Nos últimos dias muito se tem falado da Academia do Sporting e do seu financiamento. Este post serve para esclarecer tudo sobre esse assunto dando uma visão histórica e actual do processo.
Uma visão histórica
A Academia foi inaugurada a 21 de Junho de 2002 e a sua construção foi financiada através de um acordo de leasing datado de 29/12/2000 com o BCP Leasing. Neste plano inicial, a Academia deveria estar paga em Dezembro de 2015 num negócio feito por Dias da Cunha, quatro meses depois de ser eleito.
Em 2002 houve um aditamento ao contrato, alargando-se os prazos de pagamento em mais 14 meses, passando assim o prazo para os 15 anos e 14 meses. Nesta altura estávamos a falar de uma verba total na casa dos 9,9 Milhões de Euros.
Em 2010 e em Assembleia Geral do Sporting foi decidida a passagem da Academia do clube para a SAD. José Eduardo Bettencourt era o Presidente à época.
Conforme podem verificar no comunicado anterior, a passagem do clube para a SAD foi feita por cerca de 23,6 Milhões de Euros.
Em 2012, na Presidência de Godinho Lopes, o Sporting tinha acordado com o BCP uma alteração no plano de rendas e a taxa de juro associada.
O contrato actual
Quando a actual direcção tomou posse, o Sporting não tinha dinheiro para as suas despesas correntes. Face às dificuldades de pagamento e em sede de reestruturação financeira o Sporting pediu a rescisão do contrato em vigor, disponibilizou a Academia ao banco, conseguiu a anulação parcial das rendas entre Agosto e Novembro de 2014, e assinou o acordo que se encontra em vigor de desde Janeiro de 2015 até 2035.
A 28 de Novembro de 2014, na Presidência de Bruno de Carvalho o Sporting assinou um contrato de locação financeira com o Millenium BCP no valor de cerca de 13,3 Milhões de Euros.
Acordo locação financeira com o BCP publicado no Footballeaks
Como podem verificar no print anterior, o Sporting paga mensalmente cerca de 61 mil euros de renda pela sua Academia.
Em 2035, no final das 240 rendas o Sporting terá de pagar um valor residual de cerca de 267 mil Euros e ai ficará com a Academia paga e em seu nome.
As contas à data de hoje
O valor do financiamento foi de 13.393.505,97 €. Se somarmos o valor das rendas e o valor residual percebemos que o Sporting terá de pagar 14.927.276,52€
Até hoje, o Sporting já pagou 25 rendas no valor global de 1.527.021,50 €. Ou seja, falta pagar 13.400.255,02 €.
Nota final
Custa-me perceber a estupefacção de alguns Sportinguistas com palco mediático, que nos últimos dias têm aparecido nas televisões, "chocados" com o facto de a "Academia não ser nossa". Estamos a falar de um assunto que foi bastante discutido, quer internamente nas Assembleias Gerais, quer publicamente aquando da divulgação do documento do Footballeaks. Mais do que ignorância, parece-me que algumas destas figuras querem fazer dos Sportinguistas parvos.
Para que seja mais fácil as pessoas perceberem do que se trata, este acordo funciona na mesma linha de um leasing de um carro. No papel, o veículo é do locador e o locatário vai pagando as respectivas rendas ao longo do período acordado. No final do prazo há lugar ao pagamento do valor residual e ai o veículo ficará no nome da pessoa/empresa.
Dizer que a Academia não é do Sporting é o mesmo que dizer que as pessoas quem têm um carro comprado por leasing ou uma casa com hipoteca não são donas desses bens. E quem pensar assim entra na linha de raciocínio de que os bancos são de facto "os donos disto tudo".
Não concordando, até posso aceitar esta linha de raciocínio. Agora, se vamos pensar desta forma, convém dizer que por exemplo o Estádio de Alvalade, o Estádio do Dragão e o Estádio da Luz também são dos bancos, e este último até tem as quotizações dos associados dadas como penhor.
Fica o esclarecimento.
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O Nova Geração Benfica - um dos mais conhecidos blogs benfiquistas - apresentou ontem um conjunto de considerações anedóticas sobre o passivo do Sporting que não posso deixar passar em claro. Deixo o link do post para quem tiver "pachorra" para ler tanta asneira (link). Mas vamos por partes:
Bruno de Carvalho e as informações confidenciais
Se o ridículo pagasse imposto, este frase do "Benfica Eagle" resolveria o problema do défice. Diz o artista que Bruno de Carvalho guarda os Relatórios e contas "a 7 chaves para tentar esconder a verdade".
A verdade é que essa informação está tão bem escondida que é publica e está disponível no site do Sporting. Compreendo que para um infoexcluído, seja complicado aceder a essa informação.
Curiosamente, o Benfica nunca divulgou publicamente as suas contas consolidadas. Após diversas interpelações de vários analistas, os encarnados entregaram o Relatório e contas consolidado aos jornalistas do jornal Expresso, no passado mês de Outubro. O jornal fez um artigo sobre as contas, mas o relatório nunca foi publicamente divulgado. (Se alguém me quiser enviar o relatório completo, agradeço)
Introdução
Para os leitores menos familiarizados com as finanças dos clubes, quero fazer um esclarecimento inicial. Existem 3 tipos de Relatórios e contas no Sporting. O ReC da SAD, o ReC do clube e o ReC Consolidado. Como sabem, no ReC da SAD está toda a actividade do futebol/participações em outras empresas. No ReC do clube estão as restantes modalidades e a participação na SAD e em outras empresas. O ReC Consolidado, tal como o nome indica serve para "consolidar contas".
De uma forma muito simplista, é feito um acerto de todas as contas entre as empresas do grupo. Imaginem que a SAD deve 10 Milhões ao clube e o clube deve 10 Milhões à SAD. Nos ReC da SAD esses 10 Milhões estarão no Passivo, assim como no ReC do clube. Ora, em sede de consolidação, estes valores anulam-se, assim como acontece com o activo.
Mais simples ainda: Vamos transpor este exemplo para a economia familiar. Imaginemos um casal em que ela é a SAD e ele é o clube. A esposa pediu 10€ emprestados ao marido e o marido no mês passado já tinha pedido à esposa 10€. Ora, ambos devem 10€ mas em contas consolidadas não devem nada a entidades externas. Fazendo um "acerto de contas" o saldo é zero.
