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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A reestruturação financeira de Varandas


O Sporting anunciou ontem o "acordo de reestruturação financeira". Estou a usar palavras do próprio clube para descrever o que foi assinado, apesar de não conseguir classificar o acordo anunciado dessa forma. Já passo a explicar. Vamos por partes:

Nota introdutória


Em Abril de 2018, o então Presidente Bruno de Carvalho escreveu um célebre artigo no Diário de Notícias que dava conta de um princípio de acordo que permitia ao Sporting comprar a totalidade das VMOC à banca por 30% do valor nominal. Ou seja, o Sporting fez duas emissões de VMOC, uma no valor de 55 milhões de euros e outra no valor de 80 milhões de euros. Falamos de 135 milhões em VMOC que através desse princípio de acordo ficariam disponíveis para compra do Sporting por 30% do valor, ou seja, 40,5 milhões de euros.

Importa ainda referir que este princípio de acordo alcançado pela direcção de Bruno de Carvalho em Abril de 2018 está registado nas contas do Sporting e inclusivamente no último prospecto obrigacionista emitido já pela direcção de Frederico Varandas em Outubro de 2018.

Prospecto Obrigacionista publicado a 9 de Outubro na CMVM (aqui) 

Portanto, para além da questão da compra das VMOC a 30% do valor nominal (1€), foi ainda definido nesse princípio de acordo a descida da percentagem de afectação de fundos do "excesso de venda de passes de jogadores" de 50% para 35%, assim como foi reduzida a percentagem de Cash Sweep dos 60% para os 35%.

Fica feito o enquadramento histórico.

De adiamento em adiamento


Ainda antes de analisar o acordo propriamente dito, importa recordar que a direcção de Frederico Varandas tem-se fartado de adiar a conclusão desta matéria. O actual conselho directivo andou durante a campanha e o início de mandato a garantir aos Sportinguistas que até ao final do ano de 2018 teriam a reestruturação financeira finalizada. Não tiveram.

Depois, este conselho directivo entrou na senda da gestão silenciosa e passaram apenas a comunicar com os sócios e accionistas, relativamente a esta matéria, através das prestações de contas. Vamos a elas:

Relatório e contas 31/12/2018 - (aqui)
Na prestação de contas semestral anunciaram que a renegociação estaria concluída até final de Março de 2019. Não concluíram.

A 2 de Abril de 2019, o conselho directivo do Sporting fizeram um comunicado onde garantiam que o acordo estaria concluído até ao final da época desportiva.

Comunicado Sporting (aqui)
No final da época desportiva 2018/2019 os Sportinguistas foram brindados com... nada.

Recordo que foi anunciada por estes senhores para final de 2018, depois para final do Março de 2019, depois ainda para final da época 18/19 finda no final de Junho e na realidade só foi anunciada a 9 de Outubro de 2019. Dez meses depois da primeira data avançada.

Francisco Salgado "Azelha"


Primeiro que tudo é necessário referir que o Sporting, mais uma vez, cometeu em erro num comunicado oficial para a CMVM. E é preciso apontar o dedo ao responsável, que é precisamente o senhor Francisco Salgado Zenha, apontado pela SAD do Sporting como representante para as relações com o mercado. Ora, o senhor Zenha apresentou um primeiro comunicado com percentagens melhores do que as que se vieram a concretizar no comunicado de rectificação, emitido cerca de 45 minutos depois do primeiro.


Só para que se perceba a importância deste erro, órgãos de comunicação social como o Diário de Notícias, a TSF ou o Jornal Económico noticiaram o valores do primeiro comunicado do Sporting. Valores que 45 minutos depois de terem sido comunicados foram rectificados em baixa pelo Sporting.

Portanto, o homem que é o responsável máximo pelas finanças do Sporting e pela comunicação com o mercado não teve sequer a capacidade de emitir de forma correcta um comunicado de meia página com valores que deveria ter bem presentes na sua cabeça. Patético. E depois as pessoas ficam aborrecidas comigo quando os classifico de estagiários.

Mas vamos ao acordo propriamente dito.

O acordo apresentado


Link do comunicado "recrificado" (aqui)

Relativamente à formalização anunciada ontem vou dividir a análise por 3 pontos. Vamos lá por partes:

VMOC

Em relação às VMOC, que são o ponto fulcral de acordo, mantém-se tudo na mesma em relação ao que tinha sido definido no principio de acordo assinado em Abril de 2018 pela direcção de Bruno de Carvalho. Não há aqui nada a acrescentar. É igual.

AFECTAÇÃO "EXCESSO DE VENDA DE PASSES DE JOGADORES E CASH SWEEP

Relativamente a estes dois pontos existiu uma "melhoria" do princípio de acordo deixado por Bruno de Carvalho de 5% em cada um destes pontos. O "excesso da venda de passes de jogadores" tinha descido dos 50% para os 35% por Bruno de Carvalho e a actual direcção baixou um pouco mais para os 30%. Em relação ao Cash Sweep tinha descido dos 60% para os 35% no princípio de acordo fechado por Bruno de Carvalho, sendo que agora a direcção de Frederico Varandas desceu um pouco mais para os 5%.

PRÉMIOS DA CHAMPIONS

Importa ainda dizer que do principio de acordo deixado pela direcção de Bruno de Carvalho caiu o ponto referente aos prémios da Champions que tinha sido negociado de forma a aumentar a percentagem de dinheiro a entrar na conta reserva.

A reestruturação financeira 


O primeiro pensamento que tive ao ler o comunicado do Sporting foi: "isto não é uma reestruturação financeira". E de facto não é. Esta é apenas uma peça do puzzle da reestruturação financeira que estava a ser negociada pela administração de Bruno de Carvalho. Um processo que consistia em 3 vectores fundamentais:
- Compra das VMOC a 30% do valor nominal (1€), que já estava definida no principio de acordo assinado em Abril de 2018. Agora passou a estar devidamente formalizado o negócio, mas as VMOC ainda não foram compradas.
- Pagamento integral da dívida bancária ao Novo Banco e BCP com um substancial haircut (perdão de dívida). Continuamos sem informação sobre isto;
- Negociação com uma entidade financiadora para emprestar o dinheiro para liquidar a totalidade da dívida à banca. Muitos rumores na imprensa, mas nada oficial. 

Ora, destes três vectores, nenhum deles está fechado. Deu-se um bom passo ao transformar o princípio de acordo de Abril de 2018 na formalização anunciada ontem, mas a realidade é que as VMOC ainda não foram compradas, apesar de me parecer lógico que no curto prazo isso venha a acontecer. Portanto, tem de haver aqui algo mais a ser anunciado aos Sportinguistas nos próximos dias relativamente aos outros 2 vectores e não me passa pela cabeça que assim não seja.

