Chamados a deliberar sobre a proposta de Orçamento para 2019/2020, os 1151 sócios participantes na AG de sábado decidiram aprovar a proposta do conselho Directivo liderado por Frederico Varandas.
Resultados finais
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| Dados Site Sporting |
Em termos percentuais a proposta foi aprovada com 69,01% dos votos contra 30,99% de votos pelo chumbo do orçamento. Se olharmos para os resultados nos sócios, a percentagem de aprovação desce para os 60,9% e a reprovação para os 39,1%.
Completa falta de informação
Por se tratar de uma proposta de Orçamento que vai em contraciclo com os Orçamentos dos últimos 6 exercícios económicos, o Sporting deveria ter tido outra atenção para com os sócios e procedido à sua divulgação antecipada, para que os mesmos tivessem tempo para analisar os números e as propostas deste novo paradigma de gestão. Recordo que o clube tem um site, um jornal e uma televisão.
Ora, isso não foi feito. Ou melhor, foi feito, mas de forma vergonhosa. As únicas iniciativas para passarem alguma informação aos sócios foram o artigo de Francisco Salgado Zenha no jornal Sporting e a entrevista do Presidente Varandas na SportingTV.
Bem, quanto ao artigo de Salgado Zenha, dizer que estava cheio de gralhas e com pouca informação, sendo que entre outras falhas de estagiário, o mais triste foi mesmo verificar que foi omitido do artigo a enorme descida no orçamento para as modalidades, que seria só a informação mais relevante do documento. Já falei sobre isso
(aqui). Em relação à entrevista de Frederico Varandas, nada de relevante foi dito aos Sportinguistas sobre esta temática, tirando uma tirada surreal sobre a passagem de 800mil euros para 1,8M no orçamento do Voleibol que é absolutamente falsa. E aqui até acho que nem foi por maldade, foi mesmo por não ter noção dos números e os ter decorado mal.
Sporting Clube de Lisboa parado no século XX
Para quem não sabe, os sócios que vão às instalações do clube solicitar o orçamento para consulta têm de assinar uma espécie de folha de presença. Ao fazê-lo têm noção do número de associados que consultaram o documento. Segundo relatos de Sportinguistas que fizeram esta consulta, o número de sócios interessados não chegou sequer às duas dezenas. Relativamente a esta consulta, acrescentar que não são permitidas fotografias ou fotocópias que permitam levar o documento para casa para analisar mais calmamente e comparar com relatórios e contas e orçamentos passados.
Ora, quanto a isto é preciso mudar de uma vez por todas o método de consulta. O Sporting Clube de Portugal, clube que se diz ser de Portugal e não apenas de Lisboa, não pode continuar em pleno século XXI a impedir aqueles que estão fora de Lisboa de terem acesso a informação. Um sócio do Porto, de Bragança, de Faro ou até que viva no estrangeiro tem de se dirigir à sede do Sporting para conhecer a proposta de orçamento do clube que ama e para o qual paga as suas quotas? Será que as pessoas têm sequer noção que um sócio que vive no estrangeiro ou longe de Lisboa pouco ou nada usufrui do facto de ser sócio, para além do orgulho em ajudar o clube? É absolutamente surreal que continue a não haver esta visão de um Sporting de âmbito nacional. As direcções passam e continuamos nisto. Tenho pena de trazer aqui à colação o Benfica, mas os bons exemplos têm de ser elogiados. É que os encarnados disponibilizam a proposta de orçamento no site oficial do clube para os seus sócios. Fica a nota para que os nossos dirigentes alterem esta política.
No que é que os sócios votaram?
Devidamente informados temos menos de 20 sócios que partiram para a AG com todas as informações sobre o Orçamento e tiveram tempo para analisar as propostas e formar uma opinião que lhes permitisse estarem de corpo presente na AG e até tirarem alguma dúvida com os responsáveis do clube. Os restantes cerca de 1130 tomaram noção dos números na própria AG e tiveram de decidir no momento. Só por aqui se vê que a esmagadora maioria das pessoas não tiveram a mais pequena noção do que estavam a votar.
Mas, lá está, os sócios são soberanos, mesmo que a decidirem na ignorância de não terem noção dos números. É impossível olhar para estes resultados e fazer uma verdadeira análise sobre os méritos e deméritos do orçamento, senão vejamos: de um lado, uma falange de "oposicionistas" que esmagadoramente votaria sempre contra o orçamento, nem que este fosse a melhor coisa do mundo. Do outro lado, um grupo de sócios que se identifica com esta direcção e que esmagadormente votaria sempre a favor do orçamento, nem que ele fosse a pior coisa do mundo. E no meio, uma série de sócios que votam a favor de tudo pela estabilidade do clube e da direcção, seja ela qual for. E aqui, importa esclarecer que o chumbo do orçamento não colocava absolutamente nada em causa. O que aconteceria era que o conselho directivo teria de fazer nova proposta que se adaptasse à vontade que os sócios expressarem na AG.
