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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"Negócio de Garay foi limpinho como a neve"


Habemus jornalistas!

 


Foi para mim uma enorme surpresa, quando vi esta capa do Diário de Notícias. Parece que ainda há jornalistas sérios em Portugal, capazes de dar notícias factuais e sem manchar a honra dos intervenientes, como aconteceu ontem com ipasquim (cliquem).

"Segundo soube o DN, o julgamento foi em maio, com ambas as partes a apresentarem os seus argumentos sustentados em relatórios de especialistas em avaliação de jogadores. Os peritos arrolados pelo Real sustentaram que o passe do jogador nunca valeria menos de dez a doze milhões de euros e os especialistas chamados pelo Benfica apontaram para metade o valor do mercado do internacional argentino, justificando assim a venda por seis milhões de euros."

Realço que de acordo com o que o Diário de Notícias conseguiu apurar, o julgamento ocorreu em Maio passado. Entretanto, passaram-se mais de 3 meses e NENHUM jornal ousou publicar esta notícia de extrema relevância para uma sociedade cotada em bolsa. Se pensarmos em todo o "escabeche" feito em torno do "caso Rojo", com todos os passos a serem acompanhados ao pormenor durante meses, ficamos esclarecidos quanto ao modus operandi da imprensa nacional. 

A chegada ao Benfica em 2011


Garay chegou à Luz em 2011 envolvido na transferência de Fábio Coentrão para o Santiago Bernabéu, por 30 milhões de euros.

Isto nunca foi oficialmente declarado pelo Benfica, que manteve sempre a intenção de separar as águas entre os dois negócios. 

O Negócio Fábio Coentrão


A venda de Fábio Coentrão tem contornos peculiares, como acontece em praticamente todas as transferências onde Jorge Mendes mete o bedelho. Desde logo, a famosa entrevista que Fábio Coentrão deu ao jornal espanhol "As", onde assume que é "do Real Madrid desde pequeno". 

Relembro que nessa altura Jorge Mendes era dono e senhor do Real Madrid, não fossem os "merengues" treinados por José Mourinho. Nesse mesmo dia, o Benfica emite um comunicado à CMVM, onde diz que não há negociações para a venda do jogador. Menos de um mês depois, eis que a venda é comunicada à CMVM, por 30 Milhões de Euros.

Na altura, foi a segunda maior transferência de sempre para um defesa lateral, só superada pelos 35,5 Milhões pagos pelo Barcelona por Daniel Alves.

Porque é que o Benfica quis fazer os negócios separados?


O passe de Fábio Coentrão estava dividido por duas entidades. A SAD do Benfica detinha 80% e o Fundo Benfica Stars Fund detinha os restantes 20%. Foi do conhecimento público que Jorge Mendes recebeu 10% do montante da transferência. Vamos a contas:
- Jorge Mendes recebeu 10% por intermediar o negócio = 3 Milhões
- Benfica recebeu 80% (27M x 80%) = 21,6 Milhões
- Fundo recebeu 20% (27 x 20%) =5,4 Milhões (Fundo comprou estes 20% por 3 Milhões)

O Benfica iria ainda a receber 15% da mais valia do Fundo = (5,4M - 3M) x 15% = 360 Mil Euros
Depois, o Benfica ainda pagou ao Real 5,5 Milhões pelos 50% do Garay. Logo, 21,6M - 5.5M = 16.1M

Resumindo, após a venda de Coentrão e a compra de Garay eis os saldos dos 3 principais intervenientes:
Jorge Mendes: 3 Milhões de Euros
Benfica : 21,6M + 360 Mil Euros - 5,5M = 16,46M
Fundo : 5,04 Milhões de Euros

E se o Garay fosse incluído no negócio?


Desde logo, o Real Madrid pagaria 24,5M + 50% passe do Garay. Jorge Mendes receberia menos, uma vez que os 10% incidiriam apenas sobre a montante de venda (24,5M).

Cálculos iniciais:

- Jorge Mendes: 24,5M x 10% = 2,45 M
- Benfica: 22,05 x 80% = 17,640 M
- Fundo: 22.05 x 20%= 4,41M
O Benfica iria ainda a receber 15% da mais valia do Fundo = (4,41M - 3M) x 15% = 211 Mil Euros

Resumindo:

Jorge Mendes: 2,45 Milhões
Benfica: 17.851 Milhões
Fundo: 4.199 Milhões

1,4 Milhões ao "ar"

 
Aqui fica bem visível como é que o Benfica "perdeu" cerca de 1,4 Milhões de Euros. Dinheiro esse que foi canalizado para Jorge Mendes e para o fundo. Curioso não é? É que para o Real Madrid é absolutamente igual...

