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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Chumbo grosso

Este artigo tinha publicação prevista para a manhã do dia da Assembleia-Geral, mas devido aos tardios esclarecimentos por parte do Conselho Diretivo em relação ao Orçamento e Contas - só foram dados por volta das 22h30 da véspera da AG - e a um imprevisto pessoal, não me foi possível terminar o artigo em tempo "útil", para os diversos leitores que me pediram para escrever sobre o assunto. De qualquer forma, expressei o meu sentido de voto através do twitter, mas sem justificações. Essas, apesar de a tarde e más horas, seguem de seguida.

Orçamento de 2020/2021 para aprovar

Para 2020/2021, o Conselho Diretivo apresenta aos Sportinguistas mais uma enorme redução de rendimentos, que se cifram agora na casa dos 21,464 milhões de euros (redução de 5 milhões face a 18/19), que irão certamente desaguar numa menor capacidade competitiva das equipas, nomeadamente em termos internacionais, uma vez que nas competições domésticas os nossos rivais vivem situação idêntica e devemos estar aptos a competir em praticamente todas as modalidades. 

Relativamente a este orçamento, e em face da pandemia, voto favoravelmente o que foi proposto. Não por considerar que é um bom orçamento, mas por considerar que as circunstâncias são realmente difíceis  num contexto de pandemia, sendo muito complicado fazer previsões neste clima de incerteza. Adicionalmente, a incapacidade deste conselho diretivo foi evidente em tempos "normais" e não será agora em tempos absolutamente anormais que vão conseguir fazer o que não fizeram quando existia condições para o fazerem. Vejo sempre a votação contra um orçamento como a manifestação que o caminho proposto não é correto. No caso, trata-se de um orçamento para "levar o barco", e não um orçamento com uma política estrutural para o clube, como ocorreu no ano passado. Portanto, não vejo interesse ou benefício em votar contra. 

De qualquer forma, os sócios são soberanos e decidiram chumbar o Orçamento. Desta parte estamos conversados. Passo de seguida para as contas de 2019/2020.

A execução orçamental de 2019/2020

Começo por uma breve análise à execução orçamental do exercício de 2019/2020. No quadro seguinte poderão ver a comparação entre os rendimentos e gastos orçamentados e o que na realidade foi executado. 

Como podem verificar, tivemos um decréscimo proporcional entre rendimentos e gastos, na casa dos 1,4 milhões de euros, entre o orçamento e a execução. No ReC apresentado, o Sporting justifica estes decréscimos com a Covid-19, chegando mesmo a quantifica-los. Vejamos: 

Na redução de rendimentos, o Sporting diz que perdeu 1,432 milhões de euros de rendimentos, por força da pandemia, que foram compensados por 1,272 milhões de euros, fruto do processo de lay-off e de outros cortes. 

Se na parte da redução dos custos são números perfeitamente justificáveis e fáceis de contabilizar, porque se sabe exatamente os montantes relativos ao lay-off, etc, o mesmo não se pode dizer na estimativa apresentada para a redução das receitas, porque nestas rúbricas existem muitos fatores aleatórios associados. 

Não tenho mesmo problema algum em dizer que não acredito minimamente na estimativa apresentada pelo Conselho Diretivo, no que diz respeitos à redução de receitas por via da pandemia. Acho sinceramente que aproveitaram a pandemia para justificar a enorme perda de rendimentos que já vem desde o dia em que pegaram no clube. Mas esta é a minha opinião pessoal, que retirarei da equação para a análise seguinte. 

O efeito "E" - Extras e Estimativas

Se estão bem recordados, no ano passado fiz uma publicação onde pela primeira vez defendi o chumbo num Orçamento do Sporting (aqui). O motivo pelo qual o fiz esteve relacionado com a redução de rendimentos e sobretudo do corte no orçamento para as modalidades. 

Se recuarmos a 2018/2019, percebemos que o Sporting obteve rendimentos de 26,334 milhões de euros. Nas contas agora apresentadas, referentes a 2019/2020, os rendimentos sofreram um decréscimo superior a 4 milhões de euros (26,334M - 22,286M = 4,048 milhões de euros). Contudo, há aqui alguns pontos que merecem uma análise mais cuidada.

No exercício de 18/19 tivemos um "extra" grande, relacionado com direitos de formação de Cristiano Ronaldo, que renderam ao clube 1,675 milhões de euros, razão pela qual considerarei apenas 24,659 milhões de euros de rendimentos em 18/19. Portanto, retirando Ronaldo da equação de 18/19 a diferença total entre rendimentos de uma época para a outra situar-se-ia nos 2,3 milhões de euros. 

