quarta-feira, 29 de julho de 2020

A entrevista encenada de Frederico Varandas


Com a declaração do estado de emergência e respectivo período de confinamento, decidi que era tempo de parar com as publicações no blog. Na altura considerei que existiam coisas mais importantes do que o futebol e o desporto. Felizmente, e apesar de tudo, a situação que vivemos colectivamente tem vindo a ter uma evolução "positiva", ao contrário do que se passa no Sporting e no desporto nacional.

Apesar disso e de nas últimas semanas terem surgido uma série de questões muito relevantes e que mereciam análise e escrutínio, decidi manter-me em silêncio até ao final da época, momento em que as análises e balanços devem ser feitos.

Balanços que são comuns entre jornalistas, comentadores, analistas, adeptos e sócios, mas que são obrigatórios para os máximos responsáveis dos clubes, ainda mais para líderes de clubes que fazem épocas miseráveis, como é o caso do Sporting. Meus caros, não tenhamos medo das palavras. O Sporting Clube de Portugal fez uma época miserável a todos os títulos.

Pois bem, perante este cenário vergonhoso...

Varandas tinha de dar a cara


Durante a campanha eleitoral ouvimos várias vezes Frederico Varandas dizer que só daria a cara nos maus momentos, deixando os bons momentos para os jogadores. Da propaganda à realidade, vai uma enorme distância. Se têm estado atentos, terão percebido que Frederico Varandas só "deu a cara na hora da derrota" em duas das dezassete derrotas sofridas esta época (a época com mais derrotas dos 114 anos do Sporting). Falo concretamente da goleada (5-0) sofrida frente ao Benfica (pior derrota numa final nos 114 anos do Sporting) e da derrota frente ao Alverca (2º ocasião nos 114 anos do Sporting em que perdemos contra uma equipa da 3ª divisão), se é que podemos considerar aquilo que se passou no Ribatejo como "dar a cara". Mas vamos recordar estes momentos para avivar a memória.

Se estão bem recordados, após a goleada frente ao Benfica, Frederico Varandas garantiu que "o Sporting sabia o que está a fazer" e que "não estava preocupado". 


Precisamente um mês depois da goleada sofrida, com o Sporting em 7º lugar e dois dias depois de ter demitido Marcel Keizer e de ter contratado Jesé Rodriguez, Bolasie e Fernando em cima do prazo de fecho de mercado, Frederico Varandas proferiu uma frase que ficará para a história do Sporting: "Quem contesta o trabalho desta Direção ou não percebe nada de futebol ou é intelectualmente desonesto".

Notícia (aqui)

Agora que a época terminou fica evidente para todos quem é que "não percebe nada de futebol", mas sobretudo fica provado quem é que é "intelectualmente desonesto".

Cerca de mês e meio depois dessa declaração, a 17 de Outubro de 2019, a época desportiva do Sporting ficou definitivamente fechada no que à disputa dos principais títulos diz respeito. Por essa altura íamos já no terceiro técnico da época, em 5º lugar da Liga (com os mesmos pontos de Boavista e Santa Clara) e a incríveis 8 pontos da liderança do campeonato.

Como sabem, nesse dia o Sporting foi a Alverca sofrer uma das maiores humilhações dos seus 114 anos de história. E esse foi também o dia em que a bazófia deu lugar à covardia, com Frederico Varandas a fugir dos jornalistas, ficando na memória colectiva de todos a imagem de um pajem a ajudar do grande líder a despir a sua gabardina enquanto este se preparava para entrar no banco traseiro de uma viatura topo de gama.


Foram estas as duas reacções às derrotas que Frederico Varandas foi tendo ao longo deste ano.

O meio de comunicação escolhido para dar justificações aos Sportinguistas


O que se exigia ao Presidente do Sporting era que desse a cara pela época miserável que o Sporting fez, assumindo as culpas, esmiuçando o que de mal foi feito e apontando o caminho e as soluções para o futuro. Se quiserem, e fazendo uma analogia a termos médicos, os Sportinguistas exigiam que o Doutor Varandas desse uma explicação lógica para o facto de a cirurgia 2019/2020 ter corrido tão mal. E por "mal" estamos a falar de operar o órgão errado e ainda deixar dentro do corpo do paciente um bisturi afiado a perfurar um pulmão. Foi isto que Varandas e seus pares fizeram ao Sporting.

