quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Revisionismo vergonhoso


No passado fim-de-semana as nossas leoas conquistaram a Taça dos Clube Campeões Europeus de corta-mato. Aquele que deveria ter sido o 31º título europeu do Sporting, foi apenas considerado pelos responsáveis do clube como sendo o 30º, que através de um revisionismo vergonhoso decidiram apagar da história um título europeu do clube, numa demonstração de completo desprezo pela história do Sporting. Vejamos:

As 31 conquistas


Começo por deixar a listagem daquelas que considero serem as nossas 31 conquistas internacionais.

Para além destes 31 títulos, há ainda mais 3 conquistas internacionais em Atletismo. A saber:
1997 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (F) - Valência - Espanha
2003 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (M) - Belgrado - Sérvia
2008 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (F) - Vila Real de Santo António - Portugal

Estas 3 conquistas não entram nestas contas por serem conquistas da segunda divisão (grupo B) da Taça dos clubes Campeões Europeus, competição onde o Sporting já venceu na primeira divisão (grupo A) em masculinos (2000) e em femininos (2016 e 2018). Logo, não teria sentido incluir estes títulos na contabilidade. 

Pontapé de saída no revisionismo 


Uma das primeiras medidas da comunicação do Sporting neste mandato foi a transformação da página de Facebook do Futsal numa página para todas as modalidades. No dia 5 de Novembro foi publicada uma nova foto de capa nessa "nova" página onde foi feita a referência aos 29 títulos do Sporting. De facto, nessa altura o Sporting tinha mesmo os 29 títulos. Tudo certo, até aqui.


Oficialmente, o revisionismo foi tornado público no dia 7 de Dezembro. Dia em que o este Conselho Directivo conquistou o seu primeiro título internacional, através dos nossos leões do Judo, que brilhantemente conquistaram a Liga dos Campeões da modalidade. Aquele que na altura deveria ser o 30º título internacional, passou a ser considerado por toda a comunicação oficial do Sporting (site, jornal e redes sociais) como sendo o 29º título. Foi este o momento de viragem da realidade para o revisionismo. Vejamos as comunicações oficiais do Sporting.

Facebook: "Este é o 29º título europeu"
Link (aqui)

Site oficial: "O Sporting CP conquistou o 29º título europeu da sua história"
Link da notícia (aqui)

SportingTV: "Os leões regressam a Portugal com o 29º título europeu do Sporting na bagagem"

Como podem verificar, de um momento para o outro, o Sporting eliminou uma conquista europeia da sua história. Para concluir este ponto, deixo-vos com prints da página de Facebook do Sporting passamos a vergonha de ter dois títulos diferentes como sendo a 29ª conquista internacional do clube. 


Passo agora a explicar o que se tem passado em torno deste processo.

A narrativa da vergonha


É muito importante dizer que aquando do momento de viragem da realidade para o revisionismo, os Sportinguistas manifestaram claramente a sua perplexidade e indignação nas redes sociais. Na altura não se sabia sequer qual era o título "apagado", apesar de as desconfianças estarem relacionadas com o título de Goalball. Ora, só passado um mês da conquista do Judo é que o Sporting deu explicações de forma oficial, através de Miguel Afonso, vogal do conselho directivo com o pelouro das modalidades, que numa entrevista ao jornal do clube, passou a vergonhosa narrativa. 

Entrevista Miguel Afonso, Jornal Sporting 10/01/2019

Revisionismo vergonhoso


O "aviso"

Ainda antes de analisar esta argumentação patética, queria tocar num outro ponto. O vídeo da SportingTV que vimos em cima vai para o ar pouco tempo depois de o Sporting se ter sagrado vencedor da Liga dos Campeões Europeus de Judo. Reparem que o pivô anuncia logo como sendo o 29º título, atropelando toda a informação oficial que estava para trás. Ora, é importante que os Sportinguistas tenham a noção que ainda antes de o Sporting ter conquistado o título, já havia essa indicação à SportingTV para que o título fosse considerado o 29º e não o 30º. 

A decisão

Enquanto Sportinguista custa-me muito imaginar o momento e a forma como foi tomada uma decisão de achincalhamento do património leonino e de uma modalidade tão relevante dos ideais e valores leoninos. Consigo imaginar o sujeito responsável por este escarro a defender a sua tese. "Nós agora vamos retirar da contagem o título do goalball que vai para uma contabilidade separada, porque fica melhor". Terá sido algo dentro disto, e suponho que o conselho directivo tenha aplaudido esta vergonha, senão não teria sido colocada em prática.

