terça-feira, 19 de junho de 2018

O impacto financeiro das rescisões - Parte II


Na passada sexta-feira fiz um post relativo ao impacto financeiro das rescisões nas contas da Sporting SAD (aqui). Hoje, a Sporting SAD comunicou à CMVM uma série de informações relativa a esta temática

Falhei por pouco


No post de sexta-feira fiz uma previsão sobre o decréscimo do activo intangível relacionado com o valor do plantel. Como referi na altura, é sempre complicado fazer este tipo de calculo não tendo acesso aos dados. De qualquer forma, apontei para uma descida do activo na casa dos 15,480 Milhões de euros. Esta descida levaria o capital próprio a descer dos 7,5 Milhões positivos para os 7,9 Milhões negativos. Na realidade falhei no alvo por 1 milhão de euros, como podem ver de seguida.

Comunicado Sporting CMVM

"Falência técnica"


Por definição, uma entidade está em falência técnica quando o seu capital próprio é negativo, isto é, quando o seu passivo é superior ao seu activo. Com esta informação ao mercado ficamos a saber que as rescisões de contrato fizeram com que a Sporting SAD regressasse a esta situação de falência técnica.

Hora de recuperar a evolução do capital próprio da Sporting SAD.

*3º trimestre 2017/2018
Como podem verificar, foi Bruno de Carvalho quem conseguiu por cobro a 13 anos de falência técnica consecutivos. Relembrar que quando entrou no Sporting recebeu como herança uns incríveis 118 milhões de capital próprio negativo. Comparar isto com os 9 milhões de euros negativos que agora temos e que derivam das rescisões é uma brincadeira no parque. Para que conste, o Porto também está com capitais próprios negativos, só que na casa dos 35 milhões de euros.  

Estes 9 milhões de euros são recuperáveis no próximo exercício económico, razão pela qual não vejo grande alarme. 

Receitas e despesas


Do ponto de vista das despesas há uma diminuição nos gastos com pessoal. Com as rescisões de contrato o Sporting ficou com um folga na casa dos 25 milhões de euros. Também em termos de investimento o Sporting não terá a margem de investimento que teve na época anterior. Portanto, menos gastos com pessoal e menos investimento em jogadores. 

Do ponto de vista das receitas há uma rubrica em que ficamos já a perder, que é a dos prémios da UEFA, uma vez que esta época não teremos Champions Leagues. De qualquer forma, esta época entra em vigor o contrato dos direitos televisivos com a NOS que compensará por completo a falta dos prémios da Champions League. 

Em termos de outras receitas fixas, o que pode variar são as receitas de bilheteira/gamebox e o prémio da participação na Europa League. Uma boa parte depende de todos nós. Independentemente de ser o presidente A, B, ou C os Sportinguistas têm de estar com a sua equipa e apoiarem o clube. Se todos o fizermos ficaremos muito mais próximos do êxito. 

Relativamente a receitas extraordinárias com vendas de jogadores, ficamos com menos jogadores com mercado para fazer um encaixe interessante. De qualquer forma há Piccini, Coates e Acuna que podem trazer algum retorno financeiro. Para além destes existem outros excedentários para serem colocados que juntos podem dar também uma ajuda. 

Sporting não vai falir


Mais uma vez quero reiterar que o Sporting não se encontra em situação de risco, apesar das dificuldades causadas pelas rescisões. Sobre esse assunto, cada vez mais acredito que os jogadores não têm justa causa e que vão pagar bem caro pela ousadia. Obviamente, o período que esperamos pela resolução do diferendo penaliza-nos, mas também há juros a cobrar por esse tempo de espera. 

Para fechar, e como já sei que os propagandistas vão lançar a teoria do caos financeiro no Sporting, quero-vos falar em receitas antecipadas, que de um momento para o outro deixaram de ser tema de conversa. Já repararam? Há coisas incríveis, não há? Querem ver...


