quarta-feira, 3 de abril de 2019

Tudo pela 54ª final leonina


O Sporting joga hoje uma verdadeira "final" antecipada para chegar à sua 54ª final do futebol sénior masculino. Uma partida contra o eterno rival em que temos de recuperar de uma desvantagem de um golo do confronto da primeira mão no Estádio da Luz. 

As 53 finais



O adversário preferido 


Com o resultado de ontem da outra meia-final já ficamos a saber que se conseguirmos chegar à final jogaremos contra o Porto, que é um clube com o qual temos um histórico muito interessante em finais.


Das 31 finais vencidas pelo Sporting, 7 foram vencidas precisamente contra o Porto. Este século o Sporting jogou 5 finais com o Porto e venceu todas. As Supertaças de 2001, 2008 e 2009; a Taça de Portugal de 2008 e a Taça da Liga desta época. Mas para chegarmos a uma final que tem pendido para o nosso lado é preciso primeiro passar o Benfica.

Vamos com tudo


Para o jogo de mais logo temos de entrar com tudo para darmos a volta à eliminatória, sabendo que uma vitoria por 1-0 é suficiente para estarmos no Jamor. Para esta jogo temos duas enormes vantagens em relação ao adversário: jogamos em casa, com o apoio dos nossos adeptos e estamos a preparar a partida há mais de um mês (depois da eliminação da Europa). Posto isto, só temos de entrar com tudo e fazer um grande jogo contra um adversário que tem estado em constante actividade e a disputar todos os jogos como se fossem verdadeiras finais. Coisa que infelizmente, não acontece connosco. 

Por muito que nos custe, este é realmente o jogo da época para o Sporting e é um jogo que até pode valer duas finais - eventual acesso Supertaça - no caso de vencermos depois a final da Taça ou até mesmo em caso de derrota na final, se entretanto o Porto tiver vencido a Liga. 

Mas para lá chegarmos temos de fazer uma grande exibição no jogo de hoje, mostrando o que andamos a treinar há mais de um mês para este jogo. Não podemos exigir a qualificação, porque num jogo de futebol contra um rival tudo pode acontecer, mas podemos e devemos exigir que a equipa entre em campo e que tenha uma exibição de garra, coragem e de competência. Se o fizermos acredito que estaremos novamente na final do Jamor. Vamos com tudo para cima deles!

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terça-feira, 2 de abril de 2019

Os três desejos de Vieira e dois pormaiores...


Para fechar a análise sobre a já famosa entrevista de Vítor Catão à CMTV na semana passada, gostaria de salientar os alegados três pedidos de Luís Filipe Vieira a Vítor Catão, assim como dois pormaiores que passaram despercebidos.

Os três desejos de Luís Filipe Vieira


Desta entrevista de Vítor Catão saíram alguns factos que já foram entretanto confirmados (aqui). De seguida abordo as alegações de Catão sobre os "três desejos" que Vieira lhe terá pedido no Seixal. 


Diz Vítor Catão - que até diz ter testemunhas - que na reunião com Luís Filipe Vieira e César Boaventura no Seixal, o presidente do Benfica lhe ofereceu 200 mil euros para resolver três questões: 
1) Colocar "lapas" nos carros de Pinto da Costa e do empresário Pedro Pinho;
2) Pediu para mandar dar uma coça a Francisco J.Marques;
3) Comprar jogadores e árbitros para o Benfica ganhar os jogos.

Estes alegados "pedidos" são gravíssimos sob todos os pontos de vista e no final do dia alguém terá de ser punido, porque estamos perante crimes inequívocos. Ou Vítor Catão mentiu e terá de ser punido por isso ou então está a dizer a verdade e terá de ser Luís Filipe Vieira a ser punido.

Sobre estas alegações dizer apenas que não ficaria surpreendido se Vítor Catão estivesse a mentir, assim como também não ficaria surpreendido se os pedidos de Luís Filipe Vieira fossem reais. Aliás, Vieira chamou "capanga" a Vítor Catão depois do célebre incidente nas Aves, por isso parece-me que os pedidos se enquadram no perfil traçado por Vieira.

Não posso tecer mais comentários para além disto, senão pedir às instituições judiciais deste país e ao ministério público para tomarem conta da ocorrência, desejando que toda a verdade seja apurada. 