Que Sportinguismo é este?

Que Sportinguismo é este que pretende reduzir títulos de uma listagem tão importante para o clube, como é a dos títulos internacionais? Recordo que o título do Goalball foi considerado desde a primeira hora. Não houve um único Sportinguista a criticar a opção - até porque não havia nada para criticar - e agora estas luminárias decidem apagar uma história que está escrita. Uma história que estava inclusivamente registada nas bancadas do Estádio de Alvalade e que agora foi apagada. Atletas, treinadores, directores e seccionistas que sentiram a sua conquista integrada e valorizada como qualquer outra modalidade do Sporting, deixaram agora de pertencer ao grupo de todas as modalidades passando ao grupo do "+1". Desculpem-me o palavreado, mas tenho nojo de quem faz isto ao clube e a estas pessoas! Nojo!

Miguel Afonso - A face visível

Destaque de capa na edição do Jornal Sporting com a entrevista a Miguel Afonso

Pode ser que um dia a acta da reunião do Conselho Directivo onde foi tomada esta decisão veja a luz do dia, permitindo que os Sportinguistas fiquem a saber quem foram os responsáveis directos por esta vergonha. De qualquer forma, há claramente um responsável visível. Falo do senhor Miguel Afonso, que deu a cara por esta vergonha em entrevista ao jornal do clube. Desde já, informar quem não sabe, que este senhor para além de ser vogal do conselho directivo é também um alto quadro da LPM, empresa de comunicação que fez a campanha de Frederico Varandas e que entrou no Sporting por ajuste directo. O facto de ser um alto quadro da LPM e de fazer parte de uma direcção que deliberou a entrada da sua entidade patronal no Sporting por ajuste directo, diz muito sobre o seu carácter. Razão pela qual não me espanta que tenha sido este senhor a dar a cara por este verdadeiro atentado. É uma questão de carácter, ou melhor, de falta dele. Costuma-se dizer que "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". Mas enfim, é o que temos. 

O argumento

Passando aos argumentos apresentados. A pergunta do jornal Sporting reconhece a "controvérsia" deste revisionismo vergonhoso, dando a oportunidade do senhor Miguel Afonso explicar. Segundo o senhor, a "questão é muito simples e está relacionada com a lógica olímpica. Ou seja, existem as medalhas olímpicas e existem medalhas paralímpicas. Aqui nos 29 títulos que assumimos, aplica-se a mesma lógica". E pronto, foi o melhor que estes senhores conseguiram arranjar como argumentação para justificar esta tristeza. Para já informar que o Goalball não é uma adaptação de um desporto qualquer. Falamos de uma modalidade própria. Mas vamos pensar um pouco, ok!?

Os critérios para entrar na listagem

Desde logo é importante dizer que quando nos referimos a títulos internacionais do Sporting, referimo-nos a títulos conquistados por equipa em competições continentais ou mundiais (infelizmente ainda não ganhamos nenhum mundial, dai que muita gente refira "títulos europeus") de primeira linha, sendo que as provas têm de ser reconhecidas oficialmente pelas instituições máximas dos respectivos desportos. Tem sido este o critério. Bem, relativamente ao Goalball estamos perante uma competição por equipas e a organização da prova é da IBSF (International Blind Sports Federation), entidade máxima em termos mundiais da modalidade. Portanto, não há dúvidas que a prova é regida pela entidade máxima da modalidade e que é uma prova por equipas. Por aqui estamos conversados.

Pura discriminação

A narrativa de querer dividir os títulos de equipas por modalidades "normais" e modalidades paralímpicas é a maior das discriminações. Retirar o título europeu de Goalball do lote das conquistas europeias do Sporting é caminhar no sentido oposto da inclusão e da valorização destes atletas, cujo infortúnio lhes dificultou a vida. É excluir quem deveria ser incluído. É retirar o valor ao seu esforço, dedicação, devoção e glória. É colocar esta modalidade e estes atletas num patamar de inferioridade face aos outros. E pior ainda, é fazê-lo depois de ter havido quem no passado os tenha considerado como iguais na família leonina.