Obviamente, também não me esqueço dos efeitos da pandemia. Apesar de não acreditar na estimativa de rendimento perdido pela Covid-19, considerarei nesta análise o número avançado pelo Conselho Diretivo. Ora, acrescentando aos rendimentos efetivamente obtidos à tal estimativa de rendimentos perdidos pela pandemia (os tais 1,432 milhões) ficaríamos com um rendimento total em 19/20 de 23,793 milhões de euros. 

Portanto, em 18/19 sem "extra" de Cristino Ronaldo teríamos rendimentos de 24,659 milhões de euros. Em 19/20, somando aos rendimentos efetivamente obtidos, à tal estimativa teríamos rendimentos de 23,793 milhões de euros. Ou seja, em circunstâncias semelhantes, estaríamos perante uma perda de rendimento de 866 mil euros. 

Completamente... incapazes

Um diferença de 866 mil euros de rendimentos de um ano para o outro é sempre preocupante e negativa, mas não tiraria o sono aos Sportinguistas. O problema é que o exercício de 19/20 teve também ele um enorme rendimento "extra", relacionado com a renumeração de sócios, que originou o regresso de 8.141 sócios, representando uma receita adicional de 1,164 milhões de euros, como informou o próprio Conselho Diretivo.

Portanto, sem renumeração, estaríamos a falar de uma quebra nas quotizações de 1,164 milhões de euros. Ou seja, se retirarmos da análise os rendimentos "extras" relacionados com Ronaldo/Renumeração e a estimativa das quebras de rendimentos relacionada com a pandemia, perceberíamos que de 18/19 para 19/20 o Sporting perdeu 2,030 milhões de euros em rendimentos

Este é o exemplo perfeito para ilustrar a incompetência deste conselho diretivo, que não consegue aumentar os rendimentos nem do clube, nem da SAD. É até muito fácil os sócios do Sporting perceberem isso através de uma pergunta: Que grande acordo ou parceira fez Frederico Varandas e seus pares para benefício do Sporting? A resposta é "bola", como diria Jorge Jesus, mas se quiserem podem inserir aqui a piada com os 2 milhões de euros estourados num protocolo com o Wolves.

Por fim, quero apenas deixar-vos com o exemplo do que seria possível fazer com os 2 milhões de euros de rendimentos que este Conselho Diretivo perdeu. Dava por exemplo para contratar 20 atletas com um vencimento de 100 mil euros por época. Para quem não está por dentro dos valores pagos nas modalidades, um vencimento destes paga um super craque em qualquer das modalidades do clube. Assim de cabeça, parece-me que não devemos ter mais de 2 ou 3 jogadores a auferirem valores dessa grandeza. Portanto, já imaginaram o nível competitivo que um valor destes permitiria às nossas equipas?

Permitiria, por exemplo, que a Volta a Portugal, que ontem terminou, tivesse em prova as míticas camisolas verdes e brancas, envergadas no passado por Joaquim Agostinho ou Marco Chagas. Gente que levou o Sporting até onde o clube nunca tinha estado verdadeiramente e que fizeram uma página tão grande e bonita da história do clube. Mas não, Frederico Varandas e seus pares preferiram acabar com o ciclismo sem sequer darem uma satisfação aos sócios do Sporting. Uma canalhice e uma indignidade.

Perante isto, e uma vez que já tinha votado contra o Orçamento de 18/19, não me restaria outra opção que não estar contra esta apresentação de contas. E para isso nem preciso entrar pela célebre questão da dívida do clube à SAD, que ficará para uma análise futura, assim como os resultados da Assembleia Geral. 

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sábado, 29 de junho de 2019

Um "Orçamento" para chumbar


Nos últimos tempos muito se tem falado sobre o orçamento do Sporting (clube) para a época 2019/2020, sem que tenha havido um esclarecimento cabal do conselho directivo. A entrevista do Presidente Varandas e o artigo de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente com a área financeira, não foram minimamente esclarecedoras. Apesar de algumas notícias na comunicação social, parece-me que os sócios do Sporting ainda não têm plena consciência da profunda mudança de estratégia que será levada a cabo, por isso, urge esclarecer os Sportinguistas com dados concretos. Vamos a isso. 

Quotização


O artigo de Francisco Salgado Zenha no jornal Sporting trouxe poucos esclarecimentos, mas ainda assim ajudam a perceber a perspectiva do clube. Começo pela principal receita do clube: as quotizações dos sócios. 

