Nos últimos dias a imprensa e alguns "notáveis" muito têm tentado puxar pela história da falência técnica e da insolvência. Vamos lá desmontar isto de uma vez por todas para que se perceba o que está aqui em causa.
Por definição uma empresa está numa situação de falência técnica quando o valor do seu passivo é superior ao valor do seu activo. Ou seja, os seus capitais próprios são negativos. Vamos lá ver o que se tem passado no Sporting.
Evolução Capital Próprio da Sporting SAD
Como podem verificar, desde a criação da Sporting SAD raros são os exercícios económicos em que a SAD não esteve em falência técnica. Como seria de esperar, os primeiros exercícios estiveram a verde, com capitais próprios positivos. Só que com os prejuízos acumulados pelos senhores credíveis e notáveis a coisa foi descambando. Depois de três exercícios com capital próprio positivo (1998-2001), eis que surgiu um período de 13 épocas desportivas em falência técnica (2001-2014).
Durante esses 13 anos os sócios foram presenteados por várias reestruturações financeiras, operações harmónio e até venda de património não desportivo. É sempre uma boa altura para recordar os Sportinguistas da delapidação do património não desportivo do Sporting. Durante estes 13 anos os senhores de punho rendado e discurso credível venderam o enorme terreno junto ao estádio, a clínica CUF, o Holmes Place, o Edifício Visconde de Alvalade e até o parque de estacionamento do Estádio.
Treze anos depois, Bruno de Carvalho conseguiu resolver a questão da "falência técnica" virando um diferencial de quase 120 milhões negativos para 7 milhões positivos na época 2014/2015. Na época seguinte, o facto de ter de fazer a provisão para pagamento à Doyen fez com que o Sporting regressasse aos capitais próprios negativos, algo que foi recuperado nas épocas seguintes. Neste momento o Sporting está com cerca de 7,5M de euros de capitais próprios positivos.
Dos três grandes o Porto é o único clube que se encontra em situação de falência técnica com capitais próprios negativos na casa dos 33 milhões de euros.
Dos três grandes o Porto é o único clube que se encontra em situação de falência técnica com capitais próprios negativos na casa dos 33 milhões de euros.
Resultados Líquidos Sporting SAD
Algo que tem ajudado a tirar o Sporting da falência técnica é o facto da actual administração da SAD apresentar resultado líquidos positivos. De 2013/2014 até ao 3º semestre de 2017/2018 o Sporting apresentou lucro em 4 dos 5 exercícios. Em termos acumulados, a gestão de Bruno de Carvalho é a melhor da história da Sporting SAD, com lucros acumulados na casa dos 19,5 milhões de euros. De seguida faço um comparativo entre os presidentes para terem noção das diferenças.
Resultados líquidos acumulados por presidente
Dos 6 presidentes que o Sporting teve desde a criação da SAD, apenas dois conseguiram ter resultados acumulados positivos: Filipe Soares Franco com 2,8 milhões de euros e Bruno de Carvalho está neste momento com 19,5 milhões de euros de lucro.
As rescisões
Algo que preocupa muito os Sportinguistas é a possibilidade de todo o plantel rescindir contrato com o Sporting e o impacto que terá nas contas. Ainda na manifestação de ontem vi muitos patetas a dizer que a SAD falia se isso acontecesse. Fica já esclarecido que isso é absolutamente falso. Passo a explicar tudo ao pormenor.
Bem, desde logo é preciso salientar que até ao momento há dois jogadores com pedido de rescisão unilateral: Podence e Patrício. É preciso deixar bem claro que os jogadores têm uma semana para mudar de ideias. Findo esse prazo, o assunto passa para a justiça e ai são os jogadores que têm de provar que existe justa causa para a desvinculação.
Vejamos as contas da Sporting SAD.
Como podem verificar, o Sporting tem o seu plantel avaliado contabilisticamente em 78,6 milhões de euros. Neste valor estão incluídos todos os jogadores com contrato com o Sporting (jogadores da equipa A, equipa B, formação e emprestados).
É muito importante referir que as rescisões de Daniel Podence e Rui Patrício não têm qualquer tipo de impacto no activo, uma vez que são jogadores de formação e a sua contabilização é próxima do zero. Se ficarmos por estas duas rescisões fica tudo na mesma.
Não acredito minimamente que todos os jogadores do plantel rescindam contrato com o Sporting. De qualquer forma, se todos os jogadores da equipa A rescindissem, o valor do plantel contabilizado no activo desceria consideravelmente. Não tenho informação sobre a valorização individual de cada jogador, mas fazendo uma estimativa diria que essa rubrica passaria para um valor na casa dos 30 milhões de euros. Depois seria necessário esperar pelas decisões judiciais para perceber se o Sporting seria ou não ressarcido por essas rescisões unilaterais.