Banha da cobra

Miguel Afonso diz que o Goalball tem a mesma relevância que as restantes modalidades com títulos europeus e que todas as modalidades do clube tem a mesma grandeza e valor para o clube. Isto é... absolutamente falso. E dou um exemplo concreto.


Esta imagem é do derby do passado domingo. Nos paineis da Bancada norte pode ler-se que o Sporting tem "29 taças europeias em 5 modalidades". Na manhã do dia do jogo o Sporting tinha conquistado mais um título europeu, motivo pelo qual só estavam 29 títulos. Uma vez que o título do Goalball deixou de ser contabilizado eu pergunto onde está a referencia ao "+1"? Obviamente, não está. Portanto, deixem-se de vender banha da cobra aos sócios. O título do Goalball, que outrora esteve representado naquela mesma frase, foi apagado do Estádio de Alvalade por estes senhores. Se isto é ter a mesma relevância das restantes modalidades, estamos conversados. 

Os jogos olímpicos e paralímpicos

Tentar colar com cuspe critérios de jogos olímpicos e paralímpicos para justificar esta vergonha é uma aberração. Quando diferenciamos os jogos olímpicos de paralímpicos, fazemo-lo não o fazemos de uma forma pejorativa. A discrimianção tem de ser feita neste caso porque falamos de competições diferenciadas, realizadas em momentos diferentes e com designações próprias. Por isso é que não tem sentido meter no mesmo saco medalhas olimpicas e paralimpicas. Mas há outro argumento relevante. Para quem não sabe, atletas paralimpicos podem participar nos jogos olímpicos, como aconteceu recentemente com o conhecido Oscar Pistorius. Por acaso não conseguiu uma medalha nos jogos olímpicos (esteve na final dos 4x100), mas se tivesse conquistado uma medalha seria muito relevante discriminar as medalhas como sendo olímpicas ou paralímpicas.

Mas há mais. Para além dos jogos olímpicos e paralímpicos ainda temos os jogos olímpicos de Inverno.  Pela lógica de Miguel Afonso e seus pares, se algum dia o Sporting tiver uma equipa de hóquei no gelo e esta ganhar a Liga dos Campeões da Europa, passamos a ter os títulos internacionais em três parcelas. Já estou a imaginar o 30+1+1. Maravilhoso...

Para fechar


Importa também recordar as palavras de Márcia Ferreira, treinadora do Goalball e responsável máxima pelo departamento paralímpico do Sporting, aquando da conquista do título europeu.

"Só mentalidades muito pequeninas é que desvalorizam um título como este. Agradeço aos Sócios o carinho com que nos têm dado, assim como a todas as pessoas que nos seguem, gostando ou não de goalball, mas que reconhecem o nosso feito, para o Clube e para Portugal"

Enquanto Sportinguista sinto-me envergonhado de ter no Sporting gente com uma mentalidade tão pequenina e com atitudes que vão contra os valores e princípios daquilo que é o Sporting. Um clube que nasceu para ser tão grande quanto os maiores da Europa e que nos orgulha (a praticamente todos) de ser um clube que ajuda na inclusão social destes atletas, acrescentando-lhes qualidade de vida e permitindo que desenvolvam a actividade desportiva com todas as condições. 

Importa também alertar os Sportinguistas para o facto de termos neste momento um conselho directivo que ao lançar um revisionismo interno para retirar o Goalball do lote das equipas com conquistas europeias, acaba também por perder legitimidade para defender o Sporting na questão da luta pela reposição dos títulos do campeonato de Portugal. Que legitimidade temos para andar a atacar o revisionismo de outros, quando o andamos a fomentar internamente?

Termino relembrando os estatutos do Sporting que dizem que o clube é uma "instituição de utilidade pública pelo seu contributo em prol do desporto", um clube que "não faz distinção de ascendência, género, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social" e cujo um dos fins passa por "concorrer para o engrandecimento do desporto e do País".

Espero que os responsáveis do Sporting reconheçam e erro e que o rectifiquem com a dignidade possível perante os Sportinguistas e sobretudo perante os atletas, treinadores, dirigentes e seccionistas da modalidade e do gabinete paralímpico.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

De KeizerBall a KeizerBola. Porquê?