Aqui ficam os dados relativos aos últimos anos:

* Previsão apresentada Francisco Salgado Zenha no Jornal Sporting 27/06/2019

Dividi o gráfico anterior em três momentos diferentes. A amarelo estão os dois exercícios de Godinho Lopes, a verde os exercícios de Bruno de Carvalho e a cinza o exercício de Frederico Varandas. 

Existe um grande salto nos valores entre a presidência de Godinho Lopes e Bruno de Carvalho devido a uma das mais importantes decisões tomadas no clube nos últimos anos, que foi a decisão de canalizar a totalidade das receitas de quotização dos sócios para o clube. Até à entrada de Bruno de Carvalho parte destas receitas iam para a SAD. 

O Presidente Bruno de Carvalho começou então com cerca de 6M de receitas de quotização em 2013/2014 e graças ao enorme número de associados que conseguiu trazer para o clube, deixou o Sporting com receitas de quotização na casa dos 9M por época. Falamos de um crescimento de 3M em 5 anos. 

Como é do conhecimento público, o Sporting partiu para 18/19 com um orçamento por duodécimos, numa decisão absolutamente lamentável da comissão de gestão e da comissão de fiscalização. Depois de ganhar as eleições, o Presidente Varandas fez novo orçamento e apresentou-o aos sócios. Nesse orçamento, que foi aprovado por 56% dos votos em Novembro de 2018, o Presidente Varandas orçamentou que a rubrica de quotizações teria um valor de 9,7M

Um montante muito elevado mas que foi justificado no próprio orçamento. Vejamos:


A realidade é que "o conjunto de iniciativas que estavam previstas para esta área" não apareçam, como é do conhecimento dos sócios. Ora, de acordo com o artigo publicado por Francisco Salgado Zenha no Jornal Sporting desta semana, os sócios ficaram a saber que afinal o Sporting irá facturar em 18/19 um montante que não chega aos 8,5M em quotizações. Uma diferença abissal de 1,2M de euros em relação ao orçamentado pelo Presidente Varandas. 

Eu vou repetir para as pessoas não ficarem com dúvidas: o Presidente Varandas orçamentou receitas de quotização de 9,7M e vai fechar contas com apenas 8,5M, falhando o objectivo por uns incríveis 1,2M. 

Pela primeira vez nos últimos 7 anos, o montante global das quotizações sofreu uma queda. E não foi uma queda pequena. Falamos de uma quebra de cerca de 500 mil euros, quando o Presidente Varandas e a sua equipa achavam que iamos crescer mais de 700 mil euros. 

Para o orçamento de 19/20 que será apresentado hoje, o Conselho Directivo de Frederico Varandas orçamentou 9M em quotizações. Um montante ao qual o Sporting já tinha chegado no ultimo ano de presidência de Bruno de Carvalho e que mesmo assim é inferior em 700 mil euros em relação ao orçamentado em 18/19.

Quanto à principal receita do clube estamos falados, sendo que nesta fase toda a gente percebe os motivos pelos quais não conseguem aumentar as receitas de quotização.

Publicidade e patrocínios


Também no artigo do jornal Sporting, Francisco Salgado Zenha decidiu falar de outra área importante de receitas: a publicidade e os patrocínios. Vamos a números.


Em termos de publicidade e patrocínios, a administração de Bruno de Carvalho conseguiu elevar os números de Godinho Lopes para valores entre os 2,2M e os 2,4M. No artigo do vice-presidente pela área financeira é dito que esta rubrica fechará em 18/19 nos 2,359M quando tinha sido orçamentado pelo Presidente Varandas um valor pouco superior aos 2,5M. Portanto, mais uma vez, a execução ficou aquém do orçamentado, apesar de aqui os números não serem muito dispares. Falamos de pouco mais de 140 mil euros. 

Nesta rubrica o problema é outro. Como é sabido, a administração de Bruno de Carvalho não negociava patrocínios abaixo dos valores que considerava justos para as suas equipas, preferindo ficar sem patrocínio nas camisolas de algumas modalidades ao invés de obter o valor possível. Ora, com a direcção de Frederico Varandas essa politica alterou-se e foram trazidos para o Sporting uma série de novos patrocinadores nomeadamente para o Voleibol, Hóquei em Patins e Andebol. 