Imaginando o pior cenário possível, que seriam todos os jogadores rescindirem e o Sporting não ser indemnizado: neste caso a Sporting SAD regressaria a uma situação de falência técnica na casa dos 40 milhões de euros de capital próprio negativo. Para se fazer uma comparação, recordo que Godinho Lopes deixou o clube nos 120 milhões de capital próprio negativo.
Mais uma vez, apresentando o pior cenário possível com rescisões de todos os jogadores do plantel principal. Ora, saindo todo o plantel principal desapareciam grande parte dos custos com pessoal, que esta época devem ultrapassar os 70 milhões de euros. Logo, ficávamos sem uma enorme despesa para a próxima época. Do ponto de vista das receitas este ano entra em vigor o contrato com a NOS e passaremos a receber 40 milhões de euros. Depois existem todas as outras receitas que não deixariam de existir, até porque os Sportinguistas não são conhecidos por abandonarem a sua equipa.
Não me passa sequer pela cabeça que todo o plantel rescinda contrato, mas faço este exercício teórico usando o pior cenário possível para mostrar que o Sporting não irá desaparecer ou falir como alguns querem fazer passar. Se todos os jogadores rescindissem, o Sporting teria de ajustar a sua estrutura de custos às suas receitas. Receitas essas que são suficientes para aguentar a sociedade. E não esquecer que o Sporting tem fortes probabilidade de ganhar os processos aos jogadores. O Bruma que o diga...
Fica esta análise meramente contabilística do pior cenário possível para que os Sportinguistas tenham uma melhor noção das contas da SAD.
É muito importante referir que as rescisões de Daniel Podence e Rui Patrício não têm qualquer tipo de impacto no activo, uma vez que são jogadores de formação e a sua contabilização é próxima do zero. Se ficarmos por estas duas rescisões fica tudo na mesma.
E se rescindirem todos?
Não acredito minimamente que todos os jogadores do plantel rescindam contrato com o Sporting. De qualquer forma, se todos os jogadores da equipa A rescindissem, o valor do plantel contabilizado no activo desceria consideravelmente. Não tenho informação sobre a valorização individual de cada jogador, mas fazendo uma estimativa diria que essa rubrica passaria para um valor na casa dos 30 milhões de euros. Depois seria necessário esperar pelas decisões judiciais para perceber se o Sporting seria ou não ressarcido por essas rescisões unilaterais.
Imaginando o pior cenário possível, que seriam todos os jogadores rescindirem e o Sporting não ser indemnizado: neste caso a Sporting SAD regressaria a uma situação de falência técnica na casa dos 40 milhões de euros de capital próprio negativo. Para se fazer uma comparação, recordo que Godinho Lopes deixou o clube nos 120 milhões de capital próprio negativo.
E a próxima época?
Mais uma vez, apresentando o pior cenário possível com rescisões de todos os jogadores do plantel principal. Ora, saindo todo o plantel principal desapareciam grande parte dos custos com pessoal, que esta época devem ultrapassar os 70 milhões de euros. Logo, ficávamos sem uma enorme despesa para a próxima época. Do ponto de vista das receitas este ano entra em vigor o contrato com a NOS e passaremos a receber 40 milhões de euros. Depois existem todas as outras receitas que não deixariam de existir, até porque os Sportinguistas não são conhecidos por abandonarem a sua equipa.
Para fechar
Não me passa sequer pela cabeça que todo o plantel rescinda contrato, mas faço este exercício teórico usando o pior cenário possível para mostrar que o Sporting não irá desaparecer ou falir como alguns querem fazer passar. Se todos os jogadores rescindissem, o Sporting teria de ajustar a sua estrutura de custos às suas receitas. Receitas essas que são suficientes para aguentar a sociedade. E não esquecer que o Sporting tem fortes probabilidade de ganhar os processos aos jogadores. O Bruma que o diga...
Fica esta análise meramente contabilística do pior cenário possível para que os Sportinguistas tenham uma melhor noção das contas da SAD.
Para terminar quero só recordar que jogadores como Carlos Mané, Domingos Duarte, Iuri Medeiros, Jefferson, Jonathan Silva, Matheus Pereira, Marcelo, Raphinha ou Francisco Geraldes fazem parte dos quadros do clube e não estão em situação de pedirem rescisão.

























