sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Missão cumprida com nota artistica


A goleada imposta ontem ao Karabakh selou uma qualificação anunciada para os 16 "avos" da Liga Europa. 

A exibição e Marcel Keizer


Foi um Sporting "à Sporting", como todos queremos. Mandão, pressionaste e a impor o seu jogo desde o primeiro minuto. Uma vitória que surgiu com naturalidade frente ao 2º classificado do Azerbaijão. Obviamente, um adversário muito frágil, mas isso não tira o mérito ao trabalho da equipa.

Mais do que o resultado, salientar a entrega dos jogadores neste novo esquema táctico apresentado por Marcel Keizer. Por outro lado, mesmo contra um equipa banal, sofremos alguns apertos defensivos que têm de ser corrigidos sob pena de sermos fortemente penalizados frente a equipas mais fortes. Os dois primeiros testes de Keizer foram contra adversários de fraca valia, razão pela qual estou com muita expectativa para perceber como é que este esquema funciona contra equipas do nosso campeonato. O jogo de segunda-feira em Vila do Conde será já um grande teste a esta forma de jogar. 

Ao 5º jogo europeu, Marcel Keizer conquistou a sua primeira vitória, depois de nos tempos do Ajax ter somado duas derrotas contra o Rosenborg e dois empates contra o Nice. Nos seis meses que esteve no Ajax, Marcel Keizer não lançou um único jogador da formação do clube. Ao 2º jogo no Sporting, já lançou um menino da nossa formação. Thierry Correia fez ontem os últimos 15 minutos de jogo. Uma enorme diferença para a forma como José Peseiro lançou Miguel Luís nos descontos do jogo contra o Loures, sem que este tenha sequer tido a oportunidade de tocar na bola. 

Finalmente foi dada a oportunidade a Wendel de mostrar todo o seu potencial e o jovem não tem desiludido. Ontem fez duas assistências e esteve por duas vezes perto do golo. 

Os violinos


Nani, Bas Dost e Bruno Fernandes são os três principais jogadores do Sporting e ontem provaram mais uma vez a sua valia. Nani fez o seu 7º golo na época (e que golo) e é o melhor assistente da equipa com 5 passes para golo. Bas Dost marcou o ponto e leva já 8 golos em 9 jogos. Bruno Fernandes somou mais dois golos à sua conta pessoal e é o melhor marcador da equipa com 9 golos. 

Destaque também para Jovane Cabral que fez mais uma assistência para golo (3Gls e 3Ass) e para Diaby que na partida de ontem fez 2 golos e uma assistência. 

Não somos cabeça-de-série 


Com os resultados de ontem as contas do grupo ficaram fechadas. O Arsenal vence o grupo e será cabeça de série nos 16 "avos" da competição. O Sporting defrontará na próxima ronda o vencedor de um grupo da Liga Europa ou um dos 4 melhores terceiros classificados da Champions League. 

Prémios


A vitória de ontem garantiu 570 mil euros de prémio de jogo, mais 500 mil euros pela qualificação para a próxima ronda. 

É importante que o Sporting possa vencer também a última partida em casa contra o Vorskla para elevar o montante para os 6 milhões de euros. 

As diferenças de prémios da Liga Europa para a Champions League são uma barbaridade. Por termo de comparação, o Porto já facturou mais de 65 milhões esta época na Champions League. O Benfica, mesmo tendo feito uma prova medíocre somou até ao momento cerca de 45M. Por aqui se vê a importância de irmos somando pontos para o ranking do Sporting e do país para que possamos estar com regularidade na Champions League. 

Ranking da UEFA


Neste momento o Sporting está no 33º lugar e está a morder os calcanhares a três equipas: Athletic Bilbau,  CSKA Moscovo e Salzburg. O Athletic Bilbau não se qualificou para a Europa esta época e deverá ser ultrapassado. Os russos jogam no terreno do Real Madrid na última jornada da Champions e uma derrota tira os russos das competições europeias. O Salzburg venceu o seu grupo na Liga Europa e vai ao terreno do Celtic na última jornada. 

Por curiosidade, Benfica está em 23º lugar e o Porto subiu para o 9º lugar.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Genialidade ou loucura?


A contratação de um treinador é das decisões mais importantes que um Presidente pode tomar e não pode ser tomada da animo leve. Neste post pretendo analisar a decisão de Frederico Varandas em contratar Marcel Keizer.

A primeira escolha


Antes da partida do Sporting para a ilha de São Miguel onde iria defrontar o Santa Clara, Frederico Varandas assumiu que Leonardo Jardim seria a sua primeira escolha e confirmou o "interesse real" no regresso do treinador.


A qualidade de Leonardo Jardim é inatacável e a sua contratação seria uma jogada brilhante. Infelizmente, o treinador está numa fase da carreira cujos planos não passam pelo regresso a Portugal.

Este interesse em Leonardo Jardim é também demonstrativo da existência de capacidade financeira para ir buscar um treinador de créditos firmados. Certamente, Frederico Varandas não tentaria contratar Leonardo Jardim oferecendo-lhe meia dúzia de tostões. Recordo que o treinador português auferia um salário mensal de 350 mil euros limpos no Mónaco. Posto isto, os Sportinguistas foram levados a acreditar que havia capacidade financeira para encontrar uma solução de inegável capacidade.

O perfil


Olhando também para o que foi sendo dito por Frederico Varandas durante a campanha eleitoral, julguei que se iria optar por um treinador português. Vamos recordar aquilo que Frederico Varandas disse aquando da contratação de José Peseiro.


"Acho que é muito feliz a escolha de um treinador português e que conhece o futebol português, que sabe o que significa jogar ao Desportivo das Aves, sabe o que significa jogar em Braga, jogar em campos como o do Tondela. É preciso conhecer o futebol português. Não há tempo. O treinador do presente, da comissão de gestão, não podia ser um treinador que lhe explicassem (o que é o futebol português) e que só conhecesse o Sporting, Benfica e Porto."