Dois pormaiores...


"Há muita gente do Correio da Manhã que já sabia disto há uma semana atrás"


Este momento em que Vítor Catão diz que o "Correio da Manhã já sabia há uma semana atrás" está relacionado com os alegados três pedidos feitos por Luís Filipe Vieira a Vítor Catão. Era também relevante sabermos o porquê de o CM ter acesso a esta informação e de não a ter publicado. Quem publicou o processo Cashball com base num testemunho pago, porque será que não achou interessante publicar também as alegações de Vítor Catão!?

"Para estar aqui, tive de faltar a outra televisão concorrente. Há um mês que essa entrevista estava feita para os dois"


Vítor Catão diz que para estar na CMTV teve de faltar a uma outra entrevista que estava marcada há um mês. Uma entrevista "feita para os dois". Portanto, estaria previsto que Vítor Catão e César Boaventura estivessem os dois na TVI 24 na noite de segunda-feira. Algo que se tornou impossível depois da zaragata que ocorreu nessa tarde em São Pedro da Cova. Talvez possa estar aqui a resposta à pergunta: o que foi fazer César Boaventura a São Pedro da Cova? E fica também no ar a pergunta sobre que temáticas Vítor Catão iria abordar nessa entrevista a dois com César Boaventura. 

Para fechar


Se a estas alegações e declarações destes protagonistas juntarmos a questão do famoso post de César Boaventura com a nomeação antecipada de um árbitro para um jogo do Porto, podemos ficar com uma visão mais clara das relações entre todos estes artistas, até porque César Boaventura disse que recebeu a informação dos Super Dragões...

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segunda-feira, 1 de abril de 2019

De "waiver" em "waiver"


Parece mentira, mas a realidade é que chegamos a Abril sem qualquer informação por parte do conselho directivo sobre a reestruturação financeira que permitiria ao clube colocar uma pedra sobre esta matéria. Relembrar que ontem terminou o "waiver" concedido pela banca ao Sporting e os sócios continuam no escuro sobre todo este processo. Para quem não está familiarizado com este termo técnico, explicar que um "waiver" é uma renúncia temporária ao pagamento de determinadas obrigações do clube perante a banca. E este é já o segundo "waiver" que esta direcção teve, depois do primeiro ter findado a 31 de Dezembro de 2018.

Portanto, de forma muito resumida e sendo absolutamente factual, estamos perante um conselho directivo que:
1) falhou estrondosamente o empréstimo obrigacionista de 30M (deveria ir aos 60M) ficando apenas nos 26M, tornando o Sporting no primeiro clube português a ter uma procura inferior à oferta das suas obrigações. 

2) falhado o Empréstimo obrigacionista, o conselho directivo virou-se para a antecipação de receitas do contrato de direitos televisivos. A tal "ferramenta de último recurso" - como afirmou Francisco Salgado Zenha há uns meses atrás -  foi utilizada sem que fosse explicado o plano financeiro que esta direcção tem para o clube e sem informar os sócios e accionistas sobre o parceiro escolhido e a taxa de juro. 

3) no meio de tudo isto, a divulgação do habitual relatório e contas consolidado de todo o grupo Sporting continua escondida dos sócios, quando deveria ter sido divulgada no passado mês de Janeiro em sede de assembleia geral e publicada no site do clube. Um relatório e contas que é fundamental para que os sócios do Sporting tenham conhecimento da real situação em que a direcção de Bruno de Carvalho deixou o clube. Por que será que não querem que os sócios tenham acesso a esta informação? Na mesma situação está o relatório de sustentabilidade.

4) Finalmente, estamos também perante um conselho directivo que continua sem fechar a reestruturação financeira que já tinha sido alinhavada pela direcção de Bruno de Carvalho há precisamente um ano, como até é reconhecido em recentes comunicação do Sporting à CMVM. 



Portanto, já passou um ano da negociação relativa à reestruturação financeira negociada pela direcção de Bruno de Carvalho e ainda não há fumo branco. Mais relevante ainda é que Março 2019 (prazo limite do segundo "waiver") já lá foi e os sócios continuam sem saber nada sobre o acordo de reestruturação financeira. 