Este é apenas um pequeno exemplo entre os vários procedimentos efectuados na elaboração de uma ReC Consolidado.
Ó mister mas o Sporting divulga os seus ReC?
Sim. O Sporting é de longe o clube mais transparente em Portugal. Os Relatórios e contas da SAD estão todos disponíveis no site da CMVM. Esta época deixou de haver a obrigatoriedade de apresentação de ReC de periodicidade trimestral. Benfica e Porto "esconderam os seus relatórios a 7 chaves". O Sporting continuou a publicar toda a informação ao trimestre.
Como podem ver no print que tirei do site do Sporting, os ReC do Sporting (clube) estão todos disponíveis para consulta, desde 2013 (ano em que BdC assumiu o Sporting). O último ReC do clube que está disponível é o de 2015/2016.
Em relação a contas consolidadas, o Sporting coloca online as contas correspondentes à época anterior em meados de Janeiro. Isto está bem patente no print que coloquei anteriormente. Nos próximos dias será publicado o ReC consolidado da época 2015/2016. Para já só é conhecido o ReC consolidado da época 2014/2015.
O "desmontar" das mentiras
Confesso que não tenho pachorra para estar a desmontar todas as mentiras desse post. Vou-me concentrar apenas no título e nas conclusões que os benfiquistas tiraram.
Afinal qual é o valor do Passivo consolidado do Sporting?
Neste momento ainda não é conhecido o ReC Consolidado de 2015/2016, pelo que terei que colocar a última informação conhecida.
Como podem verificar, o valor do Passivo consolidado do grupo Sporting a 30 de Junho de 2015 era de cerca de 343 Milhões de Euros. Nos próximos dias serão divulgados os dados relativos a 2016.
Ok! 343 Milhões de Passivo consolidado! Então e as VMOC?
Já aqui fiz um extenso trabalho sobre as VMOC onde deixei tudo esclarecido (cliquem). Como sei que nem todos os leitores têm pachorra para analisarem as contas a fundo, faço um resumo.
O Sporting tem neste momento duas emissões de VMOC. As VMOC A (55M) e as VMOC B (80M). Tudo somado são 135 Milhões em VMOC.
Ora, em sede de reestruturação financeira ficou prevista a emissão de umas VMOC C que servirão para pagar as VMOC A. Ou seja, o Sporting pagará as VMOC A e aumentará a sua participação na SAD. Ficará na mesma com 135 Milhões em VMOC. Os 80M das VMOC B + 55M VMOC C.
Destes 135 Milhões em VMOC, o Sporting só tem direito de compra de 44 Milhões de acções. Precisamente o valor de acções que permitem ao clube manter a maioria do capital da SAD. Estes 44 Milhões de acções serão comprados pelo Sporting a um preço nunca superior a 44 Milhões de Euros. Como disse no post sobre as VMOC, o preço de custo destes 44 Milhões de acções será definido por uma fórmula previamente estabelecida em sede de reestruturação financeira.
Para terem uma ideia, se o Sporting comprasse hoje estes 44 Milhões de acções, precisaria apenas de 31,6 Milhões de Euros.
Na entrevista de hoje ao jornal Record, Bruno de Carvalho referiu-se a isso mesmo mesmo.
Resumindo: Até termos os dados de 2016, os dados oficiais dizem que o Passivo do Sporting é de 343 Milhões de Euros.
As VMOC não são passivo, mas como o Sporting quer manter a maioria do capital da SAD, podemos acrescentar os tais 44 Milhões de VMOC (Valor máximo de aquisição, mas que pode ser bem inferior mediante a cotação das acções do Sporting. Se fosse hoje, seriam 31,6 Milhões)
Podemos dizer que o Passivo+VMOC do Sporting andará entre no seguinte intervalo (374,6M - 387M).
O benfiquista que escreveu esse texto só "acrescentou" cerca de 225 Milhões nas suas "contas à taberneiro". Coisa pouca...
Godinho vs Bruno de Carvalho
Gosto particularmente da comparação entre Godinho Lopes e Bruno de Carvalho. Dizem os artistas que o Bruno de Carvalho aumentou o Passivo+VMOC em cerca de 50 Milhões de euros.
Vejamos o que diz o ReC Consolidado de 2012/2013 da última época de Godinho Lopes com o ReC Consolidado de 2014/2015 (último ReC consolidado conhecido)
Cliquem na imagem para aumentar
Como podem verificar, Godinho Lopes deixou 442 Milhões de Passivo no grupo Sporting. A este montante há que somar 55 Milhões em VMOC, que antes da reestruturação financeira teriam de ser totalmente adquiridas pelo Sporting para manter a maioria do capital da SAD. Tudo somado, estamos a falar de cerca de 500 Milhões de Euros.
Já Bruno de Carvalho fez com que o passivo descesse cerca de 100 Milhões de Euros para os 343 Milhões de Euros. E como vimos anteriormente, em termos de VMOC nunca pagará mais do que 44 Milhões de Euros para manter a maioria do capital da SAD. Tudo somado e na pior das hipoteses Passivo + VMOCs = 387 Milhões de Euros
Apenas e só um decréscimo de 110 Milhões de Euros em relação ao que foi deixado por Godinho Lopes.
Então e qual é o passivo do Benfica?
Como podem verificar no print do jornal Expresso (link), o Passivo do Benfica esta muito próximo dos 500 MIlhões de Euros.
Agora que sabemos os números oficiais, deixo-vos com a "versão encarnada".
Mas há outro ponto interessante no quadro anterior. Para além dos 495 Milhões de passivo, gosto de verificar que a tendência vai no sentido de o "monstro" continuar a crescer. De 2014/2015 para 2015/2016 o passivo encarnado aumentou cerca de 30 Milhões.
Caso para dizer: Carrega Vieira!!!
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Na sequência do post anterior sobre o aumento de capital, aqui fica um post sobre tudo o que os Sportinguistas precisam de saber sobre as VMOC, de acordo com o plano de reestruturação financeira.