Devo dizer que concordo com a visão apresentada por Frederico Varandas aos sócios durante a campanha eleitoral. Considero até que o campeonato português é um campeonato à parte dos restantes campeonatos e que preferencialmente devemos optar por um treinador português. É evidente que em determinados momentos pode não ser possível por imperativos de mercado/qualidade disponível a contratação de um treinador português. Não era este o caso. Paulo Sousa, Miguel Cardoso e Rui Faria estavam livres e treinadores como Rui Jorge (final de um ciclo de qualificação nos Sub-21) ou Vítor Pereira (final campeonato Chinês) poderiam ser hipóteses. Isto só para citar aqueles que foram apontados como possíveis treinadores do Sporting.

Frederico Varandas ignorou todos estes nomes e a sua ideia sobre o perfil que um treinador do Sporting deveria ter e de forma inexplicável decidiu contratar Marcel Keizer. E passo a explicar o porquê de considerar esta decisão como "inexplicável". 

Quem?


"Quem?". Esta deve ter sido a pergunta que veio à cabeça da esmagadora maioria dos Sportinguistas no momento em que foi noticiado o interesse do clube em Marcel Keizer. Eu diria que 99% dos Sportinguistas não conheciam o treinador. Chegados aqui é preciso perguntar se faz algum sentido que um clube como o Sporting contrate um completo desconhecido. Faz?

O percurso


Já escrevi um post sobre o seu percurso no mundo do futebol (aqui), mas deixo um pequeno resumo. Keizer foi formado no Ajax onde fez apenas 4 jogos pela equipa principal. A sua carreira como futebolista prosseguiu na 2º Divisão da Holanda onde fez praticamente toda a sua carreira. 

Como treinador esteve 7 anos a treinar equipas amadoras e em 2012/2013 treinou a sua primeira equipa profissional, o Telstar da II Liga Holandesa. Em 2014/2015 deixou a carreira de treinador tornando-se coordenador técnico do Cambuur. Em 2015/2016 voltou ao banco como treinador do Emmen da II Liga. Em Fevereiro de 2016 regressou ao Cambuur da I Liga e onde não conseguiu evitar a despromoção tendo acabado a época no último lugar. 

De seguida foi convidado pelo Ajax para assumir a equipa B. A boa prestação na II Liga fez com que fosse escolhido para treinador principal do clube. Na equipa principal do Ajax esteve apenas 6 meses sendo demitido em Dezembro de 2017. O Ajax de Keizer foi eliminado na 3ª pré-eliminatória da Champions pelo Nice e de seguida foi também eliminado no play-off da Liga Europa frente ao Rosenborg. A eliminação da Taça da Holanda em Dezembro selou o seu destino numa altura em que era 2º na Liga a 5 pontos do PSV.

O "mito" de ser um treinador formador


Tem dado jeito passar a mensagem que o holandês é um treinador formador, mas se formos verificar os factos, nada disso corresponde à realidade. Desde logo, nunca treinou uma equipa de formação ou esteve ligado ao processo formativo. Treinar a equipa B do Ajax e dizer que se aposta na formação é ridículo. Obviamente, que numa equipa cheia de jovens só lhe restaria apostar nos jovens. Basicamente é a mesma coisa que dizerem que os treinadores das diversas equipas sub23 deste país apostam nos jovens.

Existe um dado que é absolutamente avassalador nesta matéria. Na época em que treinou a equipa principal do Ajax (2017/2018) foram lançados 4 jogadores das escolas do Ajax na equipa principal: Azor Matusiwa, Noussair Mazraoui, Dani de Wit e Jurgen Ekkelenkamp. Sabem quantos foram lançados por Marcel Keizer? Nenhum. Estes quatro atletas foram todos lançados pelo treinador Erik ten Hag. 

Para quem não percebeu, Marcel Keizer esteve no clube que mais aposta na sua formação em termos mundiais e não lançou um único jogador formado no Ajax. Isto não quer dizer que não possa ser no Sporting um treinador que aposte nos jovens, mas a realidade mostrada no Ajax não foi essa e é com essa que tenho de analisar a sua escolha.

A decisão 


Analisando agora a decisão de três pontos de vista diferentes:

Financeiro
Com a tentativa de contratação de Leonardo Jardim, Frederico Varandas mostrou que o Sporting estava disposto a investir forte num bom treinador. Posto isto, não se pode dizer que formos buscar um treinador desconhecido por falta de capacidade financeira, até porque a contratação de Keizer acabou até por não sair barata. Como sabem tivemos de pagar a cláusula de rescisão do treinador que andava na casa do meio milhão de euros. Quanto ao salário, também não deve ser baixo, uma vez que estava nos Al Jazira dos Emirados Árabes. 

Conhecimento realidade portuguesa e currículo
Na campanha eleitoral, Frederico Varandas referiu-se à importância de o treinador conhecer bem o campeonato, os atletas, os adeptos, os estádios, etc. Em pouco tempo terá mudado de ideias relativamente a essa questão e agora achará que a "importância de conhecer o que é jogar nas Aves" é nula. Além desta questão eu ainda acrescento a importância de dominar a língua portuguesa para conseguir comunicar de forma adequada com os jogadores, adeptos e sobretudo com a imprensa. 

Relativamente ao currículo do treinador estamos conversados. Keizer não tem absolutamente nada para apresentar nem como jogador, nem como director, nem como treinador. Factualmente, Frederico Varandas optou por um homem que na sua 14ª época como treinador não tem qualquer feito relevante. Um treinador que tem 36 jogos numa 1ª Divisão (11 no Cambuur, 17 de Ajax e 8 no Al Jazira) e apenas 4 jogos europeus sem qualquer vitória (esperemos que consiga hoje). Um treinador que esteve na equipa principal do Ajax e conseguiu a proeza de não lançar um único jovem da formação.

Ainda para mais um treinador de uma escola que não tem neste momento um único treinador em destaque no futebol mundial, quando nós temos treinadores com grande capacidade e reconhecimento a nível internacional. Falamos de uma escola holandesa de ataque e que descura muito a vertente defensiva, que como sabemos é uma das chaves para se ter sucesso no campeonato português.