O acordo anunciado ontem 


A única diferença entre o acordo alcançado ontem e o princípio de acordo alcançado em Abril de 2018 é a diminuição de 5% em duas condições de reembolso dos bancos. Traduzindo isto por miúdos, significa isto que o Sporting terá um pouco mais de folga financeira para fazer a sua gestão, sendo que por outro lado atrasará o reembolso à banca pagando por isso juros.

Para que se perceba melhor, dou um exemplo. Imaginemos que o Sporting tem um excesso de venda de um jogador de 10M de euros. Ora, o que foi ontem anunciado é que 3M desse bolo irá para a banca, ficando o Sporting com 7M para gerir como bem entender. Numa situação idêntica, com o principio de acordo assinado em Abril pela direcção de Bruno de Carvalho o Sporting liquidaria 3,5M à banca e ficaria com 6,5M para gerir.

Portanto, a direcção de Frederico Varandas precisou de uns incríveis treze meses de mandato para conseguir baixar míseros 5% relativos ao reembolso de dívida à banca. Treze meses que deveriam ser apenas 3 meses, como foi prometido aos Sportinguistas. E sabem porque é que era relevante terem fechado este assunto o mais rápido possível? Precisamente porque toda e qualquer venda de jogadores efectuada até à formalização do acordo assinado ontem foi afectada em 50% para a banca e não em 35% como previsto no principio de acordo ou 30% como previsto no acordo assinado ontem. Isto porque o principio de acordo assinado pela direcção de Bruno de Carvalho só se sobrepõe ao acordo quadro assinado em 2014 a partir do momento em que é formalizado (foi ontem). Ou seja, durante os 13 meses utilizados numa negociação para ganhar 5% acabaram por "perder" 15% (50% - 35% do princípio de acordo). Enfim...

Para fechar


Que não restem dúvidas que considero o acordo de recompra das VMOC como sendo muito positivo para o Sporting, mas também para a banca. É que é preciso dizer que o Sporting nem sequer tinha opção de compra da totalidade das VMOC. Só tinha opção de uma parte que permitia ficar com a maioria do capital da SAD. Tudo o resto, na maturação seria convertido em acções e a banca poderia ficar accionista da SAD ou vender essas acções. Não vejo também grande interesse da parte da banca
em ficar accionista do Sporting, portanto, juntou-se a fome com a vontade de comer e assim a banca factura 40,5M de algo que o Sporting não era sequer obrigado a comprar, nem entrava em incumprimento de qualquer espécie se não o fizesse.

Quanto ao acordo em si sabe a muito pouco, face ao que já estava no principio de acordo. Tudo absolutamente igual na questão das VMOC. Quanto aos 5% conquistados no acordo de ontem, parece-me que no final do dia não compensaram de maneira alguma os 13 longos meses de espera, como já expliquei em cima. E também me parece que o facto de termos regularizado todas as obrigações com a banca para fechar este acordo, nos tira poder negocial nos outros 2 vectores fundamentais na real reestruturação financeira e da dívida.

Posto isto fico a aguardar a marcação de uma Assembleia-Geral extraordinária do Sporting Clube de Portugal para o conselho directivo explicar e levar a votos este acordo, tal como os anteriores dirigentes do Sporting o fizeram. E não, não usem a chico-espertice de levar o tema à AG de mais logo que tem como ponto de ordem único o relatório e contas do Sporting. O assunto tem de ser debatido e votado numa AG própria marcada exclusivamente para esse efeito.


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segunda-feira, 2 de julho de 2018

As finanças do Sporting vistas pelo senhor dos empurrõezinhos


Os Sportinguistas foram ontem surpreendidos por uma carta aberta de José Pedro Rodrigues ao Dr. Carlos Vieira. Neste amontoado de ideias teceu uma série de insinuações e mentiras sobre as finanças do Sporting. Como até já tinha planeado um post aprofundado sobre a real situação financeira do clube, aproveito os soundbytes patéticos do "senhor dos empurrõezinhos" para desmontar a propaganda.

Tenho sempre de começar por apresentar José Pedro Rodrigues. Para além de ser amplamente conhecido por afirmar que deu uns empurroezinhos no vergonhoso negócio de Odivelas, este artista também é conhecido por trocar emails com Pedro Guerra e por enviar documentação falsa para as redacções dos jornais. Esteve nas listas de gente tão credível quanto Pedro Madeira Rodrigues e Paulo Pereira Cristóvão.

O próprio Carlos Vieira explica um pouco melhor quem é este senhor. 


A verborreia do artólas pode ser lida de seguida:


"Godinho Lopes e Dr Sikander Sattar são os pais da reestruturação financeira"


Isto vem da boca do mesmo tipo que desvaloriza por completo a construção do Pavilhão João Rocha por parte da Direcção de Bruno de Carvalho, afirmando que já estava planeado por Godinho Lopes. Este reescrever da história não pode ser permitido. Vou apenas deixar aqui dois prints sobre o a luta que Bruno de Carvalho teve de levar a cabo para conseguir fechar uma reestruturação financeira de forma a que permitisse ao Sporting ser dono do seu destino.

Capa Jornal Abola 10-04-2013
Os Sportinguistas estarão por certo recordados que até chegou a existir um movimento entre os adeptos no sentido de fecharem as contas no BES e no BCP como forma de mostrar a força do Sporting. 

Link da notícia (aqui)
De facto, Godinho Lopes é pai da reestruturação financeira, mas não no sentido que o tipo dos empurroezinhos quer fazer passar. É o pai porque levou o Sporting a um buraco financeiro tão grande que não restou outra opção ao Sporting. 

Mas acho piada ao facto de José Pedro Rodrigues querer dar a Godinho Lopes o mérito da reestruturação financeira para depois de seguida se queixar de duas vertentes negociadas no âmbito da RF. A saber: 



Como é lógico, a emissão de 80M de VMOC estavam negociadas no plano de reestruturação financeira, assim como a fusão por incorporação da SPM na Sporting SAD. A tal operação que ao contrário do que este pateta diz, para além de ter aumentado o activo, permitiu ao Sporting um aumento de capital social de 8 milhões de euros (dos 39M para 47M) permitindo ao clube deter ainda mais capital social da SAD, garantindo no futuro a maioria do capital da SAD, mesmo com a conversão das VMOC. 

"Os vossos cinco anos de mandato trouxeram 100M de € de divida financeira adicional"


Nada melhor do que um quadro com os valores relativos à dívida financeira.

* Últimos dados conhecidos referentes ao 3º trimestre de 2017/2018

Por "dívida financeira" consideramos as dívidas a instituições bancárias. Reparem bem no seguinte: José Eduardo Bettencourt deixou a SAD com cerca de 50 milhões de euros de dívida financeira. Chegou Godinho Lopes e somou a esses 50M uns inacreditáveis 108M perfazendo os medonhos 158 milhões de euros de dívida bancária. 

No primeiro ano de mandato de Bruno de Carvalho a dívida bancário em cerca de de 22M, uma vez que o Sporting teve de aumentar o financiamento bancário para conseguir fazer face às despesas correntes deixadas por Godinho Lopes. Dai em diante o valor global da dívida bancária tem vindo sempre a descer situando-se nos 102 milhões (dados do último ReC). 

