" Mister do Café: Autópsia da Perseguição a Slimani: Identificações, Vislumbres e Maus Fígados

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Autópsia da Perseguição a Slimani: Identificações, Vislumbres e Maus Fígados


A história é simples:

Quando o derbi da Taça acabou, venceu o melhor.
A arbitragem, apesar de algumas falhas, não teve qualquer influência no resultado.
O que se passou no jogo ficou resolvido dentro do jogo.

Ou pelo menos assim devia ter sido, porque o Benfica, desesperado pela sua própria impotência e com a soberba ferida pela terceira humilhação consecutiva - sem pele nem espinhas, mas com muita cebolada - atirou-se para a secretaria, para tentar infligir os danos que não conseguiu em campo e obter dividendos para uma vantagem futura.
Resumidamente, tudo o que de mais baixo há no desporto.

Slimani errou. Eliseu, Samaris e Jardel também.

O Benfica apresentou queixa, por "flagrante delito", sustentado-se nas imagens da transmissão e o Sporting reagiu como lhe competia e pelos mesmos motivos, uma vez que os seus jogadores também foram alvos de agressões evidentes, objectivas e visíveis, algumas delas bem bárbaras.

O inquérito foi aberto e o árbitro principal, Jorge Sousa, foi chamado a pronunciar-se.



Sobre as agressões, visíveis nas imagens, de Jardel (min 52), Eliseu (min 12, 108 e 120+1), e de Jardel ao treinador-adjunto do Sporting após o fim do jogo, disse não ter "vislumbrado" qualquer agressão ou infração.

Sobre a situação de Slimani, disse não ter identificado "nenhuma acção no jogo que envolva o jogador do Sporting CP, Islam Slimani e o jogador do SL Benfica, Andreas Samaris".

Ou seja:
Nas agressões dos jogadores do Benfica, "não vislumbrou", isto é, viu as jogadas todas (!!!) mas não viu nelas (erradamente, conforme demonstram as imagens!) quaisquer irregularidades.
Foram apenas casos de má arbitragem... arquive-se.

Já o que se passou entre Slimani e Samaris não viu de todo, a ponto de "não identificar" a situação.

Mas... e os árbitros auxiliares?
Ou não são também árbitros e membros de pleno direito da equipa de arbitragem, com poder decisório e intervenção incontornável nas decisões do jogo?
O que "viram", "vislumbraram" ou "identificaram", ou não, uma vez que ao que parece não foram ouvidos (Jorge Sousa fala sempre na primeira pessoa do singular - "eu"!).
Um "pormenor", a que já voltaremos.

A citação imediatamente seguinte do relatório, em que Jorge Sousa se pronuncia sobre o que viu ou deixou de ver, à posteriori, nas imagens televisivas, é no mínimo abusiva no contexto do processo, uma vez que é totalmente ilegal qualquer acto de rearbitragem do jogo.
O que viu no jogo, viu. O que não viu não viu. Ponto.
Tudo o resto é opinião, uma vez que o jogo já foi arbitrado na altura.

Com efeito, esta entorse opiniativa introduzida no processo só se compreende no âmbito de uma incompetência grave dos inquiridores ou por via de uma parcialidade intencional na apreciação do caso, orientada para servir uma condenação segundo os interesses de uma das partes.
Agrava que é uma opinião feita em causa própria, o que lhe confere um peso ainda inferior ao que, por princípio, já não tinha. Curiosamente, opinião por opinião, não é chamado a opinar sobre as acções dos vermelhos. Opiniões.

Mas o pior está muito para além disso:


Fica claro que as imagens da transmissão são centrais no apuramento da situação.
Essas imagens foram repetidas até à exaustão pelas diversas televisões e em múltiplos programas.
Mas será que as pessoas (inquiridores e juízes incluídos) as viram realmente? Com olhos de ver?
Ou será que falta aqui alguma coisa?

Houve um esforço enorme da CS, acompanhando as "dores" benfiquistas, para nos vender uma "agressão" incontornável (o "crime") e o árbitro que não viu (o sustento para haver "processo").
A ponto de chegarem a colocar sombras nas imagens de forma a evidenciar "o crime", para que todos se focassem no "facto" de Jorge Sousa não estar a ver.
Mas... para além do que quiseram mostrar, haveria mais alguma coisa para ver?

Quantos árbitros estavam em campo?
Algum dos outros viu?
Porque foi chamado apenas Jorge Sousa?
Será mais um atropelo ao processo?