"Afficion" desconfiou




O negócio levou os sócios merengues a questionarem Florentino Pérez numa assembleia geral, tendo o presidente respondido que Garay foi avaliado em 12,5 milhões. Ou seja, que o Real Madrid tinha pago apenas 17,5 milhões pelo lateral. Foi isto que foi noticiado pela Marca na sua edição de dia 21 de Setembro. Tudo isto numa altura em que em Espanha era muito discutida a influência de Jorge Mendes no Real Madrid, sendo o agente português designado como "director desportivo" oficioso dos "merengues".

Como podem verificar no print da notícia anterior, estamos a 21 de Setembro de 2011, já bem para lá do fecho do mercado. O Benfica pressionado por todas estas notícias foi obrigado a responder e a divulgar os montantes da compra de Garay ao Real Madrid. Nessa noite, e em comunicado à CMVM o Benfica revelou que comprou o jogador por 5,5 Milhões de Euros, cláusula de 20Milhões e que "o Real Madrid CF terá direito a receber numa futura transferência 50% do valor da mesma".

 Afinal quanto valia o Garay na época?


Ora, segundo o que foi comunicado pelo Benfica, o jogador valeria 11 Milhões de Euros, uma vez que o clube encarnado pagou 5,5 Milhões por 50%.

Durante esse exercício económico (11/12), o Benfica vendeu 10% do passe do jogador ao Benfica Stars Fund por 1,175 Milhões de Euros, avaliando assim o jogador em 11,750 Milhões de Euros. Ainda mais do que a avaliação inicial de quando o jogador se transferiu para a Luz.

Negócios ao "rublo"


Garay fez 3 épocas no Benfica, todas de grande nível onde foi sempre titular indiscutível.
Ao todo foram 136 jogos e 12 golos em três época de Benfica. Na última época em que esteve no clube, conseguiu uns impressionantes 8 golos. Também na selecção do seu país foi sempre um elemento muito importante.

A sua venda ao Zenit foi oficializada em pleno mundial do Brasil, onde o jogador estave com a sua selecção. No dia 25 de Junho, foi confirmada a transferência. No mesmo dia em que Garay fez o 3 jogo como titular na competição. Um Mundial em que o jogador foi titular em todos os jogos da selecção que chegou à final da competição. 

Um jogador deste nível, foi vendido por uns impressionantes 6 Milhões de Euros...

Um vez que o Benfica detinha apenas 40% do passe do jogador, os cofres da luz ficaram com uns impressionantes 2,4 Milhões de Euros.


Rei Midas explica o negócio




O Benfica anunciou sempre os negócios como sendo actos separados. Até pelas datas do anuncio dos jogadores isso ficou claro para todos. Nesta entrevista de Agosto de 2014, Vieira entra em contradição dizendo: "Na altura vendemos o Fábio Coentrão e ficamos com 50% do passe do Garay". 

Não é preciso ser um génio para perceber que o Benfica negociou a venda de Coentrão e a compra de Garay em conjunto. Contudo, anunciou tudo em separado, fazendo com que o Benfica perdesse 1,4 Milhões de euros só por ter feito negócios separados. Dinheiro que como vimos anteriormente foi canalizado para Jorge Mendes e para o fundo.

Ficamos também a saber que em Janeiro de 2014 (6 meses antes da venda), o Benfica recebeu uma proposta de "15 ou 16 milhões de euros". Se a venda fosse feita nesta altura o Benfica receberia entre um valor superior a 6 Milhões de Euros. Segundo Vieira, o jogador era importante para a equipa e não quis vender nesta altura.

Vejamos o que disse ontem, sobre a venda de Garay:


Em Agosto de 2014: "Se falássemos numa renovação com o vencimento que ele tinha, tínhamos que o baixar". Ontem, Vieira afirmou que existiram conversações entre o jogador e o Benfica e que o jogador queria regressar. A transferência só não se realizou porque o Zenit pedia 20 Milhões. Vieira ainda acrescentou: "Se fosse pelos 6 Milhões também o queríamos".

Vieira justificou ainda a venda pelos 6 milhões, com o facto de o jogador ter só mais uma época de contrato. Como o Benfica detinha apenas 40% do passe ficaria com cerca de 2,4 Milhões de Euros. Para receber só 2,4 Milhões de Euros, não se justificaria ter ficado com o jogador mais uma época? Se pensarmos bem, há empréstimos anuais em que os clubes pagam valores semelhantes. Pelo menos do ponto de vista negocial seria uma enorme vantagem, ainda para mais para o designado "negociador implacável". 

Só que...

"Ó Sousa Martins sejamos sérios!"


Ora vejam lá o que está no Relatório e contas do Benfica da época 2014/2015


Caso para dizer: 

"Limpinho como a Neve"


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