A realidade diz-nos que mesmo com a entrada desses novos patrocinados não se conseguiu alcançar os números da época 17/18 no que a esta rubrica diz respeito. Para a próxima época estão orçamentados 2,7M, mas também é preciso recordar que teremos a entrada do Basquetebol como modalidade oficial, o que gerará um aumento de patrocínios.

De qualquer forma, relativamente a esta rúbrica não há muito a dizer. Faço a análise do ponto para esclarecer os Sportinguistas.

Bandalheira


Depois da análise das receitas, o artigo entrou na fase da bandalheira, senão, vejamos: 

Print Jornal Sporting

Este foi o gráfico apresentado por Francisco Salgado Zenha no artigo que publicou ontem no Jornal Sporting. Ora, neste gráfico é suposto os Sportinguistas ficarem a ter conhecimento da evolução dos resultados líquidos do clube das últimas 10 épocas e ficarem com a estimativa do resultado do exercício de 2018/2019 que termina domingo. 

O primeiro erro está logo no facto de se dizer "Real 2018/2019", quando o resultado apresentado não é real, uma vez que o exercício em causa ainda nem sequer terminou. Estamos perante uma estimativa feita por Salgado Zenha. Este é um pequeno pormaior, no meio de uma bandalheira total. 

Depois reparem que o gráfico não tem eixo horizontal para separar os valores negativos dos positivos o que gera aqui uma tremenda confusão, especialmente no que diz respeito à tal estimativa para a época 18/19. Ainda poderíamos olhar para os valores e se o fizéssemos ficaríamos ainda mais confusos. Para quem não sabe, quando se apresentam valores entre parêntesis, significa que os valores são negativos, mas sabemos que nos últimos anos o clube tem dado lucros consecutivos, logo 
não se aplica e é mais um sinal da total incompetência.

Portanto, para que as pessoas percebam melhor o que foram os resultados líquidos dos últimos 10 anos de Sporting (clube) eu faço um gráfico perceptível.

Evolução REL (Sporting - clube) na última década
Esta década fica claramente dividida a meio em dois períodos distintos. Uma primeira fase ainda com os últimos tempos de Filipe Soares Franco e depois os mandatos de José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes. Durante estes 5 anos de análise (2008 a 2013) o Sporting teve sempre resultados negativos e acumulou prejuízos de cerca de 18,5M. Com a entrada de Bruno de Carvalho no clube o panorama mudou por completo. Foram 5 anos (2013 a 2018) de resultados positivos consecutivos em que o lucro acumulado ficou na casa 16,8M. Ou seja, foram 5 anos a trabalhar para limpar o buraco deixado nos cinco anos anteriores. E isto acumulado com o grande desenvolvimento das modalidades do clube que voltaram a ganhar títulos europeus e nacionais e com a construção do Pavilhão João Rocha. 

Por fim, ainda em relação aos resultados líquidos fica a dúvida no ar se os 140 mil euros colocado no gráfico como "real 18/19" - que na realidade são o valor estimado para essa época - serão lucros ou prejuízos. Nem Francisco Salgado Zenha no seu artigo, nem o Presidente Varandas na sua entrevista esclareceram o assunto. Por isso tenho de esclarecer eu. Segundo o que consegui apurar, o Sporting prevê que o exercício 18/19 termine com estes 140 mil euros de lucro. Importa recordar que nos últimos 5 anos o pior resultado obtido tinham sido os mais de 2M de euros de lucros em 2017/2018.

Bandalheira a dobrar


Se este primeiro gráfico foi mau, tenho que vos dizer que há ainda pior. Caros associados, apresento-vos os "gastos com o pessoal" à moda de Francisco Salgado Zenha.

Retirado Jornal Sporting

Ora bem, a primeira coisa que é importante esclarecer é que nas contas do Sporting existem duas rubricas relacionadas com vencimentos. Uma para os atletas e outra para os funcionários do clube propriamente ditos. Ora, a conta relacionada com os vencimentos dos jogadores é designada por "honorários". Até deixo a descrição que é colocada nos relatórios e contas do clube para que não restem dúvidas: 

Relatório e contas Sporting
Por outro lado, os tais vencimentos com funcionários estão na rubrica designada por "gastos com pessoal". Aqui fica novamente um print com a explicação: 


Ou seja, em bom rigor, quando o vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro faz um gráfico com os "gastos com o pessoal", quem analisa as contas percebe que se refere aos gastos com os funcionários "não desportivos" do clube, por assim dizer. E o que é que interessa trazer os gastos com funcionários para o jornal do Sporting? Absolutamente nada.