Antes de irmos às imagens, há que reter o seguinte:
  • Há 4 árbitros em campo, todos constituintes da equipa de arbitragem e todos com capacidade de decisão.
  • A cada um é atribuído um acompanhamento diverso, de forma a conseguirem a maior abrangência possível na leitura e julgamento das diversas situações do jogo, complementando-se entre si, aproveitando as diferentes posições de cada um.
  • Qualquer árbitro que esteja com qualquer situação no seu campo de visão, "vislumbre" ou não alguma irregularidade, arbitrou. Basta estar a olhar para o lugar onde tal sucedeu.
  • Pode fazer um julgamento errado (tal como Jorge Sousa fez nas diversas agressões dos jogadores do Benfica) mas não pode dizer de forma nenhuma que "não identificou", porque estava a olhar para lá.
  • Aceitar a possibilidade de uma "não identificação" nessa situação, seria estar a promover uma rearbitragem e isso além de ilegal é absurdo, uma vez que TODAS as jogadas passariam cair nessa alçada e nenhum árbitro poderia ser jamais penalizado por uma má decisão!



Liga NOS 8ª jorn. & Taça de Portugal 4ªElim... por VL1906


VAMOS ENTÃO ÀS IMAGENS

 E a um tesourinho que trazem escondido à vista de toda a gente.
Tanto na câmara mais aproximada, como na câmara mais abrangente, vê-se que o árbitro auxiliar, tal como o árbitro principal, está a olhar para Pizzi, que leva a bola.
Está espectante do passe que se anuncia, e preparado para continuar a seguir a jogada.
Tanto assim é que, quando Pizzi faz o passe longo, o árbitro auxiliar arranca a correr para acompanhar "a avançada".
Só que, ao contrário do que que se passa com Jorge Sousa, a dupla Slimani/Samaris, no momento do "crime hediondo", está no campo de visão do árbitro auxiliar, e tão próximos de Pizzi que é obrigado a vê-los.

Uma nota:
Horizontalmente, a visão de qualquer pessoa tem vários graus de definição, consoante o ângulo que faz a partir do foco dos olhos. No espaço entre os ângulos de 10º para cada lado do foco dos olhos, a definição daquilo que se vê é máxima - tudo é objectivamente visível, como se mostra neste gráfico de origem científica:




Vejamos o que o árbitro auxiliar vê:


A dupla Slimani/Samaris está dentro do campo de visão máximo do árbitro auxiliar (10º para cada lado do foco no centro da acção - aqui representado aproximadamente) e quase no enfiamento do Pizzi.
O excerto mostrado na tv apenas deixa perceber este facto durante uma fracção de segundo, passando por isso quase invisível aos olhos de todos.



 Não obstante o trabalho dos editores lampiânicos para escurecer tudo o resto à excepção do "crime", num esforço claro para esvair o único outro interveniente visível da equipa de arbitragem, nesta imagem vê-se claramente o posicionamento do árbitro auxiliar e o que cai no seu campo de visão mais definido e objectivo. "Agressor", "vítima" e "acção" estão perfeitamente visíveis.

Ou seja:
O árbitro auxiliar estava a olhar para a acção.

Pode dizer que não vislumbrou a irregularidade?
Pode! Como muitas outras que não foram vislumbradas pelo seu chefe de equipa.

Pode dizer que não identificou a acção?
Não. Porque estava a olhar exactamente para ela.

Vista a acção, a arbitragem está feita definitivamente, quer tenha vislumbrado ou não a irregularidade.
A não ser no âmbito de uma rearbitragem posterior ilegal, e aí pode dizer o que quiser.

A CII (que se tem comportado frequentemente mais como uma Comissão de Inquéritos "Incarnados" do que outra coisa) pode ter relatado tudo, com a maior incompetência, abuso ou até tendência e parcialidade.
Mas no julgamento, aquilo que se espera é uma avaliação imparcial e substantiva, conforme é exigido à aplicação da justiça em qualquer julgamento.

Tudo o resto, é querer construir objectivamente mais uma "nódoa negra sem hematoma", de forma a colocar a "secretaria jurídica" ao serviço dos interesses de uma parte, por via da manipulação regulamentar e desportiva.

Não sou ingénuo e, à semelhança do que tem sido infelizmente frequente, temo que a justiça, uma vez mais, seja submetida a interesses que têm como objectivo a entorse da verdade desportiva com favorecimento, a qualquer preço, das cores que mandam no "sistema".

