Durante a campanha eleitoral para a presidência do Sporting, Frederico Varandas e seus pares apresentaram-se aos Sportinguistas como sendo uma espécie de arautos da transparência, da seriedade e dos bons costumes. Estão por certo recordados da campanha "Zero Suspeição" levada a cabo por esta lista. Uma campanha onde a transparência relativa às informações do mercado prometia ser total. Vamos lá ver se foi mesmo assim.
A herança deixada pela direcção de Bruno de Carvalho
A direcção de Bruno de Carvalho fez história a partir do momento em que assumiu e cumpriu com uma política de total transparência para com os Sportinguistas, divulgando todos os valores relacionados com o mercado de transferências do clube no Jornal Sporting. Uma prática iniciada em 2013 e que foi até sendo melhorada com o tempo. Recordo que a partir de 2016 a Sporting SAD passou a comunicar à CMVM essas informações, precisamente no mesmo dia em que o Jornal Sporting também as publicava.
Uma iniciativa da anterior direcção que orgulha os Sportinguistas e que até serviu de inspiração para os reports anuais das federações europeias de futebol, que se iniciaram em 2016. Ora, face a isto, a promessa de Frederico Varandas continuar com esta medida tinha todo o cabimento porque ia precisamente no sentido daquilo que os Sportinguistas desejavam e desejam para o clube.
"Zero Suspeição"
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| Excerto programa eleitoral Frederico Varandas |
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| Excerto programa eleitoral Frederico Varandas |
Os dois prints anteriores foram retirados do programa eleitoral de Frederico Varandas. Neles podemos ver 3 exemplos de medidas que o senhor Varandas considera como sendo necessários para a tal política de "zero suspeição". Haveria muito por dizer em relação aos dois primeiros pontos, mas para hoje não me quero dispersar muito no tema. Falemos então da propalada "transparência".
Da "transparência" à canalhice
Tenho muita pena, mas esta prometida "transparência" traduz-se na prática em mais uma canalhice. E peço desculpa pelo termo, mas por estes dias não há uma palavra mais justa e proporcional para descrever os actos destes órgãos sociais. Passo a explicar.
Varandas e seus pares garantiram aos Sportinguistas que iriam "publicar sínteses das operações realizadas pelo Clube e pela SAD na contratação de jogadores logo que terminado o período de transferências, identificando todos os destinatários dos valores envolvidos nessas operações, sem exceções".
Saliento o "logo que terminado o período de transferências". Ora, que eu saiba o mercado de transferências fechou no dia 2 de Setembro. Entretanto, já passaram 42 dias e 6 edições do Jornal Sporting (sai às quintas-feiras) e até agora... nada. Vou repetir como se fosse o Dr. Varandas e estivesse a ser entrevistado pela Teresa. As informações foram publicadas na primeira semana após o fecho de mercado? Não! E na segunda semana? Não!! E na terceira semana? Não!!! E na quarta? Não!!!! E na quinta semana? Não!!!!! E na sexta semana? Não!!!!!!
Informações para serem debatidas em sede de AG
Como se sabe, os montantes envolvidos nas transferências, comissões e outros, são sempre pontos muito relevantes nas análises feitas pelos sócios e accionistas. E com as habituais Assembleias Gerais da SAD e do clube a serem realizadas sempre entre o final de Setembro e o início de Outubro, estes dados tornam-se sempre motivo para debate nas reuniões magnas. Tem sido assim desde que esta política de transparência foi implementada em 2013 por Bruno de Carvalho.
Para que não restem dúvidas, importa dizer que durante 6 anos e para 12 Assembleias Gerais (6 da SAD e 6 do clube) só numa delas é que estas informações não estiveram disponíveis antecipadamente para escrutínio. Ocorreu em 15/16 quando o quadro resumo foi disponibilizado entre uma AG do clube e uma AG da SAD. Nesse ano não foi debatido na AG do clube, mas foi debatido na AG da SAD. Tudo o resto foi escrutinado dentro de portas entre sócios e accionistas nos momentos chave.
Suspeição Total
É muito importante dizer que estamos a falar de um quadro resumo que se faz em 5 minutos. Um quadro cujas informações que até deveriam estar memorizadas ao pormenor na cabeça de quem tomou as rédeas destas negociações. Qual é a dificuldade disto?
Como se percebe, só há uma maneira de não existir discussão nas AG´s relativamente a estas questões e passa por esconder essas informações dos sócios/accionistas. Foi precisamente o que aconteceu este ano. Pela primeira vez desde que esta política foi instituída, nem os sócios nem os accionistas tiveram a oportunidade de confrontarem os responsáveis pelas decisões tomadas no mercado de transferências. Precisamente num ano em que a política desportiva tem sido das mais contestadas dos últimos anos, com inúmeros negócios a serem alvo de fortes críticas por parte dos Sportinguistas. Deve ser coincidência.
Mas há aqui um outro facto que demonstra a canalhice deste conselho directivo. Para quem não sabe, informo os Sportinguistas que na AG da SAD realizada no dia 1 de Outubro vários accionistas questionaram o Presidente Varandas e Francisco Salgado Zenha em relação a esta matéria. A resposta dada foi que "brevemente" iriam divulgar essa informação. Por "brevemente", subentendeu-se que seriam divulgadas as informações antes da AG do clube a 10 de Outubro, para que os sócios pudessem questionar o conselho directivo. A realidade é que divulgaram "bola". Se isto não é uma canalhice, não sei o que será. E estes são os tais senhores da "agenda transparente" com "zero de suspeição". Imaginem se não fossem.
Agora que as AG´s já passaram e se perdeu o tempo e o local certo para questionar o conselho de administração da SAD, a informação já pode sair. E no dia que sair, os Sportinguistas vão perceber o porquê desta gente ter andado a esconder esta informação dos escrutínio dos sócios e accionistas em sede de AG.
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