Opção política
Para além das questões desportivas, é preciso relevar também as questões políticas. Nem por ai, Varandas foi inteligente. Se olharmos para aquelas que foram as escolhas dos últimos presidentes percebemos que têm sido escolhas lógicas e bem aceites pelos Sportinguistas desde o primeiro momento. É indesmentível que Frederico Varandas é um presidente com um estatuto muito frágil e que nem sequer teve o apoio da maioria dos sócios nas últimas eleições, tendo ganho pela ponderação de votos dos mais velhos. Por isso mesmo, a estabilidade do clube beneficiaria que fosse contratado um nome mais consensual entre os Sportinguistas e  não um completo desconhecido. Varandas não quis saber disso e a sua forma de unir o Sporting é contratar um treinador que ninguém conhece de lado nenhum. Um opção que é totalmente legitima.

O Presidente assumiu a decisão e disse que a mesma foi muito pensada e que não a tomou por motivos de popularidade, estando profundamente convicto que o holandês é o melhor para o Sporting. Frederico Varandas viu em Marcel Keizer o que mais ninguém no mundo viu ou vê. Assim sendo, assumirá por inteiro a responsabilidade desta contratação, para o bem e para o mal.

Costuma-se dizer que a linha que separa a genialidade da loucura é muito ténue. No final da época todos poderemos fazer uma análise profunda ao trabalho de Keizer e perceber se esta decisão de Frederico Varandas foi genial ou se foi uma completa loucura. 

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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

As viagens de Luís Filipe Vieira


Esta época o Benfica realizou 5 partidas no estrangeiro para as competições da EUFA. Curiosamente, o presidente do clube encarnado não esteve em nenhum desses jogos. 

14 de Agosto - Turquia (Fenerbahçe) 


A dois dias da partida na Turquia, o jornal Record dizia que o presidente se encontrava internado e que por isso não se estaria no primeiro jogo europeu do ano.


Mais tarde viemos a saber que a maleita de Vieira estava relacionada com amnésia. Curiosamente, este surto de amnésia ocorreu na véspera de ser ouvido pelas autoridades judiciais enquanto representante legal da Benfica SAD no âmbito do processo e-Toupeira. 


Timing absolutamente perfeito. Só foi pena o MP nunca ter recebido a justificação médica para a ausência de Luís Filipe Vieira. Podem saber mais sobre as manobras do Benfica para impedir a acusação no processo e-Toupeira (aqui).

Só dá mesmo para rir... 


29 de Agosto - Grécia (PAOK)


Na viagem a Salonica, a amnésia ainda estava muito fresca e segundo o Record, Luís Filipe Vieira foi "aconselhado a não acompanhar, devido a questões de saúde". 


2 de Outubro - Grécia (AEK) 


Nova viagem até terras gregas e mais uma vez, Vieira ficou em Portugal. Desta feita o Record não quis dar qualquer justificação para a ausência. 



23 de Outubro - Holanda (Ajax)


Na edição do jornal Record do dia da partida é dito que o "presidente encarnado é esperado hoje em Amesterdão"


No dia seguinte, Record noticiava a falta de presença de Vieira no Arena de Amesterdão. Mais uma vez, o raio da amnésia a fazer estragos: "o presidente foi aconselhado a aguentar mais um pouco até tornar a acompanhar a comitiva neste tipo de deslocações, daí ter recuado na intenção de viajar no próprio dia do jogo".


27 de Novembro - Alemanha (Bayern Munique) 


Na edição da véspera da partida, Record diz que Vieira "viaja com a equipa para Munique" para "dar apoio ao grupo".


Hoje ficamos a saber que "mais uma vez"...


Desta feita foram os malandros das companhias aéreas que não disponibilizam um voo bem cedo para Vieira regressar a Lisboa. Uma justificação vinda do homem que tem por hábito viajar em jactos privados. Provavelmente são efeitos da amnésia ou então tem o cartão da milhas aéreas cancelado pelas autoridades...

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

O "espectáculo" em torno da detenção de Bruno de Carvalho


A foto que ilustra este post é apenas um pequeno excerto da quantidade incrível de horas que a CMTV dedicou à detenção de Bruno de Carvalho e Mustafá. De seguida deixo uma série de vídeos que resumem os 4 dias de cobertura exaustiva que a CMTV fez desta matéria. Os prints apresentados nestes vídeos tentam sempre cumprir um intervalo temporal de 10 minutos para que não restem dúvidas sobre o que foi transmitido pelo canal. 

Domingo, 11 de Novembro


Ao final do dia de São Martinho a CMTV anunciou a detenção de Bruno de Carvalho e Mustafá. De imediato começou uma emissão especial que só acabou depois das 3 horas da madrugada. Foram cerca de 9 horas ininterruptas sobre esta matéria.

Salientar que de imediato foram chamados a estúdio Henrique Machado, Tânia Laranjo, Octávio Machado e Rui Pereira.


Segunda-feira, 12 de Novembro


No dia seguinte a CMTV decidiu cancelar toda a sua programação (programa da manhã, novelas, revista social, etc) e fazer um acompanhamento ininterrupto sobre esta matéria. Com excepção de 30m pela hora de almoço e jantar em que foram abordados os restantes temas da actualidade, a detenção de Bruno de Carvalho ocupou toda a emissão deste dia. E aqui é importante recordar que nesse dia não aconteceu nada de relevante, uma vez que Bruno de Carvalho nem saiu sequer da GNR para ser ouvido. 


Terça-feira, 13 de Novembro


Na terça-feira, Bruno de Carvalho foi finalmente presente ao juiz e a CMTV voltou à carga. Um dia completo sobre esta matéria onde até chamaram a estúdio o director Octávio Ribeiro. Neste dia acontece até uma inovação na televisão portuguesa. Para essa tarde estava prevista a transmissão de um jogo da seleção de futebol feminino. A CMTV estando obrigada a transmitir o jogo decidiu dividi o ecran em 3 parte e colocar a partida num dos cantos inferiores. Até hoje a FPF continua sem abrir a boca sobre o sucedido. Deixo o print e de seguida o vídeo com o resumo do dia. 