Mas também acredito que nunca é tarde para emendar a mão, e que há coisas que são demais, por muito mau que seja o contexto e o historial da justiça desportiva.
A decisão sobre a forma de agir, a opção sobre a parcialidade ou imparcialidade, com o consequente libelo de corruptos ou justos, está do lado dos juízes.

Dos inquiridores já não sobram grandes dúvidas que não pestanejam em comportar-se como inquisidores, perseguindo uma "verdade" pré-estabelecida e conveniente aos seus "donos", ou então por via de uma incompetência de tal forma atroz que vai dar ao mesmo.

Os juízes que façam como entenderem, com a certeza que serão exactamente aquilo que fizerem.
De uma coisa, inventem o que inventarem, não poderão fugir:

O árbitro auxiliar viu e, no máximo, "não vislumbrou".
Decidiu mal? Seguramente.
Mas a decisão ficou no jogo e de lá não pode sair. Porque se trata de uma situação clara e objectivamente passada dentro do seu campo de visão mais definido e preciso deste árbitro.
A partir daí, não só não devia ter havido processo como, havendo, o único caminho é o arquivamento.

O Slimani fez mal? Fez.
Os jogadores do Benfica também.
Mas, pelas circunstâncias factuais, nenhum deles pode ser julgado.
Por grande que seja o desespero, a falta de princípios e os maus fígados de alguns lidarem com as ceboladas onde se metem. A justiça é que não se pode meter nisso.
Não vivemos numa República das Bananas, onde uns bananas podem gozar a bel-prazer com 1/3 da população do país e sair impunes disso.

Qualquer outra decisão que não o arquivamento da totalidade dos casos, significa o uso da justiça como arma de arremesso, com duplicidade intencional de pesos e medidas e distorção objectiva da verdade desportiva.
Se tal acontecer, a ira dos sportinguistas será inevitável, justificada e legítima, tal como foi justificada e legítima a ira da população quando teve que se deitar a perseguir e acabar com a Inquisição.

Estejamos atentos e preparados para agir forte e feio, se for necessário.

O Avançado da Esplanada



Este é o segundo texto do "Avançado da Esplanada". Se ainda não leram o primeiro podem faze-lo (clicando aqui).

Infelizmente por motivo de doença de um familiar não tenho actualizado o blog nos últimos dois dias com a regularidade habitual.

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8 comentários:

  1. Caro Mister,
    Perante o que aduz, tenho que lhe dar os meus parabéns pela argúcia demonstrada.
    Não percebendo nada dos meandros da Justiça, direi que aqui está uma excelente argumentação de Defesa Jurídica!
    SL

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  2. Muito bem, grande trabalho deste blog, mais uma vez!

    Isto só aumenta o já de si enorme escândalo que seria condenar o Slimani ao que quer que seja. Só a instauração do sumaríssimo já foi muito grave, e com possível influência no rendimento do atleta...

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  3. Por acaso não concordo com a tua visão do assunto.
    Se alguém tivesse visto a agressão do Slimani ao Samaris teria imediatamente comunicado ao árbitro e o árbitro teria que julgar a situação com base no que lhe estavam a dizer. Como ninguém comunicou, então é porque não viram.

    Há uma situação semelhante em que o Eliseu dá uma chapada ao J.Mário, que como era dentro da grande área, seria penalty. Penso que isto aconteceu no período de compensação do jogo da taça. Essa sim, ninguém a viu, pois senão o árbitro teria que o ter escrito no seu relatório de jogo. E essa penso ser a única situação que está no mesmo patamar da do Slimani. A diferença é que para os lamps ficar sem o Eliseu não é grande preocupação.

    Aqui o que se pode criticar é que se está a usar imagens para castigar um jogador, quando o regulamento da FPF diz especificamente que não se pode usar imagens para castigar.

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    Respostas
    1. O erro da tua apreciação, Mike, é que não é preciso que a irregularidade em si tenha sido vista ou não. Estando o árbitro auxiliar a olhar naquela direcção ele vê os dois. Pela posição em que estão, não consegue perceber se foi agressão ou não, ou avalia mal, mas viu os dois, ou a "acção", como diz o relatório.

      A partir daí, o lance está arbitrado.
      É como aquelas dezenas de lances em que os jogadores, por ex., tocam com a mão na bola e os árbitros, embora estejam a olhar para a acção, não conseguem ver a irregularidade, porque estão tapados, ou foi feito num ângulo morto.

      Isto não serve para dizer que o Slimani não agrediu (tal como fizeram Samaris, Eliseu e Jardel), mas é evidente que, estando o auxiliar a olhar para lá, a jogada está arbitrada.

