A 15 de Maio de 2018 o Correio da Manhã deu o pontapé de saída numa campanha negra contra o Sporting. Foi precisamente nesse dia que o jornal lançou o caso Cashball através de um depoimento comprado de um suposto empresário. Por coincidência, no final desse dia a Academia de Alcochete viria a ser invadida.
O tal denunciante
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| Link da notícia (aqui) |
Nesta notícia do Expresso é citado um documento do Tribunal Judicial da Comarca do Porto onde o "arrependido" disse às autoridades que deu a entrevista ao Correio da Manhã porque "precisava de dinheiro para sustentar os filhos e se encontrar desempregado desde o início do ano de 2018 até ao fim de abril". Paulo Silva conclui ainda afirmando que "aceitou dar essa entrevista, por lhe ter sido oferecido, em contrapartida, quantia monetária de valor elevado".
Processo parado por falta de provas
Em meados de Novembro ficamos a saber que o ministério público nem sequer deduziu a acusação contra André Geraldes por falta de provas.
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| Jornal Ojogo |
Desta notícia quero salientar duas passagens. Uma primeira onde é dito que André Geraldes "dificilmente será condenado pelos 18 crimes de corrupção activa que estava indiciado no caso Cashball. Tudo porque a investigação revelou fragilidades, por falta de provas fortes contra Geraldes".
A segunda passagem neste artigo do jornal Ojogo, merece o meu aplauso, na medida em que o jornalista Bruno Fernandes deu aos seus leitores o devido enquadramento da matéria dizendo: "recorde-se que todo este processo foi espoletado por Paulo Silva, empresário que, em exclusivo ao "Correio da Manhã" revelou a prática destes eventuais crimes". Só faltou dizer que este Paulo Silva foi pago pelo Correio da Manhã como o próprio disse no seu testemunho ao Ministério Público.
A lei diz que o inquérito tem de ser encerrado no prazo de seis meses e depois deduzida acusação. Algo que não aconteceu porque o próprio ministério público não conseguiu arranjar provas para deduzir sequer acusação. Entretanto já passaram mais de 10 meses sobre a "denúncia" do Correio da Manhã e até agora o Cashball deu... bola.
O Caso Trigueira
Fiz este pequeno enquadramento para chegar ao caso Trigueira. No dia 19 de Maio de 2018, quatro dias depois do ataque à Academia do Sporting e do lançamento do Cashball, o Correio da Manhã lançou à estampa a seguinte capa:
Neste lixo escrito por Tânia Laranjo e pelo benfiquista Henrique Machado a carreira e o bom nome de Pedro Trigueira foram atirados para a lama sem qualquer tipo de base factual.
"Falhou a defesa de seis penáltis"
Dizem estes artistas que Trigueira "falhou a defesa de seis penáltis", para sustentar a tese de que o jogador teria sido comprado pelo Sporting. Como se o mais natural não fosse o guarda-redes sofrer golo em lances de penálti. Esqueceram-se de dizer que Rui Patrício também não defendeu nenhum dos penáltis e que o Sporting venceu (5-4), graças ao facto de Podstawski ter rematado à barra. Também se esqueceram de dizer que esteve próximo de defender 3 penáltis adivinhando o lado para onde a bola foi rematada, como até se pode ver nas duas imagens escolhidas para a capa e para a notícia onde se vê Trigueira a voar para o lado onde a bola foi rematada por William Carvalho e Bruno Fernandes. Curiosamente, também se esqueceram de ver o que os jornais da especialidade disseram sobre a exibição do guardião nas crónicas do jogo. Vejamos:
Como podem verificar, os experts são unânimes quanto à valia da exibição do guardião nessa partida. Mas lá está, para Tânia Laranjo e Henrique Machada dava jeito manchar o único título ganho pelo Sporting na época passada, mesmo que tivessem que enxovalhar um atleta digno como ficou provado.
A resposta do jogador
Assim que a notícia foi publicada pelo Correio da Manhã o atleta reagiu de imediato nas redes sociais da seguinte forma:
Para além de negar, Pedro Trigueira anunciou que iria processar o jornal e foi precisamente isso que fez. O primeiro resultado dessa defesa foi visível a 17 de Junho.
Direito de resposta por decisão judicial
Em nenhum momento o atleta foi contactado para apresentar o seu contraditório em relação à notícia do Correio da Manhã e por isso, como podem verificar no print anterior, apenas por decisão judicial é que o Correio da Manhã se dignou a publicar o direito de resposta do atleta.
Texto de desagravo
Na passada segunda-feira surgiu o texto de desagravo lá no fundo do Correio da Manhã e sem qualquer destaque de capa.
Portanto, no final de contas os tais factos denunciados por "fontes consideradas como fidedignas" pela senhora Tânia Laranjo e o senhor Henrique Machado "não correspondem à verdade" e "Pedro Trigueira nunca foi subornado nem terá combinado com o Sporting ajudar na Taça da Liga, não tendo qualquer envolvimento no Processo denominado "Cashball".
Para fechar
Por esta altura já todo o país terá percebido que o Cashball é uma treta inventada pelo Correio da Manhã para desviar atenções dos graves casos que envolvem o Benfica. Um processo que já leva mais de 10 meses e em que já foram passados os prazos legais para que o ministério público consiga deduzir uma acusação. A única prova que parece haver é o testemunho de um senhor que foi pago pelo Correio da Manhã e que neste caso de Trigueira acabou por ser completamente descredibilizado.
Espero sinceramente que o atleta leve o caso até às últimas consequências e que exija uma choruda indemnização ao jornal e aos jornalareiros que escreveram este lixo. Assim como também espero que André Geraldes faça o mesmo. Recordar que o antigo team-manager do Sporting antes de este caso ter rebentado esteve associado a clubes estrangeiros, nomeadamente ao Sevilla. A verdade é que acabou por ser contratado por um clube de menor expressão como é o Farense, graças ao facto de estar investigação estar em curso. Serve este pequeno exemplo para mostrar o que uma notícia falsa pode fazer à carreira de profissionais de futebol.
Por parte do Sporting já deveria ter sido emitido um comunicado sobre esta matéria com a declaração de corte de relações com o jornal e com a decisão de intentar todos os mecanismos legais contra o jornal por danos causados ao bom nome do clube. Quanto a isto o melhor é mesmo esperar... sentado.
Termino deixando algumas ideias para reflexão. Já repararam que o Correio da Manhã não fez uma única chamada de capa com as acusações de Lionn/Cássio a César Boaventura? Onde estão os especiais de dia inteiro na CMTV sobre esta matéria, como foram feitos para o Sporting? Se ainda alguém tem dúvidas sobre o que está aqui em causa, relembro que no processo CashBall há um empresário (pago pelo Correio da Manhã) que acusa jogadores e todos os jogadores vieram prontamente negar as acusações. No caso de César Boaventura são os próprios jogadores a denunciarem o empresário. E não são só os dois jogadores do Rio Ave. Anteriormente já três jogadores do Marítimo tinham feito o mesmo.
Posto isto, parece-me evidente que a cada dia que passa os portugueses terão uma melhor visão sobre o que se passou em 2018 no Sporting e o que se tem passado no futebol português nos últimos anos.




