Quarta-feira, 14 de Novembro


No segundo dia das diligências, mais do mesmo. Emissão totalmente dedicada à detenção de Bruno de Carvalho.


No dia seguinte, a emissão especial começou bem cedo como habitualmente mas teve um final abrupto quando ao final da manhã o juiz decretou a libertação de Bruno de Carvalho e Mustafá. 

O "modelo CMTV"


No "Eixo do Mal" de dia 17 deste mês, Rui Pedro Nunes falou inclusivamente sobre o papel das televisões neste circo. Aqui fica esse excerto para reflexão. 


Devo dizer que só não concordo com o facto de ter associado a RTP às restantes televisões referidas. Do que vi, parece-me que a RTP teve um comportamento digno e informativo. O assunto em causa tem interesse público e a cobertura feita pela televisão pública foi informativa, mas sem recorrer a painéis de análise, a directos de hora a hora a fóruns para ouvir a opinião dos telespectadores, etc.

Fica o registo histórico das dezenas de horas de emissão onde não havia nada de importante a relatar aos portugueses e que serviu apenas para continuar a denegrir o nome do Sporting. Para a história ficaram os relatos da forma como Bruno de Carvalho passou a noite, do número de cigarros que fumou, do que comeu ao pequeno almoço, etc. Até chegamos ao ponto de ver uma jornalista indignada por não ter tido a oportunidade de ver Bruno de Carvalho algemado. O julgamento público foi feito mas para mal dos pecados da CMTV o juiz decidiu a libertação de Bruno de Carvalho e Mustafá.

Para que se perceba o poder e a influência que um canal como a CMTV está a ter na sociedade portuguesa - inclusivamente levando a concorrência a imitar este modelo - basta olhar para a forma como começaram os 3 programas desportivos da noite de ontem. Ora, numa altura em que o processo e-Toupeira está em fase instrução, estes senhores começam os programas com.. o ataque à Academia do Sporting.

Para quem ainda não percebeu, é isto o Estado Lampiânico. 


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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

As Falências técnicas e as burlas que interessam omitir


Nos últimos dias duas notícias foram consideradas como irrelevantes pelas televisões nacionais que as remeteram para breves notas de rodapé. A saber: 

Falência técnica


Durante os últimos meses, muito se falou de falência técnica associando-a ao Sporting. Considera-se falência técnica quando uma empresa tem o passivo superior ao seu activo. Situação em que o Sporting NÃO se encontra neste momento, uma vez que essa situação provocada pela rescisão dos atletas já foi rectificada nas contas do 1º trimestre de 18/19. Repito para quem ainda não percebeu. O Sporting NÃO está em falência técnica. Mas há quem esteja...

Link da notícia (aqui)
Notícia que acaba com um "capitais próprios negativos de mais de 160 milhões de euros". São estas os últimos dados apresentados pela Promovalor II, empresa de Luís Filipe Vieira. Eu recordo apenas que a tal falência técnica do Sporting que entretanto já foi ultrapassada estava na casa dos 14 milhões de euros. A empresa de Vieira está nos 160 milhões de euros. Como se explica a inexistência de uma única notícia do género de "Empresa de Luís Filipe Vieira está em falência técnica"? 

Burla


Como sabemos, Luís Filipe Vieira já foi condenado em tribunal por roubo. Desta feita está acusado de burla qualificada no âmbito do caso BPN, que como sabemos teve de ser nacionalizado e pago por todos nós. Foram "só" 3,7 mil milhões de euros que serviram para limpar buracos como este: 

CM de 21/11/2018
Tudo isto não levou as televisões a fazerem debates, não se fizeram notícias de fundo, não foram convocados os experts financeiros para programas especiais, os opinadores de serviço não viram nada, etc. Ainda bem que os nossos políticos também não viram nada e continuam a frequentar as tribunas de honra do Estádio da Luz e a receberem esta gente em homenagens na casa da democracia. Fico também satisfeito por ver que os benfiquistas gostam de ver na liderança do seu clube alguém com o cadastro de Luís Filipe Vieira.  

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domingo, 25 de novembro de 2018

A carreira de Marcel Keizer


Para leitura "domingueira" deixo-vos uma retrospectiva sobre a carreira de Marcel Keizer no mundo do futebol.

Carreira como jogador


Sobrinho de Piet Keizer, lendário extremo do Ajax e contemporâneo de Johann Cruyff, Keizer fez a sua formação no clube de Amesterdão, onde se estreou como jogador profissional. Realizou apenas 4 jogos pela equipa principal do Ajax. Um jogo em 1987/1988 e 3 jogos em 1988/1989, num período em que o PSV dominou o futebol holandês. 


Na época de 1989/1990 transferiu-se para o SC Cambuur da II Liga Holandesa onde esteve durante 9 épocas. Durante este período o Cambuur esteve na I Liga Holandesa em 1992/1993 e 1993/1994. Em 1998/1999 transferiu-se para o De Graafschap da I Liga onde jogou muito pouco, tendo feito apenas 9 jogos. Em 2000/2001 transferiu-se para o FC Emmen da II Liga onde no final da época seguinte acabaria a carreira. No total este médio holandês realizou 329 jogos e marcou 35 golos, não tendo chegado à selecção holandesa ou ganho qualquer título.

O início de carreira como treinador "amador"


Actual estádio do UVS Leiden

Começou a carreira de treinador em 2005 tendo nos primeiros anos orientado várias equipas de terceiro plano no panorama holandês. Começou no UVS Leiden da quinta divisão holandesa onde esteve duas épocas. Na primeira época ficou em 4º lugar tendo na época seguinte conseguido vencer o campeonato subindo o clube à 4º divisão Holandesa. Em 2007/2008 mudou-se para o SV Argon, também das divisões amadoras onde ficou durante 4 épocas (não consegui apurar os resultados). Em 2011/2012 foi para o VVSB Noordwijkerhout onde acabou no 6º lugar na 4ª divisão Holandesa. 