Ainda agora começou a segunda volta do campeonato e o Sporting está já de fora da luta pelo título, fora da luta pela Champions League e muito provavelmente de fora da luta pelo pódio. Um campeonato que se desmoronou nas últimas semanas e que pode acabar numa época terrível se as coisas não se inverterem nos próximos tempos. Para isso não acontecer é necessário rever o passado e tentar perceber o porquê de estarmos nesta situação. 

Peseiro Vs Keizer


José Peseiro fez as primeiras 8 jornadas da Liga, deixando a equipa com 16 pontos e a 2 pontos da liderança da prova. Entrou Tiago Fernandes que venceu os dois jogos seguintes da Liga (Santa Clara e Chaves), mantendo a distância para o líder Porto. 

Marcel Keizer entrou no Sporting no 2º lugar a dois pontos do Porto, com um ponto de avanço do Braga e dois de avanço do Benfica. Em 10 jogos na Liga, Marcel Keizer conquistou 17 pontos. 


José Peseiro perdeu pontos em 3jogos: empatou com o Benfica no Estádio da Luz e perdeu com o Braga e Portimonese fora. Marcel Keizer vencer 5 jogos e teve outros 5 desaires: perdeu com Guimarães(f), Tondela(f), Benfica(c) e empatou com o Vitória de Setúbal(f) e Porto(c).  

É absolutamente inacreditável olharmos para estes dados tendo em conta o miserável futebol praticado por Peseiro e a forma diferenciada como Keizer orientou o Sporting nos primeiros jogos. Olhando para factos, é preciso dizer que os 16 pontos conquistados em 8 jogos por Peseiro foram obtidos sem Bas Dost que na altura estava lesionado. 


Keizer Vs Liga


Olhando para os pontos conquistados pelos clubes na Liga depois da entrada de Marcel Keizer, é este o panorama. 


Desde a entrada de Marcel Keizer o Sporting fez apenas 17 pontos na Liga. A mesma pontuação obtida por Guimarães e Belenenses. Quanto aos nossos rivais directos a diferença é assustadora. Benfica fez 27 pontos (+10 pontos do que Sporting), Porto fez 26 pontos (+9 pontos do que Sporting) e o Braga fez 25 pontos (+8 pontos do que Sporting). 

Curiosamente, Marcel Keizer fez tantos pontos pelo Sporting como dois outros treinadores que foram apontados ao Sporting: Silas e Luís Castro. Estes números são inadmissíveis para um treinador de uma equipa que quer ser campeã. 

Os últimos 7 jogos na Liga



Depois de três vitórias nos primeiros 3 jogos, Marcel Keizer leva uma série inacreditável de maus resultados para o campeonato. Apenas duas vitórias pela margem mínima e com exibições cinzentas (Belenenses e Moreirense). Três derrotas, contra Guimarães, Tondela e Benfica e os empates nos campos contra Porto e Vitória de Setúbal.

Se olharmos para os pontos conseguidos nestes últimos 7 jogos da Liga ficamos com uma imagem aterradora do registo recente. 

Pontos conquistados nos últimos 7 jogos na Liga
Contabilizando os últimos 7 jogos, verificamos que o Sporting fez menos pontos do que Benfica, Porto, Braga, Moreirense, Tondela, Chaves, Guimarães, Belenenses, Portimonense e Marítimo. Como curiosidade deixo o seguinte registo. Desde que Tiago Fernandes pegou no Desportivo de Chaves, os transmontanos conseguiram fazer 11 pontos na Liga. Tantos quanto os pontos conseguidos por Marcel Keizer em igual período. Recordo que o Chaves está em zona de descida.


Análise


Marcel Keizer teve um início auspicioso no Sporting. Sete vitórias consecutivas alicerçadas numa equipa motivada, num futebol pressionante, com muita movimentação e passe curto. Pelo meio ainda deu para apostar em três jovens da formação: Thierry Correia, Pedro Marques e Bruno Paz. Das 7 vitórias, 6 foram conseguidas com goleada (diferença de 3 ou mais golos). 

Um registo impressionante que foi sendo destruído ao longo das últimas semanas, especialmente nos jogos da Liga, como vimos em cima. Do futebol bonito, levamos agora com um jogo pachorrento de pouca movimentação e sem ponta de brilhantismo. A pressão alta deixou de existir e agora o Sporting está mais recolhido no seu meio campo. E aqui é importante perceber junto do treinador o porquê de ter mudado a sua forma de jogar. Porque abdicou Keizer do seu futebol?