Portanto, com Bruno de Carvalho e Carlos Vieira a dívida bancária desceu quase 56 milhões de euros. Mas o tipo dos empurrõezinhos acha que aumentou 100 milhões de euros. Sobre o seu amigo que lhe prometia empurrões e que só aumentou a dívida bancária em 108M, nem uma palavra...

"45 M€ de resultados operacionais negativos"


Mais uma vez, começo pelo quadro...

* Últimos dados conhecidos referentes ao 3º trimestre de 2017/2018
Os resultados operacionais referem-se à diferença entre as receitas ordinárias e as despesas ordinárias. No fundo estamos a falar de todos as rúbricas de despesas e receitas sem contarmos com as transferências de jogadores. Ora, desde logo é preciso dizer que o resultado operacional total do mandato de Bruno de Carvalho está nos 33,7M negativos, o que não bate certo com o número de empurrador. Só por comparação, vejam bem o nível do desequilíbrio das contas de Godinho Lopes (75M negativos em apenas duas épocas).

Explicando agora melhor o que está em causa. Nenhum clube que lute pelo título em países periféricos consegue pensar em ter resultados operacionais positivos. Isto acontece no Sporting, no Porto e no Benfica. Os grandes estão sempre dependentes de encaixes financeiros que possam obter com a venda de jogadores. As chamadas receitas extraordinárias. É este o modelo que tem de ser seguido, seja por Bruno de Carvalho, pelo Manuel ou pelo Joaquim. Claro que tudo tem um limite e Bruno de Carvalho e Carlos Vieira sempre souberam estar dentro do limite que permite à SAD ter resultados líquidos acumulados positivos. 

José Pedro Rodrigues fala sobre resultados operacionais negativos, quando na realidade o que interessa são os resultados líquidos acumulados dos exercícios. Não lhe interessa falar nisso porque Bruno de Carvalho e Carlos Vieira liquidam os anteriores presidentes com larga margem...

* Últimos dados conhecidos referentes ao 3º trimestre de 2017/2018
Como podem verificar, só dois presidentes deixaram lucros na SAD. Filipe Soares Franco com 2,8M e Bruno de Carvalho com 19,4M. Os restantes presidentes só deixaram buracos, com claro destaque para José Eduardo Bettencourt (70,5M de prejuízos), Godinho Lopes (89,7M de prejuízos) e Dias da Cunha com o recorde de (90M de prejuízos). 

"Antecipado receitas no valor de 60 M€ de televisão, publicidade e bilhética"


É aqui que está o ouro meus amigos. Já tenho referido isso inúmeras vezes, mas as pessoas parece que continuam sem ouvir. Passo a explicar. 

ReC 3º trimestre 2017/2018
No último ReC conhecido da Sporting SAD (3º trimestre 17/18), é possível verificarmos quanto é que o Sporting antecipou de receitas futuras. Este tipo de operações de antecipação de receitas são efectuadas através de um factoring. Ora, neste momento o Sporting tem 3,765M (não corrente) e 3,70M corrente. Tudo somado dá a módica quantia de 7,515M. É este o valor de receitas antecipadas que o Sporting tem. Como é lógico, mais um tiro ao lado do senhor dos empurrões, que apontava para um valor na casa dos 60M. 

O Petróleo de Alvalade


Mas vamos ao que interessa. Vamos lá falar do ouro ou do petróleo de Alvalade. Em relação ao contrato com a NOS, importa dizer que esse contrato entrou ontem em vigor. Repito: ONTEM!!!

Curiosamente, não vejo ninguém a falar nisso. Só se fala em falência, insolvência, fecho de portas e afins. De facto dá muito jeito passar uma imagem débil das finanças do Sporting para que certos negócios sejam justificados. Recordam-se por certo do artigo de Bruno de Carvalho - ainda antes de toda esta crise - que dava a conhecer aos sócios que o Sporting iria comprar as VMOC e ficar com 90% da SAD, fazendo com que a Holdimo passasse de uma percentagem de 30% de capital da SAD para um valor inferior a 10%. Pois é meus amigos, é isto que esta gente tenta evitar a todo o custo lançado o terror entre os sócios do Sporting.  

O Sporting tem o contrato com a NOS praticamente todo para antecipar em caso de necessidade. Reparem nisto: 


O Benfica anunciou recentemente a antecipação de 100M do contrato com a NOS para liquidar empréstimos a bancos nacionais. O Porto tem cerca de 71,6M de receitas antecipadas de várias vertentes (TV, UEFA, Clientes e patrocinadores). O Sporting tem apenas 7,5M de receitas antecipadas. Há muito por onde ir buscar em caso de necessidade. Posto isto, já podemos parar de dizer que o Sporting está falido? 

Deixo para reflexão aos leitores o porquê deste ataque numa fase em Bruno de Carvalho e Carlos Vieira já não fazem parte dos órgãos sociais do Sporting, assim como o facto de o Jornal Record se prestar a este serviço de divulgação. 

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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Então e o default financeiro?


Durante semanas os Sportinguistas tiveram de levar com paineleiros e pseudo-experts financeiros a analisarem o pedido da SAD para o adiamento da data de vencimento do Empréstimo Obrigacionista. Rui Pedro Braz, Jaime Antunes e Camilo Lourenço foram os mais libertinos nas suas analises. A manipulação foi tanta que até profundas análises se fizeram em relação às acções da SAD do Sporting. 

É importante que as pessoas recordem esses episódios:
- A cotação da Sporting SAD (aqui)
- Moment of Zen - A forma como a crise está a afectar as acções da SAD (aqui)
- O "default" mental de Camilo Lourenço (aqui)

Na manhã de Domingo foi realizada uma Assembleia Geral de Obrigacionistas para a definição deste pedido de adiamento.

O comunicado


Portanto, "o drama, a tragédia e o horror" acabou numa aprovação por unanimidade dos Obrigacionistas. Repito, por UNANIMIDADE. Este exemplo serve para que os Sportinguistas percebam o papel da imprensa na completa desinformação que existe. 

Em relação ao adiamento do adiamento do reembolso do Empréstimo Obrigacionista para 26 de Novembro de 2018, é importante que os Sportinguistas saibam que é apenas um dos passos para a conclusão final e definitiva da reestruturação financeira que está a ser levada a cabo. 

Passo 2: 
Para os próximos dias está planeado o lançamento de novo empréstimo obrigacionista de 15 Milhões. Segundo Bruno de Carvalho, na CI que deu recentemente, a preparação da operação está a correr bem e será efectuada em parceria com o Novo Banco e com o BCP. 