A passagem para os profissionais


A primeira experiência em divisões profissionais
Depois de 7 anos a treinar equipas amadoras, surgiu em 2012/2013 a oportunidade treinar uma equipa profissional: O Telstar da II Liga Holandesa. Acabou a primeira época no 14º lugar e no ano seguinte foi 15º. 

Uma pausa na carreira de treinador


Em 2014/2015 deixou o banco e passou para os gabinetes abraçando o cargo de coordenador técnico do SC Cambuur, clube onde jogou a maior parte da carreira e que nessa época estava na 1ª Liga Holandesa. 

O regresso ao banco


Marcel Keizer apresentado no Emmen

Em 2015/2016 voltou a treinar após o convite do clube no qual acabou a carreira como jogador. O Emmen da II Divisão. Em Fevereiro de 2016 saiu do Emmen e regressou ao SC Cambuur da 1ª Liga Holandesa, assinando um contrato até ao final da época 17/18. Pegou na equipa no último lugar com apenas 13 pontos em 23 jogos. Nos 11 jogos seguintes conseguiu uma vitória, 2 empates e 8 derrotas. Os cinco pontos conquistados nestas 11 partidas não permitiram ao SC Cambuur sair do último lugar do campeonato. 

A passagem pela equipa B do Ajax


Marcel Keizer com Denis Bergkamp aquando da apresentação como treinador da equipa B do Ajax

Apesar da descida de divisão com o Camburr em 2015/2016 foi convidado pelo Ajax para assumir a equipa B durante a época 2016/2017. Terminou a II Liga holandesa em 2º lugar a 4 pontos do campeão Venlo. Nessa época venceu 23 jogos, empatou 7 jogos e perdeu 8 partidas. 

A passagem pela equipa principal do Ajax


Keizer no banco do Ajax

Após a saída conturbada de Peter Bosz, que tinha levado o clube à final da Liga Europa, foi o escolhido para a sucessão ao cargo de treinador principal do Ajax. A época começou muito mal para o Ajax sendo eliminado na 3ª pré-eliminatória da Champions League pelo Nice. De seguida foi também eliminado no playoff da Liga Europa após duas derrotas frente ao Rosenborg da Noruega. Marcel Keiser viria a ser demitido a 21 de Dezembro após ter sido eliminado da Taça da Holanda com o Twente. Na Liga fez 17 jornadas e na altura do despedimento estava no 2º lugar na Liga a 5 pontos do líder PSV. Nestes 17 jogos internos, o Ajax venceu 12, empatou 2 e perdeu 3. 

A primeira experiência internacional



Em Junho de 2018 assinou pelo Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos, clube que deixou no 3º lugar da Liga do Golfo Árabe, com quatro vitórias e quatro empates em oito jogos.

Resta-me desejar a maior sorte do mundo ao novo homem do leme.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Uma Cândida donzela


A procuradoria geral da República anunciou ao final da manhã a abertura de inquéritos à procuradora titular do processo da invasão à academia do Sporting, assim como à divulgação de áudios de interrogatórios a arguidos. 

A imprensa diz que este inquérito disciplinar prende-se com o tom utilizado pela magistrada Cândida Vilar no interrogatório realizado no âmbito das agressões na academia.

O vídeo



Confesso a minha perplexidade pela forma como a procuradora do ministério público tratou este arguido em sede de interrogatório judicial. Se é desta forma que estas diligências são conduzidas por altos magistrados do MP, eu imagino o que acontecerá em esferas inferiores. E digo isto, não me referido em especifico para este caso, mas para todos, independentemente do tipo de crime ou de dano.

Cândida Vilar abusou do seu poder perante alguém que está preso, logo, numa situação de fraqueza perante a senhora procuradora. Gritou com o arguido, impediu-o por diversas vezes de se defender através da resposta às questões, chegando ao ponto de dizer "o senhor não é nada", concluindo posteriormente com um "no desporto". Uma conclusão forçada, porque basta ouvirmos este pequeno excerto para percebermos exactamente aquilo que a senhora pensa sobre o arguido. A sensação que dá é que a magistrada queria colocar na boca de Fernando Mendes, precisamente aquilo que queria ouvir. No caso do interrogatório de Nuno Torres, chega mesmo a ameaça-lo com o seu passado.

Causa-me estranheza a necessidade de defesa dos jogadores como sendo uns coitadinhos. Toda a gente sabe que foram eles as vítimas e que este episódio nunca deveria ter acontecido. Não vejo por isso qual a necessidade de todo o enxovalho quando o arguido Nuno Torres diz que deu cabo da sua vida por esta situação. Os termos a que se referiu à vida de Rui Patricio, mas sobretudo a ameaça relativa ao passado do arguido é um enxovalho que tem tanto de odioso como de irrelevante para o caso.

A forma como esta diligência foi conduzida diz muito sobre a postura profissional da senhora, mas diz ainda mais daquilo que é enquanto pessoa. Resta-nos esperar que a PGR faça o seu trabalho e analise se esta é a forma correcta de uma procuradora do MP lidar com os arguidos.

Para fechar, deixo a perguntar que se impõe: Será que a senhora procuradora faz este tipo de interrogatório quando tem pela frente pesos pesados? Era isso é que eu gostava de ouvir, para verificar se o abuso de força é só usado contra os fracos. 

PS: Na foto introdutória deste post é possível vermos a senhora procuradora em amena cavaqueira com Henrique Machado - famoso jornalista Benfiquista do CM - e Rui Pereira, seu amigo pessoal, mandatário da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O famoso computador de Jorge Jesus


Na nova leva de emails divulgados pelo Blog Mercado de Benfica foi recordado um email que já tinha sido divulgado pelo programa Universo Porto da Bancada em Agosto de 2017. Vejamos:

"Nunca se sabe o que esse louco ali metia"


Notícia Record 19/11/2018 - Link (aqui)

Portanto, Paulo Gonçalves estava preocupado com eventuais contactos de "jogadores de outros clubes e contactos relacionados com a arbitragem". Por que será?

