Aos poucos e poucos os Sportinguistas vão tendo acesso a alguns do actos da comissão de gestão em exercício. Ontem ficamos a saber o nome da empresa responsável pelo catering do Estádio de Alvalade, numa história que merece alguma contextualização.
O aviso de Bruno de Carvalho
No passado dia 6 de Agosto, Bruno de Carvalho fez a seguinte publicação no seu Facebook:
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| Link do post (aqui) |
"Como é que está este concurso?"
Foi com esta questão que Bruno de Carvalho fechou o seu post. Ontem ficamos a saber a resposta através da pergunta do jornalista da CMTV.
Confesso que me deu um certo prazer ver a linguagem corporal de total desconforto de José Eduardo enquanto o entrevistador o "entala" com todo o carinho e afeição. Desconforto que foi perfeitamente visível na resposta de José Eduardo. Reparem nas voltas que o homem deu.
Começou a resposta com um "você anda a ler as redes sociais", como que a tentar desvalorizar o assunto. Depois falou na história da sua empresa e sobre o seu percurso profissional pós-futebol, desvalorizando percursos de outros antigos jogadores. Como se isso não bastasse, ainda criticou os Sportinguistas como sendo autofágicos. Diz José Eduardo que "nós temos uma tendência para pôr em causa os grandes valores que nós temos". Conclui essa ideia dos "grandes valores" colando as dúvidas levantadas sobre a ligação da sua empresa ao Sporting com "as tochas a Rui Patrício" e com as agressões a William Carvalho e Bas Dost. Portanto, inclui-se na mesma lista de Rui Patrício, William Carvalho e a Bas Dost como "grandes valores". Bem, agora que penso nisso, se calhar tenho de lhe dar razão. O que lhes interessa são mesmo os "valores".
Depois de todas estas voltas, que servem essencialmente para ganhar tempo e construir uma narrativa, lá começou a responder efectivamente à questão dizendo o seguinte: "Nós já tinhamos decidido em termos da administração que acabado o contrato com o Sporting que terminou no dia 30 de Junho, não íamos continuar no Sporting". Curiosamente essa versão não bate certo com o que foi escrito por Bruno de Carvalho, que no post cujo print está em cima diz que a Casa do Marquês foi uma das empresas que concorreram.
Mas, até dou de barato que a sua versão seja verdadeira e que a Casa do Marquês tenha decidido sair do Sporting. Se assim é por que motivo decidiu voltar atrás com o que estava definido? Por que razão regressaram ao Sporting pela mão da comissão de gestão?
Para os Sportinguistas mais desatentos importa referir que a Casa do Marquês entrou no Sporting em 2003 assinando um inacreditável acordo de 15 anos, que finalizou no passado dia 30 de Junho. Um acordo fechado com a presidência de Dias da Cunha, cujo responsável pelas infraestruturas na época era o Eng.Godinho Lopes. Portanto, é falso que a direcção de Bruno de Carvalho tenha renovado contrato com a empresa de José Eduardo. Curiosamente, José Eduardo deixou de apoiar publicamente a anterior direcção precisamente no momento em que foi anunciado um concurso para a atribuição do catering do Estádio de Alvalade. Importa dizer que nesse acordo inicial existia uma cláusula de renovação por mais 5 anos, que não foi accionada pelo Sporting. Tantas coincidências giras.
Mas as coincidências não se ficam por aqui. Durante o período que intermediou a nomeação da comissão de gestão e a AG de destituição, os senhores da comissão de gestão fizeram do Páteo Alfacinha a sua sala de reuniões.
Foi inclusivamente nesse espaço que foram apresentados oficialmente os membros da comissão de gestão aos Sportinguistas como se pode ver na foto inicial deste post. Começou a resposta com um "você anda a ler as redes sociais", como que a tentar desvalorizar o assunto. Depois falou na história da sua empresa e sobre o seu percurso profissional pós-futebol, desvalorizando percursos de outros antigos jogadores. Como se isso não bastasse, ainda criticou os Sportinguistas como sendo autofágicos. Diz José Eduardo que "nós temos uma tendência para pôr em causa os grandes valores que nós temos". Conclui essa ideia dos "grandes valores" colando as dúvidas levantadas sobre a ligação da sua empresa ao Sporting com "as tochas a Rui Patrício" e com as agressões a William Carvalho e Bas Dost. Portanto, inclui-se na mesma lista de Rui Patrício, William Carvalho e a Bas Dost como "grandes valores". Bem, agora que penso nisso, se calhar tenho de lhe dar razão. O que lhes interessa são mesmo os "valores".