Passo 3:
Em Novembro será lançado novo empréstimo obrigacionista para liquidar o empréstimo obrigacionista que agora foi adiado para essa altura. Quer no EO que será lançado agora como neste de Novembro, José Maria Ricciardi fez um proposta de intermediação da operação. Vamos recordar as palavras de Bruno de Carvalho:

"Ricciardi quis com toda a força assessorar com a sua nova empresa, a Optminal Investments, o negócio do empréstimo obrigacionista. A proposta por nós analisada e recusada e a partir daí começou a juntar as suas tropas."

Curiosamente, esta semana José Maria Ricciardi foi apanhado a almoçar com Rogério Alves, João Benedito e Jorge Tomé, outro dos sócios desta Optimal Investments. Coincidências. Mais informação (aqui).

Passo 4:
Depois dos passos anteriores estarem completos será fechado o processo de reestruturação que permitirá ao Sporting resolver de forma definitiva a questão das VMOC, aumentando o capital social da SAD para os 202 milhões de euros, ficando o Sporting (clube) com cerca de 90% do capital da SAD. Quem não gostou nada da "brincadeira" foi Álvaro Sobrinho da Holdimo, empresa que detêm 30% do capital da SAD. É que com a compra e a conversão das VMOC por parte do Sporting o senhor angolano passará dos 30% para uns míseros 9,90% do capital da SAD. Uma chatice...

Com o processo fechado o Sporting ficará a ser dono do seu futuro de forma definitiva e deixará de estar obrigado a ter um administrador da Holdimo e outro da banca na sua administração. Total poder aos sócios do clube. É por isso muito importante que os Sportinguistas percebam todas estas movimentações e a pressa com que alguns Sportinguistas estão para tomarem o poder e impedirem a concretização de algo que é absolutamente fundamental para o Sporting e para os seus sócios.


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segunda-feira, 30 de abril de 2018

OFICIAL: Sporting garante maioria do capital da SAD


Bruno de Carvalho anunciou hoje em texto publicado no Diário de Notícias que o Sporting garante já no início da próxima época que a maioria do capital da SAD continue nas mãos do clube, através da compra das VMOC. Uma notíocia absolutamente histórica que merece muita atenção por parte dos Sportinguistas. Aqui fica toda a explicação. 

VMOC - Uma perspectiva histórica


As VMOC entraram no Sporting em 2011 pelas mãos de José Eduardo Bettencourt. Em Janeiro desse ano foi concretizada a emissão de 55 milhões de VMOC. Importa recordar que este senhor pediu demissão precisamente no dia seguinte ao da concretização desta emissão. Mais uma daquelas "coincidências" que ficará para a história do Sporting. 

Estas VMOC tinham de ser recompradas em 2016 para o Sporting não perder a maioria do capital da SAD. Entretanto, Godinho Lopes entrou no clube e sabia perfeitamente que tinha de "amealhar" dinheiro para manter a maioria do capital da SAD. E o que é que o sôr Engenheiro fez? Não só não amealhou um único cêntimo, como deixou um buraco de 90 milhões de euros só na SAD. 

Portanto, chegamos a Março de 2013 com 55M em VMOC para liquidar e com um buraco de 90 milhões na SAD. Nessa altura, Bruno de Carvalho entrou no Sporting e negociou o plano de reestruturação financeira. 

Plano de reestruturação financeira


No plano de reestruturação financeira negociado por Bruno de Carvalho ficaram definidas três medidas fundamentais:
1 - Emissão das VMOC B, no valor de 80M com conversão em 2026. Montante que serviria para tapar o buraco deixado por Godinho Lopes;
2 - Emissão de VMOC C no valor de 55M para liquidar as primeiras VMOC A dos tempos de José Eduardo Bettencourt. 
3 - Aumento de capital no valor de 18M por entrada de novos investidores.

Destas três medidas, só a primeira se concretizou. Isto porque a execução do plano de reestruturação financeira foi superando todas as expectativas traçadas inicialmente. Passo a explicar ponto por ponto.

1 - Em final de 2014 o Sporting emitiu as tais VMOC B no valor de 80M, conforme planeado. Importa referir que destes 80M o Sporting só tem opção de compra de 44 milhões de acções, precisamente o número que lhe garantia a maioria do capital da SAD. 

2 - Em relação às VMOC A, Bruno de Carvalho teve uma primeira jogada de génio ao convocar uma Assembleia-geral de titulares de VMOC no inicio de 2016. Nessa assembleia-geral conseguiu fazer com que os subscritores das VMOC (bancos e particulares) aceitassem alterar a data de conversão destes 55M de VMOC de 2016 para 2026, precisamente para a mesma data de vencimento das VMOC B (80M). Ou seja, isto permitiu que o Sporting não tivesse de emitir as tais VMOC C de imediato, podendo ou não fazê-lo no futuro. Um jogada absolutamente brilhante que deu margem para a negociação hoje anunciada. Já lá vamos.

3 - Em relação à entrada do investidor no montante de 18M, o Sporting fez ainda melhor, uma vez que negociou com a Holdimo a conversão de uma dívida deixada dos tempos de Godinho Lopes, convertendo-a em capital da SAD e libertando percentagens de passes de jogadores que foram sendo dados por Godinho Lopes. 

Ficamos com isto



É esta a actual estrutura accionista da Sporting SAD. Depois há ainda os 135 Milhões de VMOC (55 das VMOC A e 80 das VMOC B). 

Como manter a maioria do capital da SAD?


Desse bolo dos 135M de VMOC, o Sporting precisaria de comprar os tais 44M de acções para manter a maioria do capital social da SAD. Isto tendo em conta a tal emissão de um investidor no montante de 18 Milhões e a emissão das VMOC C. Mais em baixo mostro como ficaria a estrutura accionista de acordo com o que estava acordado.

Em sede de reestruturação financeira, ficou definido que o preço de compra era dado por uma formula que multiplicava o preço da acção por 1,2 desde desde que não ultrapassasse o 1€/acção. Por isso, no máximo dos máximo o Sporting precisaria de 44 milhões de euros para garantir a maioria do capital da SAD. 

As acções do Sporting estão hoje nos 0,7€. Ora, se o Sporting quisesse comprar hoje as acções necessárias para garantir a maioria do capital da SAD teria de pagar 36,96 milhões de euros (44Mx0,7€x1,2). 

Importa referir que existe uma conta de reserva onde está a ser amealhado dinheiro para a compra das VMOC. No último relatório e contas é referido que o montante amealhado está nos 5,115 milhões de euros. 