Importa dizer que este email de Paulo Gonçalves surge como resposta a um outro famoso email enviado por Domingos Soares de Oliveira. Vamos recordar a notícia do jornal Ojogo do dia seguinte à divulgação desses emails por Francisco J.Marques no Porto Canal.

Jornal Ojogo 9/08/2017
Ou seja, na comunicação de Domingos Soares de Oliveira enviada para Paulo Gonçalves, relatada nesta notícia do jornal Ojogo, são sugeridos dois crimes: Influenciar e preparar testemunhas para serem ouvidas em tribunal e crime informático através do acesso ao computador de Jorge Jesus. 

No final da notícia do jornal Ojogo há ainda um pormenor muito interessante que foi omitido na recente notícia do jornal Record. Reparem que o email de Paulo Gonçalves acaba com um "Por isso, o risco é elevado". Frase que foi omitida da notícia do Record. 

"Por isso o risco é elevado"


A pergunta do milhão de dólares terá de ser: mas qual risco? E quem é que corria o tal risco elevado? Jorge Jesus ou o Benfica? Ficam estas perguntas no ar, até porque há alguém que sabe a resposta. Aliás, sabe muita coisa...


Este vídeo é de um Sporting-Estoril de 2015 e Jorge Jesus referia-se ao árbitro Jorge Ferreira, mais conhecido por "esquiça" ou benfiquista de Fafe, para os amigos. Um dos tão famosos padres de Adão Mendes da Associação de Futebol de Braga. 

Parece-me que o MP teria todo o interesse em ouvir o que Jorge Jesus tem a dizer sobre esta matéria, mas nesta fase se calhar já vão tarde, uma vez que já se percebeu que o computador do "louco" regressará ao Estádio da Luz. É só uma questão de cumprir os 6 meses ininterruptos como trabalhador do Al Hilal para poder regressar sem penalização fiscal. Nesta fase só resta mesmo saber como e quando vai ser feita a limpeza no sistema operativo do PC do homem honrado. Como diria alguém: "limpinho, limpinho". 

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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Uma nova leva de emails


Ao 18º dia de cada mês o Mercado de Benfica publica uma nova leva de emails. Aqui ficam a primeiras novidades deste último leak. 

Os clubes amigos


Jornal de Notícias de 19/11/2018

Record de 20/11/2018


A polícia do Benfica


Jornal Record de 19/11/2018

Jornal Ojogo de 19/11/2018

Notas finais


O modus operandi do Benfica em relação às instituições do poder do futebol nacional e aos restantes clubes já era conhecido de todos. O que não sabíamos é que o poder de persuasão já tinha chegado à própria PSP, que transformou a uma goleada em engenhos pirotécnicos de 149-1 a favor do Benfica num: "Fora a detenção e a apreensão dos 150 artigos pirotécnicos, pertencentes aos adeptos dos dois clubes, não houve incidentes a registar", disse o senhor Rui Costa, comissário da PSP. 

Link da notícia de 2015 com a declaração 

Fico a aguardar que a tutela se pronuncie sobre esta comunicação criativa por parte da Polícia de segurança pública. 

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

As fragilidades do processo Cashball


O dia 15 de Maio de 2018 ficará para sempre na memória dos Sportinguistas como um dos dias mais complicados da história do clube. Na manhã desse dia o jornal Correio da Manhã noticiou o caso Cashball e a meio da tarde a Academia do Sporting foi invadida por um bando de marginais. Compreensivelmente, os Sportinguistas entraram em pânico com estes acontecimentos e com o possível envolvimento dos seus dirigentes e funcionários. Durante  meses estes dois casos foram sendo alimentados em doses diárias até ao dia em que os Sportinguistas elegeram nova direcção. 

Depois da tempestade, parece estar a caminho a bonança. Meio ano depois e apesar de ainda subsistirem algumas dúvidas muito relevantes, o que é certo é que a neblina está a dissipar-se e já há muitas coisas que começam a ficar claras para todos. Vejamos por exemplo a última novidade relativa ao processo Cashball.

Um exclusivo escondido nas últimas páginas


Na sua edição de ontem, o jornal Correio da Manhã apresentou um exclusivo que acabou por ser remetido para as últimas páginas e sem destaque de capa. Por que será?


Na notícia do benfiquista Henrique Machado há duas passagens que gostaria de salientar. A primeira que diz que a juíza de instrução não suspendeu André Geraldes de funções, tendo-o "apenas" suspenso de contactar alguns agentes. Como sabemos, André Geraldes pediu voluntariamente a suspensão do seu cargo no Sporting. Algo que nunca foi suficientemente relevado e que tem muito importância. Veja-se por comparação a posição de Paulo Gonçalves no Benfica. 

O segundo ponto que quero salientar está nas últimas duas linhas: "A investigação revela fragilidades por falta de provas, apurou o CM. E arrisca arquivamento no que diz respeito a Geraldes".

A imprensa de hoje


Na imprensa de hoje, pouco ou nenhum destaque é dado a esta matéria e há apenas duas referências nas capas dos jornais de hoje.

Destaque na capa do Record e do Ojogo
Durante meses o nome de André Geraldes e do Sporting foi enxovalhado na praça pública com especiais de informação e dezenas de notas nas capas dos jornais. Agora que o MP demonstra uma enorme fragilidade não conseguindo sequer deduzir uma acusação, a imprensa ignora olimpicamente esta matéria. Excepção feita ao jornal Ojogo.  


Nesta peça jornalistica também quero salientar duas passagens. Uma primeira onde é dito que André Geraldes "dificilmente será condenado pelos 18 crimes de corrupção activa que estava indiciado no caso Cashball. Tudo porque a investigação revelou fragilidades, por falta de provas fortes contra Geraldes". 

