No passado fim-de-semana as nossas leoas conquistaram a Taça dos Clube Campeões Europeus de corta-mato. Aquele que deveria ter sido o 31º título europeu do Sporting, foi apenas considerado pelos responsáveis do clube como sendo o 30º, que através de um revisionismo vergonhoso decidiram apagar da história um título europeu do clube, numa demonstração de completo desprezo pela história do Sporting. Vejamos:
As 31 conquistas
Começo por deixar a listagem daquelas que considero serem as nossas 31 conquistas internacionais.
Para além destes 31 títulos, há ainda mais 3 conquistas internacionais em Atletismo. A saber:
1997 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (F) - Valência - Espanha
2003 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (M) - Belgrado - Sérvia
2008 - Taça dos Campeões Europeus em Pista Grupo B (F) - Vila Real de Santo António - Portugal
Estas 3 conquistas não entram nestas contas por serem conquistas da segunda divisão (grupo B) da Taça dos clubes Campeões Europeus, competição onde o Sporting já venceu na primeira divisão (grupo A) em masculinos (2000) e em femininos (2016 e 2018). Logo, não teria sentido incluir estes títulos na contabilidade.
Pontapé de saída no revisionismo
Uma das primeiras medidas da comunicação do Sporting neste mandato foi a transformação da página de Facebook do Futsal numa página para todas as modalidades. No dia 5 de Novembro foi publicada uma nova foto de capa nessa "nova" página onde foi feita a referência aos 29 títulos do Sporting. De facto, nessa altura o Sporting tinha mesmo os 29 títulos. Tudo certo, até aqui.
Oficialmente, o revisionismo foi tornado público no dia 7 de Dezembro. Dia em que o este Conselho Directivo conquistou o seu primeiro título internacional, através dos nossos leões do Judo, que brilhantemente conquistaram a Liga dos Campeões da modalidade. Aquele que na altura deveria ser o 30º título internacional, passou a ser considerado por toda a comunicação oficial do Sporting (site, jornal e redes sociais) como sendo o 29º título. Foi este o momento de viragem da realidade para o revisionismo. Vejamos as comunicações oficiais do Sporting.
Oficialmente, o revisionismo foi tornado público no dia 7 de Dezembro. Dia em que o este Conselho Directivo conquistou o seu primeiro título internacional, através dos nossos leões do Judo, que brilhantemente conquistaram a Liga dos Campeões da modalidade. Aquele que na altura deveria ser o 30º título internacional, passou a ser considerado por toda a comunicação oficial do Sporting (site, jornal e redes sociais) como sendo o 29º título. Foi este o momento de viragem da realidade para o revisionismo. Vejamos as comunicações oficiais do Sporting.
Facebook: "Este é o 29º título europeu"
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| Link (aqui) |
Site oficial: "O Sporting CP conquistou o 29º título europeu da sua história"
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| Link da notícia (aqui) |
SportingTV: "Os leões regressam a Portugal com o 29º título europeu do Sporting na bagagem"
Como podem verificar, de um momento para o outro, o Sporting eliminou uma conquista europeia da sua história. Para concluir este ponto, deixo-vos com prints da página de Facebook do Sporting passamos a vergonha de ter dois títulos diferentes como sendo a 29ª conquista internacional do clube.
Passo agora a explicar o que se tem passado em torno deste processo.
A narrativa da vergonha
É muito importante dizer que aquando do momento de viragem da realidade para o revisionismo, os Sportinguistas manifestaram claramente a sua perplexidade e indignação nas redes sociais. Na altura não se sabia sequer qual era o título "apagado", apesar de as desconfianças estarem relacionadas com o título de Goalball. Ora, só passado um mês da conquista do Judo é que o Sporting deu explicações de forma oficial, através de Miguel Afonso, vogal do conselho directivo com o pelouro das modalidades, que numa entrevista ao jornal do clube, passou a vergonhosa narrativa.
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| Entrevista Miguel Afonso, Jornal Sporting 10/01/2019 |
Revisionismo vergonhoso
O "aviso"
Ainda antes de analisar esta argumentação patética, queria tocar num outro ponto. O vídeo da SportingTV que vimos em cima vai para o ar pouco tempo depois de o Sporting se ter sagrado vencedor da Liga dos Campeões Europeus de Judo. Reparem que o pivô anuncia logo como sendo o 29º título, atropelando toda a informação oficial que estava para trás. Ora, é importante que os Sportinguistas tenham a noção que ainda antes de o Sporting ter conquistado o título, já havia essa indicação à SportingTV para que o título fosse considerado o 29º e não o 30º.
A decisão
Enquanto Sportinguista custa-me muito imaginar o momento e a forma como foi tomada uma decisão de achincalhamento do património leonino e de uma modalidade tão relevante dos ideais e valores leoninos. Consigo imaginar o sujeito responsável por este escarro a defender a sua tese. "Nós agora vamos retirar da contagem o título do goalball que vai para uma contabilidade separada, porque fica melhor". Terá sido algo dentro disto, e suponho que o conselho directivo tenha aplaudido esta vergonha, senão não teria sido colocada em prática.