Posto isto, e olhando para os interesses do Sporting na preparação da próxima época, haveria todo o interesse que a resposta fosse o mais efectiva possível, quer em termos de conteúdo, quer em termos de alcance. Como é lógico, não há meio de comunicação social com maior alcance do que as três televisões generalistas. E também não é preciso ser-se um génio para perceber que qualquer uma delas morreria para ter um conteúdo deste calibre. Bastaria um telefonema. No limite, o Sporting tem a sua própria televisão para fazer esta comunicação aos Sportinguistas, valorizando este seu meio de comunicação. Uma entrevista televisiva, em directo, olhos nos olhos dos Sportinguistas. Era o mínimo que se exigia, ainda para mais numa fase em que a realização de uma Assembleia Geral para dar explicações aos sócios está sempre muito condicionada face à pandemia.

Contudo, a opção passou pelo Jornal Record, meio de comunicação social que não me canso de dizer, tem sido o jornal oficial de propaganda de Frederico Varandas desde o dia em que este se anunciou como candidato à presidência do Sporting. E aqui, mais uma vez, tenho de recordar que o Sporting Clube de Portugal continua a dar todos os exclusivos ao mesmo jornal que publicou em exclusivo a Auditoria de Gestão às contas do Sporting. Informações publicadas por esse jornal que escarrapacharam toda a vida interna do clube e da SAD na esfera pública, com gravíssimas consequências e enormes prejuízos.

Por comparação, vejam por exemplo a perseguição que o Benfica fez aos órgãos de comunicação social no processo dos emails. Do lado do Sporting, temos um órgão de comunicação social que prejudica gravemente o Sporting, mas que milagrosamente continuou a ser o órgão de comunicação social escolhido para receber todos os exclusivos do Sporting, sendo o Jornal Sporting e a própria SportingTV muitas vezes atropelados nesse processo. Mas mais, o Sporting inclusivamente já se prestou ao serviço de emitiu comunicados a criticar os dois principais concorrentes do Record, falo do Jornal Abola e do Jornal Ojogo. Mas alguém acha isto normal?

Será que Frederico Varandas consegue explicar o motivo pelo qual o Sporting não colocou imediatamente um processo ao Jornal Record por ter publicado uma auditoria confidencial? Por que será que continuamos a oferecer todos os exclusivos ao Record? Por que será que andamos de forma oficial em campanha contra os dois jornais rivais do Record? Por que será que passados 15 meses da divulgação do documento ainda não temos nenhuma novidade sobre a alegada denúncia às autoridades? Será assim tão complicado apanhar o "bufo"? É assim tão difícil descobrir de onde partiu o leak? O Sporting que é tão amigo do Jornal Record, com apenas uma chamada para o diretor do jornal não conseguiria perceber imediatamente de onde surgiu a auditoria? Sinceramente, até quando vamos continuar todos a fazer de conta que não foi a direcção de Frederico Varandas que colocou a auditoria no Record?

Auditoria, que curiosamente, continua sem ser apresentada aos sócios do Sporting em sede de Assembleia Geral para deliberação sobre eventuais processos a ex-dirigentes. Meus caros, venha de lá a auditoria para análise e explicações detalhadas numa AG. Se o Sporting foi lesado, como Frederico Varandas e seus pares gostam de insinuar, vamos para tribunal com os ex-dirigentes. Sou totalmente a favor disso. Qual é a dúvida? Ou será que a auditoria ficou metida na gaveta no Jornal Record porque não existe qualquer fundamento legal e os factos nela vertidos só servem mesmo para fazer parangonas de tablóides numa acção de chicana política contra a anterior direcção?

As justificações da treta


Relativamente à entrevista propriamente dita, é-nos oferecida na capa e nas parangonas uma assunção de "responsabilidade total" que na entrevista propriamente dita se consubstancia em dizer apenas e só que se assume total responsabilidade, sem que nas sete páginas da entrevista haja um único reconhecimento de onde e como se errou. Frederico Varandas teve até a desfaçatez de se justificar com as arbitragens, com a saída de Bruno Fernandes, com a juventude do plantel, com a pandemia e sobretudo, com a já famosa "herança lamentável". Não há um único erro que tenha sido devimante reconhecido e analisado. Curiosamente, este é o mesmo sujeito que se vangloriou de na época passada (que nem por ele foi preparada) ter sido o responsável pela melhor época dos últimos 17 anos. Portanto, 2018/2019 é mérito de Frederico Varandas, 2019/2020 é culpa da "herança lamentável". É uma herança que só funciona ao ralenti e que só chega na época seguinte a tomar posse. Fica apenas este lamiré do que achei da entrevista, mais haverá para falar noutra altura.