Um confissão paga pelo Correio da Manhã


A segunda passagem neste artigo do jornal Ojogo, merece o meu aplauso, na medida em que o jornalista Bruno Fernandes deu aos seus leitores o devido enquadramento da matéria dizendo: "recorde-se que todo este processo foi espoletado por Paulo Silva, empresário que, em exclusivo ao "Correio da Manhã" revelou a prática destes eventuais crimes". Só faltou dizer que este Paulo Silva foi pago pelo Correio da Manhã como o próprio disse no seu testemunho ao Ministério Público. 

Link da notícia (aqui)
É importante que os Sportinguistas não se esqueçam de onde surgiu esta história e como foi montada a coisa. 

Notas finais


Segundo a tese inicial do MP, André Geraldes seria o mentor de todo o esquema. Não sendo membro dos órgãos sociais, André Geraldes ligava o Sporting ao processo por ser funcionário da SAD, motivo pelo qual a SAD é parte interessada nesta matéria. Portanto, numa fase em que o MP demonstra não ter provas sólidas para deduzir uma acusação, a direcção do Sporting remete-se incompreensivelmente ao silêncio. 

Para quem não sabe, a CMVM obrigou a Sporting SAD a colocar o processo Cashball no capitulo dos riscos no prospecto do empréstimo obrigacionista que está em curso. Numa altura em que a administração da SAD se desdobra em propaganda, entrevistas e apelos à subscrição deste empréstimo obrigacionista, parece-me que seria muito importante que fosse emitido um comunicado ao mercado a referir que dois dos principais riscos apontados no prospecto (envolvimento de dirigentes do Sporting no Cashball e no caso de Alcochete/rescisões) foram agora fortemente reduzidos, uma vez que os indícios contra Bruno de Carvalho não são fortes - como reconheceu o próprio juiz no comunicado onde ordenou a libertação do ex-presidente - e no caso de Geraldes nem acusação o MP conseguiu deduzir. 

Fico a aguardar um comunicado da Sporting SAD que defenda os interesses da sociedade, dos seus accionistas, dos actuais e futuros obrigacionistas e sobretudo dos sócios do Sporting. É também importante que os Sportinguistas pensem bem nos superiores interesses do clube. Tenho visto posições muito extremadas, que vão desde o boicote ao empréstimo obrigacionista por um lado, até a uma ardente vontade de ver Bruno de Carvalho e André Geraldes presos e condenados. Deixo esta pequena reflexão à consciência de cada um. 

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domingo, 18 de novembro de 2018

Os indícios que levaram à detenção de Bruno de Carvalho e Mustafá


A revista Sábado desta semana apresentou uma matéria sobre os indícios que fundamentaram o pedido de prisão preventiva de Bruno de Carvalho e Mustafá. 

Através do despacho de 38 páginas assinado pela procuradora Cândida Vilar a que a Sábado teve acesso, os jornalistas concluíram que a fundamentação para a detenção e para o pedido de prisão preventiva de BdC e Mustafá foi feito sobretudo com base em três testemunhos de alegados membros "arrependidos" da Juve Leo: Nuno Torres, conhecido por conduzir o famoso BMW azul, Filipe Correia Alegria e Guilherme Gata de Sousa.

Antes de fazer a minha análise deixo os prints da revista (aqui), (aqui) e (aqui).para que os leitores possam tirar as suas próprias conclusões.

Os três testemunhos


Nuno Torres esclareceu que participou na coreografia em que foram lançadas tochas na direcção da baliza de Rui Patrício no derby com o Benfica. Disse também que a entrada de tochas no Estádio foi feita com autorização de Bruno de Carvalho e concluiu dizendo que viu Bruno de Carvalho a falar com Mustafá e que estava convicto de essa conversa tinha sido para ambos acertarem a coreografia. 

Filipe Correia Alegria esclareceu que o ataque a coreografia foi combinada num grupo de Whatsapp e que foi Mustafá quem deu a ordem para o lançamento das tochas numa reunião na véspera do jogo. Acrescentou que com base na sua experiência no seio da claque que o lançamento de tochas nunca poderia ter acontecido sem autorização de Mustafá e Bruno de Carvalho. Segundo a revista Sábado, o depoimento de Guilherme Gata de Sousa vai no mesmo sentido do depoimento de Filipe Correia Alegria. 

Os outros indícios


No despacho são apresentados outros indícios que o MP considerou como sendo relevantes. É referida uma reunião três dias antes do ataque à Academia, onde o MP diz que Bruno de Carvalho disse às claques para darem um aperto aos jogadores. Ora, três dias antes do ataque na Academia, situa-nos na véspera do jogo com o Marítimo. Acreditando que seja verdade eu pergunto: que sentido teria Bruno de Carvalho mandar dar um aperto nos jogadores quando a decisão do 2º lugar iria ocorrrer no dia seguinte e dependia apenas única e exclusivamente do Sporting. A não ser que Bruno de Carvalho já soubesse que o Sporting não iria ganhar o jogo. 

O episódio das tochas


Ora, em relação aos testemunhos dos tais três "arrependidos" não há qualquer relato sobre os acontecimentos de Alcochete. Os três limitam-se a falar sobre o episódio das tochas em Alvalade. De seguida fica o vídeo da coreografia da Juve Leo. Façam o favor de ver a analisar os comportamentos. 


Como podem verificar, o semblante de Bruno de Carvalho é de total reprovação pelo sucedido. Aliás, Bruno de Carvalho parece ser o único a mostrar desagrado pelos acontecimentos (01:19m). Reparem como outros agentes desportivos apanhados nas imagens da Sporttv mostram total descontracção e até sorriem perante o sucedido. Falo de Rui Vitória (01:03m), Frederico Varandas (00:37m) e até do próprio Rui Patrício (00:50m).

