No passado sábado, o Jornal Record publicou uma notícia "bombástica" sobre o Pavilhão João Rocha.
A notícia
Portanto, o Sporting terá de responder na justiça por três processos relacionados com a construção do Pavilhão João Rocha, num valor próximo de 5M. Duas acções no valor total de cerca de 580 mil euros, interpostas pela Ferreira Build Power e uma terceira interposta pela Camacho & Nunes no valor de cerca 4,2M.
"Trabalhos extra"!?
Portanto, a Ferreira Build Power tem os tais 2 processos contra o Sporting no valor de 580 mil euros e ao mesmo tempo transmitiu para a Camacho & Nunes uma alegada dívida de 4,2 Milhões de euros por "trabalhos extra". Ora, importa aqui dizer que a construção do Pavilhão João Rocha foi feita no regime de "chave na mão", logo é impossível terem existido "trabalhos extra", quanto mais 4,2 Milhões em extras.
Vamos recordar o comunicado do Sporting de 9 de Maio de 2015:
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| Cliquem na imagem para aumentar |
Infelizmente, o comunicado já não está disponível no site do Sporting, mas consegui recuperar o conteúdo que coloco em cima na integra.
Para o assunto em causa interessa o ponto 7 e 8, que passo a transcrever:
"7 – Tal informação, levou a que de imediato, no mesmo dia 7 de Maio, em reunião extraordinária a Direção do Sporting Clube de Portugal tenha decidido por unanimidade:a) Dar procedimento à indicação da adjudicação da empreitada ao segundo concorrente Ferreira Build Power pelo valor global de 7.496.000,00€ no regime de preço global - chave na mão e incluindo todas as alterações propostas ao projeto que constituem uma clara mais valia;
8 – No dia 8 de Maio de 2015, foi assinado o contrato com a empresa Ferreira Build Power no Estádio José Alvalade tendo ficado estabelecida a apresentação pública do projeto aos Sócios do Sporting Clube de Portugal na Assembleia Geral do dia 28 de Junho de 2015."
Na AG de 28 de Junho os sócios aprovaram o acordo. Portanto, não há aqui espaço para "trabalhos extra" de mais de 4M de euros quando falamos de uma obra em "regime de preço global - chave na mão".
Ou seja, estes senhores querem que o tribunal acredite que num pavilhão construído em "regime de chave na mão" com um custo de 7,5M, ainda existam 4,2M em "trabalhos extra". Mas alguém come isto? Há! Os sempre prestáveis senhores da Camacho & Nunes.
Outra vez a Camacho & Nunes?
Os Sportinguistas atentos a estas matérias devem conhecer bem o nome da Camacho & Nunes, uma empresa de recuperação de créditos. Falamos da mesma empresa que há cerca de um ano pediu a insolvência da SAD do Sporting, depois de terem adquirido uma alegada dívida do clube a uma empresa de apoio aos espectadores. A direcção de Godinho Lopes entendeu que o Sporting não tinha nada a pagar, assim como a direcção de Bruno de Carvalho. A realidade é que esse crédito da treta foi comprado pela Camacho & Nunes e fez parangonas no Correio da Manhã. Curiosamente, a acção com o pedido de insolvência deu entrada nos tribunais na segunda-feira seguinte à AG que legitimou Bruno de Carvalho como presidente do Sporting com cerca de 90% dos votos.
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| Capa do Correio da Manhã |
Um processo de insolvência da treta que acabou em Novembro passado quando os jornais deram conta que a Camacho & Nunes reconheceu "que a SAD leonina não tinha qualquer dívida". Nessa altura, fonte do Sporting disse aos jornais que a SAD não procedeu a nenhum pagamento à Camacho & Nunes. Nesse sentido, e uma vez que a empresa reconheceu que não tinha direito a estes montantes, o Sporting também deixou cair o processo de litigância de má fé e de responsabilidade civil por pedido infundado, interposto pela direcção de Bruno de Carvalho em Março deste ano. Podem saber tudo sobre esta processo (aqui).