A aposta na formação também desapareceu e o treinador holandês é até o responsável por quebrar um registo de 566 jogos consecutivos a apresentar jogadores da formação no onze inicial. Um registo que com mais de 11 anos. 


Entrou o mês de Janeiro e Jovane Cabral e Miguel Luís, jogadores da formação que foram aposta durante todo o mês de Dezembro, deixaram de contar para o totobola. Em Dezembro participaram ambos em 6 partidas do Sporting. Fizeram o último jogo a 3 de Janeiro contra o Belenenses, tendo Miguel Luís inclusivamente marcado o golo da vitória. Depois do Belém, os dois jogadores passaram o resto do mês de Janeiro a "seco". O mesmo aconteceu com Francisco Geraldes que chegou ao Sporting ainda antes do Natal e até hoje não teve um único minuto de jogo. 

Depois olhamos para as equipas iniciais apresentadas por Marcel Keizer e vemos invariavelmente os mesmos jogadores. As mesmas opções repetidas até os jogadores não conseguirem pegar numa gata pelo rabo. Trocas na equipa inicial, só mesmo em caso de lesão ou castigo. E temos nós o tal novo super departamento de performance desportiva liderado por um Iraniano que iria revolucionar a gestão dos jogadores. Está a correr bem, não está?

Não entrando de forma profunda no mercado de inverno (fica para outro post) é notória que a falta de competência é tanta que fomos vender um central para um campeonato parado e andamos o mês todo com apenas 3 centrais. Como vimos, também correu bem em Setúbal. E já nem vou falar da não convocação do Acuna para os últimos jogos.

Não me venham com o discurso do plantel curto e do não temos dinheiro para mais. O plantel tem neste momento 28 jogadores, sendo que foram dispensados uma série de atletas e contratados novos jogadores. Só no mercado de Inverno foram investidos mais de 11 milhões de euros para reforçar o plantel. Recordo que o Sporting foi o clube que mais investiu esta época (aqui), contrariando a ideia  da "falta de dinheiro". 

Recordo também que estamos a falar de um plantel que conta nas suas fileiras com Bruno Fernandes, o melhor jogador a jogar em Portugal e o maior goleador do campeonato, Bas Dost. Um plantel que conta com internacionais experientes como Acuna, Coates, Montero, Battaglia, Mathieu, Gudelj ou Nani. A estes ainda se juntam jovens jogadores com um potencial brutal, como é o caso de Raphinha e Wendel, já para não falar dos nossos meninos da formação. O plantel tem alguns desequilíbrios? Tem sim senhor, mas não é a porcaria que alguns querem fazer parecer. Tomara Leonardo Jardim ter ao seu dispor jogadores desta valia na época em que esteve no Sporting e onde andou a jogar com "Capeis, André Martins e Maurícios". Portanto, não me venham com desculpas, ainda para mais quando se olharmos para o plantel do Braga, verificarmos que nenhum jogador dos arsenalistas tinha lugar no 11 inicial do Sporting. Mesmo assim estamos a 7 pontos quando eles nem 1/4 do nosso orçamento têm. Como é que se justifica uma coisa destas?

Concluindo. Não sou adepto de despedimentos a meio da época, salvo raras excepções, como foi o caso de José Peseiro, que era um cancro no Sporting. Não tenho dúvidas que Marcel Keizer deve continuar a ser o treinador até ao final da época, e ai deve ser analisada a sua continuidade, como a continuidade de todos os treinadores. A conquista da Taça da Liga e o futebol apresentado nos primeiros jogos foram notas positivas do reinado do treinador, mas é preciso fazer muito mais num clube como o Sporting. O futebol apresentado e os resultados dos últimos jogos não podem ser branqueados, assim como a falta de aposta na formação ou a falta de capacidade de gestão de plantel. Mas o que choca mais é o completo abandono de uma ideia de jogo - que deu bons resultados - por uma forma Peseiriana de jogar. 

É hora de Marcel Keizer perceber o que está aqui eu causa, dar a volta a este contexto e mostrar que tem capacidade para liderar o Sporting na próxima época. Nesse sentido, uma vez que a Liga está perdida e dificilmente sairemos do 4º lugar, é fundamental avançarmos na Taça de Portugal e na Liga Europa. É o que nos resta, e não é tão pouco quanto isso. 