Relatório e contas semestral Sporting 17/18

Melhoria das condições da reestruturação financeira


Hoje, o Presidente Bruno de Carvalho escreveu um texto no Diário de Notícias sobre o estado das finanças do clube que pode ser lido (aqui). Atentem bem nesta passagem: 

"Nestes últimos meses, conseguimos negociar uma melhoria das condições da reestruturação financeira, não por necessidade de financiamento adicional pelos Bancos (BCP/NB) ou por um falhanço da reestruturação, mas sim pelo sucesso da mesma. Esta melhoria da reestruturação representa uma adaptação à nova realidade de sucesso financeiro e competitivo do Grupo Sporting. Consideramos que o ponto de maior importância para os Sócios do Sporting CP é a alteração do valor máximo a pagar para garantir a manutenção da maioria na SAD passando de 44 milhões para 17,5 milhões, dos quais já temos na conta reserva 5 milhões e no início da próxima época já teremos a totalidade necessária para garantir a maioria na SAD;

Portanto, Bruno de Carvalho está a garantir que no início da próxima época o Sporting terá assegurada a a maioria do capital da SAD pagando apenas 17,5 milhões de euros, dos quais já estão mais de 5 milhões na conta de reserva. Absolutamente genial!

"Quando a esmola é muita..."


Ó mister, então se fosse hoje tínhamos de pagar 36,96 milhões pelas VMOC necessárias para manter a maioria do capital da SAD e afinal só vamos pagar 17,5 milhões de euros? Isso não é esmola a mais? 

Bem, existe aqui uma contrapartida para o Sporting pagar "apenas" 17,5M pelas VMOC necessárias para manter a maioria do capital da SAD. Cá está ela:

"Definição do preço de compra de cada VMOC a 30 cêntimos por utilização da conta reserva, o que significa que o Clube e seus sócios apenas necessitam de 40,5 milhões para comprar a totalidade das VMOC, em vez dos anteriores 135 milhões, o que até é inferior ao esperado valor de 44 milhões necessário para garantir apenas a maioria na SAD (em que os Bancos ficariam com 91 milhões de VMOCs em seu poder); Com a alteração de condições de reembolso e a opção de compra das VMOCs, deixa de haver a necessidade da nova emissão de 55 milhões de VMOCs (a ser subscritas pelos Bancos) nem do aumento de capital de 18 milhões, podendo este ser feito ou não."

Portanto, isto quer dizer que o Sporting ficará "obrigado" a ficar com TODAS as VMOC (135 milhões de VMOC) por 40,5 Milhões de euros, quando no primeiro acordo de reestruturação financeira teria de pagar no máximo 44M de euros pelas 44 milhões de VMOC que garantiam a apenas a maioria do capital da SAD. 

Importa salientar que deixa então de haver a necessidade de emitir as tais VMOC C e que o tal investidor dos 18 milhões deixa de ser necessário. De seguida apresento as duas simulações da estrutura accionista.

Resumindo:



No quadro anterior está feita a comparação entre o que foi delineado e o que foi apresentado hoje por Bruno de Carvalho, depois de novas negociações com a banca. Aqui ficam algumas ideias:

- O Sporting passa de um posição em que teria de pagar um montante entre os 30 e os 44 milhões de euros para ter 51,57% para uma situação onde pagará 40,5 milhões de euros para ter 88% do capital social da SAD. 
- Com esta negociação é garantido que a banca não será accionista da Sporting SAD
- A Holdimo que hoje detêm cerca de 30% da SAD passará a ter uma posição de 9,90%. Talvez agora se perceba toda a dor de Álvaro Sobrinho e da Holdimo quando vieram a terreiro pedir uma AG extraordinária da SAD. 

Se subsistirem dúvidas sobre a reestruturação financeira "original" podem consultar um post que fiz há uns meses (aqui).

Concluindo


Sinceramente, já não há muitas palavras para descrever o trabalho absolutamente notável desta administração. É fantástico o trabalho que tem sido feito por Bruno de Carvalho e Carlos Vieira na recuperação financeira do Sporting. O clube e a SAD são hoje entidades completamente saudáveis em termos financeiros e não paira sobre nós o espectro da falência como aconteceu nos tempos de Godinho Lopes. Pavilhão construído e pago, modalidades pujantes, constantes resultados financeiros quer na SAD quer no clube, equipa de futebol dotada de um treinador e de jogadores de nível mundial, obras na Academia e no estádio que conta agora com um relvado digno do Sporting, etc.

Com o anúncio de hoje, a nossa independência está assegurada. Não entrará nenhum banco no nosso capital e nenhum investidor terá capacidade de influenciar o que quer que seja. No Sporting mandam os Sportinguistas, e isso não tem preço! 

Garantida a sustentabilidade financeira, fica a falta a vitória no campeonato nacional de seniores masculinos. Daqui em diante, é nisso que todos temos de nos focar.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Reestruturação Financeira: Tratamento de favor ou sufoco financeiro?


A cartilha do regime costuma ser muito clara na narrativa que deve ser seguida pelos seus cartilheiros nos mais diversos temas. Contudo, há um assunto cuja abordagem é bilateral. Falo das Finanças do Sporting e da sua reestruturação financeira. Na boca e nos escritos destes senhores, tão depressa o Sporting teve um tratamento de favor correspondente ao bitaite da"concorrência desleal", como está num terrível sufoco imposto pela banca. Vejamos:

A propaganda de final de mercado


A cada início de Setembro a habitual propaganda relativa aos montantes que o Sporting tem de entregar à banca começa a aparecer. Precisamente, dias antes do anúncio oficial do Relatório e Contas anual das clubes nacionais.

O ano passado foi o Correio da Manhã a tratar da ocorrência. 


Este ano, foi a vez do jornal Ojogo ficar encarregue do serviço. No passado domingo escreveram isto:


Ojogo a falar das finanças do Sporting dá sempre o mesmo resultado: Mentira!


Cliquem para aumentar

Antes de passar à análise daquilo que foi escrito pelo jornaleiro Rui Miguel Gomes - um habitué nestas andanças do carvão contra o Sporting - quero fazer um primeiro esclarecimento:

Em sede de reestruturação financeira ficou definida a obrigação do Sporting em reembolsar os bancos mediante a entrada de algumas receitas. A saber:
a) venda de passes de jogadores
b) venda participação social
c) participação na fase de grupos da Champions League
d) participação na Liga Europa
e) compensações de seguros
f) aumento de capital

O jornal Ojogo pega no tema pela questão das vendas de passes de jogadores e nas receitas da Champions. Começo pelas vendas dos jogadores:

A mentira dos 50%


Diz o jornal Ojogo que "A SAD está obrigada a entregar 50 por cento do valor das receitas com a alienação de jogadores ao BCP e Novo Banco". Não satisfeito, Rui Miguel Gomes acrescenta: "No fundo, qualquer operação em torno da alienação de atletas impõe o pagamento de 50 por cento do proveito ao BCP e ao Novo Banco, o que, no caso da presente temporada, se traduz em 26,162 milhões de euros". 

Nada mais falso! E passo a explicar, com prints do acordo quadro publicado no Footballeks.



Como podem verificar, o valor do reembolso relativo a venda de passes de jogadores é de 30% até as tranches D e B estarem liquidadas e assim que isso aconteça desce para os 20%. Fica assim desmontada a mentira que querem continuar a fazer passar. Gostava era de perceber como é que a jornaleiragem chegou aos 50%. Será que somaram 30%+20% !? Autênticos génios...