Estranhezas...


Começo por salientar que até ao momento da divulgação da capa, ninguém soube que a entrevista seria concedida. Algo que é absolutamente inédito em entrevistas de Presidentes dos clubes grandes. Nestas entrevistas há sempre um pré-anúncio nos dias anteriores, até para os jornais captarem a atenção dos leitores para a compra do jornal em determinado dia.

Nestes tempos em que as plataformas digitais ganham cada vez mais relevância, é até habitual vermos pequenos vídeos com excertos das entrevistas para abrir o apetite da audiência. Algo que também não aconteceu.Não há um único vídeo da entrevista. Bola!

Como se isso já não fosse suficientemente estranho, realço que a entrevista foi conduzida apenas e só por Vítor Almeida Gonçalves, um jornalista de segunda linha do jornal Record, algo que também é incompreensível. Os presidentes dos três grandes pela relevância e pela complexidade dos assuntos que abordam são habitualmente entrevistados pelos responsáveis máximos dos jornais, nomeadamente pelos directores, sub-directores ou chefes de redacção. Foi precisamente isso que aconteceu na última entrevista que Frederico Varandas concedeu ao Record no dia 7 de Fevereiro de 2020, onde foi entrevistado por 3 jornalistas, sendo um deles Bernardo Ribeiro, director do Jornal Record.

Entrevista publicada no Jornal Record a 7 de Fevereiro de 2020 e transmitida na SportingTV
Portanto, o Presidente do Sporting dá a tão ansiada entrevista para se justificar da época miserável que proporcionou aos Sportinguistas e a mesma não é anunciada antecipadamente, não há vídeos da entrevista e nem sequer é realizada pelas principais figuras do Jornal, sendo remetida para um jornalista de 2ª linha. Obviamente...

Cheira-me a esturro


Para além das três questões que levantei anteriormente, há ainda outro factor que demonstra que não estamos perante uma entrevista, mas sim perante uma peça de teatro encenada pelo Sporting e pelo Record. Falo concretamente nas fotografias reproduzidas na entrevista. Vejamos:


A capa à esquerda é da entrevista de ontem e a capa da direita é de uma entrevista que Frederico Varandas concedeu ao Jornal Record no dia 6 de Junho de 2018, ainda antes da AG de destituição de Bruno de Carvalho. Por óbvia coincidência, Frederico Varandas usa o mesmo fato, usa a mesma gravata, tem o mesmo ar sorridente e a mesma pose. Só muda mesmo o ângulo da fotografia.

Abrindo o jornal com a entrevista de ontem, temos novas fotografias de Frederico Varandas.

Entrevista 28/07/2020
Desde logo, destaco o extraordinário trabalho de edição de imagem para recortar apenas Frederico Varandas, não mostrando o espaço onde a entrevista foi concedida. O Insónias em Carvão tem no Jornal Record discípulos à altura.

Só que desta feita, o ar sorridente da capa deu lugar a um ar mais preocupado de Frederico Varandas, como se na realidade estivéssemos a ver um Presidente triste e zangado pela época miserável que proporcionou aos Sportinguistas.

Curiosamente, da capa para as páginas da entrevista, Frederico Varandas não mudou apenas de pose. Também mudou de fato e de gravata. De gravata cinzenta para gravata azul. Curiosamente, e por óbvia coincidência, esta pose, este fato e esta gravata são precisamente iguais à da entrevista que Frederico Varandas concedeu ao Jornal Record a 7 de Fevereiro de 2020. Querem ver?

Jornal Record 7/02/2020
A única diferença está na forma como na entrevista de ontem decidiram recortar Frederico Varandas para não aparecer o espaço onde a entrevista foi concedida. Brilhante.

Mas, para completar a encenação era preciso colocar uma imagem de um jornalista de Record ao lado de Frederico Varandas e como tem estado calor, nada melhor do que colocar uma fotografia de um jornalista em manga curta. Aqui fica ela:

Jornal Record 28/07/2020

"Frederico Varandas respondeu às questões de Record", é a legenda da fotografia publicada ontem. Curiosamente, esta fotografia é igual a outra fotografia publicada pelo Jornal Record a 25 de Maio de 2018, dia em que Frederico Varandas se apresentou como candidato à Presidência do Sporting. Ora vejam lá.

Record 25/05/2018

É preciso mais exemplos, ou já está suficientemente visível para todos o embuste que é esta entrevista?