Quando olhei para os valores presentes no gráfico apercebi-me logo que a coisa não estava bem, mas confesso que o meu primeiro pensamento até foi de desculpabilização. No momento pensei algo do género: "O Zenha sabe perfeitamente que aquilo não são os gastos com o pessoal, mas colocou sob esse nome para que as pessoas menos familiarizadas com as contas tivessem a noção que são os valores relacionados com os vencimentos das modalidades". O problema é que mal olhei para os valores apercebi-me que nem se fosse esse o caso a coisa tinha sentido. Passo a explicar: 

Quando se fala de orçamento de futebol ou das modalidades quer-se falar nos custos com os vencimentos dos jogadores e treinadores. É essa a base e é isso que importa analisar. Por exemplo, é errado olhar para o valor total dos gastos e perdas de um orçamento como sendo esse o valor do Orçamento das modalidades. O que é que o custo da luz, da água, dos funcionários da secretaria e por ai fora têm a ver com as modalidades em si? Absolutamente nada. Por isso é que nos orçamentos e nos relatórios e contas do Sporting existe essa clara separação entre os "gastos com pessoal", que são os gastos com os funcionários e os "honorários", que são os gastos com os altetas e treinadores. 

Em relação a estes números não consigo encontrar explicação. Ainda pensei que Francisco Salgado Zenha tivesse somado os honorários com os gastos com pessoal, mas nem essa soma chega a valores tão elevados como os apresentados. Concluindo, o que está nesse quadro não vale nada. Está tudo errado. 

Serve este ponto para mostrar a leviandade com que se tratam matérias tão sensíveis e importantes para a vida do clube e dos seus associados, sem que haja sequer uma revisão ao conteúdo. 

Vamos falar então dos Orçamentos nos tempos de Bruno de Carvalho


Para se ter um termo de comparação é necessário ver o que foi feito nos anos anteriores pela antiga direcção do Sporting. De seguida deixo a informação.

Rubrica "Honoráriros" - Dados relatórios e contas

Neste gráfico estão então os valores totais dos honorários, que são a rubrica pela qual vulgarmente as pessoas designam por orçamento para as modalidades. Como podem verificar, o orçamento das modalidades do Sporting no mandato de Bruno de Carvalho foi sempre em crescendo, permitindo melhorar os planteis que tantas alegrias têm dado aos Sportinguistas. E aqui é importante dizer que uma parte substancial deste mérito foi dos Sportinguistas, que durante esse tempo aproximaram-se do Sporting tornando-se sócios. 

Para que não restem dúvidas, deixo-vos com a comparação entre os valores recebidos de quotização e os orçamentos para as modalidades.

Dados relatórios e contas
Como podem verificar, o montante recebido de quotizações foi sempre maior do que o montante do orçamento das modalidades do Sporting. Quando se fala em sustentabilidade das modalidades este é um belíssimo exemplo. 

A gestão de Frederico Varandas


Francisco Salgado Zenha diz no artigo que o Sporting estima que o exercício 18/19 - que acaba daqui a dois dias - terá um montante total de quotização de 8.468.159,00 €. Este valor já é publico.

Ficou a faltar conhecermos publicamente o valor estimado dos honorários, uma vez que nem Sporting, nem Presidente Varandas, nem Francisco Salgado Zenha tornaram a informação pública. Não divulgam eles, divulgo eu. Os honorários estimados para 18/19 que serão apresentados na proposta de Orçamento de 2019/2020 são de 10.330.976,00€. Assim sendo, se fizermos uma comparação entre as quotizações e os honorários estimados pelo Conselho Directivo para 18/19, temos algo deste género. 


Isto é o mesmo que dizer que pela primeira vez após a passagem da totalidade das quotizações da SAD para o clube, o orçamento das modalidades foi superior ao montante das quotizações. E não falamos de uma diferença pequena. Falamos de 1.862.817,00€. 

Mas vamos agora ao mais relevante que é aquilo que também tem dado muito que falar.

3 Milhões de cortes nas modalidades actuais - Verdade ou Mentira?


Os Sportinguistas ficaram apreensivos quando no passado dia 21 de Junho o jornal Ojogo escreveu sobre cortes nas modalidades do Sporting. Uns não acreditaram e outros não quiseram acreditar, mas a realidade é só uma. 