O reembolso dos valores da Champions



Neste caso, o jornal Ojogo está certo. Como a receita da entrada na fase de grupos já ultrapassou os 14 Milhões de Euros o Sporting terá de reembolsar a banca em 5 Milhões de Euros.

Ó mister e como é que está a correr o acordo de reestruturação financeira? Estamos a pagar isso direito?


A execução do acordo de reestruturação financeira está a corre melhor do que o que foi delineado. Neste momento o Sporting está com uma folga de cerca de 10 milhões de euros. Passo a explicar.

No acordo de reestruturação financeira ficou previsto que o Sporting só começaria a reembolsar a banca pelos negócios fechados em 2014/2015. A direcção de Bruno de Carvalho entrou no final da época 2012/2013 tendo ficado a época de 2013/2014 como uma espécie de período de carência para que o clube pudesse recuperar o fôlego financeiro. O Sporting começou a reembolsar os montantes das vendas de jogadores, prémios da UEFA, etc a partir da época 2014/2015.

Importa dizer que no que às vendas diz respeito, o Sporting tem de reembolsar a banca até ao final do mês seguinte ao fecho do exercício em que a receita for obtida. Isto é o mesmo que dizer que o reembolso das vendas de jogadores que fizemos esta época só terá de ser pago até ao final do mês de Julho de 2018.

Em relação aos prémios da UEFA o procedimento é diferente. O Sporting reembolsa 70% desse montante até ao dia 31 de Outubro e os restantes 30% até 31 de Janeiro. Isto é o mesmo que dizer que dos 5M que o Sporting reembolsará esta época, 3,5M serão pagos até ao final do mês de Outubro e os restantes 1,5M serão pagos até 31 de Janeiro.

10 Milhões guardados para as VMOC


Como vimos em cima, no que toca a vendas de jogadores os bancos são reembolsados a 30% enquanto as tranches anuais B e D não estão liquidadas. Quando ficam liquidadas, o reembolso dos restantes compromissos bancários é reembolsado a 20%. O Sporting tem reembolsado as tranches B e D, assim como os restantes compromissos bancários e ainda tem sobrado dinheiro. E isto deve ser duro de ouvir por parte de tanta gente...

Mas vamos a contas:


Os montantes reembolsados em "excesso" pelo Sporting são canalizados para uma conta de reservas. Como podem verificar, desde o final da época 2014/2015 que o Sporting tem um montante significativo na conta de reservas.

Deixo ficar o print do último relatório publicado.

ReC 3º trimestre 16/17
Esta é a informação divulgada no último ReC publicado pelo clube. No mesmo relatório a SAD do Sporting informou que:


Portanto, o Sporting tem cumprido com todos os seus compromissos com a banca de forma fantástica, tendo até conseguido guardar cerca de 10 Milhões de Euros para comprar as VMOC necessárias para manter a maioria do capital da SAD.

Os relatórios e contas anuais das SAD dos três grandes devem ser divulgados nos próximos dias e ai este valor ficará confirmado. Quando sair o ReC falarei sobre este assunto.

Augusto Inácio desmonta a mentira do jornal Ojogo


No passado domingo, Augusto Inácio desmontou por completo a mentira do jornal Ojogo. Vejamos:


É importante que os Sportinguistas estejam atentos à realidade financeira do clube para não serem "comidos de cebolada" como diz o outro. O que Augusto Inácio fez foi verdadeiro serviço público leonino.

Tratamento de favor ou sufoco financeiro?


Não deixa de ser interessante que os rivais fiquem confusos sobre a narrativa a aplicar. Por um lado acham que houve tratamento de favor da banca e que o Sporting está numa situação de concorrência desleal. Por outro lado gostam de dizer que o Sporting está sufocado financeiramente e que as receitas vão todas para a banca. Decidam-se senhores...

Respondendo à pergunta formulada no título do post: O Sporting fez um acordo que lhe permite cumprir com as suas obrigações com a banca dando plenas garantias a estas instituições do pagamento integral do que está acordado. Um acordo que é bom para ambas as partes e que foi conseguido na altura certa, como foi dizendo Bruno de Carvalho. Os cortes feitos no início do mandato permitiram ao Sporting ganhar novo fôlego financeiro para agora investir na sua equipa de futebol, indo em contra-ciclo com a política dos rivais.

No FC.Porto a intervenção da UEFA é conhecida de todos e não haverá grande margem para manobra, mas entre os benfiquistas ninguém se questiona pelo facto de um clube facturar tanto em e não investir em posições onde precisa de reforços?

O ReC anual da época 2016/2017 a anunciar nos próximos dias trará o maior lucro de sempre da Sporting SAD. Algo que deixará muita azia no ar. Será também o terceiro exercício económico desta administração da SAD com as contas a darem lucro. O único exercício com prejuízos foi o de 15/16 derivado em grande parte ao "caso Doyen". Por falar em caso Doyen, amanhã é dia de estrear o Pavilhão João Rocha.


Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já. 

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Toda a Verdade sobre as Finanças do Sporting


Neste post quero deixar um esclarecimento sobre a real situação financeira do Sporting para que de uma vez por todos as pessoas tenham uma noção do que tem sido feito em termos económico-financeiros nos últimos anos.

A explicação será simplificada ao máximo e darei exemplos do dia-a-dia para que mesmo as pessoas menos conhecedoras destas realidades consigam perceber.   

Conceitos base


A ideia fundamental para uma boa gestão passa sempre por termos mais receitas do que despesas. Se não gastarmos mais do que o que recebemos estamos no caminho certo. Isto acontece na economia familiar como empresarial. Este é o conceito fundamental que devemos ter sempre na nossa mente. 

Vamos ao exemplo prático que nos acompanhará ao longo de todo o post: Apresento-vos a família Silva. Os "Silva" têm dois filhos. Os pais trabalham e têm um vencimento de 1000€/cada. O filho mais velho tem um part-time onde ganha 500€ e o mais novo tem uma mesada de 100€ dada pelos pais. 

Activo e Passivo

A família Silva comprou uma casa por 100 Mil Euros. É esse o seu principal activo. Do lado do passivo está o crédito bancário usado para comprar a casa. Os vencimentos conseguidos ao longo do período também fazem parte do activo, assim como as despesas fazem parte do passivo. No fundo, os activo são as coisas "boas" e o passivo as coisa "más".

No caso da Sporting SAD há algo que afecta e muito o seu activo. Todos os jogadores que saem da academia valem zero no activo. Esta é uma enorme limitação contabilística e que prejudica gravemente clubes formadores como o Sporting.

Usando o nosso exemplo, a família Silva tem um quintal onde "produz" frutas e legumes. Esses valores não são considerados activos. Por outro lado, se forem ao supermercado e comprarem frutas e legumes, esses valores entram no activo da família.