Como podem verificar, no último ReC trimestral 17/18 o Sporting apresentou uma redução enorme das suas operações de factoring, vulgarmente conhecidas como "antecipação de receitas". Em Junho de 2017 o Sporting tinha adiantado cerca de 30 milhões de euros, sendo que em Março deste ano apresentava apenas 7,5 milhões de euros. 

Portanto, em "antecipação de receitas", o Sporting tem cerca de 7,5 milhões de euros. De repente desapareceu o tema da agenda dos contabilistas de taberna como Camilo Lourenço, Rui Pedro Braz e restantes propagandistas. Por que será? Terá sido pelo facto de o Benfica ter antecipados 100 milhões de euros do contrato com a NOS como foi anunciado recentemente? Eu repito: 100 MILHÕES DE EUROS

Sabem quanto é que o Porto tem antecipado? 

ReC Porto 31.12.2017
Nada mais, nada menos do que 71,6 Milhões de euros em receitas antecipadas. E atenção que segundo a administração do Porto parece que esse montante pode aumentar. Vamos aguardar pelos ReC anuais para termos a análise completa. Mas neste momento o que temos é o seguinte: 


Resumindo: O Benfica antecipou 100 milhões. O Porto antecipou 71,6 Milhões e o Sporting está nuns "míseros" 7,5 milhões. Posto isto, não me venham falar em falências nem venham lançar verborreias semelhantes. Se o Sporting está falido, como é que estão os outros? O Sporting tem muito dinheiro para ir buscar em caso de necessidade.

Agora é virar o foco para fechar a reestruturação financeira comprando as VMOC que garantem ao Sporting ficar com 90% da SAD e dar definitivamente um pontapé no rabo de Álvaro Sobrinho, que verá a sua participação reduzida dos 30% para uma percentagem inferior a 10%. Algo que nem sequer lhe dá para meter um administrador na SAD. 

Espero que com mais esta pequena radiografia das finanças do Sporting, os Sportinguistas percebam o que está aqui em causa. 

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

As eleições fantasma de Jaime Marta Soares


Nos próximos posts irei esclarecer por completo toda a crise institucional do Sporting, tentando recuperar todos os factos deste ultimo mês para que os Sportinguistas decidam em consciência no próximo sábado.

Sobre o pedido de demissão de Jaime Marta Soares e a forma como em momentos chave tentou mostrar que não tinha formalizado o pedido já fiz um post (aqui). Essas informações acabam por ser também importantes para enquadrar este post.

O que acontece quando os órgãos sociais caem? 


No dia 17 de Maio, dois dias depois dos ataques à Academia, Jaime Marta Soares pediu a demissão de presidente da MAG. Uma demissão que contrariou o que tinha prometido aos Sportinguistas que seria uma reunião entre todos os órgãos sociais para encontrar a melhor solução tendo em conta os superiores interesses do Sporting CP.

Um dia que também ficou marcado por uma série de demissões de outros membros dos órgãos sociais que fizeram com que a MAG e o CFeD caíssem. No final desse dia 17, Jaime Marta Soares correu as todas as capelinhas televisivas para anunciar a sua demissão aos Sportinguistas e atacar Bruno de Carvalho, pedindo a sua demissão. Nessa mesma noite, Bruno de Carvalho, membros do CD, da administração da SAD e um membro do CFeD anunciaram que não se demitiam e que continuariam em funções. 

Jaime Marta Soares acompanhou a conferência de imprensa em directo nos estúdios da TVI. Quando a mesma acabou foi questionado sobre o passo estatutário seguinte. Jaime Marta Soares respondeu assim: 


Como podem verificar, o comendador foi taxativo quanto ao passo seguinte: marcar eleições antecipadas.

Fez ontem precisamente um mês desta declaração e como sabemos não foram marcadas eleições antecipadas para estes órgãos. Mais uma vez, Jaime Marta Soares mentiu aos Sportinguistas e atropelou o que tinha afirmado aos sócios. Já o tinha feito no dia do ataque na Academia (15 Maio) quanto prometeu uma reunião entre todos os órgãos sociais para o dia seguinte ao da final da Taça (21 de Maio). Só que a 17 de Maio decidiu bater com a porta levando o Sporting para toda esta crise institucional.