Dizia o jornal que o Presidente Varandas se preparava para apresentar um orçamento com um corte de 3M nas modalidades. O jornal avançou que será retirado meio milhão ao Andebol, meio milhão ao Futsal, meio milhão ao Hóquei em Patins, meio milhão ao Voleibol, meio milhão às outras modalidades e o ciclismo será extinto. Tudo somado davam os tais cortes de 3 milhões de euros. Sobre os montantes a cortar em cada uma das modalidades não me vou pronunciar, porque isso não consigo dizer com certeza. Só a direcção do Sporting saberá quando e onde cortou. 

O que é um facto é que os cortes vão mesmo existir e são na casa dos 3M. Na época 2018/2019 que termina em dois dias, o Sporting estima que os custos com honorários serão de 10.330.976,00€, como disse em cima. Ora, mais uma vez, como o Sporting não informa, informo eu. O montante dos honorários propostos no orçamento que será apresentado e votado hoje é de 8.027.203,00€. Portanto, em 2018/2019 o Sporting gastou cerca de 10,3M em honorários e em 2019/2020 quer gastar um montante de cerca de 8M, que faz com que o orçamento seja reduzido em 2,3M de euros. 

Ó mister, mas 2,3M não são 3M!? 


Foi precisamente aqui que o jornal Ojogo não concluiu com clareza a sua peça. De facto as reduções nas modalidades que tivemos em 2018/2019 chegam aos 3M, só que o jornal Ojogo não subtraiu a estes 3M de cortes o orçamento da nova modalidade do Sporting, o basquetebol. Falamos de um montante entre os 700 e 800 mil euros que o próprio jornal diz que será o orçamento a nova equipa de basquetebol. Portanto, Frederico Varandas corta 3M nas modalidades que tínhamos até final desta época e acrescenta o Basquetebol investindo os tais 700 ou 800 mil euros, o que faz com que o Orçamento da época 2019/2020 seja inferior a 2,3M ao valor executado em 2018/2019.

Só para análise dos leitores, deixo também uma notícia do Jornal Abola.


Curiosamente, o jornal Record que sabe sempre tantas coisas do Sporting, inclusivamente recebe auditorias que deveriam ser confidenciais em primeira mão, nem sequer escreveu uma linha sobre esta matéria. Obviamente, coincidência.

Concluindo


Quando os Sportinguistas foram informados que o Basquetebol se tornaria modalidade oficial em 2019/2020, muitos foram aqueles que questionaram a possibilidade de investir já nessa modalidade. Ainda para mais quando no plano da direcção anterior estava contemplado que o Sporting só teria Basquetebol quando tivesse montantes de quotização que lhe permitissem pagar a modalidade. Foi inclusivamente traçada a meta dos 200 mil sócios para se ter condições para acolher o Basquetebol sénior masculino no seio do clube. Recordo que estamos com 182 mil sócios.

Sejamos sérios, acrescentando uma modalidade ao clube seria de esperar que o orçamento fosse aumentado. Seria, obviamente, o mais lógico. Importa recordar, que uma nova modalidade não traz só custos ao clube, tem também novas receitas. No limite, e mesmo eu não concordando com isso, até poderia dar de barato que o orçamento das modalidades se mantivesse igual, sendo a nova modalidade "financiada" por pequenos cortes em todas as outras modalidades para compensar esta nova despesa. Agora, o que foi feito não foi isto. Foi muitíssimo pior. Estamos a falar de uma decisão de cortar 3M nas outras modalidadades para acolher o Basquetebol. São 2,3M a menos do que em relação à época passada, com uma modalidade a mais. Estamos a falar de um número avassalador.

Já deu para perceber que a narrativa a passar aos sócios será o chavão do "é possível fazer mais com menos". Querem fazer passar a ideia que o Sporting tinha gorduras nas modalidades na casa dos 3M para serem cortadas. Algo que não consigo aceitar de maneira nenhuma. Vou-me repetir, mas o número é avassalador. Vou dizer devagarinho e por extenso para que as pessoas percebam: dois milhões e trezentos mil euros a menos do que na época passada e com mais uma modalidade. Absolutamente surreal. Só para termo de exemplo, 2,3M serviriam para pagarmos a 23 atletas a ganharem 100 mil euros por ano. Atletas que poderiam estar nas mais diversas modalidades do clube e a serem os elementos chaves que fazem a diferença entre o insucesso e o sucesso. Isto num clube que não chega à dezena de atletas a ganharem 100 mil euros. Julgo que por aqui conseguem perceber o que seria possível fazer com os 2,3M que foram retirados às modalidades do Sporting.