Relatórios e contas

Os relatórios e contas de empresas "normais" têm periodicidade anual e o período de análise é o ano civil. No caso das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) cotadas em bolsa, a periodicidade de apresentação foi trimestral até ao final do exercício 2015/2016. No final dessa época, deixou de ser obrigatória a publicação de relatórios com base trimestral.

Nas SAD, é usado o ano desportivo para análise. Em termos de trimestre eram estes os períodos usados:

ReC do 1º Trimestre - De Julho a Setembro
ReC do 1º Semestre - De Julho a Dezembro
ReC do 3º Trimestre - De Julho a Março
ReC Anual - Julho a Junho

Dos clubes portugueses, o Sporting é o único que continua a publicar relatórios e contas com base trimestral, continuando a sua política de total transparência. A Sporting SAD já apresentou o ReC do 1º trimestre de 2016/2017, enquanto que Benfica e Porto não o fizeram. O último ReC publicado por estes dois clubes foi o anual da época desportiva 2015/2016.

No caso das contas do clube, ou as contas consolidadas de todo o grupo, a base de análise é o ano desportivo e não há relatórios trimestrais. Sai apenas um relatório por ano que engloba o ano desportivo que inicia a Julho e termina em Junho. 

No nosso exemplo, podemos apresentar o ReC do filho mais velho, o ReC dos pais ou até o ReC do filho mais novo. Nos clubes de futebol é preciso percebermos que tal como numa família existem vários membros. No caso do Sporting, há duas entidades principais: A Sporting SAD, que gere tudo o que está ligado com o Futebol e o Sporting (Clube) que gere todas as outras modalidades. 

Dentro destas duas entidades existem outras empresas associadas e cujos resultados influem nas prestações de contas. Mas já lá vou.

Resultado Líquido do Exercício

Resumidamente, o RLE dá-nos a diferença entre as receitas e as despesas num determinado período. No fundo é a resposta ao conceito inicial que aqui coloquei. Será que estamos a gastar mais do que o que recebemos?

Assumindo que o período é um mês: A família Silva tem receitas de 2500€ mensais em salários. Gasta 1000€ para a prestação da casa e derivados; 1000€ para alimentação e os tais 100€ de mesada ao filho mais novo. Contas feitas, sobram 400€. É este o Resultado líquido do exercício. 

Consolidação de contas

Muito se fala de contas consolidadas neste país, mas poucos são aqueles que percebem o seu significado. No caso das contas das SAD dos 3 grandes, todas são consolidadas. Isto quer dizer que outras empresas cuja SAD detém percentagem societária são consideradas na análise. 

Recorrendo ao nosso exemplo, imaginemos que a SAD é composta pelo casal Silva do nosso exemplo. A Sra Silva emprestou hoje ao marido 100€, mas o Sr.Silva tinha emprestado 100€ na semana passada à sua esposa. Ora, se analisarmos as contas individualmente a Sra Silva tem 100€ de dívidas e o Sr. Silva tem 100€ de dívidas. Consolidar contas não é somar passivos e activos. Este casal não deve 200€, está com contas saldadas. Isto quer dizer que não devem nada a nenhuma entidade externa.

Existem então as contas consolidadas da SAD, as contas consolidadas do Clube e as contas consolidadas do Universo Sporting. Estás últimas englobam tudo o que está relacionado com o clube e são as mais importantes para que os sócios conheçam a realidade global do clube. É a mesma coisa com o nosso exemplo familiar. O mais importante é termos acesso às contas consolidadas dos 4 elementos da família Silva para não existirem dúvidas.

Mas vamos lá a contas, começando pelas contas do clube. O Sporting (clube) é a sociedade que gere as modalidades do clube com excepção do futebol que está na SAD.

As contas do Sporting Clube de Portugal


As contas do clube começaram a ser publicadas no site do clube para acesso livre depois da entrada da direcção de Bruno de Carvalho. Até essa data só os sócios que comparecessem nas Assembleias Gerais do clube ou que pedissem essa informação juntos dos serviços é que conseguiam ter acesso a esta informação. Realço que quer Benfica, quer Porto não publicam as contas do clube no seu site.

Aqui fica um gráfico com os resultados líquidos das últimas 5 épocas. 

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No gráfico anterior temos os Resultado Líquidos das últimas 5 temporadas que como vimos anteriormente é o que nos permite perceber se estamos a gerir bem os nossos recursos. Vejamos agora a tabela com números claros.


Como podem verificar, nas duas épocas que Godinho Lopes esteve à frente do Sporting, o clube deu prejuízo. Godinho Lopes que foi também capaz de aumentar o passivo e diminuir o activo. Já Bruno de Carvalho conseguiu o enorme feito de colocar o clube a dar lucros consecutivos. O Passivo aumentou em cerca de 4 Milhões de Euros, mas o activo subiu uns impressionantes 19 Milhões de Euros. Sobre o exercício em curso só serão divulgados os resultados mais para o final do ano civil. De qualquer forma, o orçamento apresentado em AG no mês de Abril aponta para que o clube dê novamente lucros.

Para além dos lucros consecutivos, a direcção de Bruno de Carvalho conseguiu aumentar o património do clube ao construir um pavilhão para as suas modalidades. E não foi um pavilhão qualquer, uma vez que estamos a falar no maior e melhor pavilhão de clubes em Portugal. Importa também referir que o Sporting não aumentava o seu património há décadas.


Aqui fica um bom resumo dos dois últimos mandatos no clube. Godinho deixou 6M de prejuízos e Bruno de Carvalho, para além dos 12M de lucros ainda deixou um pavilhão construído e pago.

As contas da Sporting SAD


Vejamos agora as contas da Sporting SAD, que é a entidade que gere o futebol do Sporting. Começo por analisar os Resultados líquidos da SAD por época desde a constituição da SAD até hoje.

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Importa salientar que o resultado de 2016/2017 é relativo ao 1º trimestre de 2016/2017, que são os últimos dados conhecidos. Esse valor será usado no quadro seguinte.


Em 2010/2011 e 2012/2013 José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes interromperam os seus mandatos no mês de Março, pelo que não me parece justo considerar os novos presidentes eleitos nesse mês como responsáveis pelos resultados financeiros da época quando não tiveram qualquer interferência na gestão das épocas.

O melhor resultado líquido do exercício ocorreu na época de 2004/2005 na Presidência de Dias da Cunha. Resultado esse que foi conseguido através da venda do centro Comercial Alvaláxia, do Edifício Visconde de Alvalade, do Holmes Place e da clínica CUF. Esta foi a segunda fase da delapidação do património não desportivo do Sporting CP. Um momento absolutamente trágico para o clube e que infelizmente muitos Sportinguistas não têm conhecimento.

Lembram-se do nosso conceito base de gastar menos do que o que se recebe? Em 19 época de SAD, só por 7 ocasiões a SAD gastou menos do que o que recebeu. Dessas 7 ocasiões, 3 foram com Bruno de Carvalho, e aqui já estou a incluir o resultado da época em curso. Os cerca de 63 Milhões de lucro do apresentados no 1º trimestre desta época, será obviamente mais baixo no relatório anual, mas não há dúvida absolutamente nenhuma que a época vai terminar com os maiores lucros de sempre (se retirarmos a tal época da venda do património não-desportivo).