Para uma melhor compreensão deste post, sugiro a leitura do post sobre o "Aumento de Capital". (cliquem aqui)
VMOC?
Começo por explicar o que são as "VMOC", para que mesmo os leitores menos identificados com economia e finanças possam entender do que se trata. Vejamos:
A sigla VMOC significa "Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis". Na pratica, as "VMOC" são obrigações que rendem um determinado juro anual e que no final do prazo são convertidas em capital da sociedade.
Quando é que as VMOC entraram no Sporting?
Em 2011, na presidência de José Eduardo Bettencourt, o Sporting realizou a segunda "reestruturação financeira" da sua sociedade. A "operação harmónio", como ficou conhecida entre os Sportinguistas. Na altura, o plano visava a saída da "falência técnica". A SAD estava com capitais próprios negativos de 42,442 milhões de euros.
Esta reestruturação financeira teve dois momentos: Primeiro, com descida do capital social de 42 milhões para 21 milhões de euros, por redução do valor das acções de 2 para 1 euro. Depois, foi feita a emissão de 18 milhões de acções e consequente aumento do capital para 39 milhões de euros.
Para além destas duas "movimentações", a Sporting SAD lançou 55 Milhões de VMOC para o mercado. É importante esclarecer que qualquer pessoa poderia subscrever estes 55 Milhões de VMOC a uma taxa de juro anual de 3%. Na altura, a Sporting SAD não fez nenhum esforço no sentido de os particulares comprarem estas VMOC, pelo que nem sequer publicitou esta operação.
Ora bem, dos 55 Milhões em VMOC os particulares subscreveram 166.095,00 €, ficando o Millenium BCP e o Banco Espírito Santos com o restante (27.416.953,00 € cada um). A oferta pública de 18 milhões de acções registou sobras de 3,47 milhões de títulos que tiveram de ser absorvidos pelo Sporting CP nos termos do compromisso assumido com a banca.
Importa salientar que o Sporting ficou com opção de compra da totalidade destas VMOC, com vencimento em Janeiro de 2016 (5 anos depois).
O Godinho resolveu isso, de certeza absoluta!!! Ou então, não!?
Importa dizer que a emissão dos 55 Milhões de VMOC foi concretizada a 14 de Janeiro de 2011. No dia seguinte, José Eduardo Bettencourt pediu a demissão de Presidência do Sporting.
Curioso que Bettencourt tenha pedido a demissão precisamente no dia seguinte à subscrição das VMOC. O Sporting ficou aqui com um enorme problema entre mãos, que passava pela obrigatoriedade de ter de pagar 55 Milhões ao fim de 5 anos. Isto se quisesse manter o controlo da SAD.
Em Março desse ano, Godinho Lopes chegou à presidência do Sporting através de uma golpada eleitoral. A nova direcção sabia perfeitamente que teria de levar a cabo uma gestão financeira muito rigorosa, para conseguir preparar o clube para pagar os 55 Milhões de VMOC deixadas por José Eduardo Bettencourt. Foi isso que foi prometido aos sócios.
Das promessas à realidade, Godinho Lopes deixou um buraco no Sporting de cerca de 90 Milhões de euros. Se à partida o Sporting precisava dos 55 Milhões para liquidar as VMOC, ficou ainda com um problema adicional: Mais 90 Milhões "para o prego". E isto para não falar no passivo galopante da SAD e das contas do clube.
Em Março de 2013 chegou a hora de Bruno de Carvalho. Estamos todos lembrados das duras negociações com a banca no início do mandato. Hoje, parece que as pessoas se esqueceram que o clube tinha um PER em cima da mesa e que a ameaça à sobrevivência do clube foi bem real. Felizmente, Bruno de Carvalho conseguiu fazer um acordo de reestruturação financeira que apesar de ser muito duro e de ter fortes limitações, deu ao clube a possibilidade de ser dono do seu destino.
O que estava planeado na Reestruturação financeira para as VMOC?
Para além de um conjunto de medidas que tenho vindo a falar ao longo do tempo, o plano de reestruturação contratualizou a questão das VMOC de forma clara. Vejamos:
Como podem ver neste print retirado do acordo de reestruturação financeira, disponibilizado pelo Footballeaks, existem 3 tipos de VMOC: A, B e C. Começo por explicar individualmente.
VMOC A - São as VMOC emitidas por José Eduardo Bettencourt em 2011. Tinham vencimento em 2016. As tais que temos vindo a falar até agora.
VMOC B - São as VMOC negociadas com a banca por Bruno de Carvalho no valor de 80 Milhões (2015-2025). Como vimos, Godinho Lopes deixou um buraco de 90 Milhões de Euros, por isso foi preciso emitir estas VMOC B a 10 anos, para que o Sporting tivesse condições de no espaço de uma década equilibrar as suas contas e encontrar meios de liquidar este montante.
VMOC C - São VMOC a contrair para liquidar as VMOC A. Passo a explicar de seguida.
VMOC C para liquidar VMOC A?
Obviamente, quando Bruno de Carvalho entrou no Sporting e face às enormes dificuldades financeiras da SAD, não haveria condições para que em apenas duas épocas esta direcção arranjasse 55 Milhões de Euros para liquidar as VMOC A. Por isso, em sede de reestruturação financeira ficou definida a criação de umas VMOC C para liquidar as VMOC A "na data de vencimento daqueles valores mobiliários" como está no print anterior, ou seja em Janeiro de 2016.
Informação essa que foi sempre do conhecimento de todos, como podem verificar nas propostas apresentadas pelo conselho directivo antes e durante a Assembleia Geral de 30 de Junho de 2013 no Pavilhão da Ajuda, onde os sócios deliberaram sobre o plano de "reestruturação financeira". Aqui está o print:
Desde esse dia, a Sporting SAD está mandatada pelos sócios para emitir 55 Milhões de VMOC. As tais VMOC C. Como podem verificar neste print, o Sporting não tem o direito de compra destas VMOC C, uma vez que servem para "anular" as primeiras VMOC A. Era isto que estava planeado.
Simulação do plano da reestruturação financeira
- À esquerda está a actual estrutura accionista onde o Sporting detém cerca de 64%.