Que Sportinguismo é este?
Que Sportinguismo é este que pretende reduzir títulos de uma listagem tão importante para o clube, como é a dos títulos internacionais? Recordo que o título do Goalball foi considerado desde a primeira hora. Não houve um único Sportinguista a criticar a opção - até porque não havia nada para criticar - e agora estas luminárias decidem apagar uma história que está escrita. Uma história que estava inclusivamente registada nas bancadas do Estádio de Alvalade e que agora foi apagada. Atletas, treinadores, directores e seccionistas que sentiram a sua conquista integrada e valorizada como qualquer outra modalidade do Sporting, deixaram agora de pertencer ao grupo de todas as modalidades passando ao grupo do "+1". Desculpem-me o palavreado, mas tenho nojo de quem faz isto ao clube e a estas pessoas! Nojo!
Miguel Afonso - A face visível
Pode ser que um dia a acta da reunião do Conselho Directivo onde foi tomada esta decisão veja a luz do dia, permitindo que os Sportinguistas fiquem a saber quem foram os responsáveis directos por esta vergonha. De qualquer forma, há claramente um responsável visível. Falo do senhor Miguel Afonso, que deu a cara por esta vergonha em entrevista ao jornal do clube. Desde já, informar quem não sabe, que este senhor para além de ser vogal do conselho directivo é também um alto quadro da LPM, empresa de comunicação que fez a campanha de Frederico Varandas e que entrou no Sporting por ajuste directo. O facto de ser um alto quadro da LPM e de fazer parte de uma direcção que deliberou a entrada da sua entidade patronal no Sporting por ajuste directo, diz muito sobre o seu carácter. Razão pela qual não me espanta que tenha sido este senhor a dar a cara por este verdadeiro atentado. É uma questão de carácter, ou melhor, de falta dele. Costuma-se dizer que "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". Mas enfim, é o que temos.
O argumento
Passando aos argumentos apresentados. A pergunta do jornal Sporting reconhece a "controvérsia" deste revisionismo vergonhoso, dando a oportunidade do senhor Miguel Afonso explicar. Segundo o senhor, a "questão é muito simples e está relacionada com a lógica olímpica. Ou seja, existem as medalhas olímpicas e existem medalhas paralímpicas. Aqui nos 29 títulos que assumimos, aplica-se a mesma lógica". E pronto, foi o melhor que estes senhores conseguiram arranjar como argumentação para justificar esta tristeza. Para já informar que o Goalball não é uma adaptação de um desporto qualquer. Falamos de uma modalidade própria. Mas vamos pensar um pouco, ok!?
Os critérios para entrar na listagem
Desde logo é importante dizer que quando nos referimos a títulos internacionais do Sporting, referimo-nos a títulos conquistados por equipa em competições continentais ou mundiais (infelizmente ainda não ganhamos nenhum mundial, dai que muita gente refira "títulos europeus") de primeira linha, sendo que as provas têm de ser reconhecidas oficialmente pelas instituições máximas dos respectivos desportos. Tem sido este o critério. Bem, relativamente ao Goalball estamos perante uma competição por equipas e a organização da prova é da IBSF (International Blind Sports Federation), entidade máxima em termos mundiais da modalidade. Portanto, não há dúvidas que a prova é regida pela entidade máxima da modalidade e que é uma prova por equipas. Por aqui estamos conversados.
Pura discriminação
A narrativa de querer dividir os títulos de equipas por modalidades "normais" e modalidades paralímpicas é a maior das discriminações. Retirar o título europeu de Goalball do lote das conquistas europeias do Sporting é caminhar no sentido oposto da inclusão e da valorização destes atletas, cujo infortúnio lhes dificultou a vida. É excluir quem deveria ser incluído. É retirar o valor ao seu esforço, dedicação, devoção e glória. É colocar esta modalidade e estes atletas num patamar de inferioridade face aos outros. E pior ainda, é fazê-lo depois de ter havido quem no passado os tenha considerado como iguais na família leonina.
Banha da cobra
Miguel Afonso diz que o Goalball tem a mesma relevância que as restantes modalidades com títulos europeus e que todas as modalidades do clube tem a mesma grandeza e valor para o clube. Isto é... absolutamente falso. E dou um exemplo concreto.
Esta imagem é do derby do passado domingo. Nos paineis da Bancada norte pode ler-se que o Sporting tem "29 taças europeias em 5 modalidades". Na manhã do dia do jogo o Sporting tinha conquistado mais um título europeu, motivo pelo qual só estavam 29 títulos. Uma vez que o título do Goalball deixou de ser contabilizado eu pergunto onde está a referencia ao "+1"? Obviamente, não está. Portanto, deixem-se de vender banha da cobra aos sócios. O título do Goalball, que outrora esteve representado naquela mesma frase, foi apagado do Estádio de Alvalade por estes senhores. Se isto é ter a mesma relevância das restantes modalidades, estamos conversados.