"Para acalmar os espíritos mais inquietos"
Depois de todas estas voltas, que servem essencialmente para ganhar tempo e construir uma narrativa, lá começou a responder efectivamente à questão dizendo o seguinte: "Nós já tinhamos decidido em termos da administração que acabado o contrato com o Sporting que terminou no dia 30 de Junho, não íamos continuar no Sporting". Curiosamente essa versão não bate certo com o que foi escrito por Bruno de Carvalho, que no post cujo print está em cima diz que a Casa do Marquês foi uma das empresas que concorreram.
Mas, até dou de barato que a sua versão seja verdadeira e que a Casa do Marquês tenha decidido sair do Sporting. Se assim é por que motivo decidiu voltar atrás com o que estava definido? Por que razão regressaram ao Sporting pela mão da comissão de gestão?
De concurso a ajuste directo
Para os Sportinguistas mais desatentos importa referir que a Casa do Marquês entrou no Sporting em 2003 assinando um inacreditável acordo de 15 anos, que finalizou no passado dia 30 de Junho. Um acordo fechado com a presidência de Dias da Cunha, cujo responsável pelas infraestruturas na época era o Eng.Godinho Lopes. Portanto, é falso que a direcção de Bruno de Carvalho tenha renovado contrato com a empresa de José Eduardo. Curiosamente, José Eduardo deixou de apoiar publicamente a anterior direcção precisamente no momento em que foi anunciado um concurso para a atribuição do catering do Estádio de Alvalade. Importa dizer que nesse acordo inicial existia uma cláusula de renovação por mais 5 anos, que não foi accionada pelo Sporting. Tantas coincidências giras.
Mas as coincidências não se ficam por aqui. Durante o período que intermediou a nomeação da comissão de gestão e a AG de destituição, os senhores da comissão de gestão fizeram do Páteo Alfacinha a sua sala de reuniões.
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| Fotos que circularam nas redes sociais de uma reunião no dia 16 de Junho no Páteo Alfacinha, sete dias antes da AG de destituição. |
Para fechar
Vamos a factos. Coincidência ou não, José Eduardo retirou o seu apoio a Bruno de Carvalho a partir do momento em que a direcção anterior decidiu fazer um concurso público para atribuição do catering do Estádio de Alvalade. Coincidência ou não, foram feitas uma série de reuniões da MAG e da comissão de gestão no Páteo Alfacinha ainda antes da AG de destituição. A apresentação da CG pela MAG também foi feita nesse espaço.
Coincidência ou não, a comissão de gestão entrou em funções no dia 25 de Junho, cinco dias antes do término do contrato da Casa do Marquês com o Sporting. Uma das primeiras medidas da comissão de gestão passou por cancelar o concurso e atribuir o catering do Estádio de Alvalade à Casa do Marquês por ajuste directo. Alguém acha isto normal? Que moral tem esta gente para acabar com um concurso e atribuir por ajuste directo o contrato a um sujeito que esteve desde a génese ligado a esta comissão de gestão. Era giro sabermos quanto cobra a Casa do Marquês e as propostas das empresas que participaram no concurso. Fica a dica para a Tânia Laranjo fazer uma peça sobre o assunto.
A somar a tudo isto, recordar que dos 9 membros da comissão de gestão, apenas 7 se mantêm em funções, uma vez que Jorge Gurita e Alexandre Cavalleri já saíram do órgão para fazerem parte das listas de José Maria Ricciadi. Precisamente, a lista onde José Eduardo é candidato a vice-presidente. Portanto, dois dos companheiros de lista de José Eduardo também tiveram poder na decisão do ajuste directo. Fantástico.
Face a tudo isto, José Eduardo pode vir dizer que coloca o contrato à disposição da próxima direcção, que isso não altera em nada o escândalo que é esta promiscuidade entre José Eduardo e a comissão de Gestão. A realidade é que José Eduardo foi colocado entre a espada e a parede e não podia responder de outra forma.
Não posso deixar de salientar o papel do jornalista da CMTV nesta questão. Colocou o dedo na ferida e acabou por dar um grande contributo para os Sportinguistas saberem a verdade. É uma pena que o CM não faça uma daquelas capas fantásticas com este assunto. Fica a sugestão.
Para concluir, quer-me parecer que o facto de a Comissão de Gestão/MAG ter recuado na questão dos debates na CMTV - por pressão dos sócios do Sporting - pode estar relacionada com a denúncia pública deste contrato vergonhoso. Como diz o povo: "quem com ferros mata, com ferros morre". Fica esta ideia para reflexão.
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