- No meio, está feita a simulação para a entrada dos investidores no montante de 18 M como vimos no post sobre o aumento de capital. Mesmo assim o Sporting mantém a maioria da SAD.
- No quadro mais à direita está a conversão das VMOC A em capital da SAD. Ou seja, o Sporting emitiria as VMOC C no valor de 55 M para pagar as VMOC A no mesmo valor. Nessa altura manteria na mesma a maioria do capital da SAD com cerca de 70% e ficaria com duas emissões e VMOC pendentes: VMOC B de 80M + VMOC C de 55M.
Então mas o Sporting não renovou as VMOC A?
Em Janeiro de 2016 e em Assembleia Geral de Titulares de VMOC, foi deliberada a substituição da data única de conversão obrigatória de VMOC de 17 de Janeiro de 2016 para 26 de Dezembro de 2026, conforme podem verificar em baixo.
Os detentores de VMOC ficaram ainda com a possibilidade de entre o dia 11 e 15 de Janeiro de 2016 de exercerem a conversão das VMOC em capital da SAD caso assim o entendessem. Tal e qual o que foi afirmado por Bruno de Carvalho à saída da reunião.
Resumindo:
Em termos técnicos, o Sporting acabou por não renovar estas VMOC A, mas sim adiantar o prazo de conversão em cerca de 10 anos. Se bem se recordam, esta foi mais uma negociação complicada para o Sporting, na linha do que aconteceu com a reestruturação financeira.
Na pratica, este adiamento destas VMOC A permitiu ao Sporting não ter que emitir as tais VMOC C para liquidar as VMOC A. Uma jogada brilhante desta direcção que dá ainda mais margem de manobra para que o Sporting consiga liquidar todas as suas obrigações futuras.
E as VMOC B dos 80 Milhões?
A emissão destes 80 Milhões de VMOC em 2015 estava já prevista na reestruturação financeira aprovada em 2013. Deste montante, importa salientar que o Sporting só ficou com opção de compra de compra de 44 Milhões do valor nominal das acções.
Trocando por miúdos, isto quer dizer que destes 80 Milhões de VMOC B o Sporting só tem o direito de opção de 44 Milhões, ficando os restantes 36 Milhões nas mãos dos bancos e dos pequenos investidores, que podem gerir como bem entenderem. Tanto podem ficar accionistas da SAD como podem vender as acções no mercado. Se o Sporting tiver interesse nas acções pode fazer uma proposta, mas nunca haverá a obrigatoriedade de venda ao Sporting desses 36 Milhões.
E quanto é que vai custar a compra dos 44 Milhões de acções ao Sporting ?
Esta é uma das perguntas mais relevantes sobre este assunto. No acordo de reestruturação financeira divulgado pelo Footballeaks, existe uma formula de calculo previamente acordada para definir o preço de opção de compra das VMOC por parte do Sporting.
Fazendo aqui um breve exercício e tendo em conta que as acções do Sporting nos últimos 6 meses terão um valor médio a rondar os 60 cêntimos/acção.
Preço que o Sporting paga = 0,6€ x 1,2 x 44 M = 31,6 Milhões de Euros
Ou seja, isto quer dizer que se o Sporting adquirisse neste momento os 44 Milhões de acções "só" pagaria 31,6 Milhões de Euros.
Importa salientar mais dois pontos importantes:
A) - O Sporting nunca poderá pagar mais do que os 44 Milhões. É este o limite máximo.
B) - Em contas redondas, se o preço médio das acções nos últimos 6 meses for inferior a 0,83€ o Sporting "ganha" dinheiro ao comprar as VMOC.
As contas ao dia de hoje
Hoje, o Sporting tem 135 Milhões de Euros em VMOC. Os 55 Milhões das VMOC A e os 80 Milhões das VMOC B. A qualquer momento pode emitir mais 55 Milhões de VMOC C para liquidar as VMOC A, como já vimos.
Destes 135 Milhões de VMOC, o Sporting tem opção de compra de 99 Milhões. Apenas 36 Milhões não têm opção de compra por parte do Sporting.
Vou agora fazer uma série de simulações para que percebam tudo:
Estrutura accionista actual
Sporting tem a maioria do capital da SAD com cerca de 64%. Em VMOC 135M= 55M de VMOC A + 80 VMOC B.
Simulação estrutura accionista após entrada dos investidores
Após a entrada dos 18 Milhões dos investidores, o Sporting mantém a maioria do capital com 50,38%. Em VMOC mantém-se os 135M = = 55M de VMOC A + 80 VMOC B
A emissão das VMOC C
Emitindo as VMOC C, a SAD liquidará as VMOC A. Terá ainda de comprar os 44 Milhões de acções das VMOC B.
Resumindo:
- Sporting emite as VMOC C e liquida as VMOC A. Esses 55 M das VMOC A são convertidos em capital leonino. O Sporting não tem opção de compra das VMOC C, pelo que a banca ficará com elas.
- O Sporting tem opção de compra de 44 M das VMOC B. Vai adquiri-las e mantém o controlo maioritário da SAD. Como vimos anteriormente, e se fosse à data de hoje poderia compra-las por cerca de 31,6 Milhões de euros.
Resumo do resumo:
Sporting nunca gastará mais de 44 Milhões de Euros em 2026 para manter o controlo da sua SAD. Dos 135 Milhões de VMOC a banca ficará com 91 Milhões.
Ó mister, mas o Sporting não está já a pagar à banca com as retenções das transferências?
A polémica em torno do valor retido nas transferências de Slimani e João Mario foi tanta, que as pessoas se esqueceram do essencial. Esse dinheiro serve para pagar à banca. Não é para "deitar ao lixo".
Os montantes retidos são num primeiro momento libertados para pagamento das obrigações correntes com a banca no final no exercício económico em curso. Se esses montantes estiverem liquidados, o tal "valor retido" fica na rubrica "Depósitos bancários à ordem - restritos".
Como podem verificar, no final do exercício 2015/2016, o Sporting tinha cerca de 3 Milhões de Euros acumulados para fazer face a obrigações futuras com a banca, entre as quais a liquidação das VMOC com opção de compra.
Resumindo
Aqui fica o quadro publicado pelo Sporting no seu site, com a diversas alterações na estrutura accionista que foram delineadas em sede de reestruturação financeira.
