Domingo, 7 de Outubro de 2018, 20:00h, Estádio Municipal de Portimão. Frente a frente, Portimonense e Sporting. Os locais entraram em campo no último lugar do campeonato com um registo péssimo de 6 golos marcados e 13 golos sofridos ( sofreram sempre 2 ou mais golos em todos os jogos da Liga). O Sporting entrava em campo em 5º lugar e sabendo que uma vitória permitiria subir ao 3º lugar da Liga ficando a apenas 1 ponto da liderança de Braga e Benfica. Por volta das 22 horas, Hugo Miguel apitou para o final de uma partida que os locais venceram por 4-2.
Começar a perder
Aos 30 minutos de jogo, Wilson Manafá - jovem que passou pelas camadas jovens do Sporting - marcou o golo que deu a vantagem no marcador para o Portimonense. Mas não se pense que foi nessa altura que o Sporting começou a perder a partida. A partida começou a ser perdida há precisamente uma semana, quando Rafael Barbosa foi agredido à cabeçada pelo Presidente da SAD do Portimonense, Rodiney Sampaio.
A resposta do Sporting
No próprio dia em que foi noticiada as agressão, o Sporting reagiu em comunicado no seu site oficial.
Neste caso o Sporting mostrou de imediato uma posição de força, não recorrendo a qualquer acto diplomático para resolver o assunto. O clube mostrou o seu "apoio incondicional" ao jogador, anunciando que se tornará assistente no processo contra o Presidente do Portimonense, assim como anunciou que iria fazer uma participação ao CD da FPF. Para terminar, o Sporting ainda "exigiu" ao Portimonense um "pedido de desculpa público".
Lá se foram os bilhetes
Na madrugada de dia 2 para dia 3 de Outubro o jornal Record publicou que o "caso Rafael Barbosa terá impedido acordo" para a venda dos bilhetes da bancada nascente ao Sporting.
E até aqui nada de especial. É normal que em tempos de guerra não se limpem as armas. Só que...
O comunicado conjunto
No dia 3 de Outubro e três dias depois do comunicado inicial, Sporting e Portimonense fazem um comunicado conjunto. Aqui está ele:
Portanto, Sporting e Portimonense estiveram reunidos com o "intuito de solucionar o diferendo" e as conclusões desse encontro foram simples: O jogador regressou ao Sporting e o Portimonense desejou as maiores felicidades ao jogador.
A ver se eu percebo
O Sporting emprestou um jovem jogador da sua formação ao Portimonense para que este tivesse oportunidade de crescer na 1ª Liga. Por ter sido agredido à cabeçada pelo Presidente do Portimonense, o atleta deixou de ter a oportunidade de jogar e de evoluir durante a temporada num clube de 1ª Liga. Rafael Barbosa terá agora de regressar ao Sporting onde treinará, mas não poderá jogar pelo menos até Janeiro. A sua carreira ficou prejudicada, assim como o Sporting que vê um activo seu não se desenvolver de acordo com o esperado.
Pelo meio de toda esta confusão os Sportinguistas ainda ficaram privados de comprar bilhetes em Alvalade para assistirem ao jogo ao vivo. E depois há ainda outro pormenor que deveria ter sido acautelado. Porque raio é que o Sporting não acordou com o Portimonense outra data para a realização do jogo? Porque não jogar hoje? Ainda na semana passada vimos o Benfica a jogar na quinta-feira para estar em melhor condição física para a Liga dos Campeões.
Exigências à moda de Frederico Varandas
No comunicado oficial o Sporting "exigiu ao Portimonense um pedido de desculpas público". Três dias depois, Sporting e Portimonense já faziam comunicados conjuntos e até hoje o tal pedido de desculpas público "exigido" continua sem aparecer. E aqui é o exemplo que fica para futuro. Se a primeira exigência feita por Frederico Varandas foi atropelada pelo Portimonense, imaginem o que acontecerá quando forem feitas exigências a peixe graúdo.
Por comparação, pergunto: Qual acham que seria a reacção do Presidente da Juventus se Frederico Varandas desse uma cabeçada no Sturaro?