      O "alheamento" da acção de Jorge Sousa, que está a ser usado pelo Estado Lampiânico para sustentar a abertura e existência do processo, é falacioso, porque tenta esconder o facto de o auxiliar ter visto a "acção". E uma vez arbitrado, está arbitrado. Não pode ser arbitrado novamente.

      Tudo não passa de mais um expediente neste ambiente de constante corrupção do futebol português em que a única coisa nova é ter mudado de "donos".
      A batota é a regra e o campeonato um logro, como se confirma jornada atrás de jornada e esta, uma vez mais, não foi excepção.

      Depois, basta recorrer à hipocrisia, negar e acusar outros de o estarem a fazer. A receita é velha e podre, mas só serve a quem tem a desonestidade intelectual de acreditar nela (os beneficiados e aqueles que os protegem, como a CS e o «sistema», por ex.).
      Todo o resto da população sabem, muitos benfiquistas incluídos, sabem tratar-se de batota, aldrabice, tanga, roubo e sentem-se legitimamente enganados e revoltados.

      Esta gente é tão cega que não descansa enquanto não matar o futebol de vez.

      O que estranho (ou talvez não) é o silêncio e a inacção das polícias e do Ministério Público.
      Por mais droga que apareça nas redondezas, por mais ligações suspeitas e perigosas que apareçam por perto, por mais dinheiro inexplicado que surja nas imediações, por mais evidente que seja o tráfico de influências... quando chega a altura de apertarem o cerco, não o fazem.
      Estarão a encobrir também? Ou também têm medo?

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  4. A propósito do Slimani, para além da ameaça que paira de eventual sumarissimo, é bom lembrar o que o Slimani também se encontra em risco de, caso veja um amarelo, não jogar o próximo jogo. Decidi então recolher informação sobre os 7 amarelos que o Slimani viu até agora no campeonato:

    Sporting vs Paços de Ferreira 45 min "Cartão amarelo para Slimani. O argelino é punido por simulação, num lance em que até está fora de jogo." informação maisfutebol.iol.pt
    Árbitro - Manuel Oliveira

    Sporting vs Nacional 45 min "Slimani ainda vê o cartão amarelo antes de recolher aos balneários e já depois de terminada a primeira parte. Protestos do argelino ainda na sequência do lance com bola na mão de há instantes." informação zerozero.pt
    Árbitro - Fábio Verissimo


    Boavista vs Sporting 29 min "Cartão amarelo para Islam Slimani (Sporting), por protestos." - informação zerozero.pt
    Árbitro - Artur Soares Dias

    Benfica vs Sporting 43 min "Cartão amarelo para Slimani. Por pontapear a bola já com o jogo interrompido" informação maisfutebol.iol.pt
    No zerozero.pt escreveram o seguinte: "Carlos Xistra a deixar-se levar pelas emoções do jogo e dos jogadores, exagerando claramente na amostragem de cartões nesta fase da partida." Isto depois de num espaço de 1 minuto ter mostrado amarelo a Gaitan, Slimani e Bryan Ruiz.
    Árbitro - Carlos Xistra

    Sporting vs Belenenses 87 min "Slimani viu amarelo há pouco por ter trocado algumas palavras com Artur Soares Dias." - informação zerozero.pt
    Árbitro - Artur Soares Dias

    Sporting vs Moreirense 49 min "Islam Slimani vê o seu 6º amarelo na prova (12 jogos)" informação zerozero.pt
    Pesquisei no desporto.sapo.pt e no maisfutebol e não consegui obter informação do motivo do amarelo para o Slimani.
    Árbitro - Nuno Almeida

    Sporting vs Porto 78 min "O argelino impediu Casillas de cobrar o pontapé de baliza." - informação zerozero.pt
    Árbitro - Hugo Miguel

    Resumindo, do amarelo que viu frente ao Moreirense não foi possível apurar os motivos que o originaram e, para ser sincero, também não me recordo.
    Os restantes 6 amarelos foram mostrados pelos seguintes motivos: 3 amarelos por protestos ou troca de palavras com o árbitro (Nacional, Boavista e Porto), 1 amarelo por eventual simulação (Paços de Ferreira), 1 amarelo por pontapear a bola com o jogo interrompido (Benfica) e 1 amarelo por impedir o guarda-redes contrário de cobrar o pontapé de baliza (Porto).

    Existe mais algum jogador com este histórico de "indisciplina"? Será que em muitas destas situações fez sentido mostrar amarelo ao jogador?

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  5. Completamente de acordo Mister! Agir forte e feio!

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