Julgo que a "questão VMOC" fica aqui bem explicada. Em 2026, o Sporting terá de pagar um valor máximo de 44 Milhões de Euros, que como vimos pode ser inferior mediante a questão do preço médio dos últimos 6 meses. Para além disso, importa salientar que nas vendas de jogadores estão a ser retiradas percentagens importantes como "poupança" para pagar à banca. Só na venda de Slimani e João Mário foram cerca de 16 Milhões.
Em termos financeiros o Sporting encontra-se numa situação estável. Até ao final deste mês a SAD deverá apresentar os resultados do 1º trimestre de 2016/2017, que serão muito bons, uma vez que serão reflectidos os montantes das vendas do verão passado.
A CMVM deixou cair a obrigatoriedade de apresentação de relatórios trimestrais, ficando os clubes obrigados apenas à apresentação do relatório anual. O Sporting já anunciou que continuará com a sua política de transparência, publicando todos os relatórios trimestrais. Todas as informações deste post foram publicadas pelo Sporting com excepção do acordo de reestruturação financeira que foi publicado pelo Footballeaks.
Qualquer tipo de dúvida, deixem nos comentários em baixo. Mediante o meu conhecimento tentarei responder.
Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já.
Na passada segunda-feira a TVI decidiu requentar notícias sobre as finanças do Sporting. Ao longo do post, os caros leitores perceberão o nível do "requentamento" noticioso feito pela TVI. Para já, é preciso compreender o timing destas notícias. Véspera de jogo decisivo para o Sporting na Champions e mesmo a tempo de entrar nos programas de debate televisivo, nomeadamente o "Prolongamento". Mas uma daquelas coincidências...
A notícia da TVI
A notícia foi dada no jornal da noite, mesmo antes da reportagem sobre o jogo com o Real Madrid. Aqui está ela:
Ora bem, para percebermos este aumento de capital é necessário conhecermos a actual estrutura accionista da Sporting SAD.
A actual estrutura accionista da Sporting SAD
A 30 de Junho de 2016 - data fecho do último Relatório e Contas - era esta a estrutura accionista da Sporting SAD. Como podem verificar, o Sporting detém a maioria do capital. A Holdimo tem uma participação de 30%. A Olivedesportos e os pequenos accionistas ficam com os restantes 6%.
Ó mister, como é que Holdimo detém 30% do Capital?
A Holdimo entrou no Sporting pelas mãos de Godinho Lopes, numa altura em que o clube precisava de dinheiro para pagar despesas correntes. A sociedade de Álvaro Sobrinho emprestou 20 Milhões de euros à direcção de Godinho Lopes e ficou com a garantia de percentagens de 28 jogadores.
Quando a direcção de Bruno de Carvalho entrou no Sporting este problema era real a ameaçava o futuro do clube. Era preciso recuperar as percentagens de todos estes jogadores para que o Sporting pudesse ter futuro. O problema é que o Sporting não tinha os 20 Milhões para pagar à Holdimo. A solução encontrada passou pela conversão destes 20 Milhões em capital da SAD. A Holdimo acedeu e fez-se o negócio no final de 2014.
Aqui fica o vídeo com a explicação de Bruno de Carvalho, em Junho de 2013. Dias antes da AG do Sporting, marcada para que os sócios pudessem decidir sobre a reestruturação financeira.
Ó mister!!! 28 Milhões? A Holdimo só tinha emprestado 20 Milhões!
Em sede de reestruturação financeira foi decidido que a Sporting Património e Marketing seria incorporada na Sporting SAD. Os 8 Milhões adicionais foram contabilizados neste incorporação na Sporting SAD. Esta era mais uma das dezenas de empresas criadas pela gestão "Roquettiana", num emaranhado que esta direcção tem vindo a resolver.
Resumindo: A Sporting SAD fez um aumento de capital de 28 Milhões de Euros em finais de 2014. Vinte Milhões para a Holdimo, que passou a deter cerca de 30% do capital da SAD e os oito milhões pela incorporação da Sporting Património e Marketing.
E assim chegamos aos valores presentes no quadro e tabela inicial deste post.
Aumento de Capital de 18 Milhões
Vamos agora passar ao aumento de capital dos tais 18 milhões falados na peça da TVI.
Estamos a falar de algo que foi definido em sede de reestruturação financeira em 2013. Aqui fica a reportagem da SIC sobre a Assembleia Geral do Sporting de 30 de Junho de 2013, onde 97,3% dos sócios do Sporting aprovaram a reestruturação financeira.
Vejam o vídeo até ao final para ouvirem as declarações de Bruno de Carvalho.
Desde Junho de 2013 que os sócios do Sporting sabiam deste aumento de capital. Haverá notícias mais requentadas do que estas?
Ó mister mas a TVI fala da Haitong! O que é isso?
A Hoitong é uma sociedade financeira que adquiriu o BESI (Bes Investimento) por 379 Milhões de Euros, em 2015. O Sporting sempre trabalhou com o BESI na elaboração destas operações de mercado. O aumento de capital na Presidência de José Eduardo Bettencourt, o lançamento de Obrigações com Godinho Lopes ou o mais recente lançamento de obrigações com Bruno de Carvalho são alguns exemplos. Este banco de investimento era liderado por José Maria Ricciardi e continua sob a sua liderança apesar da venda à Haitong. Nada de novo aqui, mas fica mais um esclarecimento.
E como fica a estrutura da SAD após a entrada dos 18 Milhões de investidores?
Como podem verificar, o Sporting mantém a maioria do capital da SAD, mesmo com este aumento de capital.
O Capital Social passa dos 67 Milhões para os 85 Milhões e o Sporting mantém a maioria do capital da SAD, com cerca de 50,38%. O segundo maior investidor continua a ser a Holdimo.
Mas é mesmo importante mantermos a maioria do capital da SAD?
Bem, enquanto sócio prefiro sempre que o Sporting mantenha a maioria do capital da SAD, e não é por uma questão de controlo da sociedade, que está sempre salvaguardada pelas acções de categoria A, que só o clube pode deter. Estas acções, entre outros "poderes" conferem ao clube o direito de veto sobre todas as decisões tomadas em AG da SAD. Aliás, basta a não presença do representante do Sporting (clube) na AG para que a mesma não se realize.