Para fechar o post, parece-me extremamente relevante trazer aqui um artigo que Carlos Vieira, antigo vice-presidente do Sporting, publicou na passada sexta-feira na plataforma Link To Leaders


O artigo de Carlos Vieira


Leio na comunicação social sobre o facto de certos credores terem conseguido o controlo acionista da Auto Estradas Douro Litoral e da Brisal, pertencentes à Brisa, após terem adquirido, a desconto (ou com o já famoso “haircut”, fala-se em 80%), créditos que lhe permitiram fazer o “step in” no capital da empresa. E adquiriram-no associando-se a empresas tão seletas como o Deutsche Bank, o JP Morgan e o Banco Europeu de Investimento (Público, 24/01/2019).

Importa recordar também que a própria Brisa já tinha colocado o Estado português em tribunal, por razões de reequilíbrio financeiro, tendo este sido condenado a pagar 220 milhões. É obra!

Este tema permite-me dizer que, de facto, num negócio ou num investimento que, por determinadas razões não corre como o esperado, pode sempre existir um conjunto mínimo de ativos que conduzem ou autorizam um ajustamento. Por vezes este ajustamento obriga a que credores que, por norma, não trabalham em situações de stress financeiro, cedam as suas posições a terceiros, sejam eles considerados “abutres” ou não. E aqui o digo. Hoje que se discute a necessidade de se recuperar a competitividade de determinadas regiões do país, não seria porventura interessante o Estado português adquirir esta posição destes fundos, remetendo estes ativos para os respetivos municípios para gestão (promovendo a redução dos custos de contexto de quem aí vive e trabalha)? Há de facto uma oportunidade única nestes momentos originados por crises globais ou específicas que importa manter no radar.

O mesmo se pode dizer do Sporting Clube de Portugal e do seu Grupo. Na semana passada assisti ao anúncio de um financiamento que serviria para pagar créditos vencidos, na SAD. Neste artigo, em que escrevo como docente do ISG, e para não me acusarem de revelar informação confidencial, reporto-me aos recentes relatórios de gestão, prospetos divulgados e ao artigo de Bruno de Carvalho (DN, 30/04/2018) e à entrevista de Carlos Vieira (o VP do SCP, que sou eu, mas agora não sou, também no DN, mas de 22/06/2018), para lamentar que não se tenham conseguido concretizar os acordos que permitiriam uma reestruturação (já estou tão farto desta palavra!) efetiva.

Para não me alongar muito, a base desse acordo era i) situar a operação de titularização de créditos na Sporting SGPS (que é detida a 100% pelo Clube), que iria comprar os créditos detidos pelo BCP e Novo Banco sobre a SAD e o Clube (cerca de € 150M de empréstimos e € 135M de VMOCs – obrigações convertíveis em ações) por um valor de, no máximo, € 150M; ii) a SAD e o Clube ficariam a dever os seus créditos à SGPS pois um haircut direto dos bancos aquelas originaria muito possivelmente IRC a pagar; iii) como a SGPS deve ao Clube cerca de € 70M, acertavam-se as contas e o Clube, sem mais, ficava sem dívida bancária e “arrumadinha” beneficiando os seus mais de 170 mil sócios; iv) a SGPS ficaria com € 135M de VMOCs adquiridas a um baixo valor que, se interessasse ao Sporting, poderia transformar em ações ou vender com ganhos a parceiros a sério; v) todas as restantes garantias prestadas aos bancos ficariam libertas. Note-se que, a SAD não pode adquirir ações ou VMOCs próprias e não pode emprestar dinheiro a terceiros com o objetivo único de as comprar (a designada “simulação”).

Assim, a exemplo da Brisa, ou do Estado português, parece que se pode vir a perder uma oportunidade. Daquelas que passam poucas, ou nenhumas vezes. O que me ainda me mantém esperançoso é que quem nos governa se mantenha alerta. No caso do Estado, vêm aí eleições…. No caso do Sporting, no comunicado à CMVM está escrito que a “Sporting SAD [pode]recuperar a titularidade ou benefício económico dos créditos”. Ainda estamos em tempo. No entanto deixo a minha dúvida. Sendo quem gere agora estes processos um homem da banca (e que a ela necessariamente regressará) porque não manteve os contratos com quem negociava “agressivamente”, à “abutre” (mas do lado certo da barricada)? Porque será que rescindiram esses contratos? Porque será? Desta vez não será certamente do guaraná.


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