Mas, voltando aos sócios que votaram a favor em nome da estabilidade tenho de fazer duas notas. Vi alguns sócios a referirem nas redes sociais que os orçamentos devem ser sempre aprovados e depois no final do mandato as direcções devem ser julgadas pelo trabalho realizado. Ora, aqui não posso deixar de discordar frontalmente com esta análise. Desde logo, porque se existe a obrigatoriedade estatutária de os orçamentos serem levados a votação pelos sócios é porque os eles têm de ser ouvidos e analisarem bem o que lhes é proposto. Se assim não fosse, os conselhos directivos faziam sempre o que quisessem em termos orçamentais e de contas. Mas há ainda um factor mais relevante. As direcções eleitas apresentam-se a sufrágio com base num programa eleitoral e se se afastam do que foi sufragado, os sócios têm o direito a contestar e contrariar essas alterações através do voto nas AG exigidas estatutariamente para protegerem a vontade dos sócios. E é aqui que a porca torce o rabo, para aqueles que defendem a teoria do "deixa andar e no fim fazemos contas", senão vejamos:
A promessa eleitoral de Frederico Varandas
"Investimento. Manter a aposta e o investimento em todas as modalidades". Foi desta forma decidida que o candidato Varandas se apresentou aos sócios no que a esta matéria diz respeito. Uma proposta que não deixa margem para dúvidas e que foi atropelada com esta proposta vergonhosa de orçamento. Vamos a números.
2,3 Milhões ao "ar" no orçamento das modalidades.
Foi nisto que os sócios do Sporting votaram, meus senhores. Eu já tinha avisado no post que fiz antes da AG
(aqui) e os números que apresentei confirmaram-se. Aqui fica o orçamento de exploração apresentado pelo CD na AG de sábado.
Primeiro que tudo, voltar a explicar que a rubrica de honorários é aquilo a que vulgarmente se designa por orçamento das modalidades, uma vez que é a rubrica onde estão agregados todos os gastos com jogadores e treinadores.
Como podem verificar, o conselho directivo estimou que a época 2018/2019 iria acabar com 10.330.976,00€ de gastos com remunerações. Uma estimativa feita a poucos dias do final da exercício (acabou no dia seguinte à AG de sábado), portanto os valores devem estar certos praticamente ao cêntimo. Ora, no que diz respeito ao orçamento para a época 2019/2020, Frederico Varandas e seu pares propõem que o Sporting desça o seu orçamento para as modalidades face ao que foi gasto em 18/19, para os 8.027.203,00€. Um desinvestimento de 2.303.773,00€. Um decréscimo de 22,3% face ao investimento feito em 2018/2019. Meus senhores, falamos de mais de um quinto do orçamento que "vai ao ar".
Enganar os sócios à descarada
Em vez de justificarem os reais motivos pelos quais reduzem o orçamento das modalidades de 19/20 em 22,3% face ao valor executado em 18/19, este conselho Directivo arranjou uma narrativa para enganar os sócios. Dizem estes senhores que o orçamento das modalidades de 19/20 é superior ao de 17/18, ano em que o Sporting venceu os 4 títulos nacionais nas suas modalidades de pavilhão. Isso é realmente um facto. O orçamento das modalidades de 19/20 é superior ao valor executado em 17/18 em pouco mais de 16 mil euros. O que estes senhores ocultam propositadamente, por forma a enganarem os sócios é que em 19/20 há mais uma modalidade (basquetebol) do que em 17/18. Modalidade que terá um orçamento a rondar os 800 mil euros.
Ou seja, se estes senhores fossem sérios e quisessem fazer uma comparação entre o montante executado em 17/18 para as modalidades com o orçamento de 19/20, teriam de retirar o valor do orçamento do Basquetebol. E se o fizessem perceberiam que o orçamento para as mesmas modalidades seria de apenas 7,2M em 19/20 contra os pouco mais de 8M em 17/18. Mas como não são sérios, enganam deliberadamente os sócios do Sporting.
Para quem precisa de um desenho
Os 10,3M investidos nas modalidades em 2018/2019 renderam a época com mais sucesso Internacional dos 113 anos de vida do clube (7 títulos internacionais). De acordo com o Conselho Directivo do Presidente Varandas, este exercício económico terminará com lucro na casa dos 140 mil euros. Portanto, apesar de todo o investimento acabamos o ano com lucro e com a época com mais conquistas internacionais da história do clube. Se foi assim em 18/19, porque raio vamos desinvestir 22% em 19/20?
O que os sócios do Sporting aprovaram no Orçamento de 19/20 foi um corte de 3M de euros nas modalidades que tínhamos em 18/19. Um valor que se subtrai ao orçamento do Basquetebol, que entra para o clube esta época, com custos que andam na casa dos 800 mil euros. Ou seja, com mais uma modalidade o Sporting passou o orçamento das modalidades dos 10,3M para os 8M, em números redondos. Um desinvestimento que anda na casa dos 22%. E tudo isto, repito, com mais uma modalidade de pavilhão. Mas mais, para os desatentos importa recordar que esta época antecede os Jogos Olímpicos de Tokyo, logo, o orçamento deveria até ser reforçado para trazer atletas com capacidade para engrandecerem o projecto olímpico leonino, que diz tanto ao Sporting e aos Sportinguistas. São já 146 atletas olímpicos e 9 medalhas conquistadas. Mas isso deve importar pouco para estes senhores. Quando a imprensa diz que um campeão como Nélson Évora está na porta de saída do clube devido ao desinvestimento e o clube nem sequer reage...
Foi por isto que me posicionei contra esta orçamento do desinvestimento, meus amigos. Tão simples quanto isto. Mas os sócios votaram e são soberanos. Vamos em frente com estes orçamento do desinvestimento.
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