Para além do simbolismo de o Sporting ter a maioria do capital da SAD, é uma demonstração que o clube acredita na SAD. O objectivo desta direcção passa por a médio prazo começar a distribuir dividendos aos accionistas. Neste sentido, podemos ter aqui uma fonte de financiamento adicional para as nossas modalidades.
Foi também isto que foi sufragado na último acto eleitoral, onde sempre foi dito aos sócios que a maioria do capital da SAD seria sempre para manter.
Aqui fica um vídeo de 2013 onde Carlos Vieira, Vice-presidente do Sporting e Administrador da SAD explica a importância da manutenção desta maioria do capital na SAD.
Entretanto, a SAD do Porto já detem a maioria do capital da sua SAD por incorporação da EuroAntas, sociedade do grupo que detém o Estádio do Dragão.
Para já, fica explicado o aumento de capital e tudo o que está relacionado com o tema. Esta explicação era essencial para que depois os leitores possam acompanhar o post seguinte sobre as VMOC, com tudo explicado exaustivamente. Dúvidas sobre o aumento de capital podem colocar em baixo que responderei na medida do meu conhecimento.
Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café nas redes sociais, podem começar já.
A máquina de propaganda lampiâ prepara-se para novo ataque, no que aos valores recebidos pelo Sporting diz respeito. Os primeiros sinais foram dados nos últimos dias, com a publicação daquilo que designo de "contas da treta" em blogs ligados ao Benfica e obviamente no Correio da Manhã.
Os carregadores de piano
Como habitualmente, é o Correio da manhã a dar o pontapé de saída. Senão, vejamos:
No dia 30, véspera do fecho de mercado, eis que o Correio da Manhã aparece a falar nos 50% que o Sporting tem que entregar à banca. Depois foi a vez dos blogs afectos ao Benfica "analisarem" o assunto. A estupidez foi tanta que num destes espaços mais parecia que o Sporting ainda tinha que pagar para levarem os jogadores.
Foram 3 dias a preparar terreno para o ataque de mais logo na CMTV, Trio de Ataque e Play-off. Para amanhã está guardado pináculo da verborreia encarnada. Por tudo isto, impõe-se a explicação exaustiva destas vendas.
Qual é a percentagem que o Sporting tem que entregar à banca?
Recorrendo aos contratos divulgados pelo Footballeaks é possível
perceber que o Sporting após 30 de Junho de 2014 tem que reembolsar os
bancos em "30% do excesso do preço de venda dos passes", como
podem ver no ponto i) do print anterior. Realço que o Sporting só passou a ter a obrigação de entregar estes valores após 30 de Junho de 2014, ou seja, desde a época 14/15.
Esses 30% serão deduzidos dos valores das vendas de jogadores enquanto a tranche D e B não estiverem integral e incondicionalmente reembolsadas. Após reembolso integral e incondicional desses tranches a taxa baixa para os 20%.
Que tranches são essas? Quanto está em cada uma?
Como podem verificar, a marcador amarelo estão as duas sub-tranches que compõem a tranche B. No total estamos a falar de (14,649,562.11 € + 10,308,000.00 €) = 24,957,532.11 €
Ou seja, na tranche B estão cerca de 25 Milhões de euros. Falta agora perceber o montante que está na tranche D. Como podem verificar, esse espaço está em branco, uma vez que este montante é destinado a "encargos financeiros" do exercício, logo não é possível atribuir um montante fixo. No fundo são as despesas correntes relacionadas com a actividade bancária. Juros de contas correntes, seguros, etc.
Resumindo: O Sporting terá que "descontar" 30% do montante recebido em transferências enquanto a tranche B (25 Milhões) e D (despesas correntes com a banca) não estiverem liquidadas. Importa dizer, que a tranche D tem obviamente que ser paga independentemente de haver ou não vendas. No fundo, esta retenção de 30% no que à tranche D diz respeito, funciona mais como uma garantia.
E depois de essas tranches estarem pagas ?
Depois de esses montantes relacionados com as tranches B e D estarem liquidados, a percentagem a "descontar" na vendas de jogadores passa a ser de 20%, como se pode verificar em cima. Percentagem essa que se manterá até que o Sporting consiga liquidar todos os seus encargos.
Quanto é que o Sporting já liquidou?
Como vimos, o Sporting tem que descontar os 30% das vendas desde 2014/2015. Isto quer dizer que já foi descontada uma parte substancial desse montante. Vejamos:
Não vou entrar aqui grandes pormenores para descobrir o valor exacto que o Sporting pagou. Fica apenas um pequeno exercício, só para perceberem: Em 14/15 o Sporting recebeu cerca de 30Milhões em vendas e na época 15/16
foram cerca de 17 Milhões. Tudo somado são cerca de 47 Milhões.
Vamos imaginar que desses 47 Milhões, o Sporting teve que entregar cerca de 7 Milhões a fundos. Ficaria com 40 Milhões líquidos. Ora, como vimos anteriormente, 30% desse montante teria que ser pago à banca.
40 Milhões x 30% = 12 Milhões
Isto significaria que o Sporting já entregou cerca de 12 Milhões para pagamento das tranches B e D.
Isto é só para dar um exemplo, para que os leitores percebam. Não sei ao certo qual foi o montante descontado porque para isso seria preciso fazer as contas a todas as vendas e respectiva percentagem dos passes detidas pelo Sporting.
"Ó mister faz ai as contas do João Mário"
João Mário foi vendido ao Inter por 40 Milhões de Euros fixos e mais 5 Milhões variáveis. Vou só considerar os 40 Milhões porque é o que entra já no exercício.
Relembro que o Sporting detinha "apenas" 75% do passe, logo:
40M x 75% = 30 Milhões que entram no Sporting.
Destes 30 Milhões, 30% serão para "pagar" à banca. Logo:
30 M x 30% = 9 Milhões que o Sporting entregou à banca
Para sabermos com quanto fica o Sporting temos que retirar o montante atribuído à banca. Logo:
30M - 9M = 21 Milhões que o Sporting fica para gerir como entender melhor.
