Durante o dia de ontem foram reveladas informações muito importantes relevantes sobre o processo dos emails. Segundo o Correio da Manhã, o "Benfica escondeu contas bancárias" do Ministério público. Uma informação retirada do próprio processo e que está a ser ignorada pela restante imprensa.
O artigo e a reportagem
Aqui fica o artigo e a reportagem.
Os três momentos
Nesta história há três momentos chave que é preciso identificar.
1) A 17 de Outubro de 2017 o Benfica foi alvo de buscas e nesse dia escondeu informação financeira e contabilística dos inspectores da PJ.
2) Já depois das buscas de 17 de Outubro, o MP solicitou a entrega de informação financeira e contabilística em duas ocasiões. O Benfica não respondeu à notificação do MP.
3) O facto de o Benfica não ter entregue a informação pedida fez com que a procuradora-adjunta, Andreia Marques tenha ordenado novas buscas ao Estádio da Luz a 30 de Janeiro de 2018. A diligência visava a localização e apreensão de documentação contabilística da Benfica SAD e sociedade participadas. Para além disso o MP pretendia ter acesso a extractos de conta de clientes e fornecedores.
Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte I
Aquando das primeiras buscas, a 17 de Outubro de 2017, o MP não encontrou os documentos financeiros e contabilísticos como são os extractos de conta de clientes ou fornecedores. Todos estes documentos que eram a base fundamental da diligência, não foram encontrados no Estádio da Luz. Ora, alguém acha normal que documentos desta relevância não estejam nas instalações da entidade? Onde é que as empresas guardam as suas informações financeiras e contabilísticas? Não é dentro das suas portas? Onde estavam os documentos? Foram arejar? Com jeitinho até podem ter ido passar um período de férias a casa da mãe de algum dirigente, como aconteceu em outras paragens.
Coincidência das coincidências, em Outubro de 2017, José "toupeira" Silva estava em plena actividade de recolha de informações para passar a Paulo Gonçalves sobre processos judiciais que envolviam o Benfica e outras sociedades desportivas.
Olhando para o despacho de acusação, que é público e pode ser consultado por toda a gente, conseguimos vislumbrar que nos dias que antecederam estas busca de 17 de Outubro de 2017, foram feitas uma série de consultas relativas a este processo. Aqui fica um pequeno excerto dos acessos a este processo nos dias que antecederam estas buscas no Estádio da Luz.
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| Despacho de acusação do processo e-Toupeira |
José "toupeira" Silva consultou este processo por 203 ocasiões em 95 dias diferentes entre 15-06-2017 e 03-03-2018. É obra.
Como podem verificar no print anterior, José "toupeira" Silva consultou este processo diariamente, com excepção do fim-de-semana (14 e 15). Portanto, assim que as buscas foram autorizadas a informação ficou disponível para consulta na plataforma. Para além da data em que as mesmas iam ser realizadas é também disponibilizada a informação fundamental sobre os elementos de prova que se pretendem recolher.
Ou seja, José "toupeira" Silva soube com antecedência que o Benfica seria alvo de buscas a 17 de Outubro e que o foco principal incidia sobre informação financeira e contabilística do Benfica. Por mera coincidência no dia em que as buscas se realizaram, os documentos que os senhores da PJ pretendiam encontrar não estavam nas instalações do Benfica. Há coisas verdadeiramente incríveis.
Mais incrível do que isto, só o facto de no despacho de acusação do processo e-Toupeira estar versado que José "toupeira" Silva imprimiu este processo e entregou-o em mão a Paulo Gonçalves. É engraçado que aquando das buscas surpresa realizadas pela PJ ao Estádio da Luz em Março de 2018, foi encontrado na secretária do Paulo Gonçalves a tal processo imprimido e entregue por José "toupeira" Silva. Coincidências.
Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte II
Uma vez que nas buscas de 17 de Outubro não foram encontrados os documentos nas instalações do Benfica, o MP pediu ao clube a informação financeira e contabilística necessária para avançar com a investigação por duas ocasiões. O Benfica optou por não entregar essas informações à investigação. Nada mal para o clube que sempre se disse disponível para colaborar com a justiça. Provavelmente estavam a aguardar que os documentos viessem das férias na casa da mãe de algum dirigente.
Ao cuidado da senhora juíza Ana Peres - Parte III
Face ao desaparecimento dos documentos nas buscas de 17 de Outubro e face ao facto de o Benfica ter ignorado por duas vezes o pedido da entrega desses documentos às autoridades, a procuradora-adjunta, Andreia Marques ordenou novas buscas ao Estádio da Luz a 30 de Janeiro de 2018.
Curiosamente, na véspera destas novas buscas, José "toupeira" Silva consultou duas vezes o processo no final do dia de trabalho, como podem ver.
| Despacho de acusação do processo e-Toupeira |
Portanto, José "toupeira" Silva teve conhecimento antecipado que no dia seguinte iriam ocorrer buscas no Estádio da Luz no âmbito deste processo. Curiosamente, nestas buscas a PJ lá conseguiu ter acesso a alguns destes documentos. Escusado será dizer que as informações recolhidas pouca ou nenhuma relevância tiveram para a investigação.
Para fechar
Portanto, alguém acredita que Paulo Gonçalves teve informação antecipada a dar conta de buscas no Estádio da Luz e que a guardou para si sem nunca informar a administração do Benfica e os seus advogados. Curiosamente, os documentos fundamentais para a investigação não estavam no Estádio da Luz no dia das buscas. Está mais do que visto que a senhora juiza do processo e-Toupeira parece acreditar em milagres.
Entre outros argumentos patéticos, a senhora juíza Ana Peres decidiu ilibar o Benfica no âmbito do processo e-Toupeira por considerar que "os crimes imputados a Paulo Gonçalves nada têm a ver com o interesse colectivo da sua entidade patronal". Era bom que a senhora juíza pedisse o processo dos emails para ler as conclusões da investigação. Talvez assim, também na cabeça da senhora se pudesse fazer alguma luz. Ou então é uma questão de ver demasiada luz e não haverá nada a fazer. Fica a informação para os senhores juízes do tribunal de relação de Lisboa que irão analisar o recurso interposto pelo MP da vergonhosa decisão da Juíza Ana Peres.
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