Voltando ao nosso conceito base de gastar menos do que o que se recebe podemos verificar algumas coisas "engraçadas".

- Godinho Lopes deixou um buraco na SAD de cerca de 90 Milhões de Euros em apenas duas épocas. No clube, como vimos anteriormente foram mais 6 Milhões em prejuízos. Tudo somado, Godinho Lopes deixou um buraco no Sporting de cerca de 96 Milhões de Euros. E não estão aqui incluídas outras empresas do grupo Sporting. Mais em baixo está o real buraco que Godinho Lopes deixou no Sporting.

- José Eduardo Bettencourt deixou um buraco na SAD de 70 Milhões de Euros. Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa.

- Dias da Cunha deixou um buraco de cerca de 26 Milhões de Euros na SAD e vendeu tudo o que restava do património não desportivo do clube (Centro comercial Alvaláxia, Clínica CUF, Holmes Place e edifício Visconde de Alvalade). Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa. 

- José Roquette deixou um buraco de cerca de 14 Milhões de Euros na SAD e vendeu ao desbarato os terrenos do antigo estádio à empresa MDC Multi Development. A tal empresa cujos filhos do dono (Sr. Van Veggel) são afilhados de Godinho Lopes, que por esta altura era vice-presidente com o pelouro do património. Diogo Gaspar Ferreira, que na altura da venda dos terrenos era director geral do Sporting passou após a venda a ser funcionário dessa empresa. Neste negócio o Sporting vendeu os terrenos a um preço inferior em 40% ao valor de mercado, tendo o clube sido lesado em mais de 40 Milhões de Euros. Para que não restem dúvidas, o Sporting vendeu o terreno por 467,90€ /metro quadrado. Mais tarde, o tribunal arbitral avaliou o metro quadrado em 800€ que foi o que a CM de Lisboa pagou ao Sporting por uma parcela de terreno. Sobre este caso fica apenas um pequeno resumo. No futuro farei um post mais completo sobre este assunto.

- Filipe Soares Franco foi o primeiro presidente a deixar a SAD com lucros. Perto de 3 Milhões de Euros. Infelizmente não tenho os dados do clube no período em causa. 

- Bruno de Carvalho está com perto de 51 Milhões de Euros de lucros acumulados na SAD. No clube já vimos que conseguiu sempre lucros em todos os períodos, num valor acumulado que passa os 12 Milhões de Euros. Tudo somado, Bruno de Carvalho acaba o mandato com 62 Milhões de Euros em lucros acumulados na SAD e no clube. 

Contas consolidadas de todo o grupo Sporting


Passo agora para as contas consolidadas de todo o grupo Sporting. Nestas contas estão incluídas todas as empresas do Sporting.


Importa referir que o Sporting é o único clube grande que publica no seu site as contas consolidadas de todo o grupo. É também importante referir que estas contas consolidadas são sempre publicadas no início do mês de Janeiro e referem-se à época anterior. Ou seja, em Janeiro de 2018 será publicado o ReC consolidado do exercício de 2016/2017, pelo que ainda não estão aqui englobados esses valores.

Como podem verificar, Godinho Lopes deixou um buraco total de 111 Milhões de Euros. Isto em apenas duas épocas desportivas (2011/2012 e 2012/2013).

Para a contabilização de Bruno de Carvalho estar fechada é preciso esperar pelos resultados de 2016/2017. Neste momento está com cerca de 15 Milhões negativos em termos consolidados, mas é só uma questão de tempo para que os números de 2016/2017 limpem este registo negativo e o coloquem no melhor mandato de sempre em termos financeiros.

De qualquer forma, a informação disponibilizada até 2015/2016 permite-nos perceber que o Passivo total consolidado do grupo Sporting baixou dos 442,7 Milhões - último ano de Godinho Lopes - para os 355 Milhões no final da época passada. Estamos a falar de um decréscimo do Passivo de cerca de 88 Milhões de Euros, conseguido por esta direcção. E ainda baixará mais quando saírem os resultados consolidados da época em curso.

Esta diminuição do Passivo deve-se em grande medida à reestruturação financeira levada a cabo por esta direcção e que demorou cerca de um ano a concluir. Algo que já abordei de forma exaustiva (aqui).

Ó mister e as VMOC?


Já tenho falado várias vezes sobre as VMOC, mas deixo mais uma vez um breve resumo para ficar tudo compilado no mesmo post. Podem consultar uma explicação mais detalhada (aqui).

Mais uma vez, importa dizer que as VMOC não são passivo. O Sporting tem opção de compra de 44 Milhões de acções até 2026 que lhe permitem manter a maioria do capital social da SAD. Estes 44 Milhões de acções têm um valor máximo de 1€/acção mas podem ser adquiridas por muito menos. O valor que será pago pelo Sporting é definido através de uma formula que tem por base a cotação média das acções da Sporting SAD ao longo dos últimos 6 meses, à data de compra.

Fazendo aqui um breve exercício e tendo em conta que as acções do Sporting nos últimos 6 meses tiveram um valor médio a rondar os 60 cêntimos/acção.

Preço que o Sporting paga = 0,6€ x 1,2 x 44 M = 31,6 Milhões de Euros

Ou seja, isto quer dizer que se o Sporting adquirisse neste momento os 44 Milhões de acções "só" pagaria 31,6 Milhões de Euros.

Mas o mais importante no meio de tudo isto é que no acordo de reestruturação financeira com a banca, está previsto que uma percentagem das vendas de atletas fique colocada numa conta de reservas para fazer face a compromissos assumidos com a banca, entre os quais as VMOC. Para se ter uma ideia, essa conta de reservas tinha cerca de 3 Milhões de Euros no final da época 2015/2016 e só nas vendas de João Mário e Slimani efectuadas durante este exercício estão mais 16 Milhões de Euros.

Resumindo



Trabalho absolutamente fantástico e que supera todas as expectativas dos sócios para este mandato. Eu não me esqueço que quando esta equipa dirigente entrou no Sporting, o Sr. Nobre Guedes - formado em Engenharia Química - e o seu "amigo" Paulo Farinha Alves - Especialista em insolvências - e agora comentador da SIC Notícias, tinham deixado um PER em cima da mesa.

Hoje, o Sporting é dono do seu destino. O clube ainda está sob o compromisso da reestruturação financeira, mas está cada vez mais próximo de resolver os problemas herdados por direcções absolutamente incompetentes. E designá-las por incompetentes é quase um elogio.

Qualquer dúvida coloquem nos comentários. É importante que todos os Sportinguistas tenham acesso a esta informação para não caírem na ladainha dos rivais. Por isso, todas as partilhas nas redes sociais são úteis para passar esta mensagem.

Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já. 

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