Por que será que JMS não marcou as eleições?


Esta é a pergunta que a imprensa não faz e uma explicação que o comendador não dá aos sócios. Bruno de Carvalho e os restantes membros do Conselho Directivo eram os únicos a estar em pleno gozo de poderes e de legitimidade. Se o CD entende que tem condições para continuar e os membros da MAG e do CFeD não sentem as mesmas condições, os estatutos são claros, como disse o comendador. Vamos para eleições para esses dois órgãos. Era isto que deveria ter sido feito.

Nesta altura já teríamos uma MAG e um CFeD legitimamente eleito sem ser preciso lançar o Sporting para esta confusão institucional. Esta nova MAG até já poderia ter marcado uma AG para destituição do CD mediante proposta dos sócios, etc. Tudo isto já poderia ter sido feito.

Jaime Marta Soares não quis nada disto. O comendador está a jogar com os estatutos utilizando todas as artimanhas para retirar à força Bruno de Carvalho da presidência do clube. Por que outra razão nomearia uma comissão de fiscalização composta por gente que tem um ódio de morte a Bruno de Carvalho? Alguns deles, já depois de tomarem posse estiveram numa manifestação pública contra o presidente do Sporting. Algum sócio acha isto normal?

Estamos a falar de uma comissão de fiscalização que recebeu um requerimento de 20 sócios para intentar um processo disciplinar contra os membros do CD. Em apenas dois dias suspenderam preventivamente todos os elementos do CD. Só para terem uma ideia, os processos disciplinares a Godinho Lopes e outros ex-dirigentes demoraram meses e nesses casos foram nomeados instrutores externos ao Sporting para garantir uma total imparcialidade no processo.

Neste caso estamos a falar de um comissão de fiscalização que não foi eleita pelos sócios e que em apenas dois dias toma a decisão disciplinar mais importante da história do Sporting, suspendendo o seu presidente e o restante conselho directivo. Sinceramente, mas há algum Sportinguista que aceite isto? Independentemente de quererem ou não a continuidade de Bruno de Carvalho, eu pergunto: Isto é justo? Isto é defender os superiores interesses do Sporting? Estes senhores têm legitimidade para o fazerem?

É bom que os Sportinguistas tenham noção que a golpada de Jaime Marta Soares está próxima de ser concretizada. O comendador nomeou uma comissão de fiscalização para suspender o CD. Agora nomeou uma comissão de gestão para tomar conta do clube. Comissão de gestão que em breve ira nomear uma nova administração da SAD, consumando a golpada. Um demissionário consegue tirar do clube quem foi legitimamente eleito pelos sócios e colocar lá quem quer. Deve ser esta a "democracia" que tanto apregoa Jaime Marta Soares.


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sexta-feira, 15 de junho de 2018

O impacto financeiro das rescisões


Para que os Sportinguistas percebam claramente o que está em causa em termos financeiros deixo aqui uma explicação detalhada sobre o impacto contabilistico das rescisões. Antes de começar quero que fique desde já muito claro que o Sporting não está em risco de insolvência, nem de fechar as portas, nem de falir, nem nenhum desses soudbytes lançados pelos paineleiros televisivos. Vamos por partes e de forma muito simples para que toda a gente perceba. 

Faço este post considerando as saídas de Rui Patrício, Daniel Podence, Gelson Martins, Bruno Fernandes, William Carvalho, Bas Dost, Rúben Ribeiro, Rafael Leão e Rodrigo Battaglia. Estes dois últimos no momento em que escrevo o post ainda não são oficiais, uma vez que ainda não está nada na CMVM. De qualquer forma vou já considera-los na análise. 

Existem dois impactos imediatos nestas rescisões de contrato:

1) Diminuição do activo:


Dos cerca de 275 Milhões de activo da Sporting SAD o plantel estava contabilizado em cerca de 78M no último relatório e contas.