A primeira vaga do ataque
A 12 de Dezembro do ano passado, o Correio da Manhã voltou à carga contra o Sporting. Vejamos:
Como podem verificar, a construtora tentou numa primeira fase o "arresto da contas da SAD para garantir o pagamento de mais de quatro milhões e meio de euros". Hoje, conseguimos perceber que não lhes foi dada razão, até porque transmitiram os tais 4,2M deste bolo para a Camacho & Nunes. Se os senhores da Ferreira Build Power estivessem seguros que iriam vencer o processo não faziam a passagem da "dívida" para a Camacho & Nunes.
Relativamente a esta matéria, importa ainda dizer que a Ferreira Build Power apresentou queixas-crime contra Bruno de Carvalho e restantes membros do seu Conselho directivo, mas também contra o actual presidente Frederico Varandas e contra os seus "vices" Salgado Zenha e Filipe Osório Castro.
A tal garantia bancária
Relativamente a essa matéria, também já tinha saído uma notícia no jornal Record que dava conta do motivo pelo qual a garantia bancária foi executada pelo Sporting. Aqui fica:
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| Jornal Record 12.12.2018 |
Portanto, o Sporting teve de executar a garantia por forma a concluir parte da empreitada que não foi concluída pela Ferreira Build Power.
Concluindo
A Ferreira Build Power interpôs então dois processos. Um no valor de cerca de 375 mil euros, que se trata da tal garantia bancária que o Sporting teve de executar, por forma a concluir parte da empreitada que não foi concluída pela Ferreira Build Power. E o outro processo pelos 205 mil euros que se refere a facturas não liquidadas pelo Sporting. Facturas que a direcção de Bruno de Carvalho, a comissão de gestão e a nova direcção de Frederico Varandas se recusaram a pagar. E recusaram-se a pagar porque a Ferreira Build Power não concluiu a empreitada. Perante isto, parece-me que o Sporting faz muito bem em não pagar e avançar para os tribunais, até para se chegar a um acordo sobre quem deve a quem, uma vez que a empresa não cumpriu com o estipulado contratualmente. E já nem vou entrar no prazo de entrega da obra que também não foi cumprido.
Já todos percebemos que numa obra em regime de "chave na mão" no valor de 7,5M não podem existir "trabalhos extra" de 4,2M (a não ser que se tenha trocado um marcador electrónico normal por um marcador electrónico revestido a ouro). Isto mesmo fica claro quando a própria construtora cede o crédito à Camacho & Nunes. Se estavam tão convictos que tinham razão nos "trabalhos extra" porque cederam este crédito e ficaram com os outros dois?
E aqui é muito curioso que tenha sido a mesma empresa que no passado tinha pedido a insolvência do Sporting a ficar também com este processo. Como vimos em cima, o pedido de insolvência acabou com a Camacho & Nunes a assumir que não tinham razão. E aqui choca-me que perante este pedido vergonhoso de insolvência, que tanta tinta fez correr sem que existisse o mínimo de validade, a administração da SAD tenha deixado cair o processo de litigância de má fé e de responsabilidade civil por pedido infundado, interposto pela direcção de Bruno de Carvalho em Março de 2018. É um acto de gestão vergonhoso que agora cai na cara da administração da SAD. Os senhores da Camacho & Nunes brincaram com o Sporting e não foram "abatidos" e voltaram agora à carga com mais uma brincadeira. Só que agora meteram-se com o Sporting (clube) e aqui os sócios podem claramente dizer o que querem em sede de AG. Veremos até onde vai a paciência dos Sportinguistas.
Para fechar, dizer que é muito triste que o Sporting tenha um conselho directivo que perante estas graves acusações não emita de imediato um comunicado a esclarecer os Sportinguistas. Onde está a resposta oficial à questão que dá título a este post? Esta falta de transparência e de defesa do Sporting e dos Sportinguistas é uma vergonha que não podemos aceitar. Infelizmente, é um comportamento reiterado desta direcção que teima em não mudar, até ao dia...
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