"Ó mister faz também as contas do Slimani"
Slimani foi vendido ao Leicester por 30 Milhões de Euros fixos e mais 5 Milhões variáveis. Vou só considerar os 30 Milhões porque para já é o que entra no exercício.
Como é do conhecimento público, havia uma entidade com direito a 20% de uma mais-valia. Contudo, alguma imprensa afirmou que o Sporting conseguiu comprar o direito a 20% da mais-valia por 4 Milhões. Fica essa informação, mas como não é oficial vou fazer as contas com os dados que tenho, ou seja, considerando que o Sporting pagou os 20% da mais valia.
30 Milhões - 300 Mil euros (preço de compra) = 29,7 Milhões de mais-valia neste negócio
Logo, a entidade externa fica com 29,7 M x 20% = 5,940 Milhões
O Sporting fica com: 30 Milhões - 5,940 Milhões = 24,06 Milhões
Vamos agora retirar os 30% para a banca:
24,06 M x 30%= 7,218 Milhões vão para a banca
Subtraindo o montante que vai para a banca:
24,06 M - 7,218 M = 16, 842 Milhões é o montante que o Sporting fica à sua disposição para gerir como entender.
Ora, somando os cerca de 12Milhões "descontados" em 14/15 e 15/16 ao montante descontado nos negócios de João Mário e Slimani chegamos à conclusão que:
12 Milhões (14/15 e 15/16) + 9 Milhões (João Mário + 7,218 Milhões (Slimani) = 28,218 Milhões
Isto quer dizer que o Sporting já liquidou a tranche D e muito provavelmente já liquidou também a tranche B. E não estou a contabilizar outros negócios feitos pela SAD neste verão, nomeadamente a venda de Naldo por 4,5 Milhões de Euros (são mais 1,35 Milhões).
Resumindo:
Aqui está um quadro resumo das duas enormes vendas que o Sporting fez neste defeso. Como viram em cima, o Sporting já terá liquidado por esta altura os montantes relativos à tranche B e D, pelo que daqui para a frente só serão "descontados" 20% nas vendas de jogadores. Sinal que estamos a cumprir o acordo com a banca de forma eficaz e efectiva.
Agora que está tudo esclarecido, fico à espera do carvão nos programas de hoje e amanhã.
Dúvidas, deixem nos comentários.
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A transferência de João Mário Eduardo foi ontem anunciada pela SAD. O Sporting recebe 40 Milhões e pode ainda receber mais 5 Milhões variáveis, mediante a performance desportiva do jogador. Estou plenamente convicto que a(s) cláusula(s) relativas a este montante adicional são perfeitamente atingíveis pelo jogador. Não será nada do género de "ser finalista da Bola de Ouro" e afins.
"Ó mister explica lá as trocas e baldrocas no passe do João Mário Eduardo!"
O Sporting tem 75% do passe do jogador. Quando Bruno de Carvalho entrou no Sporting, a SAD detinha apenas 45% do passe. Foi feito um enorme esforço por parte desta direcção em recuperar percentagens de passes dos jogadores, e no caso de João Mário foi recuperado 30% do passe. Estes 30% estavam divididos entre partes iguais entre a Holdimo (15%) e o Fundo Sporting Stars Fund gerido pela ESAF (BES).
Em Novembro de 2014, Bruno de Carvalho chegou atrasado aos prémios "Rugido de Leão" na Batalha, mas valeu claramente a pena. Para a história ficam as suas declarações.
"Hoje cheguei quase duas horas atrasado. Não foi pelo trânsito, mais uma vez estivemos a trabalhar.(...)Recuperámos em um ano e meio, percentagens substanciais dos passes de 34
jogadores. Significa, por exemplo, que o clube detinha percentagens
mínimas e neste momento tem 100% de Cedric, Carlos Mané, William
Carvalho, Ricardo Esgaio e 95% de André Martins... 34 jogadores! Se isto
não é trabalhar, perdoem-me, mas não sei o que hei de fazer mais"
Se continuarem a ler já vos digo quanto é que Bruno de Carvalho ganhou para o Sporting com este atraso...
Ó mister e os outros 25%?
Os outros 25% são detidos pela QFIL (Quality Football Ireland Limited), um fundo que tem ligações a Jorge Mendes e a Peter Kenyon, antigo dirigente de Chelsea e Manchester United. Por aqui já se vê que era impossível ao Sporting recuperar esta percentagem.
Quem foi o "artista" que vendeu estes 25%?
Corria o ano da desgraça de 2012, quando Godinho Lopes decidiu vender 25% do passe de João Mário por uns estonteantes 400 mil euros. ( Há por ai alguém que defenda que Godinho Lopes não deveria ter sido expulso de sócio do Sporting?)
Vamos a contas!
Uma vez que as clausulas adicionais relativas aos 5M serão mais tarde ou mais cedo realizadas, vou contabilizar já os 45 Milhões.
A - O Sporting detêm 75% do passe. Logo, 45M x 75% = 33,75 Milhões de Euros é o montante que o Sporting vai receber. (30 Milhões garantidos + 3,75 Milhões no futuro)
B - O fundo dos amigos do Godinho tem 25% do passe. Logo, 45M x 25% = 11,25 Milhões de Euros é o montante que o QFIL irá receber. (10 Milhões garantidos + 1,25 Milhões no futuro)
C - Relembro que o Sporting recuperou 30% do passe neste mandato. Ora, 45 M x 30% = 13, 5 Milhões de Euros. (12 Milhões garantidos + 1,5 Milhões no futuro)
Respondendo à pergunta formulada no inicio do post: A direcção de Bruno de Carvalho com a sua gestão ganhou 13,5 Milhões para o Sporting.
Citando o próprio: "Se isto
não é trabalhar, perdoem-me, mas não sei o que hei de fazer mais"
Quanto é que vai para a banca e quanto fica para o Sporting?