A cópia sai sempre pior do que o original


Se estão bem recordados, em Setembro de 2017, Francisco J.Marques denunciou que as entrevistas de fundo que Luís Filipe Vieira foi concedendo ao longo dos anos ao jornal Abola, eram realizadas por email e as respostas escritas por António Galamba, antigo deputado do PS e escritor dos discursos de Luís Filipe Vieira.

Link da notícia (aqui)

Ora façam o favor de rever esta pequena maravilha:


Bem, perante isto, verifico que a grande diferença entre Luís Filipe Vieira e Frederico Varandas, o original e a cópia, passa pelo facto de o Presidente do Benfica, os seus assessores e o Jornal Abola terem a inteligência de fazerem uma sessão fotográfica para melhor passarem a encenação, enquanto que Frederico Varandas, a sua estrutura de comunicação e o Jornal Record, acham que um corte e costura com imagens de entrevistas passadas resolve o assunto. Além de embusteiros são profundamente incompetentes.

Frederico Varandas é um embuste



Como digo, face ao momento e à época miserável que o Sporting fez, exigia-se que Frederico Varandas desse a cara numa entrevista televisionada, em directo e olhando "olhos nos olhos" dos Sportinguistas. Era isso que o momento e os Sportinguistas exigiam. Mas, o "Doutor Coragem", como foi apelidado por Rui Santos, decidiu esconder-se atrás do jornal Record, numa entrevista encenada que é um enxovalho para o Sporting e para o jornalismo português. Em momento algum da entrevista é referida a forma como a mesma foi realizada, tendo o jornal enganado deliberadamente os seus leitores.



No editorial de ontem, Bernardo Ribeiro, director do Jornal diz que "Varandas dá a cara" e que "isso é algo que o diferencia de muitos que andam por aí". Ficou hoje aqui espelhada a forma como Frederico Varandas deu a cara perante os sócios e adeptos do Sporting.

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sexta-feira, 20 de março de 2020

Varandoon - O "bravo" do pelotão


Um dia depois de o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ter decretado o Estado de Emergência, deu em Frederico Varandas uma súbita vontade de "voltar à guerra". Curiosamente, uma vontade que não teve no inicio desta pandemia.

A publicação na sua página de Instagram


Ao final do dia de ontem, o Presidente do Sporting anunciou nas suas redes sociais que iria voltar a servir o país.


A versão do Jornal de propaganda de Frederico Varandas


Como habitualmente, o Record, jornal de propaganda de Frederico Varandas, veio a terreiro tecer loas a Frederico Varandas, o "herói de Kandahar", o "Doutor Coragem", o "atirador de beijinhos aos sócios", o "arrancador de cabeças", o líder do "clube de malucos", entre outros epítetos. 

Capa Jornal Record 20/03/2020

Diz o Record que o "Presidente do Sporting pediu para ser reintegrado". Um verdadeiro bravo do pelotão nacional, que até teve direito a medalha de ouro, tal é a sua coragem. 

E foi esta a encomenda com que o Record decidiu presentear os seus leitores. Se fossem jornalistas e não uns meros propagandistas do copy paste, podiam ter investigado o assunto e terem dado informações realmente relevantes aos seus leitores. 

Varandas está de licença especial


Como se sabe, Frederico Varandas está de "Licença Especial" por ser membro eleito pelo PSD na lista de Fernando Seara para a Assembleia de Freguesia de Odivelas. O tal esquema que o Presidente Frederico Varandas usa para se libertar das suas obrigações militares, continuando a acumular estes anos de licença como tempo de serviço efectivo para efeitos de antiguidade, entre outras benesses. 


Atentem bem na referência que o próprio Sporting faz ao artigo 33º da Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas. É com base nesse artigo que Frederico Varandas conseguiu a "licença especial".

Varandoon - O "bravo" do pelotão


Ora, da propaganda Varandoniana à realidade, vai uma diferença significativa. Vejamos o que diz o artigo 33º da Lei da Defesa Nacional. 


Como podem verificar através do ponto 6 c) do artigo 33º: "A licença especial caduca, determinando o regresso militar à situação anterior, com a declaração de guerra, do estado de sítio e do estado de emergência". 

Portanto, isto é o mesmo que dizer que a partir do momento em o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou o Estado de Emergência, Frederico Varandas passou a ser automaticamente um militar no activo, conforme decorre da lei. Ou seja, o Presidente Varandas não é voluntário de nada. Cumpre apenas com as suas obrigações militares e se não o fizer completa os requisitos formais para ser designado por desertor. Um pequeno "pormenor" que escapou ao Jornal Record. Coisa pouca.

