser adiado devido à "chuva de chapas de zinco" no Estádio da Luz. No dia seguinte, Marco Ferreira foi convidado a participar numa reunião com Vítor Pereira onde foi ameaçado com um processo disciplinar por causa de uma entrevista. Tudo isto na véspera do derby que decidia o líder do campeonato. Eu pergunto: Isto é normal? Chamar um árbitro às instalações da FPF para ameaça-lo com um processo na véspera de um jogo desta importância? Há alguém neste país que ache isto normal? Parece que sim. Vejamos o que diz o Conselho de Justiça:


"De acordo com as regras da experiência comum uma tentativa de corrupção ou uma ameaça não são anunciadas em reuniões". Muito me contam os senhores do Conselho de Justiça. Com que então quando é para corromper não se marca reunião. Pois, talvez baste deixar os presentes certos nos balneários dos árbitros. Assim fica mais fácil.

Eu pergunto: E qual é o interesse que Vítor Pereira tem em "abalar emocionalmente" o árbitro do derby?


Boavista vs Benfica 2014/2015


Se isto não é coação e condicionamento do trabalho do árbitro não sei o que será. É preciso dizer explicitamente "Não quero que expulses o Jorge Jesus"? Para que se perceba melhor, Jorge Jesus em 6 anos de Benfica foi expulso por duas vezes na Liga. No Sporting em ano e meio já vai em 6 expulsões. É tudo coincidência. Deve ter alterado o seu feitio quando veio para Alvalade.

Mas os senhores do CJ arranjaram uma justificação para isto. Querem ver?


Esta argumentação é completamente surreal. Com que então "não dar ouvidos ao que é dito fora do campo" não se enquadra em ter atenção à zona dos treinadores, uma vez que tecnicamente os mesmos estão dentro do campo. Será que percebi bem!? As cambalhotas que esta gente dá. Inacreditável!



Rio Ave vs Benfica 2014/2015


Gosto especialmente da questão levantada por Vítor Pereira sobre os 4 pontos de avanço do Benfica. Mas vamos passar já para a "justificação" do CJ. Por certo têm uma óptima história para nos contar.


Inacreditável. Toda a gente sabe que as nomeações na época de Vítor Pereira eram feitas na semana antes dos jogos. Onde é que se infere que por esse motivo a promessa de Marco Ferreira ser nomeado para um clássico nas semanas seguintes está fora de equação? É mais uma novidade que o CJ me dá. Para estes "senhores", para haver coação a "prenda" tem de ser entregue de imediato, não pode ser um promessa para as próximas semanas.

"A explicação natural é a de que o Presidente do CA quer que o árbitro faça um bom jogo". Absolutamente genial esta argumentação. Ainda vou ouvir alguém a dizer que o "Apito Dourado" era uma campanha do banco alimentar contra a fome, com tanta peça de fruta e café com leite.

Já estou a imaginar um acórdão perfeito sobre o "Apito Dourado": "A explicação natural é a de que o Presidente do Porto não quer que os árbitros desfaleçam depois dos 90 minutos de jogo, e é por isso que oferecem fruta variada e um cafezinho com leite".

Sobre a importância dos 4 pontos de avanço do Benfica, nem uma palavra. Curiosamente, após o segundo telefonema, Marco Ferreira assume que informou o Presidente da APAF que na altura era José Fontelas Gomes - actual Presidente do Conselho de Arbitragem - sobre o telefonema de Vítor Pereira. O Presidente da APAF após concordância de Marco Ferreira, verbalizou esta situação a Fernando Gomes, Presidente da FPF. Fontelas Gomes solicitou ao árbitro que desse conhecimento por escrito da situação ao Presidente da FPF, mas por medo de represálias não o fez.

O que é certo é que no final da época, Marco Ferreira, árbitro internacional e um dos melhores árbitros portugueses desceu de divisão e decidiu acabar com a sua carreira.

Todo este processo é um compêndio do que são as instituições que gerem o futebol português actualmente. Fica bem visível para todos, que o Conselho de Arbitragem, Conselho de Disciplina e Conselho de Justiça autênticos cancros na instituição máxima do nosso futebol. Para este post tocar em todas as vertentes de poder institucional, só faltou mesmo falar nos observadores, delegados e da forma como uns árbitros são protegidos em detrimento de outros.


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