Vou explicar tudo ao pormenor para que ninguém tenha dúvidas. É que a máquina de propaganda vai intoxicar todos os programas do próximos dias com mentiras, por isso, nada melhor do que explicar tudo com bastante calma. Vamos lá, ponto por ponto:
Recorrendo aos contratos divulgados pelo Footballeaks é possível perceber que o Sporting após 30 de Junho de 2014 tem que reembolsar os bancos em "30% do excesso do preço de venda dos passes", como podem ver no print anterior. Isto quer dizer que em sede de reestruturação financeira os bancos deram folga ao Sporting para gerir a totalidade dos montantes recebidos até ao final da época 13/14, e que 30% das vendas efectuadas desde o início da época 14/15 tem sido utilizadas para reembolsar os bancos.
Não vou entrar em muitos pormenores senão o post fica ainda maior, mas é fácil fazer um exercício simples para que os leitores percebam. O Sporting em 14/15 recebeu cerca de 30Milhões em vendas e na época 15/16 foram cerca de 17 Milhões. Tudo somado são cerca de 47 Milhões.
Como verificamos em cima, 30% desse montante tem que ser para reembolsar a banca. Logo, 30% de 47 Milhões são cerca de 14 Milhões. É também indicado que enquanto a Tranche D e B do contrato de abertura de crédito não estiverem saldadas o Sporting terá que continuar a reembolsar em 30% a banca. Depois de essas duas tranches estarem reembolsadas integralmente, a percentagem diminui para os 20%. Vejamos quais os montantes em causa.
Como podemos verificar, os montantes da tranche B1 e B2 são de cerca de 25 Milhões de Euros. A Tranche D está relacionada com "encargos financeiros da própria facilidade", ou seja, pequenos custos financeiros relacionados com estes reembolsos.
No caso da transferência do João Mário as contas são simples de fazer.
1º Sporting tem 75% do passe. Logo, 75% dos 40 Milhões dá 30 Milhões.
2º Desses 30 Milhões o Sporting tem que dar à banca 30%. Logo, 30% de 30 Milhões são 9 Milhões.
Isto quer dizer que o Sporting fica com 21 Milhões de Euros disponíveis para gerir como bem entender.
Mas voltemos à reestruturação. Somando os 14 Milhões já reembolsados, com os 9 Milhões da transferência do João Mário, o Sporting liquida quase por inteiro a tranche B do acordo de reestruturação financeira. Ficam a faltar apenas 2 Milhões. Isto quer dizer que o Sporting está apenas a 2Milhões de Euros de fazer baixar a taxa de reembolso para os 20%, o que é um excelente sinal por dois motivos:
1º Em apenas 3 anos o Sporting reembolsa "antecipadamente" cerca de 25 Milhões de Euros.
2º Daqui para a frente ficará ainda com uma folga maior nos montantes recebidos pelas transferências uma vez que baixará dos 30% para os 20% a taxa de reembolso.
Não vou colocar mais prints para o post não ficar ainda maior, mas deixo mais algumas informações. Todos os valores destinados a reembolsar a banca só têm que ser amortizados "até ao dia 30 do mês imediatamente seguinte ao mês em que terminar cada época desportiva". Isto quer dizer que o Sporting ainda pode utilizar toda esta verba para gerir a sua tesouraria durante a época toda, uma vez que só no fim da mesma terá que reembolsar a banca.
A questão de Fundo
O Sporting tem defendido uma total transparecia no mundo do futebol. Ao contrário do que a comunicação social quer fazer passar, o clube e o seu Presidente não são contra os fundos. O Sporting é contra os fundos cujos investidores não são conhecidos ou estão escondidos atrás de "testas de ferro".
Neste caso, o fundo "investiu" 400 mil euros e saiu desta "brincadeira" com uns inqualificáveis 11,25 Milhões. Acompanhem-me num exercício hipotético: E se algum elemento da Direcção de Godinho Lopes fosse investidor neste fundo? E se algum dirigente actual fosse investidor neste fundo? Duas perguntas interessantes não são!? Aqui está o grande problema dos fundos, para quem ainda não tinha percebido...
Investidores apresentados por Bruno de Carvalho na campanha de 2011
O toque de Midas? Naahhh
Sobre a imagem inicial, é apenas uma
pequena "provocação" aos jornaleiros nacionais, que no dia em que se
concretiza um negócio com esta importância, optam por não dar destaque
de capa a João Mário e Bruno de Carvalho.
Nada de novo, vindo destes "artistas"...
O melhor negócio da história do Futebol Português. PONTO!!!
Como é hábito em Portugal, a comunicação social olha apenas para o montante da transferência na hora de publicar os "rankings da treta". Durante o dia de ontem, fartei-me de ver listas com as 10 maiores transferências realizadas em Portugal. Para além disso, anda por ai muito jornaleiro a dizer que o Hulk foi vendido por 60 Milhões e que é a maior transferência do futebol português. Bem, o que é facto é que o Porto só vendeu o jogador por 40 Milhões conforme se pode ler no comunicado oficial do clube:
Por isso as transferências mais altas do futebol nacional são as de de James e João Mário, para o Mónaco e para o Inter, respectivamente.
Eu gosto de abordar os assuntos de outra forma mais economicista e menos populista, porque o que de facto importa são os milhões que o jogador valorizou.
Aqui está uma tabela com o saldo entre o valor de aquisição e o valor de venda.
O "juice"
Uma nota importante: Considerei os 45 Milhões para João Mário e os 40
Milhões para Renato Sanches, uma vez que não tenho dúvidas irão cumprir
os critérios definidos para a atribuição desses 5 Milhões "extra".
João Mário é um extraordinário jogador e um profissional de mão cheia. Enquanto Sportinguista sentirei a sua falta, mas compreendo a busca por outros desafios. O dinheiro que o Sporting recebe é também muito importante para afimar o clube num novo patamar de vendas e de prestigio no mercado internacional. O facto de tudo isto ser feito sem o "amparo" de Jorge Mendes e dos seus "mendilhões", dá-me um tremendo orgulho nesta direcção e no meu clube.
Para acabar como podem verificar na tabela anterior, João Mário lidera a lista das vendas "mais rentáveis" do Futebol nacional. Contra factos, não há argumentos. Por muito que isto doa a muito boa gente, este é o melhor negócio da história do futebol em Portugal. PONTO!!!
Pela importância de todas estas explicações peço a todos os leitores que partilhem este post para que todos possam sair esclarecidos devidamente.
Agradecer a todos pelo apoio. Se ainda não seguem o Mister do Café
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