Face a tudo isto, não posso validar este orçamento. Estamos a falar de um documento onde está plasmada uma redução vergonhosa e injustificada do orçamento das modalidades, que é um verdadeiro crime contra o Sporting e que nem sequer tem justificação, até porque, mais uma vez, o Sporting acabará o exercício de 2018/2019 com lucro. É pouco lucro, é certo, mas lucro. E o Sporting não nasceu para dar lucro, mas para ganhar títulos, e indiscutivelmente quem tem mais recursos está sempre mais próximo de vencer. Podem dar as voltas que quiserem.

Infelizmente não poderei estar presente na Assembleia Geral, mas o meu sentido de voto seria evidente. Orçamento chumbado por ir precisamente no sentido oposto daquilo que defendo para o clube.

Os sócios são hoje chamados a se pronunciarem. Se o caminho que pretendem seguir é o do desinvestimento, votem a favor deste orçamento. Fechem modalidades, acabem com o ciclismo, cortem o orçamento em secções que têm tantas dificuldades, mas que dão tanto ao Sporting, como acontece nas modalidades paralimpicas, mandem embora o Nélson Évora e o João Monteiro, deixem de inscrever equipas nas competições europeias e por ai fora. Os sócios é que mandam e como sempre, respeitarei a decisão de quem manda no clube.

Têm a palavra os sócios.

PS: As dificuldades em encontrar informação para dar estes esclarecimentos aos sócios foram muitas e só ontem consegui ter a confirmação de alguns valores, razão pela qual o post saiu tão tarde. Fica feita esta nota. Ainda relativamente aos números apresentados, se alguém tiver dúvidas em relação aos números que apresentei aqui, sugiro que levem o telemóvel para a AG e que confirmem se os dados que aqui avancei batem ou não certo com os valores que serão apresentados aos sócios na AG de mais daqui a pouco. Analisem, pensem no que é melhor para o Sporting e votem em consciência.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O penhor das quotizações dos sócios do Benfica a favor da Banca e a propaganda mentirosa


O Sporting chegou recentemente aos 150 mil associados. Esse facto associado à recontagem de sócios no Benfica, na qual os encarnados perderam quase 100 mil sócios está a deixar muita gente indisposta. É que o Sporting fez a recontagem na mesma altura em que o Benfica fez a sua, e mesmo assim continua com um excelente número de sócios. Só para se ter uma ideia, quando Bruno de Carvalho entrou no Sporting em Março de 2013, o Sporting não tinha sequer os 100 mil sócios. Entretanto, e após a recontagem de 2015 os leões estão com cerca de 153 mil sócios. 


As lanças apontadas


Confesso que só vi o programa "Lanças Apontadas" da BTV em duas ocasiões. A primeira a 5 de Outubro de 2016, razão pela qual fiz um post (cliquem). Na semana seguinte, alertado por leitores sobre algumas declarações no programa sobre o meu post tive obviamente de responder (cliquem). Isto para dizer que ainda hoje consigo utilizar a propaganda debitada nesse mítico programa de 5 de Outubro. Começo a pensar que tenho de estar mais atento a este programa.

Senão vejamos:


Pedro Ferreira, coadjuvado por João Paulo Oliveira e Costa e José Manuel Antunes dizem que no último ReC o Sporting apresentava 4,5 Milhões em receitas. Isto é absolutamente MENTIRA!!! Mas já lá vou.

Dois dias antes, Pedro Guerra e Rui Gomes da Silva debitaram a mesma mentira. Vejamos:


Depois de tanta verborreia, ficamos a perceber uma coisa interessante. Todos dão o mesmo valor para as quotização do Sporting (4,5M), mas não se entendem quanto ao valor anual de quotização do clube que representam. Pedro Ferreira diz que são 14,3M, Pedro Guerra aponta para os 14,5M e Rui Gomes da Silva diz que são 16,5M.

Estes artistas nem sequer sabem as contas do Benfica e querem falar nas contas do Sporting? Uma coisa é certa, a máquina de propaganda passou o mesmo número mentiroso a todos. Vamos lá desmontar a coisa.

O preço das quotas


Valor quotas anuais de Sporting e Benfica 

A categoria principal de sócio tem o mesmo preço nos rivais. Aqui o que difere é o preço da categoria "Efectivo B/Correspondente" sendo a quota do Benfica mais cara em 28€/ano. Importa salientar que o Benfica tem uma quota opcional para as modalidades.

Então quanto recebeu o Benfica em quotizações em 2015/2016?