Mas mais relevante do que o vídeo é utilizarmos a cabeça para pensarmos numa coisa muito simples: Que interesse teria Bruno de Carvalho ou a Juve Leo em atingirem o guarda-redes do Sporting no início de um derby que poderia garantir o 2º lugar no campeonato e consequente acesso à Liga dos Campeões? Qual era a ideia? Magoar o Rui Patrício para entrar o Salin para a baliza? 

Obviamente, esta teoria só cabe na cabeça de alguns iluminados. 

Por aqui se vê que os indícios apresentados no despacho do MP nunca poderiam ser aceites pelo juiz que decidiu então libertar Bruno de Carvalho e Mustafá. 

No vídeo seguinte, retirado do SOS24 de sexta-feira, Rui Pedro Braz faz já a análise em função da acusação que foi entretanto deduzida. Acusação que é sempre mais especifica do que a indiciação.  


Rui Pedro Braz será provavelmente o comentador que mais tem criticado Bruno de Carvalho ao longo dos últimos anos. E até ele não consegue esconder aquilo que vai já sendo óbvio para todos. 


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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Terrorismo?


Na passada terça-feira, Inês Ferreira Leite, docente da universidade de Direito de Lisboa esteve num especial de informação da SIC Notícias onde de uma forma elucidativa e informada deu o pontapé de saída numa discussão muito relevante, que passa pela categorização dos acontecimentos de Alcochete como sendo ou não considerados actos de terrorismo. 

Aqui fica o vídeo.

As declarações 



A complexidade das teorias jurídicas que têm sido apresentadas aos portugueses nos últimos tempos dificultam a percepção do que está verdadeiramente em causa no ataque à Academia do Sporting. A certa altura, Inês Ferreira Leite diz uma coisa que todos compreendemos: "As pessoas não precisam de ler o código penal para saberem o que é um crime". Chegamos a um ponto tal em que se torna refrescante ouvir algo que é do senso comum. Deixo apenas esta pequena reflexão complementar às declarações anteriores.

Quanto à classificação de terrorismo há mais para dizer, mas fica para outro post. 

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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Bruno de Carvalho e Mustafá saem em liberdade


Ao final da manhã de hoje o Juízo de Instrução Criminal do Barreiro do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa informou a libertação imediata de Bruno de Carvalho e de Nuno Mendes, mais conhecido por Mustafá. 

Comunicado oficial


De seguida deixo o comunicado na íntegra:

"O Juízo de Instrução Criminal do Barreiro do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, informa os senhores jornalistas que, devido à greve parcial dos senhores oficiais de justiça, só agora foi lido o despacho que aplicou as medidas de coação aos arguidos agora detidos na sequência do processo n.º 257/18.0 GCMTJ instaurado pelos factos ocorridos na Academia do Sporting Clube de Portugal.

Mais informa que a ambos os arguidos, BRUNO MIGUEL AZEVEDO GASPAR DE CARVALHO e NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES tendo em conta que se verificam indícios da verificação dos pressupostos objetivos e subjetivos dos tipos de crimes que lhes são imputados:

- vinte crimes de ameaça agravada, p. e p. pelo artigo 153º, n.º 1 e 155°, nº1, alínea a) do Código Penal;

- doze crimes de ofensa à integridade física qualificada, p. e p. pelo artigo 143º, n.º 1 e 145º, n.º1, alínea a), n.º 2 por referência à alínea h) do n.º 2, do artigo 132° do Código Penal de:

- vinte crimes de sequestro, p. e p. pelo artigo 158°, n.º 1 do Código Penal;

- dois crimes de dano com violência, p. e p. pelo artigo 212°, n.º 1, e 214º, n.º1, alínea a), do Código Penal;

- dois crimes de detenção de arma proibida agravado, p. e p. pelo artigo 86°, n.º1, alínea d) e 89°, por referência ao artigo 2°, n.º 5, alínea af) e q) e 91°, n.º1, alínea a) e nº 2 da Lei n.º 5/2006, de 23.02;

- um crime de terrorismo, p. e p. pelo artigo 4º, n.º 1, por referência ao artigo 2º, n.º1, alínea a) da Lei n.º 52/2003, de 22.08, com a redacção dada pela Lei n.º 60/2015, de 24/6.

E que se indicia ainda, fortemente, a prática, pelo arguido NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES, em autoria material de:

- um crime de tráfico de estupefacientes, previsto e punível pelo art.º 21 n.º 1 do DL 15/93 de 22.01

e que se verificam, ainda, em concreto, os perigos de fuga, de perturbação do decurso do inquérito, nomeadamente, para a aquisição e conservação e veracidade da prova, de continuação da atividade criminosa, bem como de grave perturbação da ordem e tranquilidade públicas, atendendo à natureza dos ilícitos em causa e à visibilidade social que a prática dos mesmos implica, considerando que a atuação dos arguidos revela um manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocam nas vítimas, foram aplicadas a cada um dos arguidos, uma vez que apenas em relação à prática do crime de tráfico de estupefacientes imputado ao arguido Nuno Mendes se verificam fortes, os indícios resultantes dos elementos de prova constantes dos autos (o que implica que não seja possível a aplicação das medidas de coação previstas nos artigos 200º a 202º do Código de Processo Penal (proibição ou imposição e condutas, obrigação de permanência na habitação e prisão preventiva), para além do Termo de Identidade e Residência, as medidas de coação de apresentações diárias nos Órgãos de Polícia Criminal das respetivas áreas de residência e ainda a prestação de caução, no montante de € 70.000,00."

Para fechar


Neste curto despacho o juiz conclui que "uma vez que apenas em relação à prática do crime de tráfico de estupefacientes imputado ao arguido Nuno Mendes se verificam fortes, os indícios resultantes dos elementos de prova constantes dos autos". Portanto, relativamente ao caso de Alcochete o juiz considera que os indícios não são sequer suficientemente fortes para manter Bruno de Carvalho e Mustafá em prisão preventiva, ao contrário do que aconteceu com os restantes arguidos neste processo.

Posto isto, as televisões e jornais deste país podem mobilizem agora os seus meios para a porta do tribunal onde decorre a instrução do processo e-toupeira.

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