PS: No meio de tudo isto há um clube com milhões de adeptos, com centenas de funcionários e com um sem fim de problemas diários que surgem desta crise e que são necessários resolver. Um clube que tal como o resto do país está parado e que tem de encontrar forma de se reerguer quando esta crise passar. Bem, olhando um cantinha da capa do Record de hoje, se calhar até já se pode perceber que as soluções já estão a ser encontradas...



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segunda-feira, 9 de março de 2020

De estagiário a 3º treinador mais caro da história do futebol mundial


O título diz praticamente tudo. No espaço de meses, Rúben Amorim passou de um mero estagiário com o nível II a terceiro treinador mais caro da história do futebol mundial. Vou repetir a ver se as pessoas percebem:

O 3º treinador mais caro da história do futebol mundial



Rúben Amorim só é ultrapassado na lista dos treinadores mais caros da história do futebol mundial por André Villas-Boas e Brendan Rodgers. O português transferiu-se para o Chelsea depois de ter vencido tudo com o Porto. Vencedor da Liga Europa, vencedor do campeonato, vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça. Para além dos títulos com o Porto, André Villas-Boas bateu uma série de recordes nessa época. A saber: treinador mais jovem a vencer uma prova europeia, maior número de vitórias de um clube português numa época europeia, maior número de vitórias consecutivas numa época, recorde de pontos na Liga, maior margem de pontos para o 2º classificado, recorde de jogos consecutivos sem perder e conquista da Liga sem derrotas, 40 anos depois. E tudo isto depois de ter estado durante anos nas equipas técnicas de José Mourinho e de ter feito um excelente trabalho na Académica. 

Olhando para Brendan Rodgers, vemos um percurso ascensional que começou nas divisões secundárias inglesas e que culminou com a entrada no Liverpool onde acabou por perder o campeonato de 2013/2014 de forma dramática na recta final. De Liverpool foi para o Celtic onde venceu 7 títulos, tendo sido contratado em Fevereiro de 2019 pelo Leicester City por 10,5M de euros. O Leicester está a fazer uma época brilhante (3º classificado) e o técnico acabou de renovar até 2025.

Eram estes os percursos dos dois únicos treinadores no mundo que custaram mais do que Rúben Amorim. Comparar estes percursos com os 13 jogos de Rúben Amorim em Braga e com a vitória da Taça da Liga, só pode mesmo ser uma brincadeira. 

Rúben Amorim custou mais do que todos treinadores da história do Sporting juntos


Na era moderna, apenas dois treinadores foram contratados pelo Sporting através do pagamento de um valor de transferência. Em 2010/2011, o Presidente José Eduardo Bettencourt desembolsou cerca de 600 mil euros para contratar Paulo Sério ao Vitória de Guimarães. 

Link da notícia (aqui)

Na época passada, o Presidente Frederico Varandas desembolsou cerca de 550 mil euros para contratar Marcel Keizer ao Al Jazira. 


Neste século não há registo de mais valores de transferência pagos pelo clube. Relativamente ao século XX é provável que por alguma ocasião o Sporting tenha pago algum valor pela transferência de um treinador, mas os valores seriam sempre irrisórios quando comparados com os valores praticados na era moderna. 

Portanto, é factual dizer que o Sporting gastou mais dinheiro para contratar Rúben Amorim do que gastou para contratar os mais de cem treinadores que o antecederam nos quase 114 anos de história do Sporting. 

A 2º contratação mais cara de sempre da história do Sporting


Mas para enquadrar melhor este completo absurdo, nada melhor do que enquadrar estes números na listagem de maiores compras de sempre do Sporting.  
Como podem verificar, em 114 anos de história só por uma vez o Sporting fez um investimento superior ao de Rúben Amorim. Falo da contratação de Bas Dost, goleador holandês que foi custou 11,850M, tendo marcado 93 golos em 127 jogos pelo clube. Por falar em Bas Dost, faz agora um mês que ouvimos da boca de Frederico Varandas o seguinte: 

Link da notícia (aqui)
Portanto, o mesmo homem que vendeu Bas Dost "porque precisávamos desse dinheiro para sobreviver" é agora o mesmo sujeito que decide estourar 10 milhões de euros num treinador que não tem sequer uma dúzia de jogos na 1ª divisão, tornando-o no terceiro treinador mais caro da história do futebol mundial. Insanidade absoluta.

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