O "apoio incondicional"
Quer-me parecer que "apoiar incondicionalmente" o jogador não se faz através de comunicados conjuntos com quem agrediu à cabeçada o atleta e muito menos estando presente na Tribuna do Estádio de Portimão junto das mais "altas patentes" do clube de Portimão.
Rodiney Sampaio, CEO da SAD do Portimonense que agrediu Rafael Barbosa à cabeçada, esteve como habitualmente, no banco da equipa. Na tribuna presidêncial, Frederico Varandas sentou-se ao lado de Robson Ponte, director-geral da SAD do Portimonense e Theodoro Fonseca, accionista maioritário da SAD do Portimonense. Quem também não "faltou à chamada" foi Sousa Cintra. Curiosa esta presença.
Infelizmente, o tal "apoio incondicional" também não surgiu por parte dos jogadores e equipa técnica do Sporting que se apresentaram a um nível medíocre no Algarve. Nem um triste episódio como este consegue ser aproveitado internamente pela estrutura para espicaçar os jogadores na defesa da "honra" de Rafael Barbosa e do Sporting.
Por comparação
Curiosamente, Frederico Varandas começa o seu mandato com uma polémica semelhante aquela que envolveu Bruno de Carvalho no início do seu mandato. Na Final da Taça de Portugal de Andebol em 2013, o então presidente do Sporting foi deixado de mão estendida por Adelino Caldeira, administrador da SAD do Porto. Isto porque Bruno de Carvalho defendeu os interesses do Sporting na transferência de João Moutinho do Porto para o Mónaco, processando o clube azul e branco. Um processo que transitou em julgado em 2017 e que acabou com o pagamento de cerca de 1 milhão de euros ao Sporting.
Na altura do incidente o Sporting pediu ao Porto para fazer um pedido de desculpas formal condenando o acto do vice-presidente do Porto. Tal não aconteceu, e três dias depois do incidente o Sporting cortou relações institucionais com o Porto. As relações estiveram cortadas cerca de 4 anos.
Este exemplo serve para ilustrar aquilo que gostaria de ver da parte da direcção do Sporting. Firmeza, inteligência e defesa intransigente dos interesses do clube. Algo que claramente não aconteceu neste caso que foi gerido muito mal por Frederico Varandas e a sua equipa. É bom que percebam que o Sporting tem de ser ouvido e respeitado. Quando o Sporting ameaça, ou neste caso "exige", é bom que as exigências sejam correspondidas, caso contrário é preciso agir em conformidade. E este agir em conformidade não passa por fazer comunicados conjuntos com o último classificado da Liga e muito menos ser humilhado por esse clube dentro e fora de campo.
Obviamente, demissão
Deixando a análise do que aconteceu fora do campo para o que aconteceu dentro do campo.
O jogo de ontem foi a gota de água que fez transbordar um copo cheio de erros, incapacidades e incompetência da equipa técnica do Sporting. Não tenho por hábito fazer este tipo de análises, mas hoje tenho de o fazer. Aqui ficam algumas ideias:
- É confrangedor ver esta equipa a jogar. Com a má qualidade do futebol do Sporting posso eu bem, desde que semana após semana se vá conseguindo vencer as partidas. O problema está quando a qualidade da exibição se traduz no resultado, como aconteceu ontem;
- O Sporting é o 7º melhor ataque da Liga e praticamente não consegue criar ocasiões de golo. O Sporting marcou ontem dois golos ao Portimonense, mas isso é completamente irrelevante se virmos que todas as equipas com quem o Portimonense jogou esta época para a Liga o conseguiram fazer;
- Em termos defensivos o Sporting é a 8ª melhor defesa da Liga com 8 golos sofridos. Sofremos ontem 4 golos do lanterna vermelha. A última vez que o Sporting sofreu 4 golos para a Liga foi há mais de 10 anos numa derrota com o Leiria em Abril de 2008;