ReC 3º trimestre 2017/2018

Dos 9 jogadores que rescindiram, apenas 4 (Bas Dost, Bruno Fernandes, Rodrigo Battaglia e Rúben Ribeiro) eram considerados no activo do SAD, uma vez que os restantes 5 jogadores são jogadores que vieram da formação do Sporting, logo, valem "zero" em termos contabilísticos.

Passo agora a fazer uma simulação do valor que irá decrescer no activo da SAD com a saída dos 4 jogadores.


Portanto, nestes quatro jogadores temos aqui um decréscimo do activo intangível relacionado com o plantel na casa do 15 milhões de euros. Vejamos agora a evolução do capital próprio da Sporting SAD desde a sua constituição. 

*ReC 3ºtrimestre 2017/2018 
Como podem verificar, no último ReC relativo ao 3º trimestre de 2017/2018, o capital próprio da Sporting SAD era positivo e estava na casa dos 7,5 milhões de euros. É impossível estar aqui a fazer qualquer tipo de previsão correcta sobre a evolução de outras rubricas do activo e do passivo, logo o mesmo acontece para o capital próprio.

De qualquer forma faço um pequeno exercício que dá para terem uma ideia. Se de forma muito simplista aos 7,5 de capital próprio positivo tirarmos os cerca de 15,5M de activos dos jogadores que rescindiram, ficamos um um capital próprio de 7,9 negativos.

Este exercício em relação ao capital próprio serve apenas para termos de comparação com o que tínhamos em exercício anteriores onde o capital próprio chegou a ser de quase 120 milhões de euros negativos. Aliás, foi este o legado que Godinho Lopes deixou a Bruno de Carvalho.

Serve isto para dizer que é perfeitamente possível no exercício 2018/2019 recuperar desta situação e recolocar a SAD com capitais próprios positivos.

2) Folga orçamental 


Com a saída destes jogadores e da equipa técnica liderada por Jorge Jesus, o Sporting fica com um efeito muito positivo nos seus gastos com pessoal. 

Não há números oficiais em relação aos vencimentos dos jogadores. A tabela anterior é feita com base de notícias de jornais, com excepção do vencimento de Battaglia que é um valor "atirado ao ar" por mim. Cheguei aqui a um valor global de 22,6 milhões de euros. Não sendo um número 100% certo acredito que andará à volta disto. Um valor desta grandeza e muito significativo num orçamento de uma época. Tanto assim é que na primeira época de Bruno de Carvalho no Sporting, a SAD gastou cerca de 25M em salários de todo o plantel.

Em termos de curto prazo são estes os dois impactos imediatos que as rescisões de contrato tiveram nas contas do Sporting. Uma questão relativamente pacifica como é a questão do capital próprio, que não impede absolutamente nada e a questão da folga orçamental para a próxima época. 

Para fechar


Estas rescisões de contrato prejudicam gravemente o clube e esta análise é puramente contabilística. É uma análise que serve essencialmente para mostrar que o Sporting não está em risco de insolvência, nem de fechar as portas, nem de falir, nem nenhum desses soudbytes lançados pelos paineleiros televisivos.

Não adianta estarmos aqui com grandes conjecturas sobre o futuro e muito menos a entrar no jogo da imprensa com a história dos prejuízos de milhões. Só serão prejuízos de milhões se o tribunal der razão aos atletas. Se tivermos nós razão vai ser um fartote. Vamos ver o que acontece. Até lá, os dois factos acima enumerados são os únicos impactos financeiros para o Sporting.

As instâncias próprias decidirão se os jogadores têm ou não razão nestes pedidos de rescisão. Perante tudo o que tenho visto estou absolutamente convicto que o Sporting vai ganhar o processo e os jogadores vão pagar bem caro o que estão a fazer com o clube. É o meu desejo e a convicção e era bom que na defesa dos superiores interesses do Sporting todos os Sportinguistas fizessem o que possível para assegurar a vitória neste processo.

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