Ora aqui está uma boa pergunta. Se nem os comentadores encarnados se conseguem entender quanto a esse número, não vou ser eu a dar uma resposta definitiva. Contudo, consigo dar o valor conseguido nesta rubrica na temporada anterior.

O blog "Artista do Dia"(cliquem), já falou sobre este tema e concluiu que o total das quotizações do Benfica em 2014/2015 foi de 10,308 M. 

O que agora nos querem fazer crer estes representantes do Benfica e que o clube teve um enorme aumento de receitas nesta rubrica de 2014/2015 para 2015/2016.

A propaganda ofici...osa

Os valores apresentados pelos opinadores encarnados indicam um aumento entre os 38,72% e os 60,06%. Algo absolutamente incrível.

Ó mister e o Sporting!?


Não vou cometer a "traição" de divulgar publicamente as receitas do Sporting. Estamos a falar de uma informação sensível que deve ser apenas do conhecimento dos sócios do Sporting. Contudo, posso perfeitamente desmontar a propaganda encarnada relativa à quotização do Sporting.

Ora, estes 5 opinadores foram unânimes a apontar os 4,5 M como o valor total recolhido pelo Sporting em Quotizações e para isso até dizem que este valor está inscrito no ReC do clube. Obviamente mentira!

Sobre o valor em si, posso garantir que até no pior ano de mandato de Godinho Lopes, o Sporting teve receitas de quotização bem superiores a esses 4,5M indicados como sendo o valor recolhido em 2015/2016. Mas ainda posso fazer mais.

Evolução percentual das receitas de quotização em relação à época anterior.

De acordo com o quadro anterior é possível perceber que desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting, as receitas de quotização têm vindo sempre a crescer a dois dígitos em relação ao exercício anterior. O valor orçamentado para a época desportiva em curso aponta para um crescimento de cerca de 10%. Destaco que os Orçamentos apresentados pela direcção de Bruno de Carvalho têm sempre uma execução muito melhor do que o orçamentado, pelo que podemos apontar claramente para um crescimento de dois dígitos também para esta época.

Ainda posso acrescentar mais: O jornal Ojogo diz que o Sporting fez 7,3 Milhões de euros em quotizações em 2015/2016. Também posso dizer que o Sporting fez mais do que isso, para que não restem dúvidas da discrepância entre os números da propaganda com a realidade.


E ao contrário do que estes artistas dizem, o Sporting tem 50 modalidades para financiar. Não são apenas as modalidades oficiais que consomem recursos do clube. Alias, o Sporting gasta mais dinheiro com as modalidades não profissionais do que com as profissionais.

Importa salientar que desde que a actual direcção do Sporting tomou posse, o clube apresentou lucro em todos os exercícios económicos. Na época passada foram uns brilhantes 3,19 Milhões de Euros.


Estão em negação


O Sporting está a causar muita comichão lá para os lados da Luz. Eles não conseguem aceitar que estamos cada vez mais próximos em termos de sócios. E muito menos conseguem aceitar que o Sporting esteja a construir grande equipas nas modalidades, como está a acontecer com o hóquei, andebol, futsal, atletismo ou com a recente aposta no futebol feminino. O Pavilhão João Rocha, o maior pavilhão de um clube em Portugal está quase pronto. É compreensível que tudo isto lhes esteja a causar algum ardor. A dor que lhes assola a alma, ficou ainda maior quando se aperceberam que o Sporting foi capaz de lhes "roubar" o Nelson Évora entre outros atletas de inegável categoria.

É preciso que se perceba que foi este o ponto de partida para a conversa das quotizações. Entretanto, tive curiosidade para saber mais sobre as contas do Benfica (clube) e lá consegui arranjar o último Relatório e Contas. Nesse relatório encontrei algumas pérolas, mas quero destacar uma em particular.

O Penhor sobre as quotizações dos sócios do Benfica.



Na página 123 do último relatório e contas do Benfica é possível perceber que os saldos da conta bancária afecta à colecta de receitas de quotização, os créditos sobre quotas dos actuais associados e os créditos futuros sobre quotas foram dados como penhor ao abrigo do financiamento do Estádio da Luz.

Ó mister mas o Estádio não é da SAD?



Em 2009 o Benfica aprovou a fusão por incorporação da Benfica Estádio na SAD, como podem ver em cima.

Ou seja, a SAD do Benfica tem neste momento um Estádio cujo penhor é feito sobre as receitas das quotizações dos associados do clube. Lindo, lindo, lindo!

Aposto que isto dará tema de conversa para mais logo nos programas todos, ou então não...

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