Banha da cobra
Miguel Afonso diz que o Goalball tem a mesma relevância que as restantes modalidades com títulos europeus e que todas as modalidades do clube tem a mesma grandeza e valor para o clube. Isto é... absolutamente falso. E dou um exemplo concreto.
Esta imagem é do derby do passado domingo. Nos paineis da Bancada norte pode ler-se que o Sporting tem "29 taças europeias em 5 modalidades". Na manhã do dia do jogo o Sporting tinha conquistado mais um título europeu, motivo pelo qual só estavam 29 títulos. Uma vez que o título do Goalball deixou de ser contabilizado eu pergunto onde está a referencia ao "+1"? Obviamente, não está. Portanto, deixem-se de vender banha da cobra aos sócios. O título do Goalball, que outrora esteve representado naquela mesma frase, foi apagado do Estádio de Alvalade por estes senhores. Se isto é ter a mesma relevância das restantes modalidades, estamos conversados.
Os jogos olímpicos e paralímpicos
Tentar colar com cuspe critérios de jogos olímpicos e paralímpicos para justificar esta vergonha é uma aberração. Quando diferenciamos os jogos olímpicos de paralímpicos, fazemo-lo não o fazemos de uma forma pejorativa. A discrimianção tem de ser feita neste caso porque falamos de competições diferenciadas, realizadas em momentos diferentes e com designações próprias. Por isso é que não tem sentido meter no mesmo saco medalhas olimpicas e paralimpicas. Mas há outro argumento relevante. Para quem não sabe, atletas paralimpicos podem participar nos jogos olímpicos, como aconteceu recentemente com o conhecido Oscar Pistorius. Por acaso não conseguiu uma medalha nos jogos olímpicos (esteve na final dos 4x100), mas se tivesse conquistado uma medalha seria muito relevante discriminar as medalhas como sendo olímpicas ou paralímpicas.
Mas há mais. Para além dos jogos olímpicos e paralímpicos ainda temos os jogos olímpicos de Inverno. Pela lógica de Miguel Afonso e seus pares, se algum dia o Sporting tiver uma equipa de hóquei no gelo e esta ganhar a Liga dos Campeões da Europa, passamos a ter os títulos internacionais em três parcelas. Já estou a imaginar o 30+1+1. Maravilhoso...
Mas há mais. Para além dos jogos olímpicos e paralímpicos ainda temos os jogos olímpicos de Inverno. Pela lógica de Miguel Afonso e seus pares, se algum dia o Sporting tiver uma equipa de hóquei no gelo e esta ganhar a Liga dos Campeões da Europa, passamos a ter os títulos internacionais em três parcelas. Já estou a imaginar o 30+1+1. Maravilhoso...
Para fechar
Importa também recordar as palavras de Márcia Ferreira, treinadora do Goalball e responsável máxima pelo departamento paralímpico do Sporting, aquando da conquista do título europeu.
"Só mentalidades muito pequeninas é que desvalorizam um título como este. Agradeço aos Sócios o carinho com que nos têm dado, assim como a todas as pessoas que nos seguem, gostando ou não de goalball, mas que reconhecem o nosso feito, para o Clube e para Portugal"
Enquanto Sportinguista sinto-me envergonhado de ter no Sporting gente com uma mentalidade tão pequenina e com atitudes que vão contra os valores e princípios daquilo que é o Sporting. Um clube que nasceu para ser tão grande quanto os maiores da Europa e que nos orgulha (a praticamente todos) de ser um clube que ajuda na inclusão social destes atletas, acrescentando-lhes qualidade de vida e permitindo que desenvolvam a actividade desportiva com todas as condições.
Importa também alertar os Sportinguistas para o facto de termos neste momento um conselho directivo que ao lançar um revisionismo interno para retirar o Goalball do lote das equipas com conquistas europeias, acaba também por perder legitimidade para defender o Sporting na questão da luta pela reposição dos títulos do campeonato de Portugal. Que legitimidade temos para andar a atacar o revisionismo de outros, quando o andamos a fomentar internamente?
Termino relembrando os estatutos do Sporting que dizem que o clube é uma "instituição de utilidade pública pelo seu contributo em prol do desporto", um clube que "não faz distinção de ascendência, género, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social" e cujo um dos fins passa por "concorrer para o engrandecimento do desporto e do País".
Espero que os responsáveis do Sporting reconheçam e erro e que o rectifiquem com a dignidade possível perante os Sportinguistas e sobretudo perante os atletas, treinadores, dirigentes e seccionistas da modalidade e do gabinete paralímpico.
Termino relembrando os estatutos do Sporting que dizem que o clube é uma "instituição de utilidade pública pelo seu contributo em prol do desporto", um clube que "não faz distinção de ascendência, género, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social" e cujo um dos fins passa por "concorrer para o engrandecimento do desporto e do País".
Espero que os responsáveis do Sporting reconheçam e erro e que o rectifiquem com a dignidade possível perante os Sportinguistas e sobretudo perante os atletas, treinadores, dirigentes e seccionistas da modalidade e do gabinete paralímpico.
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