O caso da "porta do cavalo" protagonizado por Gilberto Madail e Domingos Soares de Oliveira tem novos desenvolvimentos, uma vez que o site que tem publicado os emails do Benfica divulgou dois contratos relativos à cedência do Estádio da Luz para jogos da selecção nacional AA. Vejamos:
A "porta do cavalo"
No dia 21 de Setembro de 2009, Domingos Soares de Oliveira envia um email para Paulo Gonçalves onde diz que o acordo entre o Benfica e a FPF para a cedência do Estádio da Luz para o Portugal-Hungria está fechado. Mais informa que o "GM vai paga pela porta do cavalo mais 50k". Facilmente identificamos GM como sendo Gilberto Madaíl, presidente da FPF nesta fase.
O Diário de Notícias questionou Gilberto Madaíl sobre o caso, tendo o antigo presidente da FPF negado qualquer tipo de fuga ou fraude fiscal. Sinceramente, alguém esperava que o homem dissesse outra coisa que não esta? As perguntas ficaram-se por aqui. Ninguém questionou a autoridade tributária, o ministério público e muito menos questionaram Domingos Soares de Oliveira, o autor da "porta do cavalo". O derby de dia 3 pode ser uma excelente oportunidade para os jornalistas questionarem o Ministro das Finanças e o próprio primeiro-ministro sobre "o que passou se?".
O contrato do Portugal-Hungria
Nos emails divulgados ontem foi disponibilizado o acordo para o jogo em que está em causa os 50 mil euros pela "porta do cavalo". Vejamos:
Neste contrato assinado por Gilberto Madaíl e Amândio de Carvalho por parte da FPF e Luís Filipe Vieira e Domingos Soares de Oliveira em representação do Benfica, ficou definida uma compensação fixa no valor de 200 mil euros pela utilização do Estádio. Como montante adicional ficou ainda definida a possibilidade da FPF pagar mais 75 mil euros no caso de o estádio ter uma assistência igual ou superior a 60 mil espectadores.
Segundo consegui apurar o Estádio da Luz teve cerca de 50 mil espectadores nessa partida, logo não houve direito a compensação adicional. Por isso o Benfica terá recebido "apenas" 200 mil euros.
Enquanto fazia pesquisa para o post encontrei uma curiosidade deliciosa. Esta partida foi transmitida pela TVI e teve os comentários de Toni, João Querido Manha e Valdemar Duarte. O mais interessante é que o único benfiquista assumido do grupo, seja sem sombra de dúvidas, o mais sério e isento deste trio. Quero sublinhar que tenho o máximo de respeito pelo Toni, ao contrário dos outros dois artolas.
Os contratos com Fernando Gomes
Para além do contrato do Portugal-Hungria de 2009, foi também disponibilizado o contrato do Portugal-Estónia de 2016. Este contrato, já da era Fernando Gomes, é muito diferente daquele que foi assinado com Gilberto Madaíl, senão vejamos:
De acordo com a imprensa estiveram no Estádio da Luz cerca de 53 mil espectadores. Portanto, o Benfica recebeu à cabeça 135 mil euros e depois mais 50 mil euros pela razão de a assistência ser superior aos 50 mil espectadores. Tudo somado dá 185 mil euros. Só que há aqui uma pequena grande diferença em relação ao contrato anterior. Reparem como neste contrato é dito expressamente que "aos montantes acordados se acresce o IVA à taxa legal em vigor". Coisa que não acontecia no contrato com Gilberto Madaíl.
Curiosamente, se começarmos a fazer contas em relação ao IVA podemos chegar aos 50 mil euros da "porta do cavalo". Coincidências...
É muito interessante verificarmos a evolução dos montantes em causa, visto que dos 200 mil euros fixos de Gilberto Madaíl, passamos para os 135 mil de Fernando Gomes, mas com mais "aditivos".
O lobby dos €stádios
Perante estes contratos fico a aguardar com muita expectativa o que outros clubes/entidades com acordos com a FPF terão a dizer sobre estes montantes e especialmente sobre a "porta do cavalo".
Enquanto aguardo, deixo-vos com algo que é irrefutável. O Benfica é o clube mais beneficiado pela FPF no que diz respeito à atribuição destas verbas, senão vejamos.
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| Todos os jogos realizados em território nacional depois do Euro 2004 |
Como podem verificar, depois do Euro 2004 o Estádio da Luz é o estádio mais utilizado pela FPF para jogos da equipa principal de Portugal. Mais do dobro das utilizações do Estádio de Alvalade e Dragão juntos.
Depois vemos os casos curiosos do Algarve e do Dr.Magalhães Pessoa em Leiria, que são estádios geridos pelas autarquias e que estão a ser claramente beneficiados. Será que a ligação de Tiago Craveiro à política está a influenciar estas decisões? Porque razão tem interesse a FPF em dar tantos jogos e estas magníficas receitas a estas autarquias? A FPF não deveria ajudar os clubes a se desenvolverem? Com receitas deste género porque é que a FPF não leva os seus jogos a estádios que necessitem de remodelações, condicionando a receita à obrigação de remodelação dos recintos desportivos? Estádios míticos como o Bonfim, Restelo, São Luís, Estádio do Mar, Estádio dos Arcos, São Miguel nos Açores ou até o municipal de Chaves não merecem uma ajuda por parte da FPF?
O que choca mais nesta tabela é a disparidade latente entre o Estádio da Luz e os outros estádios. É algo que devia encher de vergonha os representantes máximos da federação e que tem de ser fortemente combatido, até porque não há nada que o justifique.
Mas vamos a mais dados para que percebam melhor este tratamento de excepção.
Os jogos de Fernando Gomes
Que ninguém pense que Gilberto Madaíl é o único culpado desta situação. Vejamos agora os jogos realizados pela selecção nacional em casa, desde que Fernando Gomes é Presidente.
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| Todos os jogos realizados em solo nacional desde que Fernando Gomes foi eleito |
Nesta tabela é ainda mais visível o benefício prestado por Fernando Gomes ao Benfica. Umas incríveis 7 partidas já foram realizadas no Estádio da Luz, contra apenas 2 de Alvalade e Dragão. Mais uma vez é possível vermos que numa segunda linha continuam os estádios de Leiria e Algarve. Coincidências...
Não há ninguém que diga algo em relação a isto? Os clubes irão ficar calados durante muito mais tempo? O Governo não tem nada a dizer sobre o facto de uma instituição com o estatuto de utilidade publica fazer este tipo de discriminação? Onde está a tão apregoada descentralização? Só as gentes do litoral têm direito a ver os jogos da selecção?
Não há ninguém que diga algo em relação a isto? Os clubes irão ficar calados durante muito mais tempo? O Governo não tem nada a dizer sobre o facto de uma instituição com o estatuto de utilidade publica fazer este tipo de discriminação? Onde está a tão apregoada descentralização? Só as gentes do litoral têm direito a ver os jogos da selecção?
Para fechar, deixo-vos com mais um exemplo do tratamento de excepção. Na fase de qualificação para o Mundial de 2018, Portugal jogou cinco partidas em casa. Destes cinco jogos, um foi para o Estádio do Bessa, um para o Estádio do Algarve, um para o estádio de Aveiro e... dois para o Estádio da Luz.
Alguém consegue compreende isto? Será pelo facto de o Estádio da Luz ter a "Porta 18" e a "Porta do cavalo" sempre abertas?