- O Sporting não joga nada. Nada. Não há nenhuma vertente do treino e do jogo em que se veja a mão do treinador. Não há lances de bola parada criados para surpreender o adversário, não há uma ideia de jogo, um movimento característico, nada. Ou melhor, existem quatro lances característicos desta equipa: o célebre "chutão prá frente" em organização ofensiva e o "manda prá bouça" em organização ofensiva. Em transição ofensiva José Peseiro usa o "mete no Nani, no Jovane ou no Raphinha que eles correm pela ala até cruzarem para a área onde não está ninguém" e em transição defensiva aposta num "Battaglia e Gudelj virem o gajo que leva a bola";
- Viviano passou de titular para não convocado. O guarda-redes italiano ia começar a Liga como titular em Moreira de Cónegos, mas a lesão no aquecimento deixou-o de fora. Até hoje, nunca mais foi convocado, apesar de treinar sem limitações. José Peseiro não explica o que se passa com aquele que é de muito longe o melhor guardião do Sporting;
- José Peseiro é o homem que não quis Fábio Coentrão e que foi para uma conferência de imprensa orgulhar-se disso. Prefere o Jefferson;
- José Peseiro é o homem que não vê que 5 dos 8 golos sofridos pelo Sporting na Liga foram obtidos na zona de acção de Ristovski;
- José Peseiro é o homem que não dá um único minuto de jogo a Marcelo. Um central que tem toda a capacidade de dar uma saída de bola com qualidade, coisa que nem Coates nem André Pinto conseguem fazer. Prefere o "chutão prá frente" destes dois;
- José Peseiro é o homem que anda há 3 meses para explicar aos jogadores o que quer do duplo pivot de meio campo. Parece-me que nem o próprio sabe o que quer;
- José Peseiro é o homem que montou um plantel com 9 jogadores capazes de fazer as duas posições de meio campo: Battaglia, Bruno César, Wendel, Bruno Fernandes, Petrovic, Sturaro, Misic, Miguel Luís e Gudelj. Destes 9, os "Brunos" fazem outras posições, mas mesmo considerando que Peseiro não quer estes 2 jogadores para jogarem neste duplo pivot, sobram 7 jogadores. Quando Stuararo e Wendel estiverem aptos quem fica de fora?
- José Peseiro é o homem que exigiu Diaby, obrigando o Sporting a um esforço financeiro grande para depois nem sequer ter definida uma posição para o atleta. Tirando o jogo de quinta-feira onde foi titular, Diaby fez mais 5 partidas pelo Sporting. Eis os tempos de utilização: 1min, 1min, 5min, 3min e 6min.
- José Peseiro é o treinador que mete em campo jogadores para jogarem os descontos de jogo em que muitas vezes não tocam na bola. Das 20 substituições feitas por Peseiro na Liga, metade foram feitas nos últimos 10 minutos de jogo.
- José Peseiro é o homem que preferiu emprestar o Gelson Dala para ficar com o Castaignos. O Angolano que leva já 4 golos e 3 assistências no Rio Ave.
- O Sporting está no 5º lugar da Liga com 13 pontos. Desde os tempos de Ricardo Sá Pinto (10º lugar com 7 pontos) que o Sporting não estava tão mal classificado numa 7ª jornada da Liga.
Para fechar
Algo que me irritou profundamente foi ver mais indignação e preocupação por parte do Sporting e dos Sportinguistas por uma porcaria de uma multa ao Jubas do que pela agressão à cabeçada do Presidente do Portimonense ao Rafael Barbosa.
E assim se fechou uma semana horrível para o Sporting. Uma semana em que o Sporting foi humilhado dentro e fora de campo pelo lanterna vermelha da Liga. Um enxovalho que ficará para a história e que é bom que fique na memória dos actuais dirigentes do Sporting para que nunca mais se repita.
Por tudo isto, está mais do que na hora de Frederico Varandas ter noção do cargo que ocupa e assumir definitivamente as suas responsabilidades e a defesa dos superiores interesses do Sporting. Neste sentido é preciso despedir de imediato José Peseiro e fazer com que as exigências que o Sporting faz sejam respeitadas.
O presidente do Sporting tem de se assumir como verdadeiro líder e passar das palavras à acção. Na campanha eleitoral disse que só o ouviríamos falar nos momentos maus e que nos momentos bons daria o palco aos artistas. Ora, este é um dos tais momentos maus em que é preciso dar a cara e sobretudo, tomar decisões para o futuro do clube.
Os Sportinguistas aguardam uma tomada de posição.
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