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Sporting foi o clube português que mais investiu no seu plantel em 18/19


Fechado o mercado de inverno, podemos fazer uma primeira análise ao investimento feito pelos clubes nos seus planteis principais. Nesta análise estão apenas incluídos jogadores contratados para a equipa principal. Jogadores contratados para as equipas B/Sub23 ou para emprestar, não entram na análise. Vamos a números:


Sporting Clube de Portugal


A amarelo estão valores não confirmados oficialmente
- Os valores das transferências leoninas são todos oficiais, com excepção das negociações feitas neste mercado de Inverno. A expectativa é que a administração da SAD divulgue os dados no Jornal Sporting e faça o habitual comunicado à CMVM;

- Os dados não oficiais recolhidos para a análise são os que foram sendo disponibilizados pela imprensa.

- Os desportivos referiram que o Sporting já exerceu a opção de compra do passe de Renan, mas como não há informação oficial coloquei na análise apenas o valor pago pelo empréstimo; 

- Dos jogadores comprados, alguns já saíram do Sporting. Viviano foi emprestado, Sturaro foi recambiado e Marcelo foi vendido para a MLS;

- Analisando os montantes gastos por Presidente: Bruno de Carvalho investiu 13,7M. Sousa Cintra investiu 9,2M e Frederico Varandas investiu 11,3M;

- Nesta lista não estão os famosos prémios pagos para o regresso de Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia.

Sport Lisboa e Benfica


A amarelo estão valores não confirmados oficialmente
- Ebuehi e Lema vieram a "custo zero". É provável que tenham vindo com prémio de assinatura, mas não há nenhuma informação. De qualquer forma nunca serão prémios muito elevados. No caso de Ferreyra, o jogador veio a "custo zero" mas recebeu 4M de prémio de assinatura, sendo que o Benfica comunicou os valores. 

- Não há valor oficial para o empréstimo de Corchia, mas a imprensa fala de um valor na casa dos 700 mil euros;

- Dos reforços encarnados, três já saíram do clube: Castillo, Ferreyra e Alfa Semedo. Existe ainda a possibilidade de Lema regressar à América do Sul. 

Futebol Clube do Porto


A amarelo estão valores não confirmados oficialmente
- Jorge e Bazoer chegaram ao Porto por empréstimo e não há informação sobre o custo desses empréstimos;

- Não há qualquer informação sobre o montante pago pelo Porto por Marius nem Wilson Manafá;

- Loum chegou por empréstimo mas com cláusula de compra;

- Não é conhecido se o Porto pagou algum prémio de assinatura a Pepe;

- Janko e Bazoer foram transferidos na janela de inverno.

Concluindo


Temos então o Sporting com um investimento de 34,2 Milhões. O Benfica está um pouco atrás com 30,1M e o Porto nos 16,2M. Mesmo tendo em conta algumas limitações no que diz respeito a informações oficiais, parece-me evidente que o Sporting foi mesmo o clube que mais investiu em jogadores para o seu plantel principal durante esta época.

E isto vai completamente contra o vergonhoso discurso miserabilista da "falta de dinheiro". Falta dinheiro e andamos a gastar 35M em reforços? Falta dinheiro e nesta janela de mercado gastamos cerca de 11,3M? Os números falam por si.

Outro dos argumentos que temos ouvido muito é aquele que diz que "temos plantel curto e com muitas limitações". A isso eu respondo com os cerca de 35M investidos e com os nomes de alguns jogadores que foram emprestados: Demiral (entretanto vendido miseravelmente), Domingos Duarte, Ivanildo Fernandes, Iuri Medeiros, João Palhinha ou Mattheus Pereira. Só para falar nos jovens da nossa formação.

Para quem acha que o plantel é curto, gostaria de relembrar que neste momento temos 28 jogadores na equipa principal. Repito, 28 jogadores. E dentro destes 28, há jogadores que neste momento "nem a cheiram" como Geraldes, Miguel Luís ou o Jovane Cabral.

Já vai sendo hora de acabarmos com as desculpas e começarmos a justificar em campo todo o esforço financeiro que o Sporting faz para ter estes atletas e equipa técnica. É inadmissível estarmos a 4 pontos de uma equipa que nem sequer tem